Demons
1 Prólogo
Notas iniciais
Outubro – anos 20 – Paris
Murmurinhos, cantos, bebidas, danças. Os bares estavam lotados e mais uma vez Antony Berg comemorava seu aniversario rodeado de mulheres seminuas e garrafas de bebidas espalhadas aos seus pés. Cantava errado, junto com seus amigos de faculdade, uma cantiga antiga americana aprendida há poucos dias. Denny Jorb, Matthew Marlon e Sidney Morse se atracavam com as prostitutas oferecidas por Madame Cher, a dona do Cabaré local aonde Tony e seus amigos iam toda noite após horas de estudos na faculdade de Jornalismo de Orleans.
- Tony, vamos, dê um pouco de suas garotas para nós! Não vai dar conta de tantas! – disse Matt, com uma garota em seu colo, outra ao seu lado direito e outra ao seu lado esquerdo e uma quarta agachada na sua frente.
- E você que nem dá atenção as que têm e quer mais?! Não amola! – disse risonho, um Tony embriagado. Seus amigos riam e bebiam alheios ao que acontecia ao redor. Tanto Tony quanto os outros não notaram nos olhos frios e azuis que os observavam de longe. Penetrantes como uma bola de fogo ardente, tais olhos eram mortais.
- Madame Cher, e meu presente de aniversário? – gritou um Tony mais alterado a cada minuto que passava.
- Ora meu amorzinho, pode escolher qualquer uma de minhas meninas, ela fará um tratamento especial para você. – disse Madame Cher, enrolando com um de seus dedos, seus cachos que caiam em seus olhos. Os olhos de Tony brilharam ao ouvir seu presente. Tais olhos passearam pelo rosto de todas as meninas, mas foram parar naquela que mudaria sua vida para sempre.
- Ei Madame, quero aquela ali! – pediu Tony, apontando para uma mulher de cabelos negros que lhe caiam até o final das costas. Usava um vestido preto com rendas e meias-calças até metade da coxa e um mocassim vermelho. Em suas mãos, luvas pretas até o cotovelo. Bebeu sua bebida num gole só; algo espesso e vermelho. Uma gota da bebida escorreu pelo lábio, ela usou a ponta do dedo para limpar a gota e chupou, lançando um olhar sombrio e ao mesmo tempo excitante a Tony. Os olhos azuis encararam os pretos de Tony. Uma faísca pareceu sair dos olhos da mulher e atingiu Tony como um foguete. Esquecendo-se de onde estava ele piscou e levantando-se da cadeira caminhou até a mulher. Madame Cher estava entretida em outros clientes para notar que Tony escolhera alguém que não era uma de suas meninas.
- Posso lhe pagar um drink? – perguntou Tony à mulher.
- Que tal eu lhe pagar uma bebida. – disse a mulher, num sussurro que fez os pelos de Tony arrepiar-se. Era uma voz calma e fina, que nas noites de prazer acalantariam qualquer mortal.
- Você pode pagar o que quiser. Madame Cher me deu um presente... e eu a escolhi. – Tony colocou a mão sob a coxa da mulher, escorregando sua mão para as intimidades dela. a mulher arquejou e lhe lançou um sorriso, e seus olhos faiscaram, deixando Tony mais inebriado que antes. – Qual seu nome?
- Vamos deixar isso em suspense, Tony. Vou dar-lhe o que quer. – levantando-se da cadeira do bar, a mulher puxou Tony para o andar de cima, guiando-o para um dos quartos disponíveis. Ele cambaleava a cada tentativa de agarrar-lhe a bunda. A mulher desapareceu dentro de um cômodo, e Tony, com uma garrafa de bebida que achara no corredor a seguiu, fechando a porta logo em seguida. A mulher estava parada diante da cama olhando para Tony com olhos famintos.
Tirando a camisa, Tony olhava para a mulher com um sorriso de garoto no rosto. Ela, ainda de pé, esperava que ele terminasse de tirar a roupa. Prendendo os cachos em um rabo de cavalo alto, a mulher apenas observava Tony. Ele deitou-se na cama e a olhou.
- Estou pronto para você. – a mulher engatinhou até Tony e sentou-se em seu colo. As mãos dele logo estavam acariciando a bunda da mulher. Os olhos azuis dela lhe abocanhavam a cada apertão que ele lhe dava nos quartos. A mulher agachou-se e encostando os lábios no pescoço de Tony, sentiu o cheiro, tão apetitoso.
- Tão cheiroso tão gostoso. – disse ela de novo naquela voz sussurrante. Tony sorriu, nem imaginando o que lhe aconteceria. A mulher sentou-se e com as unhas arranhou o peito de Tony. Um fio de sangue escorreu perto do pescoço, onde ela havia arranhado. Inspirando profundamente, os olhos da mulher, antes azuis, estava agora numa cor âmbar, um cobre bem claro. Tony notou que algo estava errado com ela.
- Você está bem? – perguntou ele, olhando-a um tanto assustado. E em frações de segundos, a mulher soltou um rosnado baixo e seus dentes caninos sobressaltaram-se. Tony estava preso entre suas pernas e mesmo que se debatesse na cama, a mulher era mil vezes mais forte que ele. Vendo-se em perigo, ele gritou. E seu grito foi abafado pela mordida da mulher em seu pescoço. Ela não o matou. Apenas uma mordida, apenas um pouco de sangue, apenas um pouco de veneno. Tony jazia na cama. A mulher, com seus olhos azuis novamente, limpa do sangue que lhe escorrera pela boca, aproximou-se de Tony e sussurrando-lhe em seu ouvido, disse:
- Anita.
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