Demigods chronicles!

1 Capítulo 1: Meio-sangues e o dia dos namorados


Os raios do sol vieram diretamente contra meus olhos, como se o próprio sol quisesse acordar especialmente a mim... O que provavelmente era verdade. Olhei em volta e percebi que era o único que ainda dormia. O chalé 7 estava vazio, a maioria das camas já estavam feitas, eu era o único que restara ali.

Eu, Daniel – filho de Apolo– imaginei que já havia perdido o café da manhã. Arrumei-me sem muita demora e fui em direção do refeitório.

A maioria dos semideuses já estavam empenhados em alguma tarefa ou atividade. Alguns jogavam vôlei, alguns treinavam hipismo nos pégasus, e outros praticavam na parede de escalada. Pareceria um dia comum, tirando o fato de que os campistas que não estavam empenhando alguma atividade, estavam com seus respectivos namorados(as).

Ok, no Acampamento Meio-Sangue isso não é tão raro assim. Sempre havia aqueles casais que ficavam com melosidade excessiva, mas hoje, parecia que todos estavam daquele jeito. Não conseguia imaginar o motivo.

No caminho para o refeitório, avistei Quíron observando a movimentação no acampamento. Eu o chamei e ele logo veio cavalgando em minha direção.

– Está um pouco atrasado, senhor Backwash. – disse Quíron, tentando parecer irritado.

– Desculpe Quíron! Eu dormi demais! E nenhum dos meus irmãos me acordou...

– Entendo. Então trate de tomar logo seu café para iniciar suas atividades. – disse Quíron compreensivamente.

– Ok!

Cheguei ao refeitório e me sentei-me à mesa correspondente aos filhos de Apolo. Minha mesa não estava vazia, nela estava Vitoria – uma de minhas irmãs – que devorava apressadamente seu café da manhã.

Sentei-me ao lado dela e disse:

– Ei, porque a pressa, Vi?

Vitória se virou para mim com a boca cheia de comida, acho que ela não havia me notado ao entrar no refeitório. Vitória engoliu a comida que estava em sua boca, e ficou em silêncio com vergonha.

– Desculpa te assustar... – falei.

– Não! – Vitória me interrompeu – Me desculpe você! Eu não te vi chegar, estava distraída demais.

– Sei. Mas porque toda essa distração? – perguntei.

Vitória pareceu corar novamente, e depois disse:

– Eu tenho que me encontrar com alguém daqui a pouco.

– Alguém? Quem?

– Bem... – Vitória começava a adquirir a cor de um tomate.

– Acho que já sei do que se trata.

– Sabe? – Vitória pareceu surpresa.

– Sim! Não é aquele garoto do chalé de Íris, no qual você tem andando junto nesses últimos tempos?

– Sim. – Admitiu Vitória.

– Bem parece que hoje todo mundo está junto de seus “pares”. Por que será?

– Você não sabe que dia é hoje? – Vitória perguntou surpresa.

– Não. Eu deveria saber? – perguntei confuso.

– Hoje é o dia dos namorados, Dan!

– Uou! Então é por isso que todos estão nessa melosidade toda...

– É, provavelmente. – disse Vitória rindo. – Bem, eu tenho que ir.

Vitória terminou de comer seu café da manhã, despediu-se de mim e foi de encontro ao garoto de Íris que a esperava não muito distante dali.

O refeitório estava quase vazio, a não ser por mim, e um garoto do chalé de Afrodite, que pintava as unhas enquanto comia.

Meu prato cheio de waffles com calda de caramelo não tardou muito para aparecer diante de mim.

Comi meu café de manhã sem muita pressa, quando estava prestes a terminar uma voz falou atrás de mim:

– Já não deveria estar completado sua atividades, senhor Backwash?

Era uma voz severa, mas que eu reconheci quase que de imediato.

– Desculpe-me, capitã, Ianka! – disse batendo continência.

Ianka que estava com sua postura severa segurando uma prancheta para anotações relaxou e riu.

– Vai logo, Dan! Ou vou ter que te dar uma advertência. – ela falou.

