Dentro De Mim
11 Capítulo 11
Notas iniciais
/História 2/Kame’s POV/
Os dias têm passado. Já faz duas semanas desde que comecei a fazer parte dessa nova família. Aos olhos dos outros, parecemos aquelas famílias felizes de contos de fada, mas para mim, não era. Talvez seja por egoísmo, mas eu preferia que não fosse assim.
Bem, é claro que isso tinha um lado positivo. Eu tenho passado muito tempo com Natsu ultimamente. Poderia até dizer que nos tornamos amigos. E, não sei como, eu consegui criar um certo tipo de resistência a ele. Toda vez que ele me seduzia de alguma forma, eu conseguia me controlar para não ficar excitado e nem deixar transparecer que gosto dele.
Meu único jeito de botar para fora, era desenhando-o e escrevendo músicas sobre ele. Já tinha lotado um caderno inteiro só com desenhos dele. E tenho que admitir que alguns dos desenhos eram meio pervertidos. É, tenho uma imaginação fértil.
Assim que minhas aulas da faculdade acabaram, voltei para casa andando. Entrei no quarto e quase tive uma hemorragia nasal. Natsu estava deitado em sua cama de barriga para baixo, lendo alguma coisa e sem camisa.
– Ah, Okaeri! – ele disse, assim que percebeu minha presença.
– Tadaima. – respondi, me jogando na minha cama e tirando a gravata.
Comecei a observá-lo sutilmente. Seu rosto visto de perfil concentrado na leitura era lindo. E aquelas costas sexys. “Meu Deus, eu tenho que desenhar isso!”
Tirei da mochila meu caderno de desenho e abri em uma página em branco. Eu sei que era meio arriscado desenhá-lo na presença dele, mas eu não ia perder a oportunidade de passar para o papel uma cena daquelas. Pretendia fazer apenas o esboço e continuar depois, quando ele não estivesse vendo.
– O que está fazendo? – ele me perguntou em um tom inocente e curioso, assim que me viu rabiscando alguma coisa.
– Dever de casa – menti com naturalidade.
Confesso que fiquei até meio tenso. E se ele começasse a me perguntar sobre esse dever de casa e acabasse descobrindo que eu estava mentindo? Bem, mas para minha sorte, o celular dele tocou.
Ele esticou o braço para pegar o celular e se sentou na cama, saindo daquela posição. Ainda bem que eu já tinha feito a base do desenho bem rápido, então ele não precisava mais ficar “posando” para mim.
Ele viu quem era, fez uma cara de desgosto e recusou a chamada, voltando a ler.
– Quem era? – perguntei meio curiosos.
– A Ayumi-chan, de novo. – disse ele em um tom irônico – Cara, só hoje ela me ligou 5 vezes.
Confesso que fiquei meio enciumando, e ao mesmo tempo feliz por ele ter recusado a ligação. Seria uma tortura para mim ouvi-lo falando coisas melosas com ela.
– Pra que tanta ligação? – eu ri, disfarçando minha raiva.
– Sei lá! A garota é fanática por mim! – disse ele, parecendo farto da namorada – Tem que saber o que eu estou fazendo de 1 em 1 minuto. Que merda!
– Se não gosta disso, por que não termina com ela? – sugeri, meio receoso de ele perceber minhas intenções.
– Pois é. Eu juro que queria isso, mas... – ele se sentou na cama – Sei lá. Não consigo terminar com ela. Ela é muito histérica, e fico imaginando o escândalo que ela daria se eu falasse que não quero mais continuar com ela. Não que eu não goste dela, mas não posso retribuir todo o sentimento que ela tem por mim, entende?
Nunca fiquei tão feliz em ouvir algo. “Então que dizer que ele quer terminar com ela? Perfeito!” Também fiquei muito feliz pelo fato dele confiar em mim o suficiente para me contar isso. Por dentro eu estava explodindo, mas não deixei transparecer minha alegria e respondi:
– Entendo... Sabe, eu acho que não vale a pena ficar com alguém por dó. É melhor ser feliz, não?
– É... Tem razão... – ele pareceu meio pensativo – Bem, – mudou o tom – mas não vou terminar tão cedo. Não tem problema ela ser tão fanática. Eu tenho uma namorada linda e gente boa. Ótimo, né?
Sério, faltei morrer nesse momento. Bateu uma raiva do capeta com esse comentário. “Ok, não termina então e me deixa sofrendo”. Não consegui esconder muito bem e acabei cerrando meus punhos, mas ainda bem que ele não viu, pois voltou a ler o que estava lendo.
