Demon Machine
1 Velho Espírito
Eu ainda estou vestindo minha roupa, primeiro quero passar na casa de Alicia, para depois ir para a faculdade.
No caminho para casa de Alicia vejo uma ambulância e um carro policial parados na frente da casa de uma mulher de sessenta anos, que vivia com um garoto de dezesseis anos que dizia cuidar da velha. Quero muito saber o que está acontecendo lá, mas acho melhor esperar sair nos jornais, então continuo meu caminho.
Alicia já está fora de sua casa me esperando.
Realmente não sei por que uma garota tão bonita está se maquiando para passar o dia inteiro em uma faculdade.
Então finalmente chegamos na faculdade, sento no mesmo lugar de sempre, perto do quadro, tenho um problema de visão, mas nunca vou atrás acho que isso não é importante.
Não demora muita e a aula já começa.
Depois de doze horas trancafiado em um inferno em forma de faculdade, finalmente acaba.
Então saio tão rápido que nem me lembro de Alicia.
— Castan, Castan! Me espere, por favor!
— Venha logo, Alicia, estou com pressa!
Não demora muito e ela logo se agarra em meu braço tentando fazer me parar de caminhar.
— Eu estava passando na casa da velha que morava uma rua antes de você, a polícia e a ambulância estavam lá. Você sabe alguma coisa?- Eu a informei, estou curioso para saber o que aconteceu.
— Ah mal acordei e escutei a ambulância passando em uma incrível velocidade pela minha casa. Acho que foi o Alan, pelo jeito ele matou a velhinha.
— Vamos passar lá dar uma olhada quando sairmos daqui?
— Não gosto daquela casa, muito menos do Alan.
— Não vamos demorar muito, vai ser menos que dois minutos, eu juro.
— Tá bom, Castan. Mas somente dois minutos.
Então chegamos na casa da Sra. Marrian, Alan está sentado no chão, com os braços em volta de seus joelhos e as mãos ensanguentadas.
— Alan, você está bem?
— O que você acha? Acabei de matar uma pessoa, é claro que estou ótimo. É o sonho de qualquer um não? Matar uma velha que não pode se defender e depois ir para a cadeia.
Olho para Alicia, ela não está com uma cara agradável, então ajudo Alan a se levantar e vou à direção dela.
— Não vai conversar com ele?
— Conversar para quê? Você conversando com ele já não está bom?
— Calma, somente perguntei, Alicia. Quer ir embora?
— Já se passaram cinco minutos.
— Vou ter isso como um sim.
Quando chego na casa de Alicia me despeço.
— Por que você não foi falar com o Alan?
— Nunca gostei daquele garoto, sempre soube que uma hora ele mataria alguém.
Vou embora, me recuso a ficar ouvindo as coisas que saem da boca dela sobre meu melhor amigo.
Chego no meu apartamento, como de costume ligo a televisão e abro a geladeira para comer alguma coisa.
Vou assistir algum filme até pegar no sono. Quando estou quase dormindo meu celular apita, uma mensagem de Alicia.
“Venha aqui, rápido!”
Mando uma mensagem dizendo que já são meia-noite e que não vou a lugar nenhum.
“Castiel Arthus! Venha aqui agora!”
Acabando cedendo e vou até a casa dela, levo algumas roupas para o caso de eu não voltar.
Quando chego lá, Alicia está sentada no sofá e da um pulo em minha direção, fecha a porta e volta para o sofá.
— O que aconteceu?- Pergunto
— Não sei, não sei bem como explicar.
— Explicar o que?
— Uma senhora, veio aqui.
— E o que ela queria?
— Ela disse umas coisas estranhas... Algo com “é você a próxima, nós tínhamos extinguido todos eles, mas você veio para estragar tudo novamente, você só trará desgraça para nós, saia daqui agora antes que mais alguém descubra sobre você.” E enquanto ela disse isso foi secando de uma maneira estranha, como se ao contato com o ar sua pele se dissipasse, até que ficou somente sua poeira voando.
— Nossa realmente, muito tenso. Como ela era?
— Não me lembro, seus olhos eram tão verdes como nenhum que eu tenha visto antes, seu cabelo estava inteiro branco e apesar de sua idade não tinha muitas rugas.
— Vou dar uma procurada nos registros da cidade enquanto estou no estágio.
