Dentro De Mim
17 Capítulo 17
Notas iniciais
/História 1/Aki’s POV/
– Tudo recalque! – disse Michi se referindo aos olhares estranhos das pessoas na rua
É, não é surpresa que as pessoas, aparentemente normais, estranhem um homem e uma mulher desfilando com os braços enganchados se achando fabulosos. Bem, não me importo com o que as pessoas pensam, com Michi tudo é sempre divertido.
– Akiii! – disse ela de um jeito manhoso – Você não sai comigo a um tempão! Tem uma boate muito foda que foi inaugurada e você tem que vir comigo!
“Merda, vou ter que recusar de novo!” Confesso que sinto falta de sair com ela, mas não quero voltar a frequentar esses tipos de lugares onde com certeza todos me conhecem. Além de que hoje eu tinha outro encontro com Tsuki.
– Ah, hoje eu não to com muita vontade de sair – tentei me livrar.
– Ah não, Aki! – ela se irritou, tirando os braços dos meus – Você sempre tá com uma desculpa diferente! Não quer mais sair comigo? – mudou o tom para um mais triste
– Não! Não é isso! – tentei inventar algo – É só que eu não quero sair hoje. Não quer dizer que eu não te ame mais.
Ela revirou os olhos e deu um suspiro cansado.
– Tá bom, não vou forçar. – ela se rendeu – Mas se você ousar sair sem mim, eu mato você! – ameaçou
– Tá – arregalei os olhos.
“Realmente, não sei mais por quanto tempo eu vou aguentar fugir da Michi. Uma hora ela vai perceber, e vai ficar com raiva de mim. Bem, é melhor eu parar de pensar nisso e me concentrar no encontro de hoje.”
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/Tsuki’s POV/
Eu olhava em volta, rondando os olhos pela praça, a procura de Aki, mas não o achava. Bem, eu estava adiantado, seria surpresa se ele aparecesse, mas eu estava tão ansioso para vê-lo!
Senti meu celular vibrando dentro do meu bolso, e consequentemente, meu coração disparou. Abri e vi que tinha uma mensagem de Aki, dizendo que estava em frente a uma barraquinha de salgados.
Fui rapidamente até lá e o encontrei, lindo como sempre. Cumprimentamos-nos com um beijo e começamos a caminhar pela praça. Era realmente um lugar muito bonito. Arborizado, pequenas aves voando e catando migalhas, sorrisos para todos os lados, e ele. Ele era o que deixava tudo mais bonito, mais colorido.
– E como está aquela sua amiga, a Michi? – perguntei, assim que chegamos a tal assunto.
– Ah, – o sorriso em sua face se desfez – Ela tá insistindo muito pra que eu saia com ela, mas não sei se quero.
Fiquei meio receoso quanto àquela palavra. “Sair? Que tipo de sair? E sair pra onde?” Então, decidi perguntar:
– Como assim sair?
– Ué, como a gente fazia antes, só como amigos, tá? – disse ele, percebendo meu ciúme – Mas ela quer ir numa boate, e eu não quero mais ir nesse tipo de lugar.
– Ah – abaixei os olhos, entendendo o motivo.
Realmente, eu não gosto da ideia dele frequentando boates e bares onde várias pessoas que ele já ficou estão lá, mas também não posso tirar o direito dele sair para onde quiser e com os amigos que quiser. Então, eu disse meio sem graça:
– Bem... Se o problema for eu... Pode sair com ela, de boa.
Ele me olhou meio surpreso, e fiquei até um pouco com medo da resposta. Porém, ele apenas sorriu e respondeu:
– Não é só você. Eu realmente não quero ir nesses lugares, mas acho que vou chama-la para ir para algum lugar, tipo cinema, lanchonete, sei lá.
Eu apenas sorri, mais tranquilo, e então encerramos o assunto.
Nós passeávamos pela praça, olhando cada paisagem bonita e batendo fotos com o celular. Algumas coisas realmente merecem ser registradas. Ficamos horas observando um lago, onde diversos tipos de aves, principalmente garças, pescavam, formando uma linda visão.
Até tirei umas fotos do Aki sem que ele percebesse. Aquele sorriso era como uma droga para mim, e merecia uma foto, mesmo que ele se recusasse e eu tivesse que tirar a força.
Enfim, voltamos a andar pela calçada da praça, até que vi algo que me surpreendeu. Parei de andar, então Aki fez o mesmo.
