Delibound

2 Capítulo 1 - “Não é nada pessoal”


Notas iniciais
Primeiro capítulo, o texto está finalizado mas irei continuar depois de desenhar mais alguns personagens, capa e as cenas de acontecimentos mais "interessantes", siiiim, minha história irá conter imagens no meio do capítulo (Incluindo esse) Espero que gostem

Uma porta se abre enquanto a forte luz do sol a acompanha iluminando uma pequena sala, é possível ver o chão simples de tábuas de madeira, uma mesa mais a direita e alguns sofás perto da parede, mas o que chama mais a atenção é uma grande e estranha cabine de vidro escuro com um monitor preto de tela esverdeada mais a frente.

– Oi? Alguém em casa? – Pergunta uma mulher com seus 37 anos de idade, cabelos e olhos castanhos claros. Ela veste uma jaqueta e luvas de couro preto enquanto segura um pacote embalado com um papel amarelo alaranjado.

É então que a moça percebe uma mensagem no monitor — “Sim, em que posso ajudar?” –.

–Ah! Bem, recebi uma indicação sua... – Ela olha para o pacote com uma expressão preocupada e levanta o rosto novamente – Você entrega encomendas, não é?

Mais uma vez aparece algo, mas ao invés de uma frase, é um curto e simples — “Sim” -

– Que bom... – A jovem faz um rosto aliviado enquanto suspira — Eu tenho um pacote muito especial para entregar até no máximo amanhã a noite... Não é muito longe da cidade, fica em Moscov, apenas algumas horas de carro. Eu não posso levar, tenho que cuidar da minha mãe, ela está...

Interrompendo a moça com um barulho de rangido, uma pequena portinhola se abre bem mais em baixo do monitor enquanto se forma a frase “Preciso avaliar a encomenda e determinar orçamento” – A mensagem some lentamente...
–E-Entendi... – A moça com medo se aproximar, coloca o pacote no espaço, onde a leve caixa desliza para dentro da cabine com um ar misterioso.

– Sei que “vocês” tem que ser cautelosos com as encomendas, mas essa não é nada demais, eu juro – A moça dá uma leve pausa para pensar nas palavras enquanto olha para os lados como se pensasse ver algo na leve escuridão — “o endereço e o remetente estão escritos na parte de cima da caixa, o pr..”.– o monitor acende com a frase “Taxa de entrega M$50,00 com Seguro de Envio em caso de danificação do produto, entrega em 8 horas no máximo”

– Apenas M$50?! Espera, você não me deixou terminar, é um pacote simples, mas tem uma pessoa que não quer que eu o envie, ele vai fazer qualquer coisa pra impedir com certeza! Ele é capaz de contratar alguém... – Mais uma vez o monitor acende, interrompendo a mulher:

“Mudança de preço: M$25,00. Pagamento apenas depois da entrega para sua maior comodidade”.

A moça olha com uma feição de “Hã!?” e decide continuar a discutir seu ponto – Acho que você não me ouviu, ele... – o monitor acende mais uma vez “Estou ciente dos riscos, e aceito a encomenda, você aceita o orçamento?”.

Ela, sem reação, dá um leve sorriso com um grande ar de alivio. Ela levemente se curva em direção da estranha cabine e diz enquanto olha para baixo – “O numero do meu celular está embaixo do pacote, se acontecer alguma coisa... QUALQUER COISA, não pense duas vezes em me ligar, tudo bem?”- Logo depois de dizer sua frase a jovem levanta sua cabeça e se surpreende ao ler a frase:

“Fui entregar uma encomenda.
Volto em 7h59m45s”

– Já... foi?... Mas a porta... será... bem... – Sem entender o que aconteceu, mas ainda sim com um forte ar de confiança ela se vira vai embora fechando a porta lentamente enquanto olha a contagem regressiva até que finalmente a porta se fecha.

