Delictum Libertatis
1 Capítulo 1
- E seu eu falhar? – a voz de Stiles era insegura, baixa. Seu rosto, banhado em lágrimas, demonstrava claramente o medo por receber tamanha responsabilidade.
- Você não vai falhar. – Claudia respondeu, enxugando as lágrimas do filho com a barra do lençol – Você nasceu para isso, meu anjo.
Stiles apertou o amuleto que ela havia lhe dado e suspirou. Claudia fechou os olhos e logo o apito que indicava a parada cardíaca tomou conta da sala.
- Mãe? – Stiles chamou – Mãe? Mãe, por favor... Mãe!
Ele gritou por sua mãe uma última vez, abrindo os olhos e sentando na cama. Sua camisa estava ensopada de suor e ele piscou, atordoado, olhando para os lados para se certificar que não estava no hospital.
Levantou da cama e cambaleou até o banheiro sem nem mesmo acender a luz do quarto. Ligou o chuveiro e entrou de roupa e tudo, sentindo a água quente escorrer por seu corpo e fazer a tremedeira parar. Só depois de alguns instantes é que retirou o pijama, jogando de qualquer jeito no chão do box e terminou seu banho.
Pesadelos com a noite em que sua mãe morreu, há dez anos, eram comuns sempre que algo importante ia acontecer. Foi assim quando fez sua primeira entrevista de emprego, quando arrumou sua primeira namorada, quando contou ao pai que era bissexual, quando Scott enfrentou sua primeira lua cheia, quando se formou no ensino médio e depois na faculdade.
Mas naquela semana a frequência e a intensidade dos pesadelos pioraram consideravelmente. Todas as noites ele sonhava com aquele mesmo momento, em que ela falava da importância de sua missão e da certeza que tinha em seu sucesso.
Uma certeza que ele mesmo não tinha.
Desligou o chuveiro e saiu para o quarto sem nem ao menos se preocupar em se secar, pouco se importando em molhar o carpete do quarto de hotel. Esperava, na verdade, não ter que voltar aquele lugar quando a noite terminasse.
Se tudo saísse como o planejado, Stiles iria até a boate, a mala já em seu carro, e de lá seguiria de volta a Beacon Hills. Duas semanas de viagem, parando apenas para dormir o mínimo necessário.
A roupa que iria usar estava impecavelmente arrumada no armário. A única peça que ele tomou cuidado para não amassar. A calça jeans escura e gasta nos joelhos e no bolso traseiro, a camisa de botão vermelho escuro e a jaqueta de couro que mais parecia um blazer foram escolhidos por Lydia a pedido de Deaton. Precisava parecer mais maduro e, certamente, suas camisas xadrez e suas blusas de moletom não ajudavam na construção do personagem que iria interpretar no México.
Ele se arrumou como pôde, levando em conta o nervosismo. Passou gel nos cabelos para dar um ar despojado, calçou os sapatos de couro e olhou para o quarto, se certificando do que deveria levar e o que poderia ser deixado para trás.
O pijama ensopado no banheiro ficou esquecido. Dos itens de higiene pessoal, só sua escova de dentes e seu aparelho de barbear foram colocados novamente na mala. Catou as peças de roupa que tinha espalhado pelo quarto nos três dias que havia ficado ali, colocando tudo num saco bem fechado antes de guardar na mala.
Por fim, foi até a mesa de cabeceira e pegou o cordão de prata que havia ganhado de sua mãe e colocou ao redor do pescoço e prendeu no braço esquerdo a pulseira de corda trançada que havia ganhado de Deaton antes de partir.
Com tudo em mãos, respirou fundo mais uma vez e abriu a porta do quarto do hotel.
Atravessou o estacionamento para entregar a chave com um sorriso confiante e um olhar determinado que pareciam pertencer a outra pessoa e não ao rapaz que estava no quarto instantes antes.
