Dentro de um Abraço
4 A Menos Que...
Notas iniciais
Cap. 4
A Menos Que...
— Eu ouvi certo? – Charlie questiona – Está nos dizendo que Acnologia e Zeref...?!
— São inimigos, pois é. – Vitalina sorri orgulhosa de ter tamanho segredo guardado por tanto tempo – Na verdade, sendo mais exata, eles estão mais pra existências bastante indesejadas, de modo que nem mesmo os dois suportam um ao outro.
— Se importaria de explicar essa história direito? – Phanterlily pede.
— Ok. Sentem-se. – o grupo se acomoda na grama e ela cessa o bater de asas para o corpo pousar suavemente em frente a eles, não menos confortável – Se lembrem de que eu não gosto de repetir as coisas, mas se tiverem dúvidas dignas eu explico novamente.
— Certo. – Lucy responde por todos, então Vita tosse.
— Muito bem... O caso é que recentemente eu descobri um diário da minha irmã. A Vivienne, eu não sei se cheguei a comentar com vocês antes, devia ser a responsável por orientar a próxima geração da Fairy Tail ao invés de mim. Ela era a mais velha de nós.
— Não, você nunca mencionou isso. – Erza diz pelos demais.
— Pois é... É claro que a Vivi não chegou a ocupar essa posição; nem planejávamos monitorar a sua guilda nessa época! Mas, enquanto ela estava viva, montou esse diário e colocou nele diversas informações. Minha irmã escreveu até o dia da sua morte, então o conteúdo dele contém relatos que ela compartilhou com o seu amado.
— O dragão? – Levy pergunta retoricamente – E que informações são essas?
— Naquele diário ela explica por que o dragão apareceu na Ilha Tenrou machucado. Eu havia dito que ninguém sabia o motivo, não é?! – todos acenam em acordo – Então, a razão disso foi porque ele havia brigado com Acnologia!
— Mentira! – Happy coloca as patas nas bochechas – Por quê? Quando foi isso?
— Aí já quer demais! Não sei “quando”! – a fada resmunga – Mas aquele dragão se refugiou na nossa ilha buscando, de fato, um abrigo para curar suas feridas. Desse jeito, aquela bruxa que o transformou em humano a pedido da Vivi não podia ter se unido por acaso com o dragão negro! Só não sei dizer se foi um plano dela ou do Acnologia, mas os dois queriam atacar o Refúgio das Fadas, cada um pelo próprio motivo. Já tenho uma teoria sobre a razão dele, e ela envolve o mago das trevas.
— Zeref? – Natsu arqueia uma sobrancelha, cruzando as pernas – E qual é?
— Bom... Eu me recordo perfeitamente do problema de vocês com aquela porta que voltava no tempo, Eclipse. – alguns acenam aguardando-a prosseguir – Enfim, quem fez o projeto daquela máquina foi o Zeref. Uma de suas muitas criações, eu admito, geniais.
— Nem que nós não soubéssemos disso já seria fácil de acreditar! – o mago do gelo grunhe – Quase morremos quando aquela porta maldita foi aberta!
— É uma infeliz tendência do desgraçado para criar coisas perversas. Mas esse não era o resultado que ele devia esperar. A viagem no tempo tinha um propósito definido, e sem dúvida o destino temporal certo. Zeref estava muito curioso sobre a vida e a morte. Queria entender o seu sentido, desde o conceito até a ação, e de repente ficou obcecado. Tudo isso para tentar ressuscitar seu irmão mais novo, falecido há alguns anos.
— Espera ai, então Zeref tinha um irmão? – Jellal, estupefato, pausa e pega ar.
— É. Mas... – Vitalina cerra os olhos – O que um dia foi seu irmão não pode sequer receber o rótulo de ser humano. Não mais... Zeref alterou seu DNA original.
— Um instante... – a maga das runas a interrompe novamente – Não diga que ele...
— O irmão de Zeref é E.N.D. – a resposta imediata mantem um silêncio atônito nos peitos dos presentes, mortificando o ambiente por alguns segundos – Ele desejou que os seus últimos suspiros fossem cessados pelas mãos de seu próprio irmão, revivido como o demônio mais poderoso das bestas criadas para encontra-lo e mata-lo. Isso só significa que o desespero de Zeref está chegando ao limite. Logo, não haverá volta para ninguém.