Alguns minutos se passam quando vemos um rapaz de cabelos pretos e lisos esperando na estação de trem, ele usa um boné e sobretudo vermelho escuro em suas mãos há um pacote. O trem chega e ele calmamente entra, escolhe um lugar e senta esperando seu destino.

A viagem começa, o trem passa por varias paisagens lindas e coloridas, mas o garoto apenas fica apoiado na janela com um olhar distante, como se estivesse preso em pensamentos profundos quando é surpreendido:

–Hey!

O rapaz vira a cabeça como alguém que acabou de levar um susto, era apenas o segurança do trem segurando um pequeno e branco Tablet.

– Esse pacote que você está segurando, tenho permissão de verifica-lo? – Questiona o homem bem uniformizado com uma feição séria em seu rosto.

O garoto balança a cabeça de cima para baixo com um leve sorriso como se não tivesse nada a esconder. O segurança aponta seu Tablet para o pacote e depois de alguns segundos ouve-se um pequeno bip e uma pequena luz verde se acende no canto do aparelho, um leve segundo se passa e ele guarda seu aparato no bolso e conclui:

– Desculpe a intromissão, apenas querendo assegurar a segurança dos nossos passageiros, tenha uma boa viagem. – Diz enquanto balança seu grande bigode negro.

O jovem rapaz mais uma vez fecha seus olhos e dá um grande sorriso como quem dissesse “Sem problemas”.

Um tempo se passa e levemente cansado o garoto boceja vendo um lindo por do sol pela janela quando mais uma vez é incomodado:

–Hmmm – De um jeito como se quisesse falar algo, mas não sabe como o fazer.

O garoto olha e faz uma feição impressionada, diante dele há uma garota da mesma idade, olhos castanhos claros e um cabelo loiro escuro preso com um curto rabo de cavalo e levemente espetado. Ela acaricia levemente sua nuca como se estivesse em jeito para dizer algo e de um jeito firme e determinado se explica:

–Olha... Não é nada pessoal...

Com uma cara de desespero de olhos esbugalhados e dentes a mostra, o garoto como se levasse um susto se apoia e pula pela janela do trem enquanto como um vulto voa para cima.

A garota também leva um susto – “MEU DEUS! Tá loco!?” – e pula atrás dele deixando uma vinha presa na beirada da janela, dando um pulo para fora e aproveitando o impulso pelo movimento do trem para que ela consiga subir sobre ele. Em um rápido olhar ela repara no garoto planando com grandes penas negras embaixo de seu braço e pousando de maneira rápida, mas ainda sim, calmamente. Ao aterrissar suas grandes penas se dividem em penas menores que voam para traz à medida que o trem continua seu caminho.

O rapaz tenta manter o equilíbrio se agachando e colocando uma mão no chão enquanto segura o pacote com o outro braço.

– Não precisa ser assim! Só me dá o pacote e volta pra casa! – Argumenta a menina com uma feição brava, mas ainda assim não tão intimidadora.

Tirando a mão do chão o menino abraça o pacote com força enquanto mostra a língua. A jovem com uma certa raiva em seu rosto avança enquanto uma vinha com espinhos sai debaixo de sua manga, ao chegar perto ela tenta acertar o garoto com seu cipó mas ele desvia rapidamente se inclinando para trás. Durante o desvio, com uma leve explosão de penas pequenas, seu braço se transforma em uma pata que se assemelha a de uma galinha, ele agarra a perna da garota e dá um curto giro com ela, arremessando-a para fora do trem.

No ar a menina percebe que estão perto de um penhasco, ela joga outra vinha em direção ao rapaz, prendendo seu braço e o puxando com força. A moça cai no chão macio cheio de grama antes do garoto, os dois rolam e capotam com força enquanto o pacote é brutalmente arremessado em direção ao penhasco.

Parecendo aproveitar o impulso dos capotes o garoto se joga em direção a sua encomendam se deslizando no chão até chegar à beirada, mas é tarde demais, o pacote já caiu. Tudo que ele pode ver são pedras e ondas fortes se quebrando contra as paredes rochosas do penhasco.

