Delicadamente Intocável

15 Dizem Que o Amor Vence Tudo


Notas iniciais
N/A: Não me matem! Eu sei que iria revelar nesse capítulo, mas quando vi ele já estava muito comprido! E pelo menos eu revelei uma boa parte já! Mas o próximo começa com a conversa do Scorpius e da Rose. Espero que gostem e me deixem comentários enooormes! Beijos

POV Scorpius


Eu nunca imaginei que veria Luke Zabine, tão nervoso como ele estava ao chegar à casa dos Potter. Meu amigo era sempre quem me livrara das enrascadas que eu me metia, era quem me ajudava sempre que eu precisava e, acima de tudo, era quem sempre ficava ao meu lado. Nada mais correto que eu estar ao seu lado agora.

– Scorpius! – a cabeleira ruiva da mãe de Lylian me abraçou efusivamente – Que bom que veio!

Então ela se voltou para Luke, o moreno prendeu a respiração por uns segundos, mas foi abraçado da mesma maneira.

– Você deve ser o Luke! – ela sorriu, bondosa – Alvo nos contou sobre você! Bem vindos! Entrem!

Os Potter tinham uma casa relativamente pequena se comparada à mansão Malfoy, mas era aconchegante e tinha muito conforto. Eles viviam bem. Creio que só moravam ali por ser a casa dos pais de Harry Potter, mas já havia aumentado a casa.

– Olá! – Alvo apareceu na cozinha, sua mãe só o encarou e então passou por ele sem dizer mais nada e nos deixando sozinhos

– Ela está bem? – eu perguntei, estranhando a atitude, não pensei que seria recebido tão efusivamente por ela

– Ela geralmente é assim, mas está pior hoje! – Alvo deu de ombros – É que...você e a Lylian brigaram? – ele se dirigiu ao Luke

O moreno franziu as sobrancelhas e negou com a cabeça, na verdade nem eu sabia disso.

– Por quê? – ele perguntou, visivelmente preocupado

– Ela contou aos nossos pais, sozinha! – Alvo também estava preocupado – Bem, ela não falou sobre você! Em parte é por isso o comportamento da minha mãe! Ela está tendo um ataque eu acho!

– Onde a Lylian está? – Luke perguntou, mais preocupado ainda, além de confuso

Nesse instante Rose apareceu, ela estava toda enrolada em milhares de jaquetas por causa do frio. Os cabelos levemente presos e usava maquiagem. Linda. Eu sorri imediatamente, mas ela estava preocupada demais para fazer alguma coisa. Ela só balançou a cabeça em negativa.

– Segundo a Rose, ela continua trancada no quarto! – Alvo continuou falando – Ela só disse que estava grávida e que não contaria quem era o pai porque só estava atrapalhando a vida dele! Por isso perguntei se haviam brigado!

– Não! – Luke bagunçou os cabelos, ele ainda não havia cortado-os – Ela nunca me deixa terminar de falar!

– Então vocês brigaram? – Alvo foi cético

– Não, ainda! – Luke respirou profundamente – Onde é o quarto dela?

– Siga a escada, irá ver meu pai, minha mãe e o James parados em frente! – Alvo deu de ombros sorrindo – Eu sozinho não posso com você, mas receio que irá sofrer por ter engravidado minha irmã!

– Tudo bem, mas você cria meu filho! – e dizendo isso Luke começou a subir as escadas, correndo

– Acredite, ele tomou coragem! – eu sorri de lado, Alvo correspondeu e então subimos correndo as escadas até o segundo andar

– Senhor e senhora Potter, se me permitem! – Luke afastou os dois da porta e bateu nela de maneira estrondosa

Rose ao meu lado segurou o riso.

– Lylian Luna Potter, abra essa porta agora! – Luke gritou, bravo, era divertido vê-lo assim – Lylian!

A porta se abriu devagar. Todos ali ficaram surpresos, pelo jeito tentavam fazê-la abrir a porta há algum tempo já.