— Mas... – Juvia começa ainda desnorteada – Por que ele faria isso?
— E como. – Gray complementa – Ressureição dos mortos não é tabu?
— Sim, por isso eu disse! Não me ouviu falar que ele certamente já está no ápice do seu desespero? – a fada bufa, sacudindo as mãos – Zeref não escolheu ser um mago das trevas, ele foi amaldiçoado! Possivelmente deve ter sido a ira do Criador, Ancselam. O caso é que de tanto mexer com esse tabu para tentar reviver o seu irmão, o idiota acabou descobrindo um dia, da pior maneira existente, a dor por brincar com regalias divinas. A criança quis brincar com fogo e terminou se queimando... E queimando todos ao redor.
— Como você sabe disso? – Charlie questiona, vendo-a suspirar.
— Estava tudo escrito em mínimos detalhes no diário da minha irmã. Apenas ela e o dragão tinham conhecimento dessa história, além de Acnologia. Ninguém mais sabia.
— Acnologia conhece a história de Zeref? Então sobre eles serem inimigos...
— Exato, meu caro gato negro, os dois se conhecem a mais tempo do que sua guilda foi criada. Se sua mestra, Mavis, ou algum dos primeiros fundadores já ouviu um relato ou só boato sobre a chacina da Academia Mágica de Mildian, o que eu até duvido muito, afinal, ela foi desfeita há mais ou menos 400 anos, então podem perguntar e vão confirmar o nome do culpado pelo trágico desfecho: Zeref. – os amigos se entreolham e alguns engolem a seco, pesando as palavras – Claro, não foi culpa dele realmente. A sua maldição despertou naquele momento. – Vitalina puxa o ar com força, cruzando os seus braços, e suas asas batem rapidamente refletindo o nervosismo dela – Seja como for, os professores e a leva enorme de alunos, todos morreram em questão de segundos.
— Se... – Jellal pondera – Se Acnologia conhece Zeref, então foi ele quem contou a história para o dragão por quem sua irmã se apaixonou?
— Talvez. O que dá para confirmar de fato é: ele sabia. Aquele dragão contou umas informações muito interessantes para a Vivienne. Quando eu li isso, imaginei se não foi por saber demais que ele acabou sendo atacado. Acnologia poderia ter contado ao outro dragão a história de Zeref, mas me pareceu fazer mais sentido que ele tivesse descoberto tudo por conta própria e acabou tentando fugir com a informação.
— Se fosse assim, então o Refúgio das Fadas... – Lucy pausa, prevendo a tortura de suas próximas palavras e imaginando se a própria Vita chegou ao mesmo raciocínio que vaga em sua mente – Teria sido atacado por uma rixa de dragões.
— É... – a fada sorri tristemente – É uma conclusão muito... Real. Por causa dela eu não tive coragem ainda de mostrar o diário da Vivienne pros meus pais, ou pra qualquer um. Tenho medo do que os membros da realeza vão dizer. – ela suspira de novo – Claro que é apenas uma teoria, porque para solidifica-la nós precisaríamos descobrir a origem, ainda infundada, da motivação de Acnologia pra evitar que outros descobrissem sobre a trágica história de Zeref. A teoria não pode ser sustentada, mas recai facilmente se levar em consideração a inimizade dos dois. Como eu disse, eles são existências indesejadas e graças a isso ambos rejeitam o mundo que também os despreza, tal qual um ao outro.
— Isso é estranho. – Natsu fala de repente e todos o encaram – Se eles trabalhassem juntos poderiam dominar o mundo em pouco tempo, então por que escolheram brigar?
— Uma boa pergunta, mas não diga isso nem brincando! – Gajeel rosna desgostoso – Sozinhos os dois já fariam um estrago imenso, imagine unidos!
— Ele tem razão. – concorda Vitalina – De fato, pelas notas da Vivienne, esses dois não parecem ligar pra isso. Provavelmente desejam a morte. Zeref de certo, do contrário não teria tanto trabalho criando demônios a partir do éter que constitui a própria magia.
— Então eles foram criados com base nesse princípio? – Lily indaga.
— Sim. Pela informação que o dragão deu a Vivi, o mago negro os chamou bem no começo de “Etherias”, graças à origem. Posteriormente os demônios ficaram conhecidos apenas como obras do livro de seu criador. Porém, isso realmente não importa agora.