Entrou no jaguar preto e dirigiu pela cidade que ele não se importou de saber o nome. Era um povoado pequeno, em algum lugar isolado do México. Não mais que dois mil habitantes e, apesar do ar de pobreza do local, com suas casas caindo aos pedaços, não era incomum ver carros como o dele circulando por ali.
Como o dele não. O carro de Stiles ainda era o velho jipe azul que havia herdado de sua mãe. O que ele dirigia agora havia sido emprestado por um dos financiadores da missão. Ele não precisava saber o nome, apenas ter certeza que durante o tempo que precisasse do veículo, ele estaria em seu nome.
Stiles coçou o nariz, incomodado com o cheiro de terra seca e poeira que tinha por todas as ruas. Estacionou o carro a alguns metros de distância da entrada da casa noturna que precisaria ir e pegou a maleta prateada que tinha guardado no porta-malas e se dirigiu para o endereço que havia decorado.
O muro de alvenaria rústica era torto e pintado de cal amarela. Uma única porta de madeira maciça podia ser vista e, se não fosse pela câmera instalada acima da porta, passaria apenas como mais um dos velhos prédios que compunham aquela cidade esquecida pelo mundo.
Ele tirou do bolso da jaqueta um convite que parecia uma carta de baralho ilustrada com uma caveira rodeada de flores e mostrou para a câmera, notando o barulho metálico da fechadura sendo aberta em seguida.
Tentando não esboçar nenhuma reação, ele apenas apertou a alça da maleta que trazia consigo e entrou.
O lugar era como uma casa noturna comum. Pessoas dançando, bebendo, casais se agarrando em cantos escuros, garçons passando de um lado para o outro... Stiles procurou um lugar junto ao bar, pedindo um gim com tônica.
Discretamente, enquanto bebericava seu drink com cautela, ele olhou ao redor, procurando indícios de que aquele era, de fato, o lugar certo: a casa El Lobo, onde Araya Calavera comandava o negócio de tráfico de lobisomens.
Tráfico não era exatamente a palavra correta para o que a mulher mais poderosa do México fazia, já que ela tinha autorização do governo para vender os lobisomens que capturasse. Mas Stiles não podia pensar em outra expressão. Para ele, qualquer coisa que envolvesse escravizar um ser humano, ou qualquer criatura com consciência humana, devia ser vista como crime e tratada como tráfico.
Mas naquele momento ele tinha que agir não só como alguém que concordava com tudo aquilo, mas como um possível comprador para um dos lobisomens a venda.
Demorou cerca de meia hora para que Stiles fosse abordado por um dos homens de Araya.
- Rosto novo por aqui. – o homem comentou sem olhar diretamente para o rapaz – Embora possa dizer que não é um rosto desconhecido.
Stiles tomou mais um gole de sua bebida. Esperava por aquele tipo de reconhecimento. Afinal, seu rosto havia estampado as capas de revista das últimas semanas quando seu noivado com Heather, filha do presidente dos Estados Unidos, foi noticiado durante um jantar entre as duas famílias.
- O que posso dizer? – Stiles comentou, a voz displicente – Um homem precisa se divertir de alguma maneira.
- Mesmo que isso custe caro? – o sujeito de pele escura e bigodes que Stiles considerou ridículos, como se tivesse saído de uma produção mal feita de Zorro, agora se virou para ele e apontou, com o copo de tequila que tinha em mãos, para a maleta no colo do rapaz.
- Mesmo que isso custe muito caro. – ele respondeu com um erguer de sobrancelha e o homem sorriu.
- Gosto de gente como você. – o sujeito declarou e levantou do banco, sugerindo que Stiles o seguisse.
Andaram pela multidão até uma porta que tinha um sistema de segurança mais complexo do que a simples câmera na entrada da casa noturna. O sujeito que andava a frente de Stiles tirou outro cartão do bolso, passou pelo leitor ao lado da porta e depois se deixou fazer o reconhecimento pela íris. Antes de entrarem, ele fez Stiles colocar a mão para colher suas digitais no scanner e só então a porta metálica deslizou para o lado, permitindo a passagem.