Olhei encantado para o menininho, de aparentemente uns 3 anos, olhando com um brilho nos olhos para os Cup Cakes de uma barraquinha. Ele era mesmo muito fofo, e aparentava ter um lado travesso.
O que realmente me surpreendeu, foi vê-lo entregando uma nota para o homem da barraquinha e apontando para o bolinho que queria.
– Olha só. – cochichei com Aki – Esse já é independente!
Ele riu e voltou a observar o garotinho. Eu adoro crianças, mas crianças sorrindo são ainda mais adoráveis. O sorriso daquele menino era notavelmente alegre e guloso, ansioso para devorar o Cup Cake a sua frente.
O menino ia indo embora contente, mas um sujeito passou correndo a esbarrou nele, consequentemente, derrubando seu bolinho.
Meu coração se dilacerou ao ver aquele lindo sorriso se desfazer de seu rosto jovem e lágrimas começarem a brotar em seus olhos. Ele chorava olhando para aquele bolo esmagado no chão. Mas o que me deixou com mais pena mesmo, foi como ele chorava. Não era um escândalo, como geralmente crianças fazem, era baixo, e sofrido.
– Ah, coitado! – disse Aki
Não aguentei e me aproximei daquela criança, me ajoelhando para ficar a sua altura.
– Ei, não chore menino! – eu disse com uma voz calma e serena, na intenção de ser gentil com o garoto.
Ele levantou a cabeça, me olhando com aqueles olhos marejados. Pelo meu jeito de agir, ele pareceu não se assustar comigo. Bem, sou bom quando se trata de psicologia infantil.
– Meu bolinho caiu no chão – ele disse, com sua vozinha de criança chateada.
– Mas isso não é problema – me levantei, fazendo-o levantar os olhos também.
Tirei uma nota do bolso e entreguei para o homem da barraca, pedindo um Cup Cake exatamente igual ao que tinha caído no chão.
Me ajoelhei de novo estendo o bolinho, dizendo:
– Toma aqui, apenas não chore, tá? Sorrisos são bem mais bonitos!
Os olhinhos grandes dele começaram a brilhar, e novamente um sorriso foi estampado em seu rosto. Ele pegou o Cup Cake com as duas mãos e segurou firme, para não deixar cair de novo.
– Ah! – ele sorriu mais ainda – Obrigado Tio! – ele apertou os olhos, me agradecendo.
– De nada, considere um presente! – eu continuava ajoelhado – Onde está seu responsável?
– Minha mãe tá ali! – ele apontou para uma mulher que olhava algumas coisas para comprar
– Então, agora que já tem seu bolinho, vá lá com ela, e segura firme, ok? – brinquei
Ele riu gostosamente e foi andando em direção a sua mãe. Ele acenou enquanto dava uma mordida no Cup Cake. Sorri vendo aquela cena. É, eu tinha feito amizade com mais uma criança.
Finalmente voltei minha atenção para Aki, que me observava o tempo todo. Estranhei sua expressão. Ele me olhava de um jeito orgulhoso, maravilhado e incrédulo ao mesmo tempo.
– O que foi? – perguntei, quando ele passou um bom tempo me olhando daquele jeito.
Ele não respondeu, simplesmente me abraçou carinhosamente, encostando a cabeça em meu peito. Obviamente, retribuí o abraço, então ele disse sem me soltar:
– Tsuki... Eu tenho que admiti. Essa foi uma cena linda. Você é tão bondoso. Chega a me deixar orgulhoso.
Eu ri e o apertei mais forte, dizendo logo em seguida:
– Que isso! Eu apenas faço o que acho certo. Gosto de ver as pessoas felizes, por isso gosto de ajudar.
Ele se afastou um pouco, para me lançar um olhar apaixonado e depois me beijou. Assim que o beijo terminou, voltamos a caminhar pela praça.
Lentamente, eu entrelacei meus dedos aos dele, e começamos a andar de mãos dadas. Confesso que fiquei meio receoso se ele ia querer ficar assim comigo ou se preferia não ser muito meloso, mas ele apenas apertou mais ainda minha mão e sorriu para mim, me fazendo sorrir também.
Teve um instante em que nós cruzamos com um casal de duas mulheres. Eu sabia que elas eram um casal, pois além delas estarem andando abraçadas, eu tinha as visto se beijando há um tempo atrás.
