Demons' Doctor
1 Capítulo 1
Era um dia normal como todos os outros, feliz para a maioria, mas eu não faço parte dela. A minha vida é um caos, além disso, com quem eu posso desabafar? Com ninguém, o máximo que posso fazer é ir e chorar pelos cantos.
De repente um arrepio correu minha espinha, e uma voz mais fina do que alguma vez ouvira me chamou:
- Mei, Mei, Mei... Você me ouve, Mei?! — Deixei cair os frutos que tinha para almoço e me sentei de joelhos no chão. *hahaha, que engraçado... Agora ouço vozes??!* Realmente aquilo me apanhou de surpresa.
Peguei nos frutos e me levantei, mas as vozes continuavam mas desta vez eram muito grossas. Foi a gota de agua... Comecei correndo pensando que talvez fosse daquele sitio, realmente não fazia sentido nenhum mas foi a explicação mais lógica que arranjei naquele momento.
Me sentei perto de umas árvores ainda um pouco zonza, tinha deixado cair os frutos todos pelo caminho... As vozes... Teriam sido da fome?
Quando olho para o céu naquele dia bem azul, mas com um frio insuportável vejo fumo a sair de umas árvores não muito longe dali.
Fui correndo para alcançar a tal fogueira que provavelmente alguém se tinha esquecido de apagar quando congelei. Havia um rapaz com um capucho na cabeça ali sentado a dormir perto da fogueira.
Com cuidado me aproximei, mas infelizmente pisei num vida e ele estalou sobre o meu pé, o que fez com que o rapaz abrisse os olhos.
Sem pensar comecei correndo para a floresta, mas ele me estava seguindo... Corri até não aguentar mais, mas, passado algum tempo senti umas mãos frias me pegando no braço. Ficamos alguns momentos em silêncio e, então assustada fui virando a cabeça devagar.
Quando virei a cabeça o máximo que conseguia vi um rapaz de cabelos negros e olhos azuis olhando para mim com uma expressão fria que me fez arrepiar.
O rapaz solta uma risada e sorri, eu realmente não estava entendendo nada.
- Se eu te largar o braço você promete que não foge? — Eu fiz que sim com a cabeça e ele me soltou.
- Qual seu nome?- Ele disse ainda sorrindo para mim.
- Hm.. Er... Eu... Me chamo Mei.
- Desculpa, Mei, Eu magoei o teu braço? — Realmente ele tinha ficado vermelho e me estava doendo um pouco.
- N-n-não, não está doendo. — Ele tocou de leve no meu braço.
- Desculpa, acho que fiz um pouquinho de força a mais, vem aqui um pouco. — Eu não confiava nele, mas que remédio eu tinha naquela situação?
Ele me levou de volta para onde estava a fogueira, mas desta vez agarrando minha mão.
Ele apagou a fogueira e logo se sentou, eu fiz o mesmo.
- Me dá o braço. — Eu obedeci, sinceramente, ainda não tinha voltado para a realidade.
Ele pegou uma caixa decorada feita de ouro onde tinha algumas ervas medicinais e me colocou uma folha no braço que atou com uma "coisa" que não sei citar o nome.
Quando acabou olhou para mim e se apresentou:
- Eu me chamo Sou e... — Fomos interrompidos por uns guardas que apareceram por detrás de uns arbustos.
- Seu maldito! Volta já aqui! — Ele me pegou pela mão e começou correndo:
- O-o que você está fazendo?! Me larga! — Eu disse.
- Desculpa, acabei te envolvendo, parece que somos cúmplices agora. — Ele me piscou o olho me fazendo corar.
Corremos durante algum tempo até os gritos e passos dos guardas pararem totalmente.
Eu olhei para ele chateada. — Agora... Você vai me contar a história toda, certo? "Cúmplice". — Ele olhou para mim e logo largou um riso:
- Eu pensava que você era gaga! Mas não te preocupes logo, logo eu te conto a história mas agora não é um bom momento, até porque você não quer ser apanhada pelos guardas, não é?
- Você está falando sério?! Eu nem sei o porquê de eles correrem atrás de você então porque raio eu deveria me calar? E se você for um assassino e me matar no caminho, como é?! — Ele ficou alguns segundos olhando para mim até que soltou um riso abafado:
- D-desculpa — Ele disse ainda rindo, quando parou de rir continuou — Que opção você tem a não ser ir comigo? Os guardas já te viram comigo, mesmo se eu fosse um assassino você ia ser morta de qualquer maneira, então para quê complicar as coisas, Mei? — No fundo ele tinha razão, eu não podia ficar ali, senão era morta pelos guardas.
Limitei-me a segui-lo pela mata densa, até chegarmos a uma pequena mas bem tratada casa.
Seria ali onde nós íamos ficar? Ou melhor, será que eu ainda passava de essa noite?
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