Delta Hell
2 Cap. 02 - Começo de Conversa
Dálacka não conseguia entender, era inútil para seu pai mandá-la para o colégio. Ela já sabia onde iria acabar, para onde ela iria após a morte. Se cometesse suicídio daria o mesmo resultado, mas foi por medo dela deduzir isso que seu pai fez a maldição: sua dor seria multiplicada por nove cada vez que ela tentasse se machucar.
Seu irmão descontrolado, não ia ao colégio. “Ele iria possuir todo o colégio, exceto eu”, ela sempre concluía.
Nesse momento ela dormia em sua carteira no fundo da sala de aula. Nem sabia que aula era aquela. Os alunos já haviam se acostumado com ela, invisível, insignificante. Provavelmente nem sabiam seu nome. Suas notas nunca foram acima de zero, mesmo assim, seu pai a passava todos os anos modificando suas notas de zero para cem.
Ela se apoiava nos braços cruzados, difamando de todas as formas possíveis seu pai.
Agora ela sabia que aula era, seu professor sentou em frente á sua carteira, nenhum aluno se movimentou.
Ela ergueu os olhos, eram rosa choque, o que todos pensavam ser lentes. Não queria falar com ele.
-Bom dia, dálacka. -caio lhe cumprimentou.
-Péssimo dia para você, arcanjo. –sua voz era vibrante, uma voz de mulher.
-Está de bom humor? –ele se inclinou. –andou sentindo o cheiro do enxofre?
-Por que quer saber se fui até o inferno? –ela parecia confusa.
-Queria saber as novidades. –ele segurou seu pescoço. –até quando vai com esse teatro de colégio? –ele apertou firmemente seu pescoço com a mão.
-Até meu pai me mandar para outro lugar. –ela falou enroscando levemente seus dedos na nuca do rapaz.
Ele pareceu estremecer ao seu toque frio e soltou o pescoço dela, mas ela não o soltou.
-Me explique... –ela o puxou para mais perto. –para quê parar o tempo enquanto fala comigo?
-Privacidade e segurança. –ele respondeu.
Ela o ignorou.
-Posso? –ela ergueu-se da cadeira.
-Está servida. –ele falou de má vontade.
Ela se inclinou para ele e aspirou o ar que saía de seus lábios, sentindo uma onda de calor envolvendo seu corpo. Algo Divino e terrível ao mesmo tempo.
-Você está bem?- ela perguntou.
-Não.- ele estava sério- Me desculpe por isso.
Ela olhou nos olhos azuis dele e voltu a se sentar. Sabia que ás vezes era normal eles perderem o controle, afinal eram opostos, natural um querer destruir o outro.
-Realmente, me perdoe.- ele se desculpou novamente.- Não sei o que me deu. Eu não queria...
-Me estrangular?- ela fez um a careta.- Já esqueci. Vai hoje?
-Onde?- ele se levantou.
Em nenhum momento seus olhos deixaram de se fitar.
-Mansão Richter.- ela esclareceu.
-Não. Hoje eu tenho um compromisso. Ou pelo menos tinha.- ele olhou significativamente para ela.
-Me desculpe. Mesmo assim eu não vou.
-Onde vai hoje?- ele parecia hipnotizado por ela.
-Ver mamãe.
-Ah, sim. Vai sozinha?
-Era a intenção.
-Falou certo, era. Vou com você.
-Não precisa.
-Não vou te deixar ir sozinha. Que horas?
-Quatro.
-Ótimo. Passo no seu apartamento ás três e meia.
-Vou esperar.
-E eu vou voltar á aula. Nos vemos depois.
-Até mais tarde.
Ele voltou amdando até sua mesa e os alunos voltaram a se mexer.
\"Nem parece que ele está me vigiando.\" Ela pensava. \" Com certeza o feitiço se voltou contra o feiticeiro, papai.\".
Na saída, enquanto os alunos se empurravam para passar pela porta e finalmente fugirem do colégio, Dálacka premaneceu sentada. Mas outra pessoa, uma garota, também esperou durante algum tempo a mais.
-Hã... Oi Dálacka.- ela falou.
-Oi.- Dálacka esperava o porquê dela estar ali. Algum problema?
-Não exatamente. Só queria te convidar, pra sair hoje com alguns amigos.
-Seus amigos, Gabrielle? Algum motivo especial para você me chamar?
-Não eu só queria que você fosse junto com a gente.
-Me desculpe. Eu não posso. Tenho que visitar minha mãe.
-Entendo... tudo bem então. Talvez numa próxima vez...
Dálacka a deixou falando sozinha e foi embora, não queria uma babaca como aquela pra trazer mais problemas, ela já os tinha suficientemente.
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