Demônios
3 Interrogatório e Passeio ao parque.
Notas iniciais
Arco: 1998 - mistérios.
No escritório de policia, um menino de aproximadamente oito anos de idade estava sentado numa cadeira de frente para um policial na qual tentou conversar com a criança, mas não obteve êxito. O menino parecia não entender o que a pessoa a sua frente dizia.
Um outro guarda adentrou o local, fitou o moleque e reparou que ele não tinha os traços da maioria das pessoas do país em que ele estava.A criança, também tinha cabelos curtos e cacheados.
O vigia ficou curioso. Perguntou ao seu outro se conseguiu alguma informação da boca do garoto, mas o chefe disse que não. Então, o outro decidiu tentar.
Tentou falar japonês e o inglês, mas não obteve sucesso, até que tentou usar o português.
- Olá?
O menino virou lentamente seu rosto para quem o chamou. Era possível ver seus olhos totalmente negros.
- O... Olá – Disse a criança, assustada.
-Qual é o seu nome?
- Dan... Daniel. E o seu?
- Ricardo — Ele se aproximou mais um pouco de quem acabará de conhecer e continuou – Você sabe aonde você está?
Antes que o moleque respondesse, o outro trabalhador saiu do recinto, achou que seria melhor deixar Ricardo fazer o trabalho.
- Aqui... Seria onde os policiais ficam, não é? – Perguntou o Garoto.
- Isso mesmo – Respondeu o interrogador – Ouça-me. Eu preciso que você me fale, onde estão seus pais?
- Eles... – Daniel abaixou a cabeça e ficou quieto. — Eles...? – Reforçou o rapaz.
- Eu não sei. Eu não lembro.
Ricardo ficou perplexo com aquilo. Como alguém pode se esquecer das pessoas na qual o criou? Começou a se perguntar várias coisas em sua mente, até que Daniel continuou. — Tudo que lembro foi de fugir daquele hospital.
- Como você conseguiu sair daquele hospital sem ser visto?
Nesse momento, o de cabelos cacheados tomou uma expressão séria, fitou Ricardo e respondeu.
- Quer mesmo saber? – Usou uma voz mais grossa desta vez que assustou o policial.
- Bem...Se não quiser, não precisa me contar.
Com isso, o guarda levantou. Quando estava colocando a mão na maçaneta da porta, ouviu novamente a voz do menino.
- Há coisas que você, meu amigo, não merece saber. Pelo menos não agora.
O homem saiu da sala um pouco assustado e pensativo.
Passado alguns minutos, Ricardo voltou para a sala onde Daniel ficou. Ricardo permaneceu parado na porta e proferiu.
- Daniel. Tenho más noticias para você, meu amigo. Infelizmente não podemos fazer nada a não ser...
- Me enviarem para um orfanato – O menino completou. Vagarosamente, ele virou o rosto para trás e olhou para Ricardo com um olhar morto.
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Um carro de policia estacionou na frente de um orfanato. Ricardo ajudou Daniel a descer do veiculo, e avistou um grupo de crianças e uma senhora que aparentava ter quarenta anos de idade saindo do local.
Os recém chegados aproximaram-se dos outros. O vigia pode ver com mais detalhes a garotada, todos continham traços japoneses, com exceção de uma garota com cabelos longos que quase iam até o chão, e de cor de fogo. A diretora conversou com o policial sobre o menino, e disse que ele não sabia falar japonês, somente português. Isso chamou a atenção da outra órfã que fitou o seu novo colega de orfanato na qual estava de cabeça baixa, mas pressentiu a observação e retribuiu o olhar.
- Daniel – Chamou Ricardo – Quer ir ao parque?
- Sim, ele vai – Respondeu o menino, com uma voz séria – mas, você vai com ele – E se locomoveu para frente do homem.
‘’ Sim, ele vai?’’ O rapaz de farda perguntou para si mesmo.
A garota de cabelo de fogo estranhou.
No parque, os órfãos se divertiam nos brinquedos com exceção de duas pessoas.
Daniel apenas permanecia sentado numa cadeira perto de uma montanha-russa, e de cabeça baixa.
Clara, sentou ao lado do garoto, e tentou puxar conversa.
- Qual seu nome? – Perguntou ela.
- Daniel – Respondeu ele – e você?
- Clara... err... quantos anos você tem?
- Oito. Você tem dez não é?
- Sim, mas como você sabe?
Ele ficou quieto, certamente não responderia a pergunta, mas sabia que a guria iria forçar a barra, e fez.
- Vamos, diga-me, como...
Antes determinar a pergunta, um tremor de terra se instalou no local, todos que estavam no parque começaram a correr desesperadamente. O novo órfão, apenas encostou a cabeça na sua mão direita enquanto a companheira dele levantou assustada e perguntou.
- Um terremoto?
- Não é um terremoto normal – respondeu aquele que estava sentado, novamente com uma voz séria, como se fosse um adulto, e apontou para uma roda gigante onde um homem se encontrava em cima da estrutura segurando uma mulher pelo pescoço que foi arremessada para longe.
A garota de cabelos cor de fogo gritou ao ver aquela cena, enquanto seu novo amigo permanecia apático.
- E lá se foi mais uma – Foi tudo que o menino misterioso disse.
O ser que estava em cima do brinquedo desapareceu. A roda gigante começou a girar lentamente para frente, as alicerces que seguravam o brinquedo fraquejaram, isso fez o brinquedo tombar atropelando quem estivesse no seu caminho.
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