– É... – respondi apenas, para não deixá-lo sem resposta.
E então, o silêncio tomou conta do local. Voltei a desenhar e ele a ler. Pois é, terei que me contentar com minha imaginação.
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/Natsu’s POV/
A aula estava preste a acabar, porém, parece que o último horário sempre se arrasta. Além de que, a aula de matemática com o Kioshi-sensei é um saco. Ele está sempre mal-humorado e parece que não quer que ninguém seja feliz.
Eu olhava pela janela, distraído, mas ao mesmo tempo reparando se o professor estava me vigiando. Estava pensando sobre minha nova família. Confesso que está sendo bem legal. Desde que minha mãe morreu, tem sido somente eu e meu pai, mas agora, tenho uma família normal, com mãe e um irmão. Bem, não considero Kaori uma mãe, mas ela tem sido bem legal comigo. Quanto a Kame, ele se tornou meu amigo.
Pois é, o Kame é meio estranho. Ele não se socializa muito, e está sempre desenhando ou escrevendo algo em um caderno. Ele sempre diz que está fazendo dever de casa, mas eu sei que ele apenas não quer que eu veja. Mas às vezes, bate uma curiosidade...
Bem, pode ser só impressão minha, mas eu tenho reparado que ele me olha de mais, e toda vez que fala comigo ele tem um certo brilho nos olhos. Será que... Não! Não pode ser. Devo estar imaginando coisas.
Saí de meu devaneio quando o professor bateu um caderno na mesa fazendo um estrondo e gritou:
– PRESTEM ATENÇÃO QUANDO EU FALO!
Aposto que isso foi indireta para mim. Voltei a olhar para frente desesperado. Aquele cara me assusta. Mas para minha sorte, o sinal bateu pouco tempo depois e todos foram se levantando para ir embora.
Que bom que hoje a aula da Ayumi acaba mais cedo, assim posso evitar mais uma dor nos ombros quando ela se pendura em mim. Antes, ela sempre ficava até mais tarde só para me ver, mas agora o irmão dela vem sempre buscá-la. Eu devo isso a ele, mas ainda não o acho uma pessoa muito legal. Aquele tal de Hiro metido à roteirista de mangá se acha muito. Só conversei com ele uma vez e pude ver que ele é um idiota.
Enfim, eu voltei andando para casa, já que fica perto da escola. Eu sabia que a essa hora, só haveria Kaori em casa, que provavelmente estaria fazendo almoço. Meu pai estaria no trabalho e Kame na faculdade, que só termina mais tarde. Kaori trabalha também, mas sempre pode estar em casa na hora do almoço.
– Tadaima! – gritei assim que cheguei.
– Okaeri, Natsu – gritou Kaori da cozinha.
Fui até a cozinha, curioso para saber o que ela estava fazendo e para cumprimentá-la.
– O que vai ser o almoço? O cheiro está ótimo! – perguntei com olhinhos curiosos rondando pelas panelas.
– É minha receita especial de ramén! – ela sorriu, parecendo lisonjeada – Que bom que gostou!
Depois de conversar um pouco com ela, fui até meu quarto. Abri o armário e coloquei uma roupa qualquer. E como de costume, abri minha agenda escolar para ver se tinha algum dever de casa para fazer. “Merda, tem um pra entregar amanhã!”
Comecei a procurar meu livro de física, no qual tinha que fazer as atividades. Provavelmente ele estaria nas gavetas, onde guardo qualquer tipo de papel. Abri a primeira gaveta, e como esperado, meu livro estava bem ali.
Assim que tirei meu livro, vi algo que me surpreendeu. Logo atrás dele havia o caderno de capa preta do Kame, no qual ele está sempre rabiscando. “Ele esqueceu aqui?”
Olhei para aquilo e entrei em um dilema. Fuço ou não? É errado invadir a privacidade das pessoas, mas eu estava tão curioso. E se eu desse só uma olhadinha...
Peguei o caderno e abri na primeira página, na intenção só de dar uma olhada rápida. Porém, assim que bati o olho, vi que era um poema cujo nome era: “Eu te amo”. Não resisti à tentação e comecei e ler:
Sempre que ouço seu nome
Meu coração dispara
Sempre que ouço sua voz
Tudo no mundo para
.
Se você sente o mesmo por mim?
Não sei, esse é o problema
Se prefiro seus olhos ou seu sorriso?
Isso é um dilema
.
Quando estou ao seu lado
Tudo parece fazer sentido
Quando não estou
Me sinto desorientado, perdido
.