O ambiente ali era mais calmo e ele notou que havia um tipo de música diferente. Jazz, provavelmente, como todo lugar de bom gosto. Havia pelo menos umas cinquenta pessoas sentadas em mesas confortáveis, cobertas com toalhas de linho negro, iluminada por pequenos candelabros.
Os garçons ali andavam todos de cabeça baixa e Stiles notou que usavam coleiras de veludo. O símbolo de que eram lobisomens. O bordado em cada coleira indicava que eles já pertenciam a alguém e não poderiam ser incomodados por outros humanos.
Uma falsa sensação demonstração de cuidado com o povo lupino, já que o modo como um dono tratava seu lobo não era questionado por ninguém. E os vergões nos pulsos e nas costas dos garçons mostrava como Araya tratava o seus lobisomens muito bem.
Stiles respirou fundo e encontrou uma mesa num canto mais afastado para se acomodar. Pensar que ela açoitava os lobisomens com um chicote embebido em wolfsbane para que as marcas permanecessem em seus corpos por horas fazia o estômago do rapaz embrulhar.
Um ligeiro aumento no tom de voz das conversas chamou atenção de Stiles que percebeu Araya entrando no recinto ao lado de um lobisomem maior que todos os outros que Stiles já havia conhecido.
Ela o trazia puxado por um cordão de metal preso a sua coleira e seu sorriso era completamente desagradável.
- O leilão vai começar. – ela anunciou e as pessoas se agitaram ao redor.
Mas o tal leilão não foi como Stiles esperava. Nada de um desfile de lobisomens maltratados e gritos dos compradores oferecendo seus lances.
Araya foi de mesa em mesa, conversando com os possíveis compradores, mostrando fotos e fazendo comentários que arrancavam risos de seus interlocutores.
Até que chegou a vez de Stiles.
- Me falaram que o futuro genro do presidente estaria aqui esta noite. – ela mencionou, colocando a pasta de couro negro sobre a mesa e gesticulando para que um dos garçons lhe trouxesse uma bebida – Vejo que meus homens não mentiram.
- Ninguém seria tolo de mentir para você. – Stiles comentou, colocando sua maleta sobre a mesa também e aceitando o copo que lhe era entregue pelo garçom chamado por Araya.
- Nisso você está certo. – ela virou sua bebida de uma vez e bateu o copo sobre a mesa – E o que exatamente você quer aqui, senhor Stilinski?
- O que mais alguém como eu pode querer? – ele tamborilou os dedos sobre a mesa – Alguém para me servir, para me divertir, alguém que me obedeça e não coloque em risco meu casamento e a posição de meu pai junto ao governo.
- Resumindo, você quer o que todos querem.
- Eu quero o que todos querem.
- Vamos negociar então.
Araya mostrou as fotos de todos os lobisomens à venda. Stiles observou uma por uma. Mas nenhuma delas lhe pareceu como o lobisomem por quem ele tinha vindo de tão longe. O lobo que ele realmente precisava comprar.
Fazendo uma cara de desinteresse mais para esconder sua frustração, ele soltou um suspiro cansado. Não fazia ideia de como era a aparência do lobo em questão, afinal, a última foto que Deaton tinha dele era de pelo menos 12 anos atrás e ele parecia um adolescente magrelo e desengonçado.
- Vejo que não gostou do meu estoque. – Araya observou.
- Não é que não gostei. Você tem exemplares bem interessantes aqui. – Stiles apontou para uma foto de um casal de lobisomens, uma loira de cabelos levemente cacheados e um negro muito forte, cujas especificações de venda diziam claramente que eles só seriam vendidos em conjunto – Mas ainda não é o que eu queria.