— E por que Vivienne achava que Zeref e Acnologia desejam a morte? – a loira faz a pergunta, observando a fada cerrar os olhos e sorrir melancolicamente.
— Se fosse condenada a passar o resto da vida destruindo tudo que toca sem querer, você aguentaria continuar vivendo? – o grupo pausa para refletir e aos poucos todos são preenchidos com um sentimento de pena, provavelmente compaixão – Por isso eu disse, quando nos conhecemos, que vocês deviam tentar encontrar o mago negro e restaurar o corpo da sua mestra Mavis o quanto antes, para ela poder beijá-lo. Essa é, de verdade, a melhor maneira de acabar com a dor do coitado. Nem se pode dizer que está vivendo.
— Só porque ele está sofrendo também não quer dizer que precisamos convencer a Primeira a beijá-lo! – Erza franze o cenho – Deve haver outra maneira!
— Não entendo realmente a finalidade dessa relutância. Já conversaram com ela?
— Sim, mas ela não disse nada. – Lucy responde e então Vita cruza pernas e braços numa postura indígena, resmungando de olhos fechados por alguns segundos.
— Talvez Mavis não tenha entendido ainda o que eu desejo repassar a vocês. Ela só compreendeu superficialmente minhas palavras. – ela conclui por conta própria – Mavis confirmou alguma coisa a mais sobre o Zeref, disse algo sobre o que sentia por ele?
— Na boa, eu tenho quase certeza que quem está entendendo errado aqui é você. – Vitalina levanta repentinamente afobada, indignada.
— Não me desrespeite dragão do ferro! – ela bate suas asas sem sair do chão – Não faça um juízo errado. Eu realmente simpatizo com vocês, mas se não quiserem a minha ajuda, podem se virar sozinhos. Não ligo, nem trabalho pra vocês!
— Calma Vita! – Levy pede, se levantando assim como os outros – Ignore o Gajeel, por favor! Ele fala muita besteira sem pensar, você deve saber bem!
— Olha só... – a fada toma fôlego, fazendo um sinal de calma com as mãos – Posso entender a obsessão de Zeref pelo irmão porque eu também desejo preservar a memória da minha irmã. Vivienne era minha inspiração, e eu a respeitava muito, por isso se a sua memória fosse denegrida de alguma forma jamais poderia me perdoar! Eu prometi que a substituiria monitorando a terceira geração da Fairy Tail, contudo, como uma promessa pessoal a ela, também me comprometi a preservar e repassar sua crença do grande poder do amor. Achei que podia unir o útil ao agradável e fazer os dois serviços de uma vez só ao incentiva-los a se darem melhor, mas pelo visto me enganei.
— Desculpe senhorita fada... – a gata branca, voando ao lado de Erza, levanta a sua pata – Eu não estava presente na primeira reunião, então gostaria de entender sobre essa magia a qual você se refere. Todos deram uma explicação muito vaga.
— Eu imagino. – Vita cruza os braços de novo – É realmente frustrante falar com o maior gosto e terminar sendo mal interpretada, ou nesse caso nem um pouco entendida! Mas não é culpa dos gatos, então tentarei explicar novamente, entretanto desta vez serei curta e grossa...! O amor é uma emoção denominada pelos antigos seres místicos como a “magia suprema”, pois quando as pessoas tem alguém para amar elas se tornam fortes.
— Faz sentido. – o Exceed preto sorri – Quando se tem alguém para proteger, é um motivo a mais pra lutar. As pessoas se motivam a não perder.
— Isso! – a fada sorri aliviada – Fico feliz que agora estejam me dando ouvidos! A “magia suprema” descrita não se trata de uma força bruta e sim da confiança interior, do tipo quando você se sente forte por estar motivado. Vejam que a Fairy Tail criou encima da parceria os conceitos de “família” e “amizade”, sobre os quais sua turma se sustenta para meter a porrada em todos os inimigos. Tá ótimo, mas é só irmandade! Precisam se prender a alguém com outra conexão para alcançar a forma mais pura do amor.
— Mas nós somos unidos mesmo não tendo laços de sangue, o que mais você quer?