Ele olha para baixo com expressão triste como estivesse prestes a chorar enquanto a moça joga uma vinha no trem em movimento. Ela vira seu olhar e diz – “É coisa do trabalho, acontece...” – e é puxada. O trem se afasta até que some no horizonte junto com o sol que está se pondo enquanto o menino fica lá, imóvel, apenas olhando para baixo ajoelhado sem nenhuma reação.

Horas se passam e começa a chover, vemos uma cidade sendo banhada pela luz pura e branca da lua alta no céu, parece um lugar simples com casas pequenas e humildes, mas o que se destaca é mais ao centro dela, uma mansão relativamente grande e branca cercada por muros altos guardados por seguranças e portões dourados.

Dentro da mansão um homem fala ao telefone:

–Não acho que vai chegar alguma coisa, parece que deu tudo certo, já está quase na hora dela ir dormir. Sim, sim, incrível né!? Haha. Claro! Podemos conversar amanhã, te mando o gráfico depois, tá, até mais.

–---------Enquanto o pai desliga o telefone uma garotinha brinca em seu quarto com a porta fechada no andar de cima, com aproximadamente quatro anos e cabelos pretos a menina pega duas bonecas e começa a imitar vozes diferentes como se estivesse interpretando diálogos.

Mas o que ela não percebe é que na janela fechada mais ao fundo do quarto, no lado de fora, há um grande corvo negro com quatro olhos avermelhados que brilham fortemente no escuro apoiando suas duas grandes patas sujas no vidro. Um forte raio cai e se escuta um trovão forte, o monstro, molhado pela chuva, recua uma de suas patas. --------

*Nock Nock*, a menina escuta as duas batidas no vidro vindo e se vira.

– Mã... Mamãe! Presente tá mamãe! – A Menina vê o garoto de cabelos pretos todo encharcado segurando o pacote e corre em direção à janela e a abre – Me dá moço! Me dá! – e a pequena menina toma o pacote das mãos dele e senta com força no chão enquanto destrói a embalagem.

A garotinha apoia sua barriga na beirada do pacote enquanto quase cai dentro tentando pegar o que está no fundo, ela puxa para fora um ursinho de pelúcia, ela o abraça e sai muita água dele.

– Você tomo banho! Tá cherooooso! – Ela olha para traz – Moço...! – Mas não há mais ninguém na janela.

A porta do quarto começa a se abrir. É o homem que estava no telefone.

–Querida, tá na hora de dor- O que é isso!?

A menina ergue o bichinho em direção ao pai dizendo –A mamãe deu! A mamãe deu! Tibeeeers GRRRR-

O homem mostra os dentes com uma expressão de ódio e angustia enquanto rapidamente e com muita força bruta fecha a porta.

“-Aaah, agora entendi... não... pera... ACHEI! Jhonson Betterhold, pai de Elisa Betterhold e ex-marido de Julieth Betterhold, quem diria, mais uma vez essa família fazendo besteiras!

–O que aconteceu aqui?

–AAARGH! A quanto tempo você tá aqui?!

–Faz um tempinho... Agora você me deixou curiosa, o que aconteceu aí?

–O que os Betterhold sabem fazer de melhor... Muita, mas muita merda, haha. Ele traiu a esposa e foi descoberto, mas pra ela não dar entrada em um divorcio e ter toda sua fortuna dividida ele decidiu ameaça-la de morte se chegasse perto da família ou dessa continuidade na separação... maaas isso não impediu ela de prometer um brinquedo de aniversario para a filha.

– Dessa vez foi algo meio simples...

– Pena que você não viu, acabou de acontecer a entrega mais nonsense que eu já vi!

– Fala...

– Bem, hoje era o aniversario da filha deles, e pra entregar o presente ela contratou um entregador, e o mais engraçado, o pai contratou uma interceptadora...

– Tá, e dai?