Ianka estava ajudando a conselheira de seu chalé, Annabeth na tarefa de inspecionar os campistas em suas respectivas tarefas.

– Desculpe, já estou indo. Mas por que a pressa? Hoje mão é o dia dos namorados? Você não deveria estar com o Leon? – falei.

Ianka pareceu ficar um pouco tímida e disse:

– É justamente por isso que estou apressando a todos os campistas! Quanto mais rápido terminar a inspeção, mais rápido vou poder me encontrar com Leon e curtir o dia dos namorados! – falou Ianka com o tom de voz levemente zangado.

– Oh, desculpe! Ok vou tentar terminar tudo que tenho de fazer o mais rápido possível!

– Obrigado – disse ela grata. – E não se esqueça de terminar tudo antes do entardecer para ajudar seus irmãos na decoração para hoje à noite!

– O que teremos hoje a noite? – perguntei confuso.

– Nossa, já pensou em se informar sobre as coisas que acontecem aqui no acampamento? – ela disse.

– Já, mas...

– Enfim! Hoje à noite teremos uma festa para celebrar o dia dos namorados, e vocês do chalé de Apolo e de Afrodite ficaram encarregados de cuidar da decoração!

– Entendo. Pode deixar!

Levantei-me, e enquanto saia do refeitório pude ouvir Ianka dando uma bronca no garoto do chalé 10 que continuava a pintar suas unhas sem se preocupar com o mundo à volta.

Minha primeira atividade era a aula de esgrima. Dirigi-me até a arena, aonde alguns campistas assistiam a uma disputa entre um garoto e uma garota.

Eles distribuíam estocadas, ambos defendiam e atacavam muito bem, era incrível vê-los duelando. Certo tempo depois, pude ver que a garota levava vantagem sobre o garoto. Ela era ágil, suas habilidades com aquela lança eram incríveis! O garoto se esforçava para desviar dos ataques e achar uma abertura na postura da garota, o que parecia impossível. A espada do garoto não conseguia penetrar aquela o campo de ataque da garota.

Pisquei por apenas um segundo, e assim que abri os olhos, vi que a garota conseguira total vantagem sobre o garoto. Ela agora estava sobre com a lança apontada para o rosto dele. O garoto arfava cansado, enquanto a garota nem parecia ter se esforçado ao máximo. A garota estendeu a mão para o garoto, e ele se levantou, e logo em seguida a beijou. Todos os campistas que assistiam aplaudiram, aqueles eram veteranos que já participaram de grandes batalhas juntos, eram Chris e Clarisse.

Minha aula de esgrima seguiu sem anormalidades. Aprendi alguns bons truques com Chris e duelei com alguns campistas. Mas esgrima não era minha melhor área.

Minha próxima tarefa era ajudar Gabriela na cozinha.

Antes de ir até a cozinha do acampamento, passei em meu chalé e troquei de roupa, pois estava soado devido à aula de esgrima.

No caminho para a cozinha, encontrei Vinicius, que assim como eu estava encarregado de ajudar com o preparo almoço.

– Ei! – ele chamou enquanto corria até mim.

Nós nos cumprimentamos e enquanto seguíamos para cozinha ele disse:

– Planos pra essa noite na festa? – ele perguntou.

– Não, exatamente. E você?

– Nós, do chalé de Ares vamos cumprir a tradição de competir para ver qual de nós fica com mais garotas durante a festa!

– Uau! Vocês do chalé Ares me impressionam com tanto sentimentalismo! – ironizei.

– Qual é! É uma competição saudável!

– Pelo menos para vocês... — sussurrei para mim mesmo.

– Disse algo?

– Não! Hehe

– Você pode participar também!

– Não, valeu. Tô de boa.

Fomos até a cozinha e nela estava Gabriela, que já tinha começado a preparar o almoço. As filhas de Deméter são famosas por suas habilidades na cozinha.

– Estão atrasados! – disse Gabriela zangada.

– Por que você tem de reclamar de tudo? – disse Vinicius.