Não posso viver sem você
Me mataria para não te perder
E é por isso que eu proclamo:
Eu te amo
.
Terminei de ler e fiquei totalmente surpreso. “Não sabia que Kame escrevia poemas. Mas... vendo melhor...” Reparei que abaixo das letras tinham notas, quase microscópicas. Então, era uma música, e não um poema.
“Quem será que foi a inspiração dele para escrever isso?” Não resisti à tentação novamente e passei para a próxima página, onde tinha outra letra de música, cujo nome era “Amor Platônico”:
Quem ama platonicamente
Apenas tem medo de sofrer
Medo de demonstrar o que sente
E o outro não corresponder
.
Como revelar esse segredo
Estando dominado pelo medo?
De não ter nenhuma chance
De você não estar ao meu alcance
.
Não tenho apenas medo de ter um coração partido
Ainda tenho a vergonha e a timidez
Estou mantendo esse sentimento reprimido
E não consigo te dizer isso de uma vez
.
Se não quiser nada comigo
Peço que rejeite delicadamente meu amor
Se quiser ser apenas meu amigo
Tudo bem, vou ter que aguentar a dor
.
Como admitir isso para você
Se não admito nem para mim?
O que fazer para sobreviver
Com um amor platônico assim?
.
“Nossa, que lindo! Ele realmente tem talento para isso. Mas... Quem é que ele ama e tem que esconder?” Minha curiosidade falou de novo e passei a página, lendo outra letra de música. Percebi que essa ainda estava incompleta e ainda não tinha título:
Vamos, chegue mais perto
Deixe-me sentir seu corpo quente
Talvez não seja certo
Mas quero te dar um beijo ardente
.
Quero te dar um olhar sombrio
E te provocar um arrepio
Me dê aquele seu sorriso sensual
Sussurre daquele jeito fatal
.
Quero te envolver em meus braços
Quero seus beijos, seus abraços
Deixe-me te dar carinhos deliciosos
E te beijar em locais calorosos
.
“Epa! Esse aí já é mais quente! Pelo visto o Kame anda muito inspirado ultimamente” Continuei folheando e lendo mais algumas coisas, até que cheguei em uma página que tinha um desenho de um rosto. Olhei atentamente para aquele rosto que parecia familiar. Arregalei os olhos ao reparar em uma coisa. “Não... Espera... Esse é... Esse sou... Sou eu???”
Não podia ser! Por que Kame me desenharia? Devia ser só um cara parecido comigo. Continuei folheando o caderno e vendo outros desenhos. Era aquele mesmo rosto de diversos ângulos e expressões. Alguns dos desenhos mostravam o corpo, usando roupas que eu geralmente uso.
A cada página que eu passava, estava mais convencido de que era eu nos desenhos. Mas aquilo não fazia sentido. Continuei vendo tudo até que parei em uma página que me surpreendeu.
Era aquele cara, supostamente eu, deitado na grama, sem camisa e com a mão no rosto para cobrir o sol. Mesmo que não fosse eu, por que Kame desenharia outro homem, ainda mais sem camisa?
Fui passando as páginas e só fiquei mais horrorizado. Os desenhos começaram a ficar mais pervertidos. Alguns estavam seminus, ou completamente, mas se cobrindo com alguma coisa. Em alguns, a pessoa que eu queria acreditar que não era eu, aparecia mostrando as pernas, ou levantando parte de camisa. Aquilo estava ficando constrangedor.
Parecia que à medida que eu ia passado as páginas, os desenhos só pioraram. Cheguei em um, e tive certeza do que eu estava tentando acreditar que não era.
No desenho, o cara estava na cama deitado de barriga para baixo, apenas com as calças, e lendo um livro. Era eu, com certeza. Me lembro dele rabiscando nesse caderno ontem enquanto eu estava desse jeito. “Ai cara, que vergonha!”
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/Kame’s POV/
Estava voltando para casa meio frustrado. A aula tinha sido uma merda e não estava com muita paciência hoje.
– Tadaima... – falei, quase me arrastando.
Pude deduzir que minha mãe estava fazendo sua receita especial de ramén pelo cheiro, mas ela pareceu nem me ouvir chegar. Mas com essa energia que eu cheguei, esperava o quê?
– Ah, Okaeri, filho – disse minha mãe assim que percebeu minha presença.
Fui indo em direção ao meu quarto. Eu queria apenas me jogar na minha cama e dormir, porém, assim que abri a porta, fiquei petrificado ao ver Natsu segurando meu caderno.
