Demônios
5 William.
Notas iniciais
Arco: 1998 - Mistérios.
Na sala, Clara estava confusa, tentava colocar sua cabeça em ordem com as informações que aquele menino que, antes era um de seus melhores amigos f alava, mas repetia que não era ele,
- Deixa eu ver se entendi direito – Disse a menina – Você não é Daniel, é o William, mas o Daniel está ai ouvindo a nossa conversa?
- Sim, exato – Respondeu o garoto.
- E quem seria você?
- Desculpa, não posso falar, nem o seu amigo deixa, ainda não, mas... Como ele antes disse, você pode me perguntar o que quiser, claro, desde que o Daniel permita ou que eu queira responder.
- Então me diga – a garota gritou – O que aconteceu com os pais de Daniel?
- Eles estão num hospital, tiveram um acidente quando vieram para cá.
- Estão mortos?
- Não...
- Porque você... err... O Daniel se esqueceu dos pais dele próprio mas logo depois se lembrou deles?
-Porque ele quis. Na verdade, não era nem para o Daniel saber onde eles estão, mas agora, está sabendo.
Clara não podia acreditar na resposta daquele individuo. Não queria se lembrar? Vários motivos passaram por sua cabeça, mas nenhum se encaixava.
- O motivo é simples – Disse o William tirando a garota de seus pensamentos – Daniel estava sofrendo. Ele mesmo preferiu esquecer de algumas coisas e se lembrar de outra, mas claro que não fui eu e nem ele que fizemos o trabalho de apagar a mente dele.
- Então quem foi?
- Uma certa pessoa em particular, mas não falarei quem é.
Estava ficando pior, a jovem não conseguia entender o porquê de seu companheiro querer esquecer seu passado.
- Vai ficar confusa mesmo – Disse o outro.
- Pode ler mentes? – Perguntou, assustada.
- Não, eu vejo pelo seu jeito mesmo, estou forçando a visão um pouco, então posso te ver, mas não 100%. Mas mudando de assunto. Fui eu que falei a sua idade para Daniel, e fui eu que estava falando com você na hora do terremoto, lembra?
- Sim. Você disse que aquilo não era normal.
- Exatamente, mas, antes que eu fale o porquê daquilo – Juntou as duas mãos e as direcionou para perto da boca – Você acredita ou já ouviu falar em batalha espiritual?
- Batalha espiritual? Nunca ouvi falar disso.
- E anjos e demônios?
- Isso já.
- Pois bem. Uma batalha espiritual é uma guerra na qual você, ou o Daniel não participam, mas a sentem tanto dentro de você quanto fora, que, é no caso daquele terremoto.
- Então, tudo aquilo foram forças sobrenaturais lutando por mim e pelo meu amigo é...
- Não só por vocês dois, mas por todos no parque. Todos sentem quando há uma luta entre anjos e demônios no ar. Se no caso, Daniel é atingido, eu também sinto e vice versa.
- Quem você é realmente? Um anjo?
- Esqueci de mencionar que fui eu que falei para o Daniel sobre os dois nomes das irmãs dele – William ignorou completamente a pergunta.
- Ta, mas e você, você é um....
Antes que Clara terminasse, ouviram o teto do orfanato estremecer e o ar do local esfriar.
- Temos Campânia – Murmurou William.
Outro estrondo ecoou, desta vez do lado de fora do recinto.
- Me leve para cozinha – Ordenou o menino.
No lugar que foi ordenado, O menino, mesmo com o problema de visão do corpo, conseguiu pegar duas facas grandes e entregou uma para a jovem.
- O que vamos fazer? – Perguntou assustada olhando para aquela arma branca.
- Lutar, hora.
- O que!? Contra quem?
- Demônios, hora.
- Mas você mesmo disse que nós não participamos dessa luta.
- Não contei a segunda parte da história.
As luzes piscaram várias vezes, Clara ficou assustada ao ver aquilo, mas, William não.
