Dentro De Mim
29 Capítulo 29
Notas iniciais
/História 2/Kame’s POV
Havíamos acabado de sair daquela festa de formatura do Natsu. Foi torturante ter que ficar vendo Ayumi agarrada no Natsu a festa inteira. Minha vontade era de partir ela no meio. Aquela ridícula!
Apesar de ninguém perceber, esses dias eu estava muito chateado. Desde que Natsu explodiu comigo e disse que eu destruí o sonho dele, fiquei me sentindo um monstro. Não consegui controlar o meu amor e acabei fazendo mal a ele. Deveria ter me segurado mais, agora ele me odeia e a culpa é toda minha.
Desde então jurei que nunca mais tocaria nele. Eu estava disposto a ver o Natsu feliz, nem que para isso eu tivesse que abrir mão do meu amor. Mas tem sido muito difícil conseguir isso.
Não sei se é impressão minha, mas Natsu parece muito mais a vontade comigo agora, mesmo eu não estando falando com ele direito. Às vezes ele faz coisas que me seduz, mas eu me controlo, pois quero manter minha promessa.
Tentei não esboçar nenhum sentimento negativo além do normal quando chegamos em casa. Estava triste e com raiva por causa da Ayumi, mas tinha que disfarçar.
– Ai... A festa foi muito divertida! – disse minha mãe, tirando os sapatos de salto.
– Foi mesmo! É tão bom ser jovem de novo! – disse Soiichiro, retirando a parte de cima do terno e colocando do cabideiro.
Eu também tirei minha gravata e o blazer, que já estava me sufocando e me joguei no sofá. Apesar de não ter praticamente nem me mexido na festa, eu me sentia exausto psicologicamente.
– Ah... Kaori – disse Soiichiro pegando uma sacola que ele tinha tirado do carro – Olha o que comprei.
Ele então, abriu a sacola, revelando um vinho tinto de altíssima qualidade. Minha mãe abriu um longo sorriso e então o beijou. Eles planejavam beber em casa, pois na festa não tinha nada alcoólico.
– Quer experimentar, filho? – Perguntou Soiichiro ao Natsu – Te deixo beber hoje em comemoração a sua formatura. Mas só dessa vez, hein!
Natsu riu e disse:
– Acho que vou aceitar sim.
Soiichiro então colocou um pouquinho de vinho em uma taça e deu para o Natsu, dizendo:
– Não vá beber muito...
Natsu concordou, e então os 3 se sentaram à mesa.
– Você quer, Kame? – ofereceu Soiichiro
– Não, obrigado. – respondi
Eu não estava com nem um pouco de ânimo para beber hoje, apesar de gostar de vinho. Nunca fui de afogar as mágoas em bebida, prefiro sofrer o que tenho para sofrer logo.
Eles começaram a conversar sobre assuntos aleatórios, enquanto eu estava jogando no sofá, assistindo televisão. Parece que eles já se acostumaram com o fato de eu não me socializar muito com eles.
Depois de um tempo, minha mãe se espreguiçou e disse:
– Ah... Já estou com sono... Dançar daquele jeito me deixou exausta.
– Também já estou um pouco velho para isso... – Soiichiro riu – Bem, vamos para a cama então.
– Meninos, não vão dormir muito tarde! – disse minha mãe, indo em direção ao quarto dela.
Nós concordamos e então eu voltei a assistir o filme que estava passando na TV a cabo. Percebi que Natsu começou a assistir também, mas sentado à mesa. Resolvi não ficar reparando muito nele e me concentrar na televisão.
Um tempo se passou. O filme estava quase no final, quando ouvi o barulho de algo batendo na madeira. Olhei para o lado e constatei que era Natsu debruçado sobre a mesa. Ele parecia estar passando mal.
Ajeitei-me no sofá, mas sem me levantar, e perguntei:
– Natsu? Você está bem?
– hhmmmmm.... – resmungou ele, rolando a cabeça sobre a mesa.