Ele se assustou com minha chegada e tentou disfarçar o que estava fazendo. Em vão. O clima ficou pesado. Eu estava paralisado, e ele constrangido, sem conseguir falar nada.
– O que... Você... Estava... Fazendo? – perguntei em um tom demoníaco.
– Etto... Eu só estava... É que eu... – gaguejou
Arranquei o caderno de sua mão, fazendo-o se assustar com o ato repentino. Percebi que ele estava totalmente corado, não sei se por ter sido pego mexendo nas minhas coisas ou pelo o que viu. Eu estava rezando para que ele não tivesse visto tudo, porém, no fundo eu sabia que daquele dia não passava. Ele ia descobrir meu segredo.
Me joguei na cama como sonhava em fazer a manhã inteira. Virei para a parede, pois não queria olhar para ele. Sem que percebesse, acabei ficando bem corado também.
Percebi que ele se sentou na cama, colocou os joelhos perto do peito e os abraçou, afundando o rosto nos braços, provavelmente para esconder o rosto corado.
Ficamos calados, sentindo aquele clima pesado, cada um com seus pensamentos, até que ele quebrou o silêncio:
– O que... Era aquilo?
Olhei para ele de uma forma demoníaca, ainda deitado na cama e disse:
– Você não devia ficar mexendo nas coisas dos outros.
Ele ficou ainda mais corado e desviou o olhar dizendo:
– Desculpe... Mas... Aquilo era...
Me levantei, ficando sentado na cama. Percebi que ele ficou meio assustado, mas não me importei de fazer um tom bravo quando disse:
– Queria saber o que era, é?
Ele engoliu a seco, com os olhos meio arregalados e corado. Não sei se ele estava com medo de mim ou da minha resposta. Decidi contar a verdade de uma vez. É melhor que ele saiba tudo do que deixar a história no ar. Continuei falando, dessa vez com um tom menos bravo:
– Não conseguiu perceber o que era? Sim, era você nos desenhos. E as músicas também eram sobre você.
Percebi que ele ficou extremamente corado e desejava morrer naquele momento. Ele apertou ainda mais os joelhos contra o peito e disse, em um tom quase inaudível:
– Por quê...?
– Como assim por quê? – me irritei – Não tá meio óbvio? Natsu... – mudei meu tom de voz para um mais profundo – Eu... Gosto de você – ele arregalou os olhos – Na verdade... – eu não conseguia olhar para ele – Eu acho que... Eu te amo.
Ele afundou a cabeça nos braços, para esconder a face corada. Reparei que a respiração dele estava meio ofegante. Ele estava assustado.
Como eu sabia que, depois dessa, ele não ia falar nada, continuei:
– Isso já faz um bom tempo, mesmo antes de saber que nossos pais namoravam. – ele ainda não olhava para mim – Eu queria manter isso em segredo pra você não se afastar de mim. E meu único jeito de botar para fora era escrevendo músicas sobre você e te desenhando.
Olhei para ele, que ainda se mantinha daquele jeito. Eu não podia ver sua expressão facial, mas podia deduzir muito bem.
– Você deve estar me odiando agora – eu disse, voltando a deitar na cama.
– Não é isso – ele finalmente levantou a cabeça, e pude ver que ele ainda estava corado – É só que... Eu não entendo...
– Não entende o quê? – era eu quem não estava entendo.
– Tipo... – ele falava timidamente – Como você pode... Gostar de outro homem?
– Hã? – “Ai caralho, não vai me dizer que é homofóbico?”
– Não que eu tenha preconceito, – Continuou. “Assim espero” – mas, eu não entendo isso. Essa coisa de dois homens ficarem juntos... Tipo, como outro homem pode te dar prazer? É estranho.
Como é? Sério, agora ele apelou! Arregalei os olhos de uma forma irritada. “Como um homem pode te dar prazer??? Vou mostrar pra você!”
Me levantei da cama de repente e agarrei seus pulsos. Ele se assustou com o puxão que eu dei, fazendo-o se levantar da cama. Joguei-o na parede, então ele usou os braços para se apoiar, para não bater de cara.
Prendi seus pulsos a cima da cabeça, de forma que ele não pudesse se soltar. Pude ver em sua face, uma expressão de pânico e desespero.
– O... Que... Está... Fazendo? – ele perguntou, apavorado.
– Você acha que outro homem não pode te dar prazer? – sussurrei em seu ouvido – Vou te provar como pode – e com isso, mordisquei de leve o lóbulo de sua orelha.
Pude senti-lo se estremecer todinho, e o pavor tomava conta de seu rosto. “Desculpe, Natsu, mas você me provocou. Não tive outra escolha”.