Eles dois discutiam frequentemente, e como previ, começaram a discutir novamente. A discussão durou vários minutos, e enquanto eles discutiam, e outras 3 campistas de Deméter adiantamos os ingredientes.

Apesar das brigas frequentes, pudemos fazer o almoço sem fazer muito estrago. Apesar de discutirem bastante, enquanto cozinhavam, Gabriela e Vinicius conseguiam se entender, e formar uma combinação que sempre resultava em ótimas refeições.

Depois de terminar o preparo do almoço, fomos novamente até o refeitório, oferecemos nossas oferendas aos deuses e depois comemos tudo com muito gosto.

Depois do almoço pratiquei um pouco com arco e flecha. Como bom filho de Apolo, aquele era atividade em que mais me saia bem, apesar de arco e flecha não serem minhas armas favoritas.

Ainda faltavam algumas horas para o entardecer, resolvi ir sozinho até a praia do acampamento. Ela era geralmente deserta, e era um ótimo lugar para se tomar um pouco de sol, coisa que amo fazer.

Ao chegar à praia, percebi que ela não estava vazia. Encostados em uma grande pedra estavam Ianka e Leon, o ruivo filho de Poseidon.

Eles estavam abraçados e frequentemente se beijavam. Leon fazia cócegas em Ianka e ela ria extremamente feliz. Ele beijava o pescoço de Ianka e a abraçava forte. Não pude conter o sorriso ao ver aquela cena. Aquilo me faz ter vontade de ter alguém com quem fazer aquilo.

Para não interromper as brincadeiras do casal, resolvi ir até uma região mais afastada da praia. Deitei-me na areia, fechei os olhos e meditei durante certo tempo. Sem perceber, acabei pegando no sono.

Acordei com alguém cutucando meu rosto com o dedo.

Minha visão embaçada logo começou a clarear, vi que quem me cutucava era o filho de Afrodite que eu havia visto no refeitório no café da manhã.

Ele estava agachado e debruçado sobre mim, e continuava a cutucar minha testa.

– Tudo bem, tudo bem! Já acordei! O que foi?

O garoto com cabelos loiros descoloridos na altura dos ombros me encarou durante um tempo e disse.

– Will, o conselheiro de seu chalé está te chamando pra ajudar na decoração da festa. – o garoto falava com uma voz tão lenta e tranquila, que poderia ser confundido com um dos filhos de Hipnos.

Levantei-me, e sem querer bati a testa contra a testa do filho de Afrodite que caiu deitado na areia.

– Oh, meus deuses! Me desculpe! Eu sou muito desastrado!

Ofereci ajuda ao garoto, temendo que ele houvesse se machucado.

– Eu to bem. – falou lentamente.

O ajudei a levantar, e puder ver um pequeno galo em sua testa, de baixo de sua franja.

– Então... Vamos logo lá, certo? Antes que alguém venha nos procurar.

Ele concordou, e nós fomos até o anfiteatro, aonde as decorações começavam a serem montadas.

Os chalés de Apolo e Afrodite juntos formavam um grande time para decoração. O senso de beleza de Afrodite e a intensa criatividade de Apolo eram imbatíveis!

– Aí estão vocês! – disse Will ao ver a mim a ao garoto de Afrodite.

– No que precisão de ajuda? – perguntei.

– Preciso que vocês dois cuidem da música! – Will disse animado – Posso confiar em ambos?

Eu o garoto de Afrodite assentimos.

Fomos até a parte do anfiteatro onde caixas de som e pick-ups estavam preparados.

Começamos a vasculhar dentro de caixas cheias de discos por músicas que poderiam agradar a todos.

Enquanto procurava, olhei para o lado, vi o quão belo era aquele garoto. Era uma beleza diferente. Delicada... Eu poderia dizer até mesmo, quase que uma beleza feminina.

– Ei, qual o seu nome? – perguntei ao garoto de Afrodite.

– Cassidy – ele respondeu.

Voltei a procurar por discos apropriados, mas era difícil achar algum que não fosse ser vaiado parente os outros campistas.

– Achei um. – disse Cassidy.

Olhei para o cd e disse:

– Eu amo esse grupo!