Araya considerou o que ele tinha falado por alguns instantes. Até que se levantou da mesa de uma vez e Stiles congelou, temendo que ela tivesse percebido o que de fato ele iria fazer.
- Aiden! Ethan! – ela chamou e logo dois lobisomens idênticos se aproximaram da mulher – Acompanhem nosso convidado até o átrio. Senhor Stilinski, espere por mim. Nos encontraremos em instantes.
Ela saiu para falar com os outros convidados e Stiles seguiu para o fundo da casa noturna praticamente escoltado pelos dois lupinos.
Ninguém falou nada durante o caminho e mesmo que ele tentasse puxar assunto com os dois, nenhuma resposta era dada. Assim, ele ficou parado, de pé, no meio de uma sala escura, iluminada indiretamente por lustres presos às paredes que tinham o formato de archotes.
Ele não sabe quanto tempo ficou ali, apenas sentindo sua ansiedade correr por suas veias e logo começou a roer o canto das unhas.
- Se você não puder se controlar, nós não vamos poder ajudar. – um dos lobisomens sussurrou para ele e Stiles arregalou os olhos – Sim, nós sabemos o que veio fazer aqui e estamos do seu lado.
Aos poucos o rapaz conseguiu controlar sua respiração e abaixou a mão de volta para o bolso da jaqueta.
- Ótimo! Assim está melhor. O cheiro da sua ansiedade estava nos matando. – o outro lobo respondeu, mas antes que Stiles pudesse falar algo, os dois deixaram suas presas a mostra e ficaram um de cada lado, rosnando para o rapaz.
A porta do outro lado da sala se abriu e Araya entrou observando a cena.
- Quietos! – ela ordenou como se faz com um cachorro e os dois lobisomens pararam de rosnar – Bons garotos. O senhor Stilinski está aqui a procura de um item especial. Ele não é uma ameaça.
Ethan e Aiden se afastaram e assumiram a posição por trás de Araya, que andou para perto de Stiles e colocou a mão direita sobre o ombro do rapaz.
- Venha conhecer meu tesouro particular, senhor Stilinski.
Eles andaram por um corredor cheio de salas cujas portas tinham sido substituídas por grades. Atrás de cada uma, um lobisomem diferente podia ser visto.
- Aqui estão verdadeiros itens de colecionador. – ela explicou e apontava para cada criatura como quem exibe um animal no zoológico ou um quadro num museu – Kali é uma fêmea que luta melhor que todos os machos que já encontrei. Seus pés são verdadeiras armas mortais. Uma excelente guarda-costas se é disso que precisa.
Eles andaram mais um pouco, até pararem em frente a uma sala ampla e clara, que parecia com o quarto de um jovem como ele.
- Jackson aqui já foi um Kanima. – Stiles engoliu em seco, vendo o ex colega de escola preso atrás daquelas grades – Hoje ele é um lobisomem educado e bem ajustado, excelente para quem quer alguém para exibir para os amigos. E do outro lado temos Diana, uma jovem extremamente inteligente, devoradora de livros, entende todas as regras de xadrez. Ela é uma víbora, não um lobo. Consegue se transformar numa serpente de quatro metros quando não está com a coleira que a mantém domesticada. Em geral, indicaria ela para alguém mais velho.
Eles viraram à esquerda e Araya parou de frente para uma sala cuja grade era feita de acrílico e não de metal.
- Se quiser algo um pouco exótico, esta é Kira Yukimura. Ela também não é exatamente um lobisomem. É uma kitsune.
Stiles encarou a jovem oriental que parecia tão inofensiva quanto um bichinho fofo. Mas no momento em que ela soltou algumas faíscas de energia de suas mãos ele deu um passo atrás e pensou que ela era tão inofensiva quanto um pokemon: fofo e mortal.
- Talvez... – Araya falou mais para si mesma, batendo o indicador contra os lábios algumas vezes até que um sorriso lascivo tomou conta de seu rosto – Acho que sei o que você precisa, senhor Stilinski.