Fui passando a mão por dentro de sua camisa, sentido seu abdômen.
– Hey! Para com isso! – gritou ele
Ele tentou fugir, se abaixando e deslizando pela parede, na esperança de sair por baixo das minhas pernas. Porém, antes que ele se soltasse, coloquei meus joelhos em cima de suas batatas da perna, de forma que ele não movesse as pernas e nem as mãos.
Ele podia tentar lutar o quanto quisesse, não ia conseguir fugir de mim. Eu fazia diversas artes marciais quando estava no ensino médio, então sei muito bem como abater pessoas.
Com a mão esquerda eu segurava seus pulsos, e com a outra, fui descendo em direção ao seu membro.
Apertei-o por fora da calça, fazendo ele se contorcer e gritar:
– Não! Me solta!
Involuntariamente, acabei abrindo um sorriso malicioso e lambendo o lábio inferior. Depois de lamber sua orelha eu sussurrei:
– Sabe que gritando desse jeito só está fazendo efeito reverso, né?
Os olhos dele estavam tão arregalados que pareciam que iam saltar para fora. Pude ver uma gota de suor escorrendo em seu rosto, por causa do nervosismo. E eu sabia que o coração dele estava batendo muito rápido, graças ao medo.
Tenho que admitir que gostei de vê-lo daquele jeito, submisso a mim. Levei minha mão até seu zíper e abri, desabotoando também. Coloquei minha mão por dentro de sua cueca e passei dois dedos pelo seu membro, sentindo o tamanho. Era até bem grandinho, hein!
Dei uma apertada, fazendo-o soltar um gemido abafado. Comecei a masturbá-lo, fazendo movimentos de vai e vem.
Percebi que ele se controlava para não gemer. Dava até para ler seus pensamentos: “Eu não vou gemer para você! Eu não vou gemer para um homem!”
– Está gostoso, né? – provoquei, depois lambendo seu pescoço.
Ele não respondeu nada. Ele sabia que se abrisse a boca ia acabar gemendo. Na verdade, ele mal respirava. É claro que ele não pôde evitar de soltar alguns bem leves, mas confesso que ele estava fazendo um ótimo trabalho segurando.
Aumentei a velocidade dos movimentos. A expressão que ele fazia era o melhor de tudo. Um misto de tortura e prazer, totalmente excitante para mim.
Ele tentou fechar as pernas, porém, estava trêmulo de mais, além de que eu fazia pressão com meus joelhos. Soltei seus pulsos por um pouco, para usar minha mão para abrir suas pernas de novo.
Foi bem fácil abri-las novamente. O corpo dele queria mais, apenas a mente não queria. No fundo, ele estava gostando daquilo. Ele estava em uma batalha contra si mesmo, entre o corpo e a mente.
– Viu, seu corpo não escolhe quem te dá prazer – provoquei de novo.
Como eu tinha soltado seus pulsos, ele levou uma das mãos até meu antebraço e tentou tirar minha mão de seu membro.
Com minha mão livre, voltei a segurar seus pulsos em cima da cabeça. Eu não ia deixar ele me impedir.
Ele mordia o lábio inferior, preocupado em não emitir nenhum som que me estimulasse a continuar. Porém, a face dele já era o suficiente.
Percebi que ele não se permitia gozar. Já imaginei o porquê. Ele não queria nem que eu o desse prazer, quando mais chegar ao máximo.
Mas não facilitei para ele. Aumentei a velocidade dos movimentos, fazendo-o se contorcer mais ainda. Afrouxei um pouco seus pulsos, para ver se ele iria tentar se soltar de novo. Como não tentou, decidi soltar suas mãos.
Ele não aguentava mais segurar, então levou uma de suas mãos à boca e mordeu com força, para abafar o gemido de quando gozou. Ele suspirou aliviado por aquela tortura ter acabado.
Senti seu líquido em minha mão, e involuntariamente, sorri maliciosamente. Retirei minha mão de seu membro, já amolecido e me levantei.
– Provado? – provoquei mais uma vez.
Ele não respondeu, estava traumatizado de mais. Ele ainda se mantinha naquela posição, meio ofegante. “É, vamos dar um tempo para ele” pensei, enquanto ia em direção ao banheiro para lavar a mão.
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/Natsu’ POV/
Kame saiu do quarto, provavelmente indo ao banheiro. Eu não conseguia me mover. Meus olhos continuavam arregalados e estava ofegante.
“O que caralhos acabou de acontecer aqui?”
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