Cassidy, que tinha o olhar negro e desanimado de repente pareceu se animar.

– Eu também! – ele disse.

– Achei um também! – eu disse.

Depois disso, começamos a conversar obre nossos gostos musicais, que eram muito parecidos. Logo compomos nossa playlist para a festa.

Depois de fazer isso, resolvemos ajudar o restante do pessoal com a decoração.

Cassidy e eu trabalhamos juntos durante o final de tarde todo.

A noite não demorou a chegar, logo os primeiros campistas começaram a chegar para a festa, e nós, dos chalés 7 e 10 fomos nos arrumar para a mesma.

Depois de me arrumar, e voltar para a festa, pude ver o resultado de nosso trabalho.

Nós decoramos tudo com cartolinas de todas as cores cortadas em forma de coração, prendemos fitas cor de rosa em volta de todo anfiteatro, colamos cartazes com mensagens para os namorados e vários lugares, preparamos uma pequena réplica do Cupido feita de gesso e colocamos sobre a mesa de banquete que estava cheia de guloseimas. Os filhos e filhas de Íris que cuidaram da iluminação, também fizeram um ótimo trabalho! Holofotes com a forma de coração iluminavam tudo, um projetor de fumaça, exalava névoa nas cores do arco-íris sobre o chão.

Todos se divertiam muito, próximo a pick-ups os semideuses dançavam alegremente ao som das músicas que eu e Cassidy escolhemos. Até mesmo as ninfas e espíritos da floresta haviam se juntado a festividade. A maiorias dos casais estavam na arquibancada se beijando.

Vi Vitória e o filho de íris em um canto da arquibancada conversando. Em outra parte, vi Gabriela com um filho de Hades com quem ela vinha tendo um pequeno rolo. Encostado em uma pilastra estava Vinicius, beijando uma garota. Quíron e Sr. D estavam próximos a mesa de guloseimas, apenas observando a movimentação enquanto conversavam.

Fiquei confuso sobre aonde me sentar, já que a maior parte dos lugares estava ocupada por casais. Até que ouvi uma voz:

– Ei, Dan!

Era Leon, que estava abraçado com Ianka.

– Venha se sentar conosco! – ele gritou.

Fui até eles e sentei ao seu lado.

Apesar de ser muito legal da parte de Leon ter me chamado ficar do lado dele e de Ianka, ficar ao lado deles enquanto eles se beijavam era um pouco incomodo.

Não estava muito a fim de dançar, fiquei boa parte da festa só observando.

Quando o tédio ia começar a me consumir, um copo de ponche apareceu diante de mim. Era Cassidy.

– Trouxe pra você!

– Obrigado!

Eu peguei o copo que Cassidy me ofereceu, e ele se sentou ao meu lado.

– Perdi muita coisa? – ele perguntou – Acabei de me arrumar agora.

– Tudo isso só pra se arrumar? – falei.

– Eu sou um filho de Afrodite! O que posso fazer? E acredite ou não, fui um dos primeiros de meu chalé a vir para cá.

Eu ri, e ele riu junto.

Passei a festa conversando com ele e comendo.

Quando a meia-noite se aproximava, Quíron chamou atenção a de todos e gritou:

– Jovens semideuses! Nossa festividade está quase no fim! Vamos agora para a praia ao leste do acampamento para aproveitar o espetáculo pirotécnico que o chalé de Hefesto nos proporcionará!

Todos da festa caminharam juntos até a praia, aonde um grande espetáculo de fogos de artifício ocorreu.

Os fogos formavam figuras no ar! Heróis lendários derrotando monstros famosos, deuses cumprindo grandes feitos, e mensagens para todos que assistiam.

Fui tudo extremamente lindo.

A festa ali terminou, olhei em volta, e vi meus amigos aproveitando o quanto podiam seus últimos minutos do dia dos namorados. Eles se beijavam abraçavam, e faziam juras de amor uns para os outros.

O dia dos namorados não poderia ser melhor em nenhum outro lugar, apesar de eu o tê-lo passado sozinho.

Mas mal sabia eu, que isso logo mudaria.