— Okay, muito obrigado por ter vindo, mas por que todas essas mochilas? Está pretendendo ficar aqui?
— Bem já é uma da manhã, amanhã temos que acordar cedo, eu pensei que...
— Sim, pode ficar aqui, mas só o sofá está livre. Ou vai querer dormir comigo também?!
— Acho melhor eu não responder, né?!
Ela pega alguns lençóis e joga em minha direção, depois algumas cobertas e então vai para o quarto dela.
Quando são cinco horas me acordo com uma música, provavelmente “Video Games”, da Lana Del Rey, não gosto desse som neste momento então procuro meu celular para por uma música melhor.
— Bom dia, bela adormecida.
— Bom dia, bruxa má.
Nós dois rimos, é uma boa amizade, apesar de todas as brigas que já tivemos nossa amizade se tonou especial, pelo menos para mim.
— Como você dormiu Castan?
Ah, me lembrei do horrível pesadelo que tive.
— Não muito bem, e você?
— Por quê? O sofá não estava confortável?
Somente ela ri.
— Não é isso... Foi com o que sonhei.
— E com o que foi?
— Prefiro não contar, não é algo muito bom.
— Me conta, por favor, Castan.
— Alicia! Eu já disse que não.
— Castiel, me conta esta porcaria de sonho, que putaria! É só um sonho!
— Okay... Você estava lá, também outra pessoa que não reconheci quem era.
— E o que mais?
— Você começou a correr e gritar meu nome, estava com as mãos e os braços sangrando, estava chorando e com um livro em baixo dos braços.
— E?
— Só isso, eu acho. – Mentira tinha mais coisas, mas preferi não contar, seria uma história muito comprida.
Passa um tempo e ela finalmente fica pronta.
— Vamos? – Ela me estende a mão em forma de me levantar de sua cama.
— Vamos. – Digo levantando.
Quando saímos um homem quase nos atropela, então faço gestos obscenos para ele.
Olho para Alicia e ela está paralisada, seus olhos começam a lacrimejar.
— Você está bem, Alicia?
— Ah, sim... Vamos continuar andando antes que aquele estranho volte. – Ela diz, mas com a voz trêmula e uma expressão assustada que eu nunca tinha visto, eu estava sentindo seu pavor. Sem contar que ela quase perfurou minhas mãos com suas unhas.
Pego seu fone de ouvido em forma de brincadeira, ela está ouvindo Lana Del Rey novamente. Faço uma cara de nojo para descontrair e ela revira os olhos revidando a brincadeira.
Ela pede para eu levá-la até a faculdade, hoje é o dia em que trabalho na delegacia da cidade.
Vou com ela até lá, dou um beijo em sua testa nos despedimos e saio.
Enquanto ela anda até sua sala fico observando-a, seu cabelo, seu corpo, tudo nela é perfeito, principalmente quando está usando aquela jaqueta de coura marrom e as calças jeans claras bem apertadas. Seu cabelo negro até sua cintura fina brilha contra a luz do Sol, até mesmo a sua estatura média coincide com tudo nela.
Embora ela tivesse 1,60m de altura ainda se torna baixa perto de mim, devo ser cerca de trinta e cinco centímetros mais alto que ela.
Então volto para a vida real e ligo para um táxi, a delegacia fica a dois quilômetros daqui e os meus pulmões não me ajudam muito na hora de caminhar.
Quando chego na delegacia procuro o nome de todas as senhoras, até que finalmente acho a que Alicia descreveu.
Marilyn Key
Nascimento: 21 de janeiro de 1917, na Rússia.
Morte: 15 de setembro de 2012, local.
Causa: Parada cardíaca.
Ocorridos na Delegacia: Um boletim de ocorrência relatado pelos Senhores Waisons.
Isso é a única coisa que tem sobre a senhora, talvez alguém dos Waisons tenha algo para falar, já que todos da família da Sra. Marilyn haviam sido mortos por uma doença crônica.
Mando uma mensagem para Alicia.
“Achei alguma coisa sobre a senhora que você viu aquele dia na sua porta”.
Mas se a senhora está morta há quatro anos, como Alicia a viu? E por que só a Alicia?
Me lembrei que ela andava bebendo muito nos últimos dias, deve ser por isso, ela deve ter imaginado.
Mas será? Ela nunca bebeu tanto a chegar ao ponto de enxergar coisas.
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