Delirious

23 23. Especial: Rola um ringue?


Notas iniciais
NA: Finalmente atualização. **sambando** **O título do capítulo é uma paródia da expressão “Rola um sentimento?”, já que no caso desses dois a coisa é diferente. Não sei se vocês visitaram meu perfil essa semana, mas deixei um aviso, onde me explicava a respeito do destino da história. Nesse aviso também deixei uma nota que dizia que os capítulos de Delirous estavam sendo revisados. Revisei do 1 ao 9, depois (se me lembro bem) o 20 também. Ainda estarei revisando os outros capítulos, só para deixar bem avisado. Certo? Ainda não terminei de responder os reviews, eu ia deixar para postar depois que respondesse tudo, mas... Não resisti. Hahaha Perdoem-me. Prometo que até o fim da semana respondo a todos. Ok? *** Capítulo dedicado a Fontela e a Teru Kurebayashi pelas últimas recomendações que Delirous recebeu, LINDÍSSIMAS! Muito obrigada pelo carinho de vocês e desculpem por todo transtorno.  Amo vocês!! AVISO: Não foi betado, fiz o possível para corrigir os erros, se caso encontrarem algo anormal me avisem, por favor. Boa leitura.



Capítulo 23 — Especial: Rola um ringue?

Narrado por Pablo:

Eu não queria estar fazendo isso, é sério. Era para o maldito do Miguel estar no meu lugar agora, falando com vocês, mas o cara está tão miserável, tão desgraçado, tão maldito, tão irritante, tão falido, tão filho da puta, tão mendigo, tão babaca, tão cretino, tão imbecil que não tem forças para erguer nem mesmo o dedo mingo. Por isso vão ter que me aturar, falou?

Porra e o pior é que nem sei por onde começar.

Levantar cedo não é minha praia, eu odeio fazer isso, mas tenho que me submeter a fazer todos os dias, porque preciso estudar e me formar o quanto antes. Não que eu seja um aluno exemplar, ou coisa do tipo, na verdade sou o pior tipo... Ok! Não quero falar de mim, odeio falar de mim! Se querem saber mais sobre esse cara aqui, perguntem ao idiota do Miguel. Ele sabe tudo.

Todavia, levantei cedo e nem tomei banho, só lavei a cara e a boca, vesti uma calça e uma camisa qualquer que encontrei jogadas no chão, no meio da baderna que se encontrava meu quarto.

Após fazer minha higiene matinal, fui direto para o quarto do meu primo a fim de acordá-lo. Chutei a porta escancarando-a, fui até a cama dele e comecei a cutucá-lo.

— Hum... O que você quer...? — resmungou, abraçando o travesseiro.

— Acorda! Tá na hora de levantar. — murmurei.

— Não enche. — foi essa resposta que o moleque me deu.

Uma das piores partes do dia na minha opinião era acordá-lo, esse merdinha ferra no sono, pior que bela adormecida.

— Anda logo e levanta dessa cama, não estou com saco pra ficar te acordado. — anunciei me dirigindo de volta à porta. — Se eu tiver que voltar aqui, será para jogar um balde de água fria em cima de você e acredite vou fazê-lo sem dó.

Após isso, deixei o quarto ouvindo seus resmungos e palavrões ofendendo minha mãe. Nada falei para me defender ou defendê-la, mas só porque quem a maldizia era ele, se fosse qualquer outro desgraçado o bicho ia pegar.

A próxima tarefa era passar um café forte, alimentar meu estômago e seguir meu rumo, no entanto ao cruzar a sala, uma cena peculiar chamou minha atenção. Estanquei no meio do caminho e deixei que um bufo saísse da minha boca, praticamente me arrestei até o sofá.

Cravei meus olhos na figura adormecida, miserável, doente, retardada e desolada que estava jogada, sem camisa, escabelada, vomitada, babada e dura de ressaca encima do meu sofá. Coloquei as duas mãos na cintura, sem deixar de encarar aquela imagem.

— Velho, quanto tempo faz que não te vejo nesse estado tão filhadaputamente deplorável? — resmunguei. Ele não moveu um único músculo. — Ao menos parece que dormiu bastante.

