Dentro da Floresta
1 Capítulo 1 - Na Floresta
Notas iniciais
Era noite, e ela estava sentada no enorme sofá branco de couro falso, bebendo a sua segunda taça de vinho tinto, e com a Mimi, sua gata já velha e gorda, em sua coxa, fazendo carinho nela, e ela olhando para a televisão, como se estivesse assistindo também.
Era uma sexta-feira. Era noite de lua cheia, e Beatriz se sentia relaxada dentro da sua casa. Desviou o olhar da tevê, e olhou o enorme lago e a enorme floresta. Aquela mesma floresta que quando Bia era mais nova, tanta a amedrontara quando era criança. Ainda a amedrontava um pouco, mas ela conseguia conviver com aquela floresta.
Ela sempre tinha a impressão de aquela floresta ter olhos, e esses olhos sempre estarem a vigiando, olhando para ela deixando-a desconfortável. Ela sempre imaginara o que tinha dentro da floresta. Pensou em fadas, seres desconhecidos que pertenciam a esse mundo, mas que ninguém sabia de sua existência, já que eles viviam dentro daquela negra floresta.
Por um momento, ela pensou ter visto algo se mexendo dentro dela, e percebeu que estava encarando as enormes árvores velhas e negras que escondiam alguma coisa.
Sentira um calafrio, um medo inexplicável, então pensou estar sendo observada. Não de perto, mas de longe, muito longe. Ela tinha certeza que vira algo se mexer na floresta.
Você tá doida, isso sim. A mamãe disse que não é pra você ficar bebendo mais de uma taça de vinho. Se lembra daquela vez que você bebeu mais de duas?
Ela se lembrou. Ela ficou nua, e nadou na Baía de Guanabara pelada, e quase se afogara. Só se lembrava de estar na sua cama, na manhã seguinte, com uma ressaca horrível.
– Au! Au!
Ouviu o Zeca, seu cachorro latir lá fora. Ela o deixava passear à noite, sozinho. Era um lugar pequeno, e ele tinha medo da floresta que cercava o lago e a casa e ele sabia o caminho até lá.
Ele latia mais alto. E mais alto. E MAIS ALTO. E isso deixou Beatriz puta. Ela pegou a Mimi, colocou no sofá, levantou-se foi até a porta da frente.
Lá fora ventava.
Ela voltou para dentro da casa, e pegou um casaco verde de lã. E voltou para a porta da frente. Abriu a porta e viu Zeca latindo para a floresta.
– O que foi, garoto? – Perguntou Beatriz para ele. – O que você viu?
Mas ele ignorava. Continuava a latir, e ventava mais forte. Ela olhou para a floresta.
Nada.
Olhou para o cachorro que continuava a latir. Ventava mais forte ainda. O celular vibrou, e ela percebeu que estava com ele. Pegou o celular e viu a mensagem:
Pegue as oito páginas.
O-oque?
Antes de pensar em mais alguma coisa, Zeca foi para dentro da floresta.
– Merda! Merda! Merda!
Ela voltou para casa, e pegou uma lanterna. Foi para fora, e gritou:
– ZECAAA! VOLTA AQUI! AQUIII! CACHORRO!!! AQUIII!!!
Ela assoviou. Isso sempre o fazia voltar.
Mas ele não voltou.
Puta que pariu. O que eu faço?
Ela tinha duas alternativas: ou ela ia para quela floresta tenebrosa que a fazia cagar nas calças quando criança, e procurar aquele maldito cachorro que ela tanto ama, ou entrar na sua casa, e esperar ele até ele chegar. Mas ela não conseguira esperar. Ela tinha que ter ele agora. Deus, ela amava tanto aquele cachorro.
Não pensou duas vezes, e foi logo correndo em direção à floresta.
Aquela floresta que tanta a deixava com medo, mal ela sabia que estaria entrando num pesadelo que seria difícil de sair d
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