– Você ficou maluca? – Luke esbravejou – De onde tirou a besteira que você falou aos seus pais?

A ruiva tinha o rosto inchado e vermelho, chorara muito. Rose se adiantou para ela, mas eu segurei seu pulso. Percebi o que fiz no mesmo instante e a encarei a espera de uma reação. Mas ela não se contraiu e nem se afastou. Deslizei minha mão até segurar a dela, ela sorriu fraquinho.

Lylian pareceu diminuir ainda mais ouvindo Luke falar daquele jeito, acho que até ele percebeu porque abaixou o tom de voz.

– Por que disse aquilo? – ele perguntou mais baixo agora

– Erick veio falar comigo, disse que você não aceitou o convite para ser batedor reserva do time Irlandês! – ela deu de ombros

– E não aceitei mesmo! – ele foi convicto – Eu nunca quis ser um jogador de Quadribol! Quando propus que ficasse morando em Hogsmeade até você se formar, para que você pudesse sair todos os finais de semana, foi porque o que eu quero para a minha vida, eu posso fazer em casa!

Ele remexeu no bolso do casaco e retirou um pergaminho antigo, muito dobrado. Eu já vira aquilo milhares de vezes.

– Meu pai tem uma fábrica de vassouras, eu praticamente cresci lá dentro. Quando tinha cinco anos eu desenhei isso. – ele passou o papel a ela – Essa vassoura se chama Treze, simples assim. Por que é o número da sorte para alguns e do azar para outros. Ela só é uma boa vassoura para aqueles que...

– Que tem o peso e a coordenação certa para comandá-la! – James bateu de leve no ombro dele – Cara, você criou a Treze! Eu tenho uma!

Luke deu um leve sorriso. Depois voltou a encarar a ruiva.

– Eu quero projetar vassouras, mas quero ser empregado da fábrica e não entrar lá porque sou filho do dono! Por isso estudo tanto para os NIEM’s! Porque o QI que exigem para entrar lá é muito alto! – ele acariciou o rosto dela – Você não vai me atrapalhar de maneira nenhuma Ly! E eu quero nosso filho tanto quanto você!

A ruiva não esperou muito para abraçá-lo agora. As lágrimas percorrendo seu rosto, mas o sorriso estampado. Eu teria uma conversa com o Erick quando voltasse a Hogwarts.

– Já terminou? – James afastou os dois e sem mais nem menos socou o rosto de Luke

O moreno se desequilibrou e bateu contra a parede, o rosto inchando na hora.

– James! – Lylian tentou repreender, mas não agüentou segurar o riso

Mas o mais surpreendente aqui, foi o riso de Rose. Ela gargalhou alto, feliz. Seus olhos chegaram a lacrimejar. Todos nós fomos contagiados com o riso dela, mas porque era ela quem sorria e não por ser engraçada a cena.

***


POV Rose


As coisas começaram a ficar calmas depois disso. Luke teve que ficar com gelo no rosto por quase uma hora, porque o tio Harry não deixou que a tia Gina retirasse o inchaço e o hematoma com um feitiço. Disse que o moreno precisava sentir dor, depois do que fez com a Lyli. Mas acho que ninguém estava pensando que a Lylian também quis quando fez.

Ela teve sorte. Luke é um cara legal, decente. Ele está ao lado dela, para o que der e vier. Os dois formam um bonito casal, vendo do ângulo que vejo agora. Ele deitado no colo dela, Lylian colocando gelo em seu olho roxo. Ela rindo da cara dele, Luke fazendo bico. Eles eram fofos.

Procurei Alvo com os olhos para ver se ele estava notando o mesmo que eu, mas ele havia desaparecido da sala. Junto com Scorpius. Respirei um pouco mais rápido e comecei a andar pela casa, era pequena e eles deveriam estar em algum lugar qualquer. A neve caia constante do lado de fora, uma nevasca enorme se aproximava. Espero que Alyss chegue antes dela, Alvo estava ansioso por apresentar a namorada.