Sim, pois precisava de sono.

Nesse momento ouvi uma movimentação no quarto do meu primo e dei um meio riso, contente por saber que ele andava mais obediente, também fiquei aliviado por não precisar voltar lá e jogar água fria nele como havia prometido. Voltei a encarar a figura adormecida, observando atentamente os traços cansados e as bolsas roxas embaixo dos olhos.

Quanta escrotice, mano.

Suspirei, como lidar com essa situação agora? Precisava fazer algo a respeito, mas o que exatamente?

Fazia três dias que ele não dava as caras na escola. Ficava em casa, fumava um cigarro atrás do outro, meu estoque de bebidas estava indo para o ralo, tudo por culpa desse infeliz. Perdeu o emprego de meio período, há dias que não volta pra casa, vive grudado no telefone mandando mensagens, mas raramente recebe alguma resposta, quando recebe se decaí mais ainda e acaba nesse estado. O miserável só não caia nos botecos da vida e enchia a cara, porque não queria ser um alcoólatra como seus pais.

Caro Miguel, sinto em ter dar esta notícia, mas acredite, você está indo pelo mesmo maldito caminho que dona Gizelda e seu Pascual. Imagino que daqui uns dias o encontrarei jogado numa esquina, desacordado, todo vomitado e com uma garrafa de despacho na mão.

Já não duvido de mais nada.

— Ei, Miguel não vai levantar esse traseiro daí nunca mais? — perguntei, cutucando seu ombro com o meu pé esquerdo. Não obtive resposta, nem mesmo um resmungo. — Meu sofá não é cama de hotel pra vagabundo dormir, ouviu?!

Respirei fundo, sabendo que não adiantaria nada continuar insistindo, afinal já tinha feito o mesmo ontem, anteontem e todos os outros dias atrás, mas ele não respondeu.

Parece que estou encarando e falando com um defunto agora. Me pergunto se ele anda se alimentando direito, mas tenho minhas dúvidas.



(#)



Como o esperando Miguel não veio, insisti mais um pouco, mas não me respondeu, sequer deve ter me ouvido.

O rompimento com o franguinho acabou com suas forças. Miguel está mais perdido que cego em tiroteio, mais desolado que um bebê sem mamadeira e mais miserável que um milionário falido.

Por enquanto deixo que sofra um pouco, acho que não vai fazer tão mau assim, no entanto, quando achar que a situação chegou nos extremos... Aí não vai ter Pablo bonzinho, paciente e compreensível.

Se bem que eu nunca fui nada disso.

Estava cruzando o corredor dos segundos anos com intuito de chegar até as escadas e subir para o corredor dos terceiros anos, quando encontrei um rosto conhecido. Ele estava sozinho no meio da multidão.

Sorri diabolicamente.

Apertei o passo a fim de me aproximar e ser notado pelo ser. Por onde passava os moleques se afastavam como se eu tivesse alguma doença contagiosa, fato este que era completamente ignorado por mim. Mas isso é devido a minha fama de garoto mau. Sabe, eu não sou como essas pessoas dizem por aí, não mesmo, não faço jus aos rumores. Dizem por aí que sou arruaceiro, que uso drogas, até mesmo que gosto de roubar as merendas das crianças do primário. Haha! Acredita?

Repito: eu não sou assim, mano. Claro que já me envolvi em muitas peleias dentro e fora do colégio, mas para todas essas brigas tive meus motivos. Que fique bem claro que só arranjo confusão quando meus parceiros são intimidados ou coisa do tipo. E claro não esquecendo do meu primo, ninguém tem o direito de tocar nele, nem mesmo num fiozinho de cabelo, saca? Porque eu viro bicho mesmo.

Aliás, onde quero chegar com todo esse papo afinal? Já não falei lá no início que não ia falar de mim?

Tsc!

— Castanheli!! — Ralhei no meio do corredor, com a mão estendida, a fim de ser notado. Sorri quando seus olhos se abriram chocados.

O loiro rapidamente escondeu o rosto e se postou a caminhar em direção ao final do corredor. Geral voltou sua atenção para ele.

