Dentro De Mim
7 Capítulo 7
Notas iniciais
/História 2/Kame’s POV/
Já estava cansado de ficar arrumando a casa. Era monta móvel para cá, guarda coisa para lá, estava um saco e muito cansativo.
A nossa nova casa estava feia por enquanto, pois estava bagunçada, mas sei que ficará bonita quando estiver pronta. A casa era linda. Tinha apenas um andar, mas era bem espaçosa. A sala era grande a os quartos também. A frente da casa era bem decorada e no quintal tinha um grande jardim, que era bem bonito.
Havia apenas dois quartos. O que tinha suíte ficaria com nossos pais e eu e Natsu no outro. Eu adorei o fato de nós dormirmos no mesmo quarto. Assim poderei o observar ainda mais, e quem sabe eu até o veja trocando de roupa.
Dei um longo suspiro quando terminei de arrastar um móvel até a sala. Acabei ficando suado e muito cansado. Tinham montadores para ajudar, mas era muita coisa e queríamos terminar rápido.
Natsu estava ajudando também, e por incrível que pareça, ele estava de bom humor e não reclamava, apesar de também estar cansado.
Natsu levantou a camisa para enxugar um pouco de suor que pingava de seu queixo, e deixou a mostra sua barriga.
“Será que dá pra parar de me seduzir? Já não basta estar todo suado, tem que mostrar a barriga sexy, né?”. Tentei me controlar para meu nariz não começar a sangrar.
– Não é melhor a gente fazer uma pausa? – eu sugeri, mas minha mãe e Soiichiro não ouviam, pois estava ocupados orientando os montadores aonde colocar os móveis.
– É, concordo – disse Natsu, o único que tinha me ouvido.
Ele se jogou no sofá que tinha sido colocado lá recentemente. Depois de passar a mãos nos cabelos, ele deu um suspiro que mais lembrou um gemido.
“Porra, agora tá fazendo de propósito! Merda, agora vou ficar imaginando ele gemendo e meu nariz vai sangrar”. Virei-me de costas para que ele não me visse mordendo o lábio inferior, pois fui totalmente seduzido.
Minha mãe e Soiichiro vieram até nós. Ele estava tão acabado quanto nós, mas minha mãe não tinha derramado nem se quer uma gota de suor. Também, ela não fez nada. Pois é, os homens é que fazem o trabalho duro nessa porra.
– Nossa, vocês parecem acabados – ela riu.
“É mamãe, a gente trabalhou, diferente de você” Pensei.
– Enfim, – ela continuou – já está anoitecendo, que tal sairmos para algum lugar para nos divertimos?
Todos concordaram. Relaxar seria bom depois de um dia cansativo de trabalho desses. Começamos a pensar aonde iríamos, mas não sabíamos aonde. Então, sugeri que fossemos ao shopping, pois lá tem de tudo, e não temos que ficar decidindo o que queremos fazer. Todos concordaram comigo e fomos nos aprontar.
Natsu foi para o banheiro principal e Soiichiro para o de seu quarto para eles tomarem banho. Merda! Eu queria tomar banho primeiro! Não por que estava com pressa, mas queria ter a chance de ver Natsu trocar de roupa...
Ah, tudo bem. Nós vamos passar bastante tempo juntos a partir de agora. Hoje é só o primeiro dia, estou esperando de mais.
Depois de um tempo, Natsu saiu do banho vestindo um roupão. “Caralho! Que vontade de arrancar esse roupão do corpo dele”. Respirei fundo e me controlei. Entrei no banho e comecei a pensar:
“Cara, eu não vou conseguir me controlar por muito tempo. Ele me seduz com qualquer coisa que faça. Toda vez que ele fala comigo, meu coração bate tão rápido que fico até com medo dele ouvir. E é como se a cada dia ele ficasse ainda mais lindo, mesmo eu achando que é impossível ele ficar mais bonito do que já é. Morar com ele, dormir no mesmo quarto que ele, conviver com ele, parece bom, mas não é. Pois eu estou apenas me iludindo, não tenho chances de ficar com ele.”
