Dentro de mim
2 Mãe é pra essas coisas...
Notas iniciais
Era uma manhã ensolarada, a qual o sol fazia questão de incomodar através das frestas da janela. Laura estava deitada em sua cama, sentindo-se claro, incomodada com aquele sol todo. Ultimamente seu quarto era sua fortaleza, esse que por muito tempo ficou vazio já que ela havia retornado a pouco tempo. Passou alguns meses morando sozinha mas decidiu voltar para casa após os acontecidos.
Sempre acordava chorando pois as lembranças de outrora era algo que já acordavam com ela, se é que elas as vezes também não estavam presentes nos sonhos.
A psicologa de Laura estava buscando uma análise mais detalhada sobre ela, mas como ela não queria contato com ninguém, Clara, a psicologa resolveu conversar com a mãe de Laura e com pessoas que faziam parte do ciclo de amizades dela, para poder ajuda-la efetivamente de alguma forma.
Oi doutora, bom dia.
—Bom dia dona Joana, pode sentar-se.
Joana estava perto da porta, onde procurou a poltrona que estava localizada de frente pra uma outra, tomou cuidado para não se enroscar num tapete que forrava a sala de uma poltrona até outra da psicologa. Notou nos arredores da sala, uma estante com alguns livros e porta retratos, uma mesinha de centro que tinha em cima uma agenda e um jarro de flores naturais, essa que estava do lado da poltrona de Clara e nas paredes, quadros de paisagens clássicas. Era um lugar bastante simplista e muito acolhedor.
O silencio foi cortado com a voz de Clara;
—Tudo bem com a senhora Joana?
Então, foi sobre isso que vim conversar contigo.
—Como está Laura e o como foi o que eu disse para tentar em casa?
Joana explicou... Olha doutora... ela passa horas dormindo, mal come e as vezes fica quieta por muito tempo o que eu percebi que faz ela ter crises de síndrome do pânico. Ela começa a tremer em qualquer lugar, principalmente onde há muita gente.
Fomos a alguns médicos para que eles pudessem apontar o problema, porque ela já não aguenta mais tantas crise e eu não queria vê-la assim. Todo mundo fala pra mim que não consegue acreditar que aquela menina que a tão pouco tempo atrás era tão feliz e tinha um sorriso tão sincero, cheia de projetos que a fazia diferente de todo mundo, agora está transbordando tristeza e solidão isso é triste de se ouvir.
Eu falo pra ela que existem ainda amigos que se importam, a família estará sempre com ela mesmo depois da morte, sempre procuro mostrar as outras coisas que ficaram que a vida não vai parar.
—Clara a vida continua mesmo que você pare, os trabalhos da faculdade estão se acumulando e eles não irão se fazerem sozinhos. _A vida não vai parar para esperar por você não minha filha!
Mas ela fica ali, sozinha, nem retrucar nada comigo quer. Fica trancada o dia todo naquele quarto com computador do lado, um refrigerante e salgadinhos, eu deixo ela comer besteira, porque é só o que ela realmente consegue comer melhor. Vez ou outra uma fruta que eu faço questão de encher pela casa. Mas estou seguindo seus conselhos.
Sempre olho como ela está no quarto como a senhora me indicou pra não dar espaço pra ela tentar algo ruim, mas ela acha que eu sufoco ela, porque entro umas 15 vezes por dia e fico no pé dela sempre falando pra ela fazer as coisas.
Mas o que fazer doutora, tenho que ter paciência né? Afinal mãe é pra essas coisas.
Clara estava atenta a ouvindo falar e as vezes e escrevendo algumas coisas no seu caderno. Em outras assentia com a cabeça e olhava fixadamente para dona Joana e quando ela havia falado tudo veio uma ideia a sua cabeça.
Algo que não era tão normal de se ouvir e que seria um tiro no escuro mas nesse caso não havia outra opção.
Elas pararam por um instante, o silencio pode ser novamente notado e então Clara falou calmamente.
—Dona Joana, podemos tentar algo novo e eu sei que de inicio a senhora poderá achar que estará a deixando de lado mas é algo que parece necessário. A senhora está querendo suprir a falta de um amor e do pai dela e no momento ela só quer ficar sozinha para se recompor, para começar de novo. A senhora tem que deixa-la um pouco só, para que ela possa realmente fazer isso.
As vezes o melhor que temos a fazer é deixar a dor doer, porque ela também é uma fase e assim como as outras na vida, passa. Quando Laura achar que está no momento certo de recomeçar ela irá. Mas por agora ela só quer viver os seus lutos pois não foi apenas o pai que morreu, mas também a esperança de um amor romântico daqueles que mexem com a gente.
Logo ela irá querer seguir porque será o melhor para ela, todos os sonhos não morrem de uma hora para outra e pelo menos um desses sonhos será o suficiente para move-la em frente. Então volte para casa, olhe ela no quarto poucas vezes, deixe ela mais a vontade e verá que no momento certo ela passara por isso.
—Está certo doutora, vou tentar fazer o que me disse, não quero que ela fique chateada comigo, eu sou o que ela tem agora.
Após conversarem sobre mais alguns detalhes para essa tentativa, Clara pediu que dona Joana encontrasse alguma menina muito amiga de Laura, para assim como ela, fosse conversar sobre as mudanças que ocorreram no comportamento da jovem pois sabia que a amiga sempre teria acesso a segredos mais íntimos que a mãe. Joana de prontidão disse que tinha uma menina que adoraria ajudar pois era a melhor amiga de Laura. Seria Gabriela, que passou um tempo morando com Laura antes dela voltar morar com a mãe, ela saberia como explicar tudo direitinho pois viu de perto a fase.
Combinadas elas se despediram e dona Joana foi embora, receosa com o que tinha que fazer mas também esperançosa. Ela tentaria qualquer coisa para ver o sorriso da filha novamente.
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