Meu sorriso apenas se ampliou. Adorava causar aquele tipo de reação, diminui a velocidade dos meus passos e enfiei minha mão dentro do bolso. Agora caminhava sem pressa, praticamente me arrastava entre os estudantes, percorrendo o mesmo caminho que ele, pois sabia para onde se refugiaria.

Até comecei a assobiar uma musiquinha do Bitch, estava me divertindo, de verdade. Fazia tempo que não me sentia assim... Tão de bem com vida e comigo mesmo. Depois de ter levado um pé na bunda do meu primo, minha vida nunca mais foi a mesma, andava triste, decaído... Tá mentira, não sou do tipo que se decaí por causa de um pé na bunda... Se bem que teve aquela vez bebi todas e o Miguel estava comigo e tal! É admito, eu realmente não estava no meu normal naquela vez, entretanto, quando algo do tipo acontece geralmente fico irritado e faço muita merda, isto é: quando não se trata do meu primo. Sabe, falo das antigas quando levava um fora, aqueles poucos foras, mas só o Pê pra me deixar daquele jeito miserável.

Acho melhor mudar de assunto... Sério! Estou começando a sentir meu peito pesar e isso é uma droga, não gosto de me sentir assim, portanto vamos esquecer do Pietro e a porra toda, falou? Até porque decidi começar do zero, estou numa nova etapa da minha vida... Sacou? Agora estou bem melhor. De verdade. E devo tudo isso a minha mais nova presa.

Mano, não dá pra conter o sorriso maldoso que se desenha no canto da minha boca. É inevitável! E sem perceber o assobio fica mais alto e os passos mais lentos... De repente senti até vontade de gozar, porque gozar é tão bom? Haha! E porque quero gozar justo agora?

Vocês —assim como eu— sabem perfeitamente o que aconteceu naquela noite, né? Vocês sabem detalhe por detalhe. Cara, vocês precisam ver a minha cara agora enquanto os flashes daquela noite cruzam minha mente, aliás, vocês precisam ver a minha cara toda vez que me lembro daquele evento... Mano, meus lábios chegam sangrar devido a intensidade que os mordo, ainda vou acabar deixando-os em carne viva.

Eu preciso me conter, de verdade eu preciso, ou posso acabar apanhando do loiro.

Não preciso nem dizer que ele me odeia, preciso?

Mas se quer saber? É assim que gosto. Quanto mais ódio, mais a caça fica instigante e mais vontade de fodê-lo eu tenho. Falo sério! E agora estou indo em direção ao pátio da escola, atrás dele. Não estou muito longe dele, acredito que apenas uns cinco passos atrás.

— Desgraçado, pare de me seguir!! — ele gritou, me olhando por cima dos ombros, emputecido.

Vish! Se ele parar de caminhar agora, apanho, mas nem isso me faz desistir.

Nos últimos dias tem sido assim... A gente se vê, se fuzila, se jura de morte e se comunica através de gritos enfurecidos. As vezes rola um ringue, mas só as vezes. Eu saio todo fodido e cheio de hematomas e assim a vida segue.

É tão gostoso isso! Eu gosto... Vocês não?

E não foi diferente aquele dia, rolamos na grama, desferindo socos um no outro ao som do sinal para o início das aulas. E acreditem foi tão fodidamente bom, me senti revigorado, novinho em folha. Terminamos com o loiro em pé, ofegante, me olhando com os olhos febris e as bochechas coradas... Uma cara de me foda agora Pablo. As roupas dele estavam cheias de poeira, os cabelos desarrumados e cheio de grama.

— Cara... Você... — ele tentava dizer alguma coisa, mas estava com falta de ar e não conseguia falar muito. — Você é retardado? Não cansa disso todos os dias?

E eu? Eu estava jogado no gramado, todo ferrado, com as roupas sujas, suado, escabelado, com o nariz e o canto da boca sangrando. Todo errado e dolorido fiz um esforço para sentar e me escorar na árvore. Ele permanecia lá, me olhando daquele jeito, praticamente implorando pra eu gozar dentro dele.