De repente ele se levantou e tentou caminhar até a minha direção. Ele andava cambaleando e percebi que ele estava meio corado e com cara de sono.
– Não acredito. Você está bêbado? – levantei uma sobrancelha, tentando não rir.
– E-eu não estou... Bêbado...
Não tive como acreditar nele depois do soluço que ele deu. Olhei para a garrafa de vinho sobre a mesa e vi que ela estava quase vazia. Ai Natsu... Tão imprudente!
Ele deu mais uns dois passos na minha direção, e acabou tropeçando. A sorte é que ele já estava perto o suficiente de mim para eu poder socorrer.
– Natsu!!! – gritei, enquanto o segurava para que ele não caísse.
– Talvez eu esteja só um pouco... – disse ele com uma voz embriagada.
– Seu pai mandou você não beber de mais, não prestou atenção? – disse eu, trazendo-o para o sofá junto comigo.
– hhmmm... – ele resmungou, deitando a cabeça no meu colo e fechando os olhos
Meu coração deu um leve salto. Acho que era a primeira vez que Natsu deitava no meu colo daquela maneira. Minha vontade era de enchê-lo de beijos e cuidar dele. Não resistia ver aquela carinha de criança doente, mas eu tinha que me controlar.
De repente, Natsu abriu os olhos e ficou me fitando por um bom tempo. Eu só fiz retribuir o olhar, sem entender o que se passava na cabeça dele naquele momento. Porém, ele me surpreendeu quando ergueu seu braço, tocou o meu rosto e disse de uma forma manhosa:
– Kame... Me da atenção?
– Hã? – fique confuso
– Eu passei a semana toda tentando chamar sua atenção e você nem ligava pra mim... – ele fez biquinho, parecendo uma criança.
Não entendi bem o que Natsu quis dizer, mas se bem que pareceu isso mesmo. Ele ficava só de cueca na minha frente, dormindo agarrado com meu cobertor e etc... Eu achava que isso era só porque ele se sentia mais a vontade porque disse que não ia mais tocá-lo, e não porque ele queria chamar minha atenção.
– Por que você está me ignorando? – disse ele com o mesmo tom manhoso, tirando a mão do meu rosto.
– Eu não estou te ignorando – falei sem olhar nos olhos dele.
– Ta sim – ele levantou a cabeça do meu colo e se sentou no sofá, ao meu lado. – Você nem me toca mais...
– Mas... Foi você mesmo que disse que não queria que eu te tocasse. – contrariei, meio confuso com o que ele tinha acabado de dizer.
– Aarrg... – ele resmungou de novo, enquanto revirava os olhos – Eu falei aquilo da boca pra fora... Não foi o que eu quis dizer. Não estou com raiva de você... Você tem que parar de acreditar em tudo que eu falo... Na verdade, eu te quero muito...
Não consegui segurar uma risada. Aquilo não podia ser verdade.
– Você está muito louco... – Falei
Já ia dizer que não ia mais conversar com um bêbado, porém Natsu fez algo que eu nunca esperaria. Ele me beijou. Sim! Ele me beijou! Eu não podia acreditar nisso.
Natsu, sem sair do beijo, subiu no meu colo, montando em mim e me agarrou pelo pescoço. Sem entender nada, eu coloquei a mão em seu peito e o afastei de mim, dizendo, um pouco assustado:
– O-oque está fazendo???
Eu tinha prometido que nunca mais ia fazer nada pervertido com ele e aí ele me beija de repente e ainda por cima sobe em cima de mim? Ele queria me deixar louco. Porém, ele disse algo ainda mais inacreditável:
– Kame... Eu quero dar pra você. Me come, agora!
Ele tentou me beijar de novo, mas eu coloquei a mão em seu peito novamente, impedindo.
– Natsu, para! – disse eu – Você está bêbado, não está consciente do que está fazendo...
– Ah... Você sabe que bêbados só falam a verdade... – ele riu, passando o dedo pelos meus lábios.
