Delilah

14 Extra 1: A curiosidade quase matou o gato


Notas iniciais
Como prometido, dou início à sessão de capítulos extras! Serão curtinhos, mas terão por finalidade especificar uma ou outra coisa que não ficou clara no final da história, a fim de sanar a curiosidade do leitor. Divirtam-se.

Francis estava incomodado com os esquisitos barulhos que vinham da cozinha e atrapalhavam a sua sessão de fofuras e carícias com o seu precioso namorado. Maldita hora em que ele não tinha nem privacidade para ser agradável e apaixonado com Matthew sem que o incomodassem.

Matthew também percebeu a agitação vinda da cozinha e cutucou Francis para que ele fosse averiguar qual era o problema. Pelo rubor em suas bochechas, podia-se dizer que o irmãozinho de Alfred tinha alguma ciência da natureza das atividades no cômodo vizinho. Francis sabia exatamente qual era o problema, ele só não queria ter a certeza dos fatos e ter que lidar com aquilo. Mas se Matthew pedira, ele faria aquele esforço. Ao menos para ver se aqueles dois não estavam na cozinha se matando, o que era bastante improvável.

Deu um beijo na testa do namorado e disse que voltaria em um segundo.

Quando chegou ao corredor, os barulhos foram ficando mais intensos. Ele realmente considerou dar meia volta e convidar Matthew para tomar café da manhã na Starbucks da esquina. E olha que ele nem apreciava muito aquele lugar.

Mas sendo o dono da casa e tudo mais, precisava averiguar a integridade de seus cômodos e se os afoitos pombinhos não estavam trazendo sua cozinha abaixo.

Ele abriu ligeiramente a porta e se arrependeu mortalmente. Pelo breve segundo que espiou pela fresta, visualizou Arthur, em uma posição nada ortodoxa que nem seus mais loucos fetiches imaginariam – sobre a sua preciosa bancada de mármore onde preparava suas melhores receitas – sendo selvagemente penetrado por Alfred (que, pelo amor de Deus, nem tivera a decência de tirar as meias). Do outro lado, no fogão, havia uma panela com uma fumaça escura saindo dali. Ao menos ele teve certeza de verificar se o fogo estava desligado – e estava, graças ao bom Deus.

Fechou a porta com cuidado e respirou fundo, apenas para bater sonoramente e anunciar que “bonjour, cheguei e não vi nada, então disfarcem e pensem em alguma desculpa para fazer esse momento ainda mais estranho”. Mas antes que pudesse fazer seu anúncio, ou abrir a porta, ou ouvir o sinal de que poderia entrar na cozinha, foi surpreendido por uma igualmente sonora resposta de Arthur, na qual ele praticamente berrou “VAI EMBORA” e soltou um gemido que mais parecia o de um gato no cio.

E com isso, ele tomou a decisão de finalmente levar Matthew para uma caminhada até a Starbucks.

Notas finais
Continua...