Quando enfim consegui achar uma posição confortável, flexionei minha perna esquerda, apoiei meu braço nela e olhei diretamente em seu rostinho de menina virgem — mas que nós sabemos muito bem que agora não é mais virgem —, e ri.

Nossa e como ri da cara que ele fazia! Ele me olhou com incredulidade.

— Você é demente. — murmurou. — Como pode rir desse jeito depois de levar uma surra?

Cuspi um pouco de sangue quando o riso cessou e suspirei. Ai, ai.

— Loiro... — ele me olhou de canto. — Relaxa e goza. — Ui! Haha você escolheu uma péssima hora pra dizer isso Pablo. Tsi, tsi. — Qual é mano, se divirta... Deixa a adrenalina correr na pele. Sinta o poder!

Sua careta só piorou até que virou desgosto total.

— Antes eu pensava que você era louco. — ralhou torcendo o nariz.

— Mesmo? — perguntei sorrindo de canto. Ah qual é gente, não me olhem desse jeito, ok? Eu estava me divertindo, de verdade.

Arg! Me deixem!

— Agora eu tenho certeza. — completou girando os calcanhares em direção aos vestiários, provavelmente ia se arrumar.

Continuei sentado lá, observando-o se afastar cinco passos. Me levantei com muita dificuldade, cada canto do meu corpo latejava de dor e fui atrás dele mancando. O loiro não estava melhor que eu acreditem.



(#)



Assim que entramos no vestiário o loiro abriu uma das torneiras, se debruçou na pia, encheu as mãos em forma de concha e jogou na cara, e repetiu o ato mais duas vezes.

Fiquei em pé encarando-o sem que ele se desse conta daquilo, nem mesmo eu me dei conta, foi meio que automático, apenas aconteceu.

Ele passou um pouco de água pelos cabelos e levantou a face para olhar seu reflexo no espelho, só então me notou lá parado observando-o e torceu o nariz em completo desgosto.

— Porque tá me encarando desse jeito bizarro, merda? Eu ein! Sai pra lá!!

Dei um meio riso fechado e comecei a retirar minha camisa.

— EI, EI!!! O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO?! — ele berrou furiosamente, parecia assustado.

Ri de canto e não respondi. Abri o botão da minha calça jeans e desci o zíper, ele acompanhou tudo com os olhos, chocado, mas rapidamente desviou para qualquer canto quando um pedaço da minha cueca vermelha começou a aparecer.

Sem deixar de esboçar aquele sorriso safado e maligno, entrei no primeiro box— que ficava em frente da pia onde ele se encontrava parado. — e abri o chuveiro.

Quê? Eu ia tomar um banho, eu estava todo sujo, todo ferrado, queria me lavar.

Aposto que essas mentes poluídas pensaram um monte besteiras, assim como ele. Desci as calças, junto da cueca e pendurei na porta — que mantive bem aberta quando entrei no chuveiro.

O loiro continuava lá, parado e em pé, estupefato com os olhos azuis arregalados. Enquanto eu me banhava de porta aberta e tudo.

Ele ficou completamente desnorteado o com a minha atitude descarada e aquilo só fez meu ego subir num nível admirável. Girei, me deparando com os azulejos azul clarinhos, mergulhei a cabeça embaixo da água, molhando meus cabelos... Estava mais que na hora de cortá-los, estava pensando em fazer um moicano, ou apenas raspá-lo, não sei ainda vou pensar. Fiquei um bom tempo naquela posição e quando virei levei um choque imenso. Ele não estava mais lá. Abismado, tentei encontrar respostas, fazendo suposições sobre em que buraco ele havia se enfiado, mas o som de um chuveiro sendo aberto me trouxe para a realidade. O som vinha de um dos últimos chuveiros da mesma fileira.

Acabei deixando um riso baixinho escapar e ele ouviu mesmo do outro lado.

— E agora, qual é a graça, otário?

Em vez de responder comecei a assobiar a mesma música de sempre.

— Que porra de música é essa? — ele perguntou.

— Depois te conto.



(#)



Depois da aula fui direto pra casa, queria ficar na praça jogando conversa fora com a galera, mas tinha outros planos em mente.

