Dente do juízo

Ai que me vem com este dente do juízo!

E rompe-me a gengiva

Sem pedir licença

A dor que me fustiga

É a dor que prefacia uma vida de juízo

Minha carne ainda resiste.

Mas o juízo se impõe,

Se impõe quatro vezes,

Nos quatro cantos da boca,

Que é pra ter certeza

De que ficarei quatro vezes fadado

Ao juízo, a razão, a lógica

E aos sapatos apertados

Meu juízo, que era magro,

Tão magro que, que de perfil sumia,

Agora engorda

O dente o torna obeso;

Tanto que se eu intencionar

Aquela mulher que passa,

Sentirei seu peso (não o da mulher, do juízo)

Empurrar meu olhar ao chão.

Mas eu me apego ao recurso

Do cinismo, que me deixa o juízo,

E, por cima do ombro, de viés,

Exorcizo a intenção (ou quase).

Daí, eu arranjo um namoro sério;

Depois, ponho aliança no dedo;

Dou adeus aos bares;

E vou trabalhar bem cedo.

Onde estão meus dentes de leite?

Foram extraídos.

Foram-se os banhos na chuva.

Mas há quem perca os dentes do injuízo?

Antes que chegue o tempo do juízo,

E vão trocando todo dia os dentes.

Vendendo picolé, cortando cana,

Ficando sozinho em casa...

Esse é o nosso juízo!....

Virá o juízo afinal,

Mas que não seja juízo final,

Pois eu vou comer tijolo,

Que é pra gastar esta arcada.

E que depois me ponham

Uma dentadura bem desajuizada.

By: Allison

Notas finais
espero que a berseker tenha gostado
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!