Ambos foram para a sala, e perceberam que a TV estava ligada e chiando.
- Quem mexeu nisso? – Estranhou a menina de cabelos de fogo.
- O inimigo de nossas almas, talvez – Respondeu seu companheiro.
- Sabe onde ele está?
A entidade dentro de Daniel apontou para o sofá, ele estava afundado no meio, como se alguém tivesse sentado ali.
- Ele não é de importância – sussurrou o garoto – vamos para fora.
Clara começou a estranhar tudo aquilo, pensou que fosse uma cilada.
- Não é uma cilada, confie em mim... E no Daniel.
Ela relutou, mas tinha que ir, não queria ficar sozinha.
Por incrível que pareça, a porta estava aberta. Fora do orfanato, estava muito frio, os dois tinham que ser rápidos para não terem alguma doença séria.
- Ta muito frio – Reclamou a moça.
- Eu sei. Mas precisamos agüentar um pouco
- O que viemos fazer aqui?
- Derrubar um certo alguém.
De repente, ouviu-se passos indo na direção das crianças. Clara identificou o rapaz como sendo aquele que estava no topo da roda gigante.
- É aquele homem do parque.
- Eu sei de quem está falando, só não posso ver direito. Ta um pouco escuro..
O homem era alto, só estava usando uma calça preta, podia ver os músculos do abdômen e do tórax dele, e ainda, era calvo, e empunhava uma espada grande.
“Uma menina de dez anos, e um garoto doido de oito, não deviam estar brigando com demônios, e sim brincando” a moça pensou para si mesma ao ver o que estaria prestes a lutar, mas o demônio desapareceu da sua visão.
- Fugiu – Sussurrou ela.
- Sim, mas ainda não acabou – Disse William apontando para esquerda, justamente quando um outro inimigo apareceu pela porta do orfanato. Esse foi logo envolto por chamas e caiu.
Clara ficou boquiaberta com a cena, aquele garoto queimou um demônio.
- Como você fez isso – Perguntou Clara.
- Segredo, por enquanto... – Respondeu o outro que deixou escapar um sorriso.
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Dentro do orfanato.
- Duvido que tenha mais demônios por aqui, mas de qualquer jeito, é melhor nos separarmos. Vá para o quarto das meninas – Ordenou William para Clara.
- Eu não!
- Estava esperando por isso. Certo, então vamos juntos para o quarto dos meninos, vasculharemos o local juntos.
Para Clara, tudo aquilo era um pesadelo, estava assustada, queria sair, ou acordar de tudo aquilo. Desejou que nada daquilo acontecesse. Preferia voltar aos dias normais onde Daniel e ela apenas conversavam e brincavam.
Infelizmente, nada disso iria acontecer.
Quando ambos chegam perto de seu destino, vêem vários rastros de sangue pelo caminho.
A moça estava com o coração palpitando a mil.
Ouviram o barulho de algo como se fosse alguma coisa grossa se arrastando pelo chão.
De repente, um corpo de um órfão foi jogado contra a parede do corredor, ele já jazia sem vida. Isso fez a amiga de Daniel começar a chorar e correr para longe dali.
William não foi atrás dela, sabia que teria que encarar um inimigo mortal.
Uma criatura saiu do dormitório, estava se arrastando com suas unhas grandes. Tinha pele bem morena, cabelos lisos, grandes e separados por duas tranças, uma em cada lado do rosto. Seu rosto lembrava uma indiana jovem, de mais ou menos vinte e seis anos, portava um sorriso maligno no rosto. Esse ser não tinha pernas, nem caudas, apenas as partes superiores do corpo: barriga, peito e abdômen.
- Apáte... – a entidade o reconheceu – O engano... tinha que ser você.
- Olá, William, quanto tempo – Disse o monstro com uma voz maligna – Como vai o Daniel?
- Não é da sua conta – Retrucou apontando a faca para o demônio.
- Pretende me matar? Usando o corpo de Daniel – gargalhou – será que vai conseguir? Sabe que ele não tem um bom físico.
