Demon-angel

1 Emilly Ryder


Notas iniciais
Minha primeira história então, sejam sinceros (as) ok? Críticas e elogios são mais que bem vindos

Não acredito que o Dave vai me obrigar a cuidar daqueles dois humanos babacas, para eles não fazerem nenhuma besteira em relação ao apocalipse. Não sou nem quero virar babá de marmanjo, caramba! Quando ele me disse que tinha uma missão muito importante para me confiar, eu achei que seria uma batalha, sei lá, não que essa “missão” fosse virar babá! Tanto ser vivo nesse mundo, de tantas espécies e o Dave tinha que me escolher, típico. E, como eu já cometi muitos erros no passado e quero corrigi-los, tive que aceitar. E também, ele anda muito ocupado com essa briga anjo X arcanjo lá no céu e, já que não sou mais bem vinda lá em cima, posso pelo menos ajudar aqui em baixo.

Bom, o dever me chama. Respiro fundo e me tele transporto para onde o Dave me disse que os Maldaner estariam, os irmãos estavam em perigo, cercados de demônios e com apenas uma Wex – faca especial que mata demônios, são bem raras – para se defenderem. Abro caminho entre os demônios, eles não contavam com a minha presença ali, alguns me olham assustados, amedrontados. Param de avançar nos irmãos, ainda presos ao fator surpresa, que logo passa e os demônios voltam a avançar, com mais cuidado dessa vez, com receio de serem mortos por mim.

– É melhor se afastar ou juro como te mato! – um dos irmãos me ameaça.

– Boa sorte com isso. – rio debochada. – Essa faquinha não me faz nem cócegas.

– Não teria tanta certeza, essa faca funciona com todos os demônios. – diz o outro irmão de maneira calma, quase confiante.

– Acontece que eu não... – começo a falar, mas me interrompo lembrando que o Dave me alertou para não dizer o que sou. –... Eu estou aqui para ajudar.

– Haha, essa é nova. Demônios nunca ajudam. – diz um deles, e pela aparência, presumo que seja o mais velho, de nome Joshua, se não me engano.

– Tem uma primeira vez para tudo Joshua. – digo. – E pare de reclamar, pois eu sou sua única chance de sobrevivência. – completo e mato um demônio que se aproximou demais.

– Ela está mentindo. – diz o outro, Luke, creio eu.

– Não estou não Luke, e você vai descobrir isso, mas não aqui, nem agora. – falo e depois me viro para os demônios. – Ei, por que vocês não deixam os Maldaner em paz? Vocês sabem que não podem contra mim. – ameaço sorrindo.

– Nós te conhecemos princesinha, nosso chefe quer você ao lado dele. – diz um dos demônios.

– Obrigada. – digo. – Mas eu passo.

Toco no ombro do demônio, exorcizando-o e matando-o. Joshua e Luke me olham surpresos – ou assustados –, mas não tenho tempo para isso, os demônios estão avançando cada vez mais. Posso apenas tocar neles que os mato, em alguns faço isso, em outros, quebro o pescoço pois é mais divertido. Um atrás do outro, sem piedade, sem culpa, meu tempo ao lado demoníaco acabou. Deixei apenas dois vivos, para darem o recado ao chefe deles. Toquei nos ombros dos irmãos e nos levei para a casa do Billie – pai de consideração dos Maldaner.

– Quem diabos é você? – pergunta Joshua assim que reaparecemos na sala do Billie.

– Emilly Ryder. – resmungo.

– Estamos na casa do Billie? – pergunta Luke.

– Não gênio, no Vietnã. Claro que estamos na casa do Billie né imbecíl?! – digo.

– Por que você nos ajudou? – pergunta Joshua irritado.

– Um “obrigado” já seria suficiente. – digo.

– Responda. – ele manda.

– Você ta muito metidinho para alguém que teve a vida salva por mim.

– É que minha mãe me ensinou a não confiar em estranhos. – Joshua abusa da ironia.

