Dente do Juízo
1 Capítulo 1
Dente do juízo
Ai que me vem com este dente do juízo!
E rompe-me a gengiva
Sem pedir licença
A dor que me fustiga
É a dor que prefacia uma vida de juízo
Minha carne ainda resiste.
Mas o juízo se impõe,
Se impõe quatro vezes,
Nos quatro cantos da boca,
Que é pra ter certeza
De que ficarei quatro vezes fadado
Ao juízo, a razão, a lógica
E aos sapatos apertados
Meu juízo, que era magro,
Tão magro que, que de perfil sumia,
Agora engorda
O dente o torna obeso;
Tanto que se eu intencionar
Aquela mulher que passa,
Sentirei seu peso (não o da mulher, do juízo)
Empurrar meu olhar ao chão.
Mas eu me apego ao recurso
Do cinismo, que me deixa o juízo,
E, por cima do ombro, de viés,
Exorcizo a intenção (ou quase).
Daí, eu arranjo um namoro sério;
Depois, ponho aliança no dedo;
Dou adeus aos bares;
E vou trabalhar bem cedo.
Onde estão meus dentes de leite?
Foram extraídos.
Foram-se os banhos na chuva.
Mas há quem perca os dentes do injuízo?
Antes que chegue o tempo do juízo,
E vão trocando todo dia os dentes.
Vendendo picolé, cortando cana,
Ficando sozinho em casa...
Esse é o nosso juízo!....
Virá o juízo afinal,
Mas que não seja juízo final,
Pois eu vou comer tijolo,
Que é pra gastar esta arcada.
E que depois me ponham
Uma dentadura bem desajuizada.
By: Allison
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