Demônios De Sangue

1 Descobrindo um novo mundo


Não sabia o que significava, mas sabia que algo grandioso estava para acontecer. Meu pai havia deixado escapulir em uma de nossas conversas durante o jantar de ontem que Asuka Osaka estava chegando e pelo tom de nervosismo em sua voz quando perguntei do que ele estava falando, me faz pensar que algo interessante está por vir. Meu pai é membro do conselho de torneios de dragões, por isso ele sabe de muita coisa importante. Eu poderia pensar que Asuka Osaka seria o nome do próximo torneio, mas era impossível já que o próximo torneio já está marcado. E aqui estou eu, deitado em minha cama redonda olhando para um pôster gigante colado no teto. Nele, havia a imagem de um dragão negro, o maior dragão já conhecido. Ele tem cinco cabeças e seis patas. Sua boca é enorme e seus dentes são incrivelmente afiados. Nunca houve nenhum assassino capaz de matar o grande dragão demônio, era como as pessoas o chamavam.

Revirei na cama procurando por uma posição que não me deixasse desconfortável. Meu quarto é o meu santuário, tem tudo o que eu gosto e eu fico a maior parte do tempo sozinho. Meus pais sempre brigam comigo pelo fato de não gostarem do meu quarto, eles dizem que ele tem uma energia ruim. Quem acredita nisso? Eu com certeza não. Eles só dizem isso por causa da cor das paredes e do teto. Como todas as outras pessoas normais, eu deveria ter pintado o teto de branco, mas eu pintei tudo de preto. Meu quarto é um pouco estranho, mas não tão estranho como as coisas que irei contar.

Duas coisas já devem ter passado pela sua cabeça, ou eu sou doido ou estou brincando com vocês. Pois é, não é nenhuma das opções. Nesse novo mundo, dragões realmente existem.

_Kimio, está atrasado para a escola. – Minha mãe disse abrindo a porta.

_Já vou!- Respondi e ela voltou para a cozinha.

Não queria ir para a escola hoje, na verdade, eu não queria ir para a escola dia nenhum. Levantei-me da cama, peguei minha mochila do lado da escrivaninha e a joguei por cima do ombro. Saí do quarto e comecei a descer as escadas. Passei pela cozinha e abri a porta da frente.

_Não vai tomar café, filho? – Minha mãe gritou da cozinha.

_Não estou com fome mãe! – Respondi e fechei a porta.

O mundo que você conhece simplesmente não existe mais. Estamos em 4069, e por mais incrível que pareça, não temos tanta tecnologia. Na verdade, não temos nenhuma tecnologia. Computadores? Celulares? Nada. Todos esses aparelhos que você conhece foram extintos da face da Terra. Aposto que quer saber o porquê. Os cientistas que restaram do suposto “fim do mundo”– não foram muitos – afirmam que podemos viver sem eles. De certa forma eu concordo com eles, afinal não vejo uma utilização útil para esses objetos eletrônicos. Tudo bem que eu sou suspeito para falar, no fim de contas, eu nunca vi uma peça dessas na minha frente. Eu já devo estar confundindo vocês com toda essa conversa sobre quartos e tecnologia, então vou contar o que realmente interessa.

Há muito tempo atrás, o mundo que você conhece ainda existia. Adultos saiam todos os dias durante a manha e iam trabalhar, crianças e adolescentes iam para a escola e acidentes com automóveis e motocicletas aconteciam diariamente. Ninguém sabe quando ou como começou os incidentes naturais, mas sabemos o que aconteceu. Vulcões entraram em erupção, a maré subiu muito, ondas gigantes se formavam, chuvas fortíssimas caiam junto com raios perigosos entre outros fenômenos naturais. Poucas pessoas sobreviveram a isso, e foram essas pessoas que reconstruíram o mundo e o povoaram novamente. O que essas pessoas fizeram, foi uma tarefa realmente difícil, pelo fato de que quanto mais construíam, mais os dragões destruíam. Está aí outra coisa que ninguém sabe, a origem dos dragões. Os cientistas que sobraram, foram ensinando o que sabia para seus filhos que também ensinaram para seus filhos que também ensinaram para seus filhos, mas no final, ninguém tem a mínima ideia do que realmente ajudou na aparição dos dragões.

_Kimio, poderia pelo ao menos cumprimentar? – Ouvi alguém dizer. Olhei para trás e dei de cara com Soushi, um dos meus melhores amigos. Falando assim, até parece que eu tenho muitos amigos, mas nem é assim. Tenho apenas dois, mas eles são os melhores. – Sua mãe não te deu educação?

_Desculpa Soushi, nem te vi ai! – Respondi.

_Eu percebi. E aí, ficou sabendo do torneio?

_Acho que sim. – Lembrei-me do que meu pai havia falado “Asuka Osaka está chegando”, mas quem será essa pessoa? E será que é uma pessoa? — Você vai participar?

_Claro! Já até me inscrevi. Estou super animado! Imagina se eu ganho? Todas as gatinhas vão querer o mestre aqui. – Ele riu. Era incrível o que ele estava disposto a fazer para se tornar maneiro. – Falando em gatinhas, sabe quem chegou à cidade?

_Asuka Osaka? – Chutei.

_Quem é Asuka Osaka? – Ele perguntou com uma expressão estranha no rosto. – Eu estava falando de Saori Ootsuka.

Saori Ootsuka? Quem é Saori Ootsuka? Nunca ouvi falar nela, e se já ouvi, não me lembro.

Estávamos tão distraídos conversando que nem percebemos que já estávamos na sala de aula e a aula de matemática já havia começado.

_Yamamoto? Nobuhara? Podem explicar para turma o que eu acabei de falar aqui na frente? – Nossa professora de matemática, a senhora Yoshida, não era nenhum um pouco amigável.

_Desculpe professora, não vamos voltar a falar durante a aula. – Respondi.

Ela se virou para o quadro e começou a passar alguma coisa relacionada à matriz. Deitei a cabeça na mesa e fechei os olhos. Asuka Osaka estava chegando. Asuka Osaka. Asuka Osaka. Isso não saia da minha cabeça. E quem é Saori Ootsuka? Será que ela também tem algo a ver com o torneio?

O torneio estava cada vez mais perto e havia muito tempo que eu não treinava. Eu nunca fui um bom assassino e todos sabem disso. Os torneios são o seguinte, os participantes se inscrevem no prédio de administração do torneio. Dois dias antes do torneio, eles voltam a esse prédio para que seja sorteado em qual campo de batalha eles irão lutar e qual a dificuldade. Em seguida, esses participantes são enviados para os locais de luta, e na hora certa, precisa derrotar um dragão. Quem fizer mais pontos ganha. Os pontos se adquirem de acordo com a força e a habilidade do golpe. Torneios desse gênero ocorrem no mundo todo e a todo tempo.

Buuuum!

Levantei a cabeça rapidamente e olhei pela janela, exatamente como todos os outros alunos. Um dragão verde com duas cabeças e três patas estava caído no pátio, e uma garota de cabelos loiros estava ao seu lado, segurando uma espada preta e amarela na mão esquerda. Sangue verde passava pela sua espada e pingava no chão formando uma poça de sangue de dragão.

Notas finais
Coments?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.