– Obrigado. – diz Luke amenizando a briga. – Agora, por que você nos ajudou?

– Pelo visto a mamãe só deu educação a um Maldaner. – digo, Joshua respira fundo e aperta a Wex em suas mãos. – O Dave que me mandou.

– Ok. Mas porque ele mandou você invés dele mesmo vir? – pergunta Luke.

– Não sei, acho que porque ele está ocupado com a guerra lá nos céus, uma besteirinha dessas. – digo.

– Não acredito. Prove. – Joshua ordena.

– Você não tem que acreditar em nada Joshua, tem é que aceitar e pronto. – digo enquanto reviro a geladeira. – Vocês não tem uma droga de cerveja aqui não? – reclamo, mas logo encontro o que procuro.– Finalmente.

Me descuido por apenas um segundo, o suficiente para Joshua avançar em mim e enfiar a Wex nas minhas costelas. Tusso e tremo a mão, encostando-a na faca, a tiro de mim praguejando. Depois acabo a encenação e dou uma gargalhada.

– Fala sério que vocês acreditaram ter me machucado? – dou outra gargalhada.

– Mas... – Joshua começa.

– Mas o quê? Surpreso? – sorrio. – Isso apenas incomoda.

Tiro a faca e a lavo, limpando o pouco sangue que havia ficado nela, depois levanto a camisa mostrando aos rapazes minha pele tão perfeita quanto antes. Eles estavam com os olhos arregalados, os dois.

– Vamos esclarecer umas coisinhas. – começo. – A única coisa que me mata vocês não sabem o que é, e mesmo que soubessem, não conseguiriam, é raríssima. Tem mais, eu não gosto de ser esfaqueada, doendo ou não. Fui boazinha dessa vez, da próxima eu mato quem se quer tentar. – digo. – Gosto da companhia de vocês tanto quanto vocês gostam da minha, apenas estou aqui porque o Dave pediu e porque quero concertar umas besteiras. Enfim, as outras coisinhas depois eu digo, estou com sede.

Nenhum dos dois fala nada, estava claro que eles não me queriam por ali, mas não tinham muitas opções. Virei de costas e tomei um bom gole da cerveja, ouvi passos e quando virei fui atingida por uma bala que o Billie atirou.

– Qual é gente? Qual parte de “o que me mata vocês não tem” vocês não entenderam? Caramba! – reclamo.

– São de prata, você devia ao menos ter fraquejado! – diz Billie.

– E vocês acham que eu sou o quê? Um lobisomem? – digo. – Querem ferro puro para ver se sou um fantasma? Ou que tal água benta, para ver se sou um demônio? Talvez sangue para verem se sou uma vampira?

– Quem é ela? – pergunta Billie.

– Emilly Ryder, ela diz que o Dave a mandou. – explica Joshua enquanto meu metabolismo expulsa a bala de mim, regenerando-se em seguida. Luke observa a bala.

– Poxa, eu gostava dessa camisa. – comento.

– Só acredito se o Dave disser, não confio em demônios resistentes. – diz Billie.

– Ainda não perceberam que eu não sou um demônio? – digo e completo baixinho: – Não completamente.

– O que foi que você disse? – pergunta Luke.

– Que não sou um demônio. – respondo.

– Depois disso? – Luke insiste.

– Nada que te interesse, se fosse para você ouvir eu falaria em voz alta. – retruco escutando um farfalhar baixinho de asas, indicando que o Dave está chegando. – Oba, visita.

Joshua agarra a Wex, Luke pega um pedaço de ferro e Billie aperta a arma em suas mãos, antes de olharem para trás, localizando o Dave. Eles saem do alerta.

– É verdade que ela está a mando seu? – pergunta Billie a Dave.

– Sim. – responde Dave.

– Na verdade, ele me pediu para vir, e como eu quero agradar e me redimir eu vim. – corrijo. – Não gostei muito, mas não é nada com que eu não possa lidar.

– Desde quando precisamos de babá, Dave? – pergunta Joshua que parece ter mais intimidade com o Dave.