– Então me diga isso quando estiver sóbrio
– Hhhmmm... – ele resmungou outra vez e deitou a cabeça no meu ombro, ainda sem sair de cima de mim – Sóbrio eu não vou falar. Você sabe que eu faço cu doce...
Não consegui segurar o riso, e então brinquei:
– Realmente... Bêbados só falam a verdade
– Não disse? – ele sorriu e passou os braços pelo meu pescoço novamente – Já podemos transar?
Ele começou a me beijar de novo. Já ia tentar pará-lo novamente, mas não consegui resistir dessa vez. Aquele beijo com gosto de bebida, o jeito com que ele apertava a minha nuca. Aquilo estava bom de mais para eu conseguir parar.
Nós nos beijávamos intensamente, e eu mal podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Natsu, ainda no meu colo, começou a movimentar seu quadril levemente para cima e para baixo, simulando algo muito sugestivo.
Eu estava paralisado, não sabia como reagir. Minhas mãos estavam paradas, diferentemente de quando eu tinha o controle. Tudo que eu conseguia fazer era retribuir o beijo.
De repente, Natsu saiu do beijo e me olhou. Ele estava tão sexy com aquele rosto corado! Ele segurou uma de minhas mãos e a puxou, colocando em suas nádegas, porém, por cima de calça.
– Me toque... – sussurrou ele ao meu ouvido.
Não consegui resistir e comecei a me excitar. Assim como ele pediu, eu tocava e apertava suas nádegas. Natsu então, começou a desabotoar minha camisa social, ainda me beijando.
Ele a desabotoou por completo, mas não a tirou, ficou apenas passando a mão pelo meu peito e abdômen, enquanto eu tocava suas nádegas e coxas por cima da calça, às vezes adentrando a mão pela sua camisa para tocar suas costas.
Natsu foi descendo sua mão lentamente, até que chegou ao meu membro e começou a massageá-lo por cima da calça. Dei um leve susto. Nunca achei que ele colocaria a mão ali. Foi nesse momento que eu percebi que estávamos indo longe de mais.
Lutando contra a minha excitação, empurrei-o de cima de mim e me levantei do sofá.
– Natsu! Para! Eu não posso fazer isso – disse eu abotoando minha camisa de volta.
Ele ficou um tempo tentando raciocinar o que tinha acontecido, mas logo fez uma cara triste e disse de um jeito manhoso:
– Eu achei que você queria...
Suspirei e disse:
– Eu quero! E muito!
Ele me olhou confuso, então decidi explicar por que eu tinha parado:
– Eu quero, mas não desse jeito, não com você bêbado. Quero que esteja consciente do que está fazendo e quero que se lembre também. Seria nossa primeira vez, não queria que fosse de qualquer jeito... Queria que fosse algo... Mais especial...
– hhmm... – novamente ele resmungou – Por que você tem que ser romântico quando quero que seja pervertido?
Não consegui segurar uma risada. Nem eu estava me entendendo. Eu tive uma chance raríssima de transar com o Natsu e desperdicei. Mas eu sabia que me arrependeria se fizesse isso, e ele também.
– Vem, vou te levar pra cama – eu disse, estendendo minha mão para ajudá-lo a levantar.
– Pra cama? – ele sorriu de forma maliciosa e colocou um dedo na boca.
– Pra dormir! Sozinho! – falei rindo. Natsu bêbado era mesmo uma piada...
– Ah – ele fez uma cara triste, como uma criança quando perde seu brinquedo.
Ajudei-o a se levantar, e então fomos para o quarto. Tive que ajudá-lo a caminhar até o quarto, pois ele não parava de cambalear. O coloquei na cama e o cobri.
– Kame... Deita aqui comigo! – ele me segurou pelo braço, fazendo biquinho.
– Não posso. – me soltei dele e fui indo em direção a minha cama. – Se eu me deitar com você não vou conseguir me controlar.