Parei na porta do escritório, vozes exaltadas e algumas confortadoras vinham lá de dentro. Pensei em passar achando que discutiam sobre a Lylian, mas a voz que ouvi a seguir, e o que ela falou,fez-me parar.

– Eu era uma criança tá legal? – Alvo estava exasperado – E eu a amava, ao meu modo, mas amava ela!

– Isso não explica o que você fez! – era meu pai, furioso, abri a porta um pouquinho e espiei – Você deveria ter nos contado desde o início!

– Eu fiquei com medo! Vocês apagaram a memória do Hugo e a Rose ficou daquele jeito! Eu tive medo! – Alvo se afastou alguns passos do meu pai, tia Gina abraçou o filho, protetora

– Al, nos conte o que fez! – meu tio Harry estava sentado à mesa, os dedos cruzados sobre ela

Scorpius estava sentado em um sofá no canto e ao lado dele minha mãe.

– Uns garotos de Hogwarts, estudavam com o Teddy, eles me abordaram, disseram que queriam brincar com o Teddy e pediram uma mecha de cabelo dele! Eu fugi aquela noite e entrei no carro com eles para a pizzaria, os garotos estavam seguindo o Teddy há um tempo já, então lhes entreguei o cabelo! Não fiquei lá para saber o que houve! Escondi-me no carro e voltei para cá! Não sabia que iriam machucá-la! Eu só tinha ciúmes do Teddy, só isso! A Rose o adorava e eu a queria para mim!

Alvo chorava agora. Tia Gina o abraçou mais forte, tio Harry o encarava penalizado.

– Isso muda as coisas! – meu pai bagunçou os próprios cabelos – Já sabemos que Teddy não fez nada! Pelo menos não ele!

– Mas temos de contar ao Scorpius! Tudo o que sabemos! Ele merece depois de tudo o que fez! – Alvo se adiantou

E nesse momento eu não agüentei mais ouvir, bati a porta com força e saí correndo porta afora. A neve chegou quase aos meus joelhos, mas eu não me importei e adentrei a floresta que ficava na parte de trás da propriedade. Não percebi que alguém vinha atrás de mim até cair uma meia hora depois, torcendo o tornozelo.

– Você se machucou? – Scorpius abaixou-se ao meu lado

Mas eu me afastei dele rastejando para trás. Ele suspirou pesadamente e sentou na neve.

– Você torceu o tornozelo, deixe-me ver! – ele buscava meus olhos, mas eles estavam embaçados de lágrimas e eu mal podia vê-lo

A neve começou a cair com mais força agora. A nevasca se aproximava rapidamente.

– Precisamos voltar, ou vamos morrer congelados aqui! – ele se aproximou um pouco

– Se eu não quiser voltar, você vai voltar sozinho. – eu dei de ombros

Ele parou, estático ao ouvir minha voz de novo, e então sorriu.

– Não. Se você não quiser voltar, vou ficar aqui com você. – seus olhos brilhavam na minha direção

– Não vai dar tempo de voltar! – eu senti meu corpo estremecer de frio – Há uma cabana logo mais a frente, nós brincávamos lá quando éramos crianças! Nunca mais fui lá desde que entrei para Hogwarts.

– Consegue andar? – ele perguntou se levantando e vindo até mim, eu neguei com a cabeça, ele se abaixou ao meu lado – Confie em mim! Passe seus braços em meu pescoço!

Eu fiz o que ele pediu e então ele me pegou no colo, andou na direção que indiquei por uns cinco minutos embaixo daquela neve que se adensava. A cabana surgiu logo à frente, entramos em um mar de poeira e ele me colocou no chão sobre um tapete meio empoeirado que havia ali e algumas almofadas.