Apáte estava certa, Daniel não era bom em esportes físicos, a entidade dentro dele sabia disso.
- Está certa. Mas não custa arriscar.
- Sabe que vai acontecer se falhar – o inimigo riu e partiu para o ataque.
- Sei sim... – murmurou.
Apáte começou atacando com um golpe simples tentando rasgar a pele do corpo do menino, que só podia se esquivar para trás, pois o corredor era muito pequeno. O inimigo não dava muitas brechas para ataque, queria acertar seu rival de qualquer jeito. Quando deu uma pausa no ataque, William aproveitou a oportunidade e fincou a faca no pescoço do monstro, mas, o bicho não gritou, apenas contra-atacou na chance de acertar a cabeça do outro, movimento que falhou por pura sorte e rapidez da entidade no menino.
O engano tentou uma nova estratégia, tentou subir pelas paredes, mas foi impedido por uma encravada da arma branca em sua mão direita. Desta vez, Apáte gemeu e caiu no chão de barriga para cima, oportunidade perfeita para William que esfaqueou o monstro na barriga duas vezes antes que o outro tentasse se defender com a outra mão ainda boa.
Assim que a indiana conseguiu se por de barriga para baixo, levou outra facada no pescoço, novamente contra-atacou, mas usando sua boca para morder sua vitima que se esquivou, mas levou um corte no pescoço mesmo assim.
- A brincadeira acabou – Disse Apáte desaparecendo – desta vez, você ganhou, William.
O corpo de Daniel se caiu no chão, estava bem cansado, mas, a entidade não podia ficar parada, ainda faltava achar alguém.
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Clara estava encolhida perto de uma parede, e chorando. Ela ficou horrorizada com a cena que viu anteriormente. Queria que tudo acabasse ali e agora.
Sentiu uma respiração profunda em cima dela, mas não viu ninguém, então, reparou em um quadro, nele, estava pintado um homem com uma mascara, tinha cabelos loiros e olhos cor de mel.
Para a menina, aquilo era estranho, nunca viu aquele quadro na vida desde que foi para o orfanato.
Tentou aproximar-se da pintura, mas foi interrompida.
- Clara! – A voz de uma mulher ecoou pelo local. Era a diretora do local.
- Senhora...
- O que está fazendo aqui? Vá para o seu quarto – gritou, e colocou sua mão nos da de Clara.
A jovem sentiu a mão fria da diretora, como se estivesse morta, também pode perceber que ela tinha o rosto acinzentado. Aquela não era a verdadeira dona do local.
- Você não é ela... – sussurrou a menina.
- O que?
- Você não é ela! – Clara gritou e ia esfaquear a pessoa a sua frente, mas uma outra mão a interrompeu. Ao virar-se, notou que estava sendo segurada pelo homem do quadro, desta vez, materializado em sua frente. Estava com uma veste branca que descia até o chão.
- Me solta!
O ser não obedeceu, apenas a olhava firmemente a pessoa que em vão lutava para escapar das mãos dele.
- Hei, vocês.
Ambos a diretora e o homem de mascara olharam para quem tinha chamado. Era Daniel.
Assim que ambos notaram a presença dele, desapareceram.
- Clara – Correu até ela – Está tudo bem?
- Daniel – Falou com a voz baixa – Desta vez é você mesmo?
- Sim, sou eu...
A jovem o abraçou forte e chorou aos prantos.
- Eu vi o que aconteceu – Sussurrou ele – Eu estava com o William e vi tudo que estava havendo aqui. Mas não posso ficar mais aqui. Eu sinto muito.
- por... Antes de terminar, a garota sentiu seus músculos contrariem, seu corpo não a obedecia, Daniel soltou-se dela e correu.
- Espere Daniel, por favor – A menina Suplicou e foi atrás dele.
- ‘’Sabia que ela não ia te deixar ir’’ – falou William na mente de Daniel.
- Eu sei – Afirmou o outro.
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