– Mas eu não quero que você se controle!! – reclamou ele
Eu ri novamente e me deitei na minha cama, dizendo somente:
– Boa noite, Natsu...
– Ahh... – ele resmungou mais uma vez.
Olhei para o Natsu novamente para ver se ele estava dando outra pirraça, mas vi que ele já estava dormindo. “Ele dormiu muito rápido” pensei.
Virei para o outro lado e tentei dormir também. Em partes eu me sentia mal por não ter aproveitado essa chance, mas sentia que estava fazendo a coisa certa. Só rezava para que aquela não fosse a única oportunidade.
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/Natsu’s POV/
Acordei com uma dor de cabeça monstruosa. Eu nem sabia o que tinha acontecido. Só me lembrava de ter bebido um pouco depois da festa de formatura.
– Bom dia... – disse Kame, que parecia já estar acordado há um tempo.
– B-bom dia... – respondi eu, com um pouco de dificuldade para falar.
– Está se sentindo bem? Quer que eu traga um pouco de água?
– Não precisa, obrigado.
“Que estranho! Kame está sendo gentil comigo novamente. Mas ele não estava me ignorando?”
– O que aconteceu ontem? – perguntei – porque eu estou com tanta dor de cabeça?
Ele ficou um tempo calado, apenas me olhando. Depois disso, ele perguntou:
– Não se lembra de nada que aconteceu ontem? Nada mesmo?
– Só de ter voltado da festa e bebido um pouco... – falei
– Ah sim... – ele abaixou a cabeça, parecendo um pouco desanimado.
Achei aquilo meio estranho, mas decidi não perguntar mais nada. Tomei um remédio pra dor de cabeça e tentei não fazer muito esforço por causa da ressaca.
Meu pai até brigou um pouco comigo por eu ter quase acabado com o vinho caro que ele comprou, mas não foi nada sério.
Ao passar do dia, a minha mente foi clareando mais. Algumas cenas iam voltando na minha mente como um dejavú. Eu me lembrava de ter assistido um filme, e depois de estar no sofá com Kame.
De repente, me lembrei de um detalhe muito constrangedor. Ontem eu havia me atirado para ele feito uma vadia. Estava morrendo de vergonha, eu só queria um lugar para me enterrar.
Eu estava deitado na minha cama e ouvindo música, quando Kame entrou no quarto. Tirei os fones de ouvido para ouvi-lo perguntar:
– Você já está melhor?
– Estou sim... Obrigado...
Ele já ia saindo do quarto, quando eu chamei:
– Kame!
– Sim? – ele voltou
Levantei-me para demonstrar que estava falando sério. Eu nem sabia como ia dizer aquilo à ele, mas eu sentia que precisava dizer:
– Ér... Obrigado... Por ontem...
– Hã? – ele me olhou confuso
– Eu... Bem... – estava extremamente sem graça e não conseguia olhar para ele – Eu não me lembro de tudo, mas parece que ontem à noite eu meio que... Me joguei pra cima de você... Então eu... Só queria te agradecer, por não ter feito nada.
Ele sorriu e ficou um tempo parado, apenas me olhando, até que disse:
– De nada... Mas sabe...
Kame veio se aproximando de mim, e quando chegou bem perto, ele sussurrou ao meu ouvido maliciosamente:
– Da próxima vez eu não vou me segurar!
Corei completamente e meu coração deu um leve pulo! Por que ele gostava de me provocar daquele jeito?
– Idiota! Nunca vai ter uma próxima vez!
Ele riu alto enquanto ia em direção à porta.
– Agora que sei que você me deseja tanto, eu não teria tanta certeza! – debochou.
Antes que eu atirasse alguma coisa nele, Kame saiu rápido do quarto, ainda rindo. Eu fiquei nervoso! Ele adorava me deixar com raiva! Por que fui inventar de dizer aquilo? Agora ele vai me zoar eternamente.
Eu ainda mato esse idiota!
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