Levantei a mão e vi a água escorrendo pelo meu braço. As pequenas gotas corriam e se juntavam umas nas outras. Eu adoro a água. Ela tem um poder que acalma. Coloquei meu rosto em baixo do chuveiro e relaxei.
Decidi me desligar de meu devaneio e sair logo do banho, antes que eu me atrasasse. Vesti uma roupa qualquer e fomos para o shopping. O caminho foi legal, conversamos sobre várias coisas engraçadas.
Quando chegamos ao local escolhido, fomos a diversas lojas e acabamos por comprar algumas coisinhas. Já estava até ficando sem graça, até eu ver a nova pista de gelo que tinha sido inaugurada lá.
– Olha só! – eu sorri, me aproximando das grades para assistir as pessoas patinando.
Todos se aproximaram também. Olhei em volta, observando as pessoas. Alguns olhavam para os patinadores maravilhados, outros invejados, e outros envergonhados, por causa daqueles que não sabiam patinar.
– Vocês querem ir? – perguntou Soiichiro se referindo a mim e Natsu.
Eu adoraria ir. Fazia tempo que eu não patinava. Quando eu era criança, meu pai sempre me levava em alguma pista de gelo, e acabei ficando bem habilidoso. Não a ponto de entrar em competições, mas eu era bom.
– Eu não! – respondeu Natsu, antes de mim – Não sei patinar...
– Não sabe? – perguntei rindo, de um jeito implicante.
Ele pareceu ficar meio irritado por eu ter caçoado dele. Eu meio que fiz de propósito, pois ele fica muito lindo irritado.
– Então, tá na hora de aprender – disse Soiichiro, já chamando os atendentes, para que nós dois entrássemos na pista.
Enquanto estávamos colocando os patins e os equipamentos de segurança, minha mãe e Soiichiro disseram que iam a algumas lojas, e quando nosso tempo acabasse, voltariam para nos buscar e iríamos comer alguma coisa.
Olhei para Natsu com o canto do olho. Ele estava muito fofo com aquele capacete, que estava acima de seu rosto meio tímido e levemente com medo. Aposto que ele estava receoso quanto à patinação.
– Ei, não é tão difícil – Disse eu, tentando consolá-lo de alguma forma – E têm até uns caras pra te ensinarem a patinar lá.
– Eu sei! – ele falou de um jeito meio orgulhoso, que eu achei fofo – Mas eu nunca fui bom nisso, tenho certeza que vou cair.
Eu ia mencionar que ele estava com equipamento de proteção e que os assistentes que ficavam na pista se encarregariam de ajudá-lo também, mas fomos chamados para entrar no gelo.
É, essa parte é estranha. Quando andamos no chão com esses patins, ficamos parecendo pinguins, balançando o corpo de um lado para o outro e dando passos milimétricos. Mas até que era engraçado e Natsu riu. “Por que seu sorriso tem que ser tão perfeito?”
Enfim, entramos na pista e antes que percebesse, já havia me soltado e voltado aos tempos em que eu era criança e patinava feito um ninja.
Eu não estava como um profissional que participa de competições, obviamente, mas eu era o melhor da pista. Patinava em alta velocidade, fazia zig-zag, não caí nenhuma vez e até patinei para trás. Tá, eu admito. No fundo eu estava querendo me gabar.
Olhei para Natsu, que já tinha se passado metade do tempo e ele não havia soltado a mão da barra nenhuma vez. Ele “patinava” bem devagar, e agarrado na barra, como se tivesse fobia ao gelo e não quisesse cair de jeito nenhum.
Ele deu uma pisada em falso e ameaçou cair. Ele se agarrou na barra ainda mais forte, então não caiu, mas se desequilibrou e ficou meio abaixado, fazendo um dos assistentes ir até ele e tentar ajudá-lo a levantar.
Eu só pude pensar em uma coisa: “Solta ele demônio maldito! Porra Natsu, vai deixar esse putão ficar te tocando e apertando seu corpo vai? Ah, por favor, ou você se levanta sozinho ou me chama pra te levantar. Será que existe remédio que cure ciúme extremo?” Tentei conter meu ódio antes que eu começasse a gritar.