O jogo de chá trouxa da Lylian e as minhas bonecas ainda estavam ali. Sorri perdida em lembranças. Scorpius fez um floreio com a varinha e nossas roupas secaram. Então sentou ao meu lado e segurou minha mão.

– Não sou muito bom com feitiços curativos, então não posso fazer nada pelo seu tornozelo! – ele se desculpou baixinho

– Eu estou bem! – sorri de forma fraca – Por que estavam conversando sobre aquilo?

– Eu descobri que o Al escondia alguma coisa! Então ele decidiu contar para todo mundo! – ele começou a brincar com meus dedos entrelaçados aos seus – Mas eu não o culparia! Ele era apenas uma criança e gosta muito de você! Ele vai estar super mal quando voltarmos!

Eu fiquei em silêncio por uns segundos. Queria conseguir colocar em palavras o que eu sentia. Contar a ele toda a verdade. Respirei profundamente.

– Eu não me importava com o que minha família pensava! Eu realmente achei que fosse o Teddy e passei a achar que todas as pessoas que eu amava poderia me magoar de alguma forma, machucar. Então, deixei de me importar com eles. Até você aparecer.

– Eu a fiz se importar? – Scorpius franziu o cenho

– Sim. Você me fez conviver com o Luke, com a Lylian e o Alvo, fez-me perceber que eu sentia saudades deles! E me fez comprar presentes e eu me imaginei entregando aos meus pais o que eu comprei. E eu passei a querer saber o que você sentia ou queria, só porque eu me sentia melhor quando você me fazia carinho!

– Você voltou a se importar com eles, por isso está melhor! Por isso sorri mais, fala e convive com eles! Por isso decidiu voltar para casa no Natal! – ele apertou minha mão, um sorriso nascendo em seus lábios

– Sim. E você me fez sentir isso e mudar! Eu não tenho mais medo, não tanto quanto antes! – eu sorri para ele

– Se não tem mais medo, prove! – ele estava sério agora, em seus olhos havia o medo, mas também a expectativa

– Como? – eu o fitei sem entender

– Me beija de novo? – ele pediu baixinho, parecia um menino pedindo o presente de Natal

Eu olhei o chão por uns segundos. O que fazer? Ou dizer? Merlin. Ninguém antes me pediu um beijo. Mas ele foi o único garoto que beijei e gostaria de beijar de novo.

– Ei, tudo bem! Você não precisa fazer isso! – ele disse de modo confortador

Era exatamente o que eu precisava ouvir. Levantei meu rosto e encontrei seu olhar. Ele estava sorrindo ainda, mas parou de sorrir quando me apoiei em seu peito e levantei meu rosto até encostar meus lábios nos seus.

O beijo foi lento e doce. Parecia nosso primeiro beijo. Mas a sensação que senti foi diferente da outra vez. Agora eu queria mais. Agora não havia mais medo. Deixei ele me abraçar com mais força, ajudei a aumentar o ritmo do beijo. Senti nossas respirações ofegantes, nossos corações baterem apressados, mas em sincronia.

Ele desviou seus lábios dos meus e passou a beijar minha bochecha e então meu pescoço. Beijos carinhosos. Eu sorri pela sensação que meu coração transmitia a meu corpo, mas o afastei brandamente pelos ombros. Ele parou, ofegante.

– Desculpe. – ele me encarou, apreensivo

Eu acabei rindo da reação dele. Ele era um amor. Meu amor.

– Eu quero te contar uma coisa antes! – segurei sua mão, ele a apertou levemente e acenou para que eu continuasse – Quero te contar tudo o que houve naquele dia!

Ele parou por um momento, quieto e pensativo e então se ajeitou no tapete deitando para trás. Um braço da cabeça e o outro ele usou para me puxar e me fazer deitar em seu peito, acariciando meus cabelos levemente.

– Ouvirei tudo o que quiser! – ele sussurrou e beijou meus cabelos

Eu respirei profundamente. Era chegada a hora da verdade.



Notas finais
N/A: Comentem! XD