— Parece que você ainda não está conseguindo assimilar as coisas direito, filho de Igneel. Essa não é a minha história, é a de vocês! – Vitalina gesticula e ri nervosamente – Já se perguntaram por que a espécie humana diz que “conto de fadas” é toda a história finalizada na frase “e viveram felizes para sempre”? Nós fadas amamos levar felicidade aos outros; é da nossa natureza! E eu estou a um bom tempo dizendo a vocês que a sua está bem ao lado! – os casais se entreolham envergonhados, excerto Natsu e Happy, que se encaram e cortam o clima – Ok... Vocês dois, olhem pro outro lado.
— Oi Charlie! – os olhos do gato azul brilham e a gata vira o rosto com um bico.
— Se não podem demonstrar seus sentimentos facilmente, por que não começam se abraçando? E quando o fizerem, agarrem-se forte e não soltem mais! – o grupo tímido a encara esperando risadas de deboche, algo indicando a piada, e nada acontece – Vamos lá, é sério! Façam de conta que é só outro exercício. Cada parceiro abraça sua parceira. – eles relutam até obedecerem; os Dragon Slayers prendem as companheiras pelos seus pescoços com real força, todavia tudo corre bem, excerto para o mago celestial, que bate o peito com força na armadura da titânia, e para Gray, quando Juvia desfalece em água.
— Então... – Jellal tosse rubro, se afastando de Erza enquanto o mago do gelo tenta acordar a mulher chuva – Acha que é simples assim? Se chegarmos e abraçarmos Zeref, a magia negra dele se dissipa no ar, e se fizermos isso com Acnologia ele vai desistir de matar toda criatura viva? – a moça abre os braços como se fosse óbvia a resposta.
— Se ainda está difícil de assimilar isso, eu vou moer a minha explicação e jogar no liquidificador pra bater tudo numa vitamina. Quem sabe bebendo isso desce de uma vez pela garganta de vocês! – irritada, ela massageia as têmporas e plana em círculos – Olha só como suas trapalhadas me deixam! Ah, francamente, cuidar de tantas crianças é bem estressante! – visivelmente aborrecido, Natsu faz uma careta.
— Ei, também não precisa descer o nível! – a fada bate rapidamente as asas e fica a centímetros de distância do conjunto, achatando o nariz do Salamandra com o indicador da mão direita e inclinando o corpo para cima conforme continua a falar.
— Olhe aqui, eu já estou prestes a explodir! A minha paciência tem limite, e vocês estouraram a mísera que restava! – ela se afasta um pouco, cruzando os braços – Eu vou embora, mas antes vou dar uma última informação, para ver se desta vez as coisas fluem com menos de um mês. – Vitalina joga os cabelos para trás – Quando eu disse antes que Mavis ainda pode recuperar o seu corpo original, vocês perguntaram do assunto e ela foi obrigada a confirmar tudo. Agora, voltem pra casa e perguntem sobre Lumen Histoire, a arma mais poderosa da Fairy Tail, e vejam se essa história não conecta com a anterior.
— Espere! – Charlie a impede de voar para longe, surpresa assim como os demais – Lumen Histoire deveria ser a salvação da Fairy Tail no nosso maior momento de crise, e você está sugerindo que os antigos mestres da guilda escondem um segredo sobre ela?
— Não é uma sugestão, é uma afirmação. Ah, e o que aconteceu com sua “senhorita fada”, gatinha? – a Exceed franze o cenho, corada pela provocação, e fica sem reação ao sentir sua bochecha direita ser apertada de leve temporariamente – Não se preocupe; sua precursora certamente tem tanta dúvida de usar aquilo quanto todos os outros que sabem dela, a essência e localização. Na verdade, agora vocês sabem que existe uma solução a mais para o problema da destruição iminente provocada por Zeref e Acnologia.
— E um beijo pode detê-los com mais eficácia que a arma secreta da Fairy Tail?
— Comece com um abraço, e a magia negra se dissipará no ar. Você mesmo disse isso, certo, mago celestial?! – o rapaz faz uma careta de dúvida, fazendo-a rir, então em um arremesso rápido Vita pega a gata pela cauda e joga para Lucy segurá-la – Se acham que até agora eu estive brincando, tirem a prova com os próprios olhos hoje. Quando o mago imortal e o dragão da destruição fizerem seu movimento à beira do eclipse lunar, pode ser tarde demais para salvar a vida. A história começa onde um milagre acontece.
— Isso é uma previsão? – Charlie questiona ainda atônita, se recompondo.
