No domingo Demetri não estava na livraria. Eu tinha me salvado dos planos de Sarah por um dia. Na segunda não teve escapatória.

Sarah tinha inventado de comprar um livro esquisito que por mais que eu tentasse não conseguia decorar o nome e muito menos a autora. Quando entramos na livraria ele estava lá. Sarah prometeu que não iria atrás dele e desta vez cumpriu a promessa. Quando notei, Demetri havia sumido, então me distrai enquanto Sarah tentava achar o livro que ela queria.
-Posso ajudar? -- Uma voz perfeita surgiu atrás de mim. Tão perto que me perguntei como não estava me tocando. Eu levei um susto e me virei para a voz. Demetri estava parado ao meu lado. Me perguntei como não tinha notado sua aproximação. E rezei para eu não estar com cara de susto. Desta vez ele me encarava sem parar. E sem medo de disfarçar também. -- Oi. -- ele acrescentou quando viu que eramos nós.
-Oi. -- disse Sarah. -- eu queria esse livro.
Ele ainda me encarava enquanto falava com ela.
-Vou olhar no computador. -- ele sumiu escadas acima. Os computadores do andar de baixo estavam ocupados.
-Ele quase me matou de susto! -- resmunguei quando tinha certeza que ele não podia ouvir.
-Ele estava te secando! Nossa! Nem disfarçou! Ele estava te paquerando! -- Sarah parecia incrivelmente animada. Eu tinha notado que ele estava me olhando, mas não tinha certeza sobre a parte da paquera. Torcia em segredo para que fosse verdade.
Ele voltou.
-Eu não achei. Como é mesmo o nome do livro? -- Demetri perguntou. Ele não estava prestando atenção antes.
Sarah repetiu o nome e ele foi em um computador mais perto.
-Não tem na loja. Da para fazer o pedido.
-Ta bom.
-Você já tem um pedido comigo. O telefone esta aqui. Apenas não me lembro seu nome.
-É Sarah... -- ela pareceu que ia dizer meu nome mas se calou quando lancei um olhar mortal para ela.
-E Lisa? -- ele completou. Ele lembrava meu nome.
-É.
Naquele dia fomos embora. No outro voltamos ao shopping porque Sarah teve a "maravilhosa" idéia de seguir ele. Ela sentou em um banco em frente a livraria e eu fiquei olhando para dentro. Assim que ele saiu em direção a outra porta corremos para fora também. E lá estávamos agora: Seguindo ele na rua.
Demetri atravessou a rua e fomos atrás. Parecia que o universo estava a nosso favor, fazendo o transido não atrapalhar. Cada vez que ele olhava para trás eu me escondia. Ele entrou em um ponto. O ônibus que viria eu podia pegar também.
-Devemos continuar seguindo? -- perguntei.
-Sim.
Ela saltitou para o ponto e entramos também. Ela magicamente deu um jeito para eu ficar perto dele. O ônibus não demorou e estava lotado igual uma lata de sardinha. Ele ficou em pé de um lado e eu do outro. Estávamos de costas um para o outro e o simples fato de respirar fazia com que nos esbarrássemos. Agradeci mentalmente porque este ônibus tinha uma rua especial, quer dizer, sem trancos ou eu cairia em cima dele. Demetri olhava para mim sem parar, e eu olhava para ele na mesma hora, o que fazia com que nossos rostos quase esbarrassem. Só faltava agente se beijar por acidente. Eu morreria de vergonha. Quando ele desceu apenas um terminal antes do que teríamos que descer, fomos atrás. Mas assim que saímos do ônibus ele já havia desaparecido. O terminal era um labirinto e o fato de ele ser rápido ajudava. Por hoje eu desistiria. Apenas por hoje!

Notas finais
Espero que gostem.