As duas olharam para nossas mãos dadas e deduziam que nós também éramos um casal, já que dois homens héteros jamais dariam as mãos. Então, nós quatro nos lançamos um olhar de cumprimento, seguido de um sorriso, mas que dizia muito. Compartilhávamos algo em comum, o fato de estarmos com uma pessoa do mesmo sexo e não termos vergonha disso. Foi como uma amizade de imediato.
Nós poderíamos ter parado para conversar, mas preferimos continuar caminhando, pois estávamos em um encontro.
– Faz tempo que eu venho aqui, mas continuo adorando esse lugar! – Aki sorriu – Tem vários casais homossexuais aqui, então ninguém tem preconceito.
Realmente o local estava repleto de casais, tanto héteros, como homossexuais, mas parecia que ninguém lá se importava com as diferenças.
– É, também gosto de lugares assim! – concordei
– Eu realmente odeio quando me olham com desprezo. Qual o problema de nós sermos gays? – ele ficou meio revoltado
– Eu sou bi, na verdade, hehe – eu ri, meio que mudando de assunto.
– Bissexual? – ele mudou o olhar para um mais desconfortável.
– É, mas não é como todos pensam. – resolvi me explicar, para não ter que deixar o assunto no ar – A maioria acha que quem é bi pega quem vier, mas não é que eu pego todos, tem um motivo maior.
Neste momento, paramos em frente ao coreto da praça, então decidi entrar, fazendo Aki me seguir. Sentei-me nas grades do coreto, deixando meus pés do lado de fora dele. Aki se sentou ao meu lado e começou a observar o pôr do sol junto comigo.
Era uma vista linda, o sol descendo e se escondendo nas copas das arvores, os fiapos de luz que escapavam pelas folhas, as nuvens alaranjadas e também, a própria praça e as pessoas que estavam nela.
– Qual é esse “motivo maior”? – perguntou ele
– Bem... – peguei fôlego para explicar – Como você já sabe, eu tenho o problema de me apaixonar de mais. Eu me apaixono pelo o que a pessoa é, então, por exemplo: Se eu encontro uma pessoa incrível, que serve para mim e que eu poderia me apaixonar, eu não deixo de gostar dela só por ser um homem ou por ser uma mulher. Não me importo com o sexo da pessoa, desde que eu a ame. Entende?
Ele me olhou com aquele jeito orgulhoso novamente. Seus olhos meio cerrados e seu sorriso sutil ficavam lindos com aquela iluminação alaranjada que o pôr do sol produzia.
– É um pensamento bem bonito – ele virou as pernas para dentro do coreto, mas continuou sentado nas grades – Mas eu fico meio enciumado.
– Enciumado? Por quê? – Também me virei para dentro
– É que... – ele ficou meio corado e não olhava para mim – Já que você gosta dos dois sexos... Meio que dobra a quantidade de gente no jogo.
Eu comecei a rir e desci da grade, entrando no coreto. Ele continuou sentado e não entendeu bem o motivo da minha risada. Me posicionei em frente dele e segurei suas mãos.
– Não existe jogo pra você. – eu disse de uma forma apaixonada, beijando sua mão carinhosamente – Eu amo você e unicamente a você.
Ele arregalou os olhos meio surpreso, ficando levemente corado, mas logo sorriu e desceu da grade para me abraçar. Com uma das mãos eu abraçava sua cintura, e com a outra acariciava seus cabelos loiros. O abraço estava tão aconchegante, que eu tinha vontade de ficar lá para sempre.
Meio que involuntariamente, nós começamos a balançar levemente, ainda abraçados, como se estivéssemos dançando, mas sem música. O coreto mais a iluminação alaranjada deixavam tudo com um clima mais romântico.
– Aki, eu te amo – disse eu com um tom suave.
– Também te amo – ele respondeu pela primeira vez.
Uma enorme alegria percorreu meu corpo. Ele tinha dito que me amava! É inexplicável como foi ótimo para mim, ouvir aquelas doces palavras saindo de sua boca.
Sorri para ele e o beijei, apaixonadamente. Ficamos lá naquele coreto por um bom tempo, até que o sol se pôs completamente e começou a escurecer.
– Já estamos nessa praça há muito tempo – eu disse, olhando o relógio – mas ainda está cedo, quer ir para minha casa? Podemos alugar um filme, ou sei lá.
– Claro! – ele respondeu sorrindo
Sério, às vezes sinto que meu coração vai explodir.
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