— Mesmo se pudesse ler o futuro, não haveria necessidade para constatar o óbvio. – a fada sorri e faz uma reverência no ar, olhando diretamente para Lucy ao levantar sua cabeça – Desejo boa sorte às duas fadas. Que sua luz nunca se apague. – ela voa e ganha distância rapidamente, acenando sem se virar – Nós nos veremos de novo, em breve!
— Com quem ela estava falando? – Juvia se questiona, e enquanto seus amigos dão início a uma discussão a maga estelar continua mirando o rastro de pó deixado no ar.
...
— Então, em resumo, eu estou limitada a duas escolhas: ou encontro uma forma de retornar ao meu corpo verdadeiro para tentar deter a destruição de Zeref pessoalmente, ou Lumen Histoire será ativado. – Mavis reflete sobre os olhares dos membros da guilda e fita os mensageiros recém-chegados, pairando os olhos – Qual sua opinião, Lucy?
— A minha? – todos a encaram – Mas por que quer saber minha opinião, Primeira?
— Eu sei que você sabe a razão. – as duas trocam um olhar carinhoso por um tempo e deixam os demais curiosos de sobrancelhas franzidas – Vitalina nos escolheu para dar nosso jeito de salvar a humanidade, e tudo mais na Terra. Não podemos desapontá-la de maneira alguma, certo?! – a loira sorri mais tranquila.
— Oi, espera aí! – o Dragneel se atiça – Do que vocês estão falando?
— As “fadas” que ela mencionou antes de ir... – Levy relembra – São vocês duas?
— Ao que tudo indica, sim. – Lucy responde um tanto constrangida.
— Mas por quê? – Juvia questiona meio curiosa e bastante chocada.
— Porque eu tenho uma conexão com Zeref, e Lucy... – as duas trocam um olhar – Ela tem uma forte conexão com E.N.D.
— O demônio de Zeref? – Gray diz aturdido, tal qual o restante – Que “conexão”?
— Eu também quero saber. – Natsu se posta de frente para sua parceira e ela acaba desviando o olhar entristecido, provocando medo e desconforto no jovem.
— Antes de tudo, mestra... – Mirajane sussurra em seu ouvido e a menor acena.
— Claro... Pessoal! – os olhares se dirigem a ela novamente – Não devem ficar com receio de E.N.D. Ignorem esse assunto por enquanto, a nossa prioridade será encontrar Zeref. Eu tenho assuntos pendentes com ele. – ela desce do balcão e caminha na direção do porão – Assim, é chegada a hora de todos conhecerem o maior segredo da Fairy Tail. Sigam-me! – aos poucos todos fazem uma fila e a acompanham, em direção ao futuro.
...
{No dia seguinte...}
— E o que faremos agora, Primeira? – Lucy indaga com aflição, sentada ao lado de Mavis no banco mais afastado do South Gate Park de Magnólia.
— Damos o próximo passo. – o espírito responde – Sempre em frente Lucy.
— Mas... – a loira sente a vontade de chorar retornando, então tenta limpar com as mãos suas lágrimas perturbadoras – O Natsu é E.N.D., Etherias Natsu Dragneel!
— É... Eu sei. – as duas olham para o chão, entristecidas – Sinto muito pelo choque. Não achei que descobriríamos o segredo de Zeref assim. Só você sabe disso?
— Acho que sim. Vita usou jogos de palavras o tempo todo, mas me encarava e em seguida olhava pro Natsu. – a moça limpa o rosto com um lenço do bolso – A Vitalina descobriu naquele diário da Vivienne toda a verdade. O dragão da sua irmã era o Igneel, na certa! Ele soube do Natsu e deve ter tentando salva-lo, então Acnologia quis mata-lo para impedir, porque tem medo do seu poder de destruição e resolveu elimina-lo. Zeref precisa daquele idiota pra destruir o mundo, por isso é inimigo dessa encarnação do mau agouro! – a maga estelar pragueja – Vita tentou disfarçar dizendo que não era possível.
— Se eles são inimigos de fato, e ela não estava apenas distraindo todos da verdade, isso significa que eles tentarão destruir um ao outro quando encontrarem os meios de provocar Natsu, para ele liberar a fúria de demônio dentro dele.