– Desde que vocês quase morrem diariamente.– Dave explica calmamente.

– É um bom ponto.– comenta Luke descontraindo o clima.

– Agora que já está esclarecido, posso voltar para o céu, a coisa lá em cima não está interessante de ser ver. – diz Dave e um segundo depois desaparece, deixando um barulho de ruflar de asas no ar, assim como eu quando me tele transporto.

– Eu realmente odeio quando ele faz isso. – reclama Joshua pousando as mãos nos quadris.

– É, ninguém gosta. – comento.

– Posso até confiar no Dave, mas ainda não gosto nem confio em você. – diz Joshua.

– Eu sei, não sou o que se pode chamar de “amável”. – concordo.

– Não chega nem perto disso. – Joshua diz.

– É a vida. – falo.

– Já percebi que você vai ser uma presença constante. – comenta Billie. – Tem um quarto lá em cima, você pode ficar com ele, os meninos dormem no de hóspedes.

– Obrigada, mas não precisa. Eu não durmo. – digo.

– Não dorme muito? – completa Luke.

– Não durmo nunca. A menos que eu esteja muito fraca, muito machucada, ou seja, quase nunca. – explico.

– Fique com ele do mesmo jeito. – diz Billie.

Joshua e Luke pegam uma cerveja e se sentam no sofá da sala, Billie se tranca em seu escritório. Sem muita vontade de conversar e sabendo que não sou bem vinda, vou para fora da casa e fico de olho nas estrelas, pensando. Esses Maldaner até que são bonitos. Joshua com seu cabelo loiro escuro quase castanho, curto, em um projeto de moicano, mas não daqueles ridículos que passam máquina zero em partes do cabelo, o corpo bem definido, olhos azuis, 1,85 de altura. Luke com seus olhos mais escuros, um marrom claro, o corpo delicioso, cabelo castanho longo, liso e repicado, 1,95 de altura, um gigante. Já o Billie não faz muito o meu tipo, um coroa bonito, uns 45 anos eu acho, uma barriguinha saliente, carequinha, oleosos e lisos, uma barbinha rala e 1,80 de altura. Joshua tem 25 anos e Luke tem 22.

Tenho cabelos pretos, longos e ondulados, olhos meio azulados, um corpo – modéstia parte – de dar inveja, tenho umas sardas nos ombros e minha altura é normal, mediana, minha idade bem, digamos apenas que eu parei nos 21. Enfim, quando volto para dentro da casa, vejo que os manés Maldaner dormiram no sofá, Joshua com a cerveja na mão, pingando no tapete. Toco nos dois e os mando para seus quartos, eles deixaram a sala um lixo, amendoins e salgadinhos espalhados, cervejas derramadas, bem, posso dizer que a casa estava um chiqueiro.

Como tenho o resto da madrugada livre, resolvo arrumar a casa. Começo pela sala, que era o local mais sujo, comida, bebida, livros, poeira e tudo mais, deixo a sala um brinco, brilhando e cheirando a limpeza. Pego uma cerveja na cozinha e a arrumo, ela também estava podre, comida estragada, manchas no chão, limpo-a parando apenas para dar uns goles na minha cerveja. Cuido do resto da casa, deixando-a impecável, não sou de arrumar casa, mas quando resolvo fazer, faço bem feito. Quando eu acabei ainda eram 6h30min da manhã, eu ainda estava sem nada para fazer e no tédio, então preparei omeletes, não que eu precise comer – porque não preciso – mas eu gosto, e eu sabia que os manés iam acordar famintos.

Ajeito a mesa e coloco as omeletes nela, lavo os pratos, não fiz isso para agradar nenhum deles, mas se agradar, melhor. Não quero ser esfaqueada e levar tiros de graça não, incomoda. Ouço passos arrastados, espero que eles não tentem me matar outra vez, hoje estou num humor ótimo e não quero estragar isso.

Notas finais
Comentem? Please? Pra eu saber se gostaram ou se tá uma bosta >
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.