Ela guiou Stiles para o outro lado da sala e abriu a porta que dava para um quarto quase todo escuro. Quando acendeu a luz, Stiles quase esqueceu como respirar.
Preso a uma grade, com as mãos acima da cabeça, estava o ser mais bonito que ele já tinha colocado os olhos. A pela morena clara, os cabelos escuros e a barba cerrada em torno do queixo firme fizeram seu coração disparar.
O lobisomem, certamente atraído pelo som de seu coração martelando dentro do peito, ergueu o rosto e Stiles soube, de imediato, que era ele quem ele veio buscar. Aquele tom de verde mesclado com cinza, os cílios grossos, não tinha como duas pessoas no mundo terem aqueles mesmos olhos.
- Este é Miguel. – Araya informou – Nós o recuperamos de um bordel na capital, depois que ele cortou os genitais de um cliente com as garras. Está bem domesticado agora e tem vasta experiência em práticas sexuais.
- Acho que podemos negociar. – Stiles respondeu, tentando manter a voz sob controle.
A negociação demorou quase uma hora. O preço que Araya pediu era menos do que Stiles tinha em sua maleta, mas ele sabia que não podia simplesmente pagar o que ela havia estipulado e sair correndo com Miguel dali.
Ele ponderou, disse que as taxas de impostos que teria que pagar para entrar com o lobisomem novamente nos Estados Unidos eram caras e no fim das contas, o valor foi acertado em 88 mil dólares, deixando quase 30 mil ainda em poder do rapaz.
- Qual o símbolo da sua família, senhor Stilinski? – ela indagou, tirando da gaveta de seu escritório uma coleira de veludo igual a que seus funcionários usavam, mas sem as rosas bordadas.
- Um nó celta. – ele respondeu, mostrando o pingente que trazia pendurado ao peito e explicou – Minha família é de origem pagã.
Araya apenas concordou com a cabeça e com a ajuda de um artefato mágico que Stiles achou parecido com uma varinha, fez o símbolo aparecer na coleira. Ela andou até o lobisomem que ainda estava acorrentado e prendeu a coleira em seu pescoço.
O lupino uivou alto e seus olhos piscaram azuis, fazendo Araya dar um sorriso e se virar para Stiles:
- Outro atributo único de Miguel: seus olhos não são dourados, são azuis.
Ela soltou as correntes que o prendiam e disse a Stiles:
- Agora ele obedece a você.
Stiles pensou se não deveria aproveitar a oportunidade e ordenar que Miguel matasse a mulher ali mesmo. Mas isso chamaria muito a atenção, então apenas acenou com a cabeça para ela e ordenou ao lobisomem:
- Vamos. Quero chegar logo em casa.
O lupino rangeu os dentes, mas seguiu seu novo dono. Em instantes eles caminhavam pela rua escura em direção ao carro. Stiles destrancou a porta do passageiro e abriu para que o lobisomem entrasse, o que fez com o lupino franzisse ainda mais as sobrancelhas.
Assim que ele se acomodou no banco do passageiro, Stiles deu a volta no veículo e assumiu a direção.
- Coloque o cinto, por favor. – ele pediu, mas o lobisomem não obedeceu, parecendo apenas confuso com quase tudo o que Stiles falava – Miguel, coloque o cinto!
- É Derek. – ele disse, puxando o cinto de segurança – Não Miguel. Meu nome é Derek.
E Stiles finalmente suspirou, aliviado. Suas mãos tremiam quando ligou o carro e sentiu seu queixo bater enquanto saíam da cidade e pegavam a rodovia.
Derek Hale. Ele pensou no nome do lobisomem. Havia de fato encontrado a pessoa certa. Agora era sobreviver a quase um mês com aquele lobisomem até chegar a Beacon Hills e concluir a primeira parte de sua missão.
Notas finais
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