— Os dois idiotas querem ver tudo queimar, literalmente. Será uma chacina. – Lucy lamenta ainda mais – E pensar... Há vários dias, quando conversamos sozinhas na casa dela, a Vita me mostrou uma pintura da irmã com o dragão. – as duas se olham – Agora estou ainda mais segura que era Igneel, mas apenas Natsu poderia reconhecer e ninguém mais viu a imagem. Ela garantiu que nós somos compatíveis, disse estarmos destinados um ao outro, e nos desejou toda felicidade negada a sua irmã e o dragão dela. A Vita me mandou ser corajosa e gentil, seguir em frente, da mesma maneira que você disse agora, porque se desistisse jamais veria a “luz da magia”. Falou pra ser alguém que “acredita”.
— E não vai fazer o que ela disse? – a jovem encara a menor com estranheza – As fadas são seres da luz, Lucy. Ela sabia do que estava falando. A menos que as pessoas se importem nada vai mudar, e o amor pode ajudar nessa transformação. Nós somos sua esperança de demonstrar isso aos outros. Por que não começa conversando com Natsu?
— E como eu posso falar com o Natsu sobre sentimentos se existe um buraco negro enorme no nosso caminho? Eu passei a noite me revirando na cama, pensando nisso! – Mavis a observa aborrecidamente e suspira, cruzando os braços e balançando as pernas.
— Deixe-me perguntar uma coisa... Se o Natsu fosse criado por um demônio desde criança, ao invés do Igneel, acha que ele seria uma pessoa diferente de quem é hoje?
— O que quer dizer? – a loira com olhos vermelhos endireita a coluna, fungando.
— Você se incomodou com o jeito dele quando o conheceu?
— Bem... – Lucy pausa e pensa com calma – Quando se conhece o Natsu qualquer um poderia acha-lo estranho, até mesmo ficar assustado com o seu espírito destruidor! – as duas riem – Mesmo assim, ele me encantou. O Natsu me salvou de ser traficada junto de várias outras mulheres, e estávamos num navio! – ela se empolga contando a história – Ele pulou naquela embarcação, mesmo sabendo que ia passar mal, e aí salvou a minha vida! Eu achei que nunca mais fosse vê-lo de novo, depois dele já ter me ajudado antes quando o mesmo traficante se passou por um Dragon Slayer charlatão! Natsu pulou bem na frente do cara, quando eu ia ser hipnotizada pela magia “Charme” dele. Depois disso, ele me deu a sua mão e... – sua voz diminui, ponderando todas as palavras com carinho – Me trouxe para a Fairy Tail. Eu nunca vou esquecer...
— Então, que diferença faz a sua origem? – ambas sorriem e concordam.
— Tem razão mestra. Eu não posso defini-lo pelo que ele é e sim por quem! Natsu é o meu melhor amigo, um ótimo parceiro, e mesmo que aquela cabeça quente oca fique invadindo o meu apartamento e me deixando louca tantas vezes com as suas trapalhadas infantis, eu... – a moça põe a mão sobre o peito, sentindo-o quente – Eu não me importo.
— Ora... – a menor se diverte com a resposta, cruzando as mãos – Então realmente o ama. Deve ser o destino mesmo, afinal, só há duas maneiras de se livrar do “Charme”: sabendo sobre a magia ou quando encontra o amor da sua vida. Mira estava certa.
— “Certa”? Sobre o quê? – a maga pergunta ainda meio paralisada.
— Desde quando suas marcas da guilda sumiram daquela vez, ela disse que vocês se apaixonariam e formariam casais em breve. Parecia um pressentimento forte.
— A Mira disse isso? – Mavis acena confirmando – Bem, é verdade que os outros também já brincaram muito com a gente, mas pensei que fosse só isso, brincadeira.
— E errou. Quase todos os membros da guilda apoiam a união de vocês, e eu digo quase porque não estou contando com a sua turma. – elas riem de novo e de repente o calor no peito de Lucy aumenta, assim como iniciam nós em seu estômago feito o bater de asas de borboletas, tudo somado ao repentino sorriso quando a loira tem a visão do atraente rapaz de cabelos rosados vindo até as duas numa correria de preocupação.
— Mestra Mavis, eu não vou contar a ninguém sobre o Natsu. – ela se levanta – Ele pode ser o que for, mas pra mim sempre será Natsu Dragneel, o dragão da minha vida.
Fim
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