Enfim, o maldito largou Natsu e voltou a vagabundar pela pista. Patinei até ele a parei a sua frente, dando uma freada brusca e espirrando algumas raspas de gelo em sua perna. Ele até se assustou, e também freou drasticamente, se agarrando forte na barra de novo, para não cair.
– Nosso tempo já tá acabando e você nem se quer saiu da barra? – eu disse com um tom meio convencido, apenas para provocá-lo, e deu certo.
– Eu disse que não sabia patinar – ele respondeu meio bravo, assim como eu gostava – O que você queria?
De costas, me afastei um pouco dele, para que eu pudesse ficar longe da barra. Sorri levemente, estendi a mão e depois disse:
– Venha até mim.
Natsu ficou meio assustado, fazendo que não com a cabeça exageradamente. Ele não queria soltar a barra, pois tinha certeza que ia cair.
– Baka! – eu disse irritantemente, com um sorriso malicioso brotando no canto da boca. Ele ficou bravo, e era isso que eu queria – Vamos logo, deixa de ser medroso – Eu segurei suas duas mãos enluvadas e comecei a puxá-lo para o meio da pista.
– Não! Kame, não! Para de me puxar, eu já disse que não quero! – Ele inclinou o corpo para trás, tentando me fazer parar, mas eu não soltei suas mãos e o trouxe até o meio da pista.
Quando chegamos ao meio da pista, diminuí a pressão que eu estava fazendo sobre seus pulsos, mas não soltei suas mãos, apenas afrouxei. Ele não tinha mais como fugir, pois se ele saísse, ia ter que patinar sozinho até a barra mesmo, então ele preferiu continuar perto de mim, onde pelo menos tinha apoio.
– Isso é gelo, não chão – comecei a falar, enquanto patinava de costas, o puxando – Não ande, deslize. Assim, olha – Fiquei o instruindo enquanto andávamos pela pista daquele jeito, eu na frente dele, andando de costas, e um segurando nos pulsos do outro.
Ele olhava fixamente para seus pés, com uma expressão bem fácil de decifrar, que dizia: “Eu vou cair, eu vou cair, eu vou cair, eu vou cair, ai meu Deus eu vou cair e vou morrer...” Acabei rindo de sua cara.
Aos poucos, ele foi patinando melhor, e talvez até se equilibrasse sozinho, mas mesmo assim não o soltei. Além do fato de eu estar adorando ficar de mãos dadas com ele, eu não queria que ele caísse...
Soltei seus pulsos e fiquei ao seu lado. Realmente, patinar de frente é bem mais fácil. Ele pareceu ficar um pouco mais inseguro, já que agora estava sem apoio, mas caso ele caísse, eu ia o segurar. Eu jamais o deixaria se machucar.
Porém, ele pegou a prática e já estava conseguindo sozinho. Mesmo assim, continuei ao seu lado. Eu preferia mil vezes que eu o ajudasse a levantar ou o impedisse de cair do que aqueles caras assistentes. Não gosto da ideia de outras pessoas tocando o Natsu. O meu Natsu.
Ele sorriu, pois agora estava conseguindo patinar sozinho e bem mais rápido, e eu, involuntariamente sorri também. Fazer o quê? O sorriso dele gera o meu.
Voltei a ficar na sua frente e patinar de costas, pois queria ver aquele lindo sorriso de um ângulo melhor. Ele estava tão bonitinho daquele jeito com os braços abertos tentando se equilibrar, que eu tive que fazer um grande esforço para não voar nele.
– Viu, você conseguiu! – disse eu, fazendo-o olhar para mim.
Antes, ele não tirava os olhos dos pés para não perder o controle, mas quando ele olhou para mim, acabou se desequilibrando e escorregando. Sorte que ele se inclinou para frente, então eu pude segurá-lo, e não o deixei cair.
Seus patins batendo contra o gelo fizeram barulho, então os assistentes olharam para ver quem tinha caído. Mas quando viram que eu já tinha o segurado, nem se quer se deram ao trabalho de vir ajudar. Se fosse em outra ocasião, eu diria que esses caras são uns vagabundos por deixar que um cliente ajude outro, mas como era com o Natsu, só pude pensar: “Isso, seus fodidos, é melhor ficarem longe dele mesmo”.