Querem saber quais eram eles? Tirar a porcaria do Miguel do coma, fazê-lo acordar pra porra do mundo, ir atrás do traseiro daquele nanico arruaceiro e o principal: expulsá-lo do meu sofá, porque eu não aguentava mais acordar de manhã e me deparar com aquela cena escrota todos os dias.

Era bizarro, era nojento, aquele merda miserável não é o Miguel que eu conheço. Vocês conhecem o cara, sabem que o lixo em cima do meu sofá não é, definitivamente não é Miguel Dorneles. O mesmo escroto filho da puta que todos nós conhecemos.

Eu ia tirá-lo de lá e fazê-lo entrar na linha, ou não me chamo Pablo. Como o previsto, não me surpreendi quando botei os pés dentro de casa e vi aquele saco de osso podre e fedorento deitado de barriga pra cima com uma garrafa pela metade deitada no peito.

Parei em frente ao sofá e encarei sua figura, ele ferrava no sono, mano. Um dos braços estava tampando seu rosto e o outro abraçava a garrafa. Bufei furioso. Flexionei os joelhos ficando a altura de seu rosto.

— Miguel... —Murmurei, porém não houve resposta. — Miguel...

Mais uma vez ele não respondeu, sequer abriu os olhos.

Bufei novamente, hoje de manhã ele fez o mesmo.

— MIGUEL!!!! — Berrei a plenos pulmões, o miserável sobressaltou-se quase caindo do sofá. — SEU FILHO DA PUTA, TÁ ACHANDO QUE MINHA CASA É O QUE, ABRIGO PRA MORADORES DE RUA?? VOCÊ BEBE E COME AS MINHAS CUSTAS.

Ele se ajeitou no sofá ficando sentado.

— Por favor, não grite. — pediu ele, baixinho.

— GRITO! GRITO SIM!

— Pabl-!

— TEM NOÇÃO DE QUANTOS DIAS FAZ QUE VOCÊ NÃO TOMA BANHO? QUANTOS DIAS FAZ QUE NÃO APARECE NO COLÉGIO, ALIÁS VOCÊ SABE QUE DIA É HOJE? NÃO NÉ?

Ele piscou forte e passou a suspirar.

— Miguel. — Falei parecendo mais calmo, ele enfim me olhou. — NEM EU FIQUEI TÃO DESGRAÇADO ASSIM QUANDO LEVEI UM PÉ NA BUNDA DO MEU PRIMO. VOCÊ FEDE A ÁLCOOL, VÔMITO E MERDA!!!

Um minuto de silêncio...

— VOCÊ NÃO ENTENDE. — Aee!! Finalmente ele reagiu. É DISSO QUE EU TÔ FALANDO MANO!!!

— COM CERTEZA NÃO ENTENDO MESMO, PORQUE EU CONHEÇO MEU PRIMO DESDE O DIA QUE ELE DEU O PRIMEIRO PEIDO NA TERRA E VOCÊ, QUANTO TEMPO FAZ QUE CONHECE AQUELE NANICO? HÃ?!! VOCÊS MAL E PORCAMENTE SE FALAVAM CIVILIZADAMENTE UM COM O OUTRO, MANO!!

Miguel estreitou os olhos.

— NÃO COMEÇA!! — Ele apontou o dedo. — Eu sei bem onde você quer chegar, por favor...

— CALA A BOCA! FRANCAMENTE, VOCÊ É MUITO MOLE...

— Pabl-! — cortei sua tentativa frustrada de tentar me interromper outra vez.

— MUITO CALMO, DEIXAVA AQUELE FRANGUINHO FAZER O QUE QUISESSE!!

— Eu não quer-!

— E olha o resultado! Estou vendo, daqui, sua alma virgem deixar seu corpo.

— PABLO EU-!

— Se fosse eu teria feito aquele franguinho-cu-doce ver estrelas a muito tempo, já teria o levado pra cama mais rápido que você.

Nesse momento pensei: Oh, oh! Extrapolei os limites.

Mas mano, eu sou um cara que não sabe o significado da palavra limite, falo sério. Eu digo o que quero e que se foda o resto do mundo, que se foda.

