Acordei ao ouvir os sons da madrugada.
Ouvi carros a correr, bem como ouvi as brigas e murmúrios
Dos bêbados e dos amantes
Queria escrever,
Mas sobre o quê?
Não sobre os homens e sua degradação;
Nem sobre os inebriados e suas bebidas;
Nem sobre as rameiras e suas paixões.
Não! Exauri-me por completo disto.
Não irei murmurar,
nem ei de praguejar
sobre as coisas deste mundo.
Pois tão somente o mundo não é dos homens,
O mundo é de Deus
Irei louvar cada momento,
cada simples gesto:
O vento que balança os meus cabelos;
O canto dos pássaros que os meus ouvidos escutam;
O sol que aquece meu dia e a lua que ilumina a escuridão;
As flores e seus cheiros, bem como os frutos e seus sabores.
Não irei perseguir os prazeres,
Apenas e de aproveitar
A simples e bela condição de existência,
Existência que foi presenteada.
E assim deleitar-me-ei nos braços da vida,
Da maneira mais profunda e singela
que o mundo dos homens
Jamais poderia conceber.
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