– Eles não tem respeito próprio!? Quem aceitaria uma coisa tão idiota por um preço tão baixo? Não dá nem pra pagar nossa comida!

– Falando em comida, lembrei o que eu ia te falar, jantar já tá pronto, vem!

– Pera, pera! PEEERA! PARA! Deixa eu terminar esse registro pra depois editar!

–GigaByte-”

Depois de uma entrega cansativa o garoto abre a porta de sua pequena casinha e é surpreendido.

–AAAAAAAAAAAAALEX! -

Alguém se joga em cima dele, o derrubando no chão enquanto é chacoalhado, é a menina loira do trem de mais cedo!

– Acabei de receber a ligação do cara que me contratou! Sabe a bronca que eu levei!? Eu não ganhei NADA! NA-DA! Você é o pior namorado do mundo! Com que dinheiro vou colocar na poupança!? Como vou no nosso encontro nesse fim de semana!? Meu deus, o nosso encontro! VOCÊ VAI PAGAR MEU INGRESSO! EU QUERO VER AQUELE SHOOOOOW! O SHOOOOOOOOOOOOW! -

No meio da berraria a porta se abre novamente, é a moça que tinha contratado o serviço de Alex.

– Senhor entregador? – Ela entra usando um casaco de pele preto, uma calça jeans e uma bota simples, mas que o mais chama atenção é a maleta que ela segura em uma das mãos enquanto os dois olham surpreendidos com uma expressão com olhos esbugalhados e envergonhados de “Momento errado, hora errada”.

– Estava lá fora esperando você chegar, recebi a ligação do meu marido me ameaçando, você conseguiu entregar, estou tão feliz! – Colocando a mão no rosto e fechando os olhos com um leve sorriso.

– Ameaçando? Isso é perigoso moça! Você tem que ligar pra policia. – Responde a menina

– Policia? Nãaao. Ele faz isso toda hora, só estou esperando meu pessoal roubar o dinheiro da conta dele, e depois disso, contratar alguém pra matar. Hohoho...

Os dois sentem um arrepio gigantesco e a menina fala para Alex bem baixinho.

–Alex! Essa mulher é doida... eu to com meeedo!

– Você me ajudou muito, eu agradeço de coração, minha mãe estava muito doente e consegui passar meus últimos momentos com ela. Só não achei justo o valor que você me disse, então trouxe isso – A moça anda até a mesinha ao lado e coloca sua maleta sobre ela e a abre.

Ela se curva levemente e agradece saindo pela porta – Muito obrigada mesmo, espero que essa quantia lhe deixe feliz, agora, se me derem licença, tenho algumas coisas para fazer – e sai fechando a porta calmamente com uma expressão sarcástica e cruel.

–MEU DEEEEEEEEEEEEEEUS! – A menina grita com um grande sorriso no rosto – Olha quanto dinheiro!! Ti-Ti-TIPO! CARAMBA! – Ela começa a falar super rápido em um tom meio baixo- Notas de 100, blocos com 10 centímetros, espessura do dinheiro é... no total são... blocos –Ela termina de falar baixo — MEEEU DEUS! É 5 VEZES MAIS DO QUE EU TAVA GANHANDO!

Alex se aproxima, alguns blocos de dinheiro com um bondoso e caloroso sorriso e dá para a menina.

Ela olha com uma cara de choro e felicidade e o abraça de uma forma bruta.

– BRIGADAAAAAAAA! O SHOWWWW! MINHA POUPANÇA! BRIGADAAAAAAAAAA!...

*CrumCRUM* (Limpa Garganta)

A menina e Alex olham para um canto da sala, que estava dominado pela escuridão quando um abajur é aceso por um homem que está sentado em uma poltrona, ele tem cabelo azul claro, olhos cinza e uniforme da policia.

– Mikaelly, Alexander, preciso da ajuda de vocês.

–Ovan!?

Fim do Capítulo 1

Personagens do Capítulo 1

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.