Miguel me olhou com um sentimento que entendi ser o mais próximo do ódio. Minutos depois estávamos nos agredindo feito dois leões em fúria.

Que legal Pablo, duas surras num único dia! Óbvio que vou sair mais ferrado dessa vez já que ele está mais furioso que o loiro, e minhas condições físicas não estão lá essas coisas. Agora se você me perguntar como seria se eu estivesse impecavelmente bem fisicamente, eu não saberia te responder, acho que ficaríamos quites.

Coisas se espatifaram no chão virando cacos de vidros, rolamos sobre os cacos, pude sentir minhas costas sendo arranhadas e cortadas.

Vini adentrou a porta acompanhado de Daniel, ficaram chocados com o nível de violência da nossa briga. Daniel desesperou-se e tentou a todo custo interromper, mas Vini interviu.

— Deixe, não se meta, eles sabem qual é o limite. — Vini seu grande filho da puta, eu sei o que você está pensando e acredite meu caro, esse não é o caso, ao menos não dessa vez.

Vinícius não queria se envolver porque entendia minhas intenções, afinal ele esteve por perto durante todo esse tempo, viu o demente do Miguel numa pior e por isso, achou que eu não fosse querer que se envolvesse.

A briga, depois de séculos, teve seu fim, eu estava virado num caco.

Agora Miguel estava sentado, de cabeça baixa e com as costas apoiadas no armário da cozinha. Eu estava jogado no meio dos cacos de vidro, todo fodido, deitado de barriga para cima.

— Porque você fez isso? — perguntou Miguel, mais calmo.

— VAI SE FODER!! — Cuspi frustrado.

— Te machuquei muito? — Sua serenidade estava me matando. Sério.

Gargalhei.

— Um verme como você me machucar? — perguntei. — Por favor, né, nem fodendo, só se for no cú do inferno mesmo!

E ri novamente, porém ele não se abalou.

— Me desculpa. — pediu baixinho.

Suspirei. Aquele simples pedido de desculpas era o mesmo que: Eu sei que você só queria me ajudar e eu sou um animal ignorante que não sabe nada e tem muito o que aprender e a porra toda. Ao menos foi isso que eu entendi, ou quis entender.

— Que se foda você, mas levante daí, tome um banho... Bem demorado!!! — Frisei. — E faça alguma coisa, ficar assim: escroto e doente não combina contigo, mano.

Ele continuava de cabeça baixa, mas agora ocultava seus olhos com a franja. Assentiu e aos poucos se ergueu indo diretamente para o banheiro.

Miguel saiu de lá meia hora depois, de banho tomado e com uma roupa limpa. Eu continuava lá deitado no meio dos vidros quebrados, fumando um cigarro, mas todo fodido com o corpo todo dolorido. Vini e Daniel me fizeram companhia todo esse tempo.

Antes de sair da minha casa, Miguel veio até meu corpo preguiço e cheio de hematomas, agachou-se a minha frente, olhei de canto, vendo ele erguer seu punho fechado em minha direção.

Fechei os olhos e dei um riso torto. É um filho da puta sem escrúpulos mesmo, como você bate num cara e depois pede um cumprimento daqueles?

— Me prometa que vai dar um tapa de luva naquele loiro metido... — murmurei. Miguel me olhou com estranheza. — Parta o coração dele, roubando o franguinho.

— Não vou roubar ninguém. — Miguel murmurou. — Vou apenas pegar o que é meu de volta.

Meu sorriso se abriu. Daí sim fechei meu punho também, acertando o dele suavemente.

— Desde que faça aquele loiro chorar, não me importa o que você vai fazer, mas faça ele se sentir tão ou mais miserável que você. — falei, tendo pensamentos sádicos.

— Por quê? É tão grande assim seu ódio por ele?

Dei uma risadinha esperta.

— Você nem imagina...

Notas finais
Bem, já começo avisando que depois dos comentários do último capítulo postado, pensei muito a respeito do destino da história e decidi que vou prolongar mais um pouco, mas não pretendo ir muito longe. Vou ver até onde consigo manter. Também gostaria de reforçar que gostaria de pedir a colaboração de vocês. Obrigado por tudo, beijão até o próximo.