Natsu estava com os joelhos meio dobrados e não se mexia, como se estivesse em choque por quase ter caído. Meus braços estavam passando por baixo dos seus e eu segurava seu corpo com força. Ele segurava na minha roupa e sua cabeça estava apoiada na minha barriga. Vi que seus olhos estavam arregalados e ele respirava ofegante, como se estivesse assustado.
Estávamos mais ou menos no meio da pista e tinha gente olhando. É claro que eu queria continuar desse jeito com ele, agarrado, mas alguém poderia desconfiar de algo caso eu não o soltasse. Ele poderia desconfiar de algo. Então, coloquei minhas mãos em baixo de seus braços e o levantei.
– G-gomen... – ele disse meio envergonhado por ter caído, me fazendo quase explodir. Ele ficava tão fofo levemente corado.
– Tudo bem, acontece – Respondi.
Tentei patinar para trás, para dar um pouco mais de espaço para ele, mas eu não percebi que as lâminas de um de nossos patins tinham ficado presas. Então, assim que puxei meu pé um pouco para trás, o dele foi para frente, fazendo nós dois nos desequilibrarmos e cairmos. Dessa vez ele caiu para trás, e consequentemente eu caí em cima dele.
Em um movimento ninja, coloquei minha mão em baixo de sua cabeça para que ela não batesse no gelo e Natsu se machucasse. Eu usei minha outra mão para me apoiar, senão eu ia dar de cara com ele, mas mesmo assim, nossos rostos ficaram centímetros de distância.
Ele me olhou meio assustado, e quando meus olhos mel se encontraram com seus olhos dourados, vi que ele ficou envergonhado e corou rapidamente. Involuntariamente, corei também, levemente. Mas por dentro, eu estava extremamente envergonhado. “Eu estou em cima dele? E se ele perceber alguma coisa?”
Eu queria ficar lá, com meu corpo colado ao seu, mas me levantei antes que ele entendesse mal o que tinha acontecido.
Bem, eu tentei me levantar. Nossos patins continuavam presos. Ficamos nós dois sentados no gelo enquanto mexíamos nossos patins tentando nos soltar.
Os assistentes vagabundos finalmente vieram nos socorrer. Separaram as lâminas, nos ajudaram a levantar e ainda vieram com as perguntas clichês, fingindo que queria saber se nós estávamos bem.
Natsu foi até a barra e a agarrou de novo, dizendo que não ia mais soltá-la, mas teve que soltar, pois nosso tempo acabou.
Assim como combinado, minha mãe o Soiichiro chegaram no exato momento em que terminamos de tirar os equipamentos.
– Eu sabia que você ia cair – Soiichiro começou a rir quando viu que Natsu estava com as costas molhadas. “Quem diria, o pai zoando o próprio filho.”
Felizmente, eu não me molhei, pois quando caí, foi em cima de Natsu, que caiu de costas numa parte do gelo que estava derretida.
Vi que ele ficou meio irritado e começou a questionar o pai:
– Eu disse que não sabia patinar! E a ideia foi sua!
– Calma! Faz parte. – disse minha mãe – Vamos logo comer alguma coisa.
Fiquei com um pouco de medo dele começar a falar que foi eu que fiz ele cair. Bem, eu não sabia que nossos patins tinham ficado presos. Porém, para o meu alívio, isso não surgiu na conversa enquanto íamos até a praça de alimentação. Escolhemos comer pizza.
– Merda, não devia ter ido à patinação antes de comer. Fiquei todo molhado – disse Natsu, enquanto torcia sua camisa, para escorrer um pouco de água.
Só faltei morrer de hemorragia nasal. Quando ele disse isso, uma imagem veio na minha cabeça. Imaginei-o numa cama, completamente nu, com um dedo próximo a boca e dizendo: “Me deixe todo molhado”.
Tenho que voltar logo para casa e desenhar isso urgentemente.
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