Delírio De Morte

1 Capítulo Único


Are? O que está acontecendo? Meu corpo está rodeado de água. Não consigo abrir meus olhos, nem ao menos me mover. Minha cabeça lateja, que dor estranha. Eu estou caindo? Para onde? Que frio estou sentindo. Por que só sinto água em minha volta?

Minha mente começa a criar imagens, ou são reais? Não sei ao certo agora. Os olhos de um bebê me fitam , logo após vejo alguém carregando-o e cantando. Oh, tão bela a canção de ninar, a voz suave de uma mãe. O bebê parecia ter dormido, que linda criança inocente. Ele abriu os olhos novamente com o rosto triste olhando para mim disse: “Eu não poderei nascer”. Um aperto causou em mim, a mulher que carregava o bebê... Era eu? Em um segundo tudo mudou, me vi criança, a família reunida para o natal. Como era mágico abrir os presentes, brincar, ver as luzes e ouvir música natalina por onde quer que fosse. Ah, bons tempos quando eu esperava o papai noel, ansiosa para abrir meu presente, mais ainda para vê-lo. Eu e meu irmão adorávamos ver filmes natalinos, eu chorava, ria e achava tudo uma enorme magia. Lembro da comida que minha mãe fazia, passava horas na cozinha, porém o resultado era perfeito na ceia de natal. Momentos felizes.

Oh, doce lembranças passando rapidamente, não passem, quero revê-las. Porém, o que vi já não era doce, meus pais se separando. Tire-as de mim. Estou sufocando, não, não era mais pelas memórias, meu corpo cai mais submerso a água e não há como respirar, penso se respirei em algum momento desde que isso começou. Estou morrendo, então isso é o tão chamado delírio de morte? Estou com tanto medo. Meu coração dispara, parece até que pularia de minha boca. Ainda estou aqui? Imagens voltam a se formar em minha mente, e uma sensação estranha apoderou de mim, era como na primeira vez que fui a um parque de diversões, deveria estar feliz. Já não sentia medo da morte, que antes achava estar tão longe, mas agora meu corpo já não aguentaria. Ser uma das melhores em natação em minha categoria quando fazia, já não servia para nada. A dor de cabeça continua. Se é para morrer, não deixe-me sofrer assim.

Meus amigos, agora os via, momentos engraçados, felizes e até tristes. Desde os da pré-escola, quando aprontávamos juntos sem preocupações até os de agora com saídas antes impossíveis e os micos que eles pagavam bêbados. O que me lembra nunca ter ficado bêbada. Mas isso era lucro, enquanto os outros falam que ao menos uma vez deveria ficar para “experimentar a sensação”. Dispenso isso, já aprendi com as burradas as quais presenciava sem saber se ria ou sentia vergonha. Os momentos que vieram a seguir eram de extrema dor. Não direi essa parte de minha vida escondida entre sorrisos e brincadeiras. Outras vezes escondida em minha frieza. A dor é tanta que mal suporto pensar e me faz achar que o momento de minha morte é o mais feliz.

Meu corpo já não aguenta, eu ainda estou viva. Vi a imagem de alguém que amava. Ah, meu amor, o qual nunca pude tocar. O via claramente e ouvia cantando a música a qual eu adorava ouvir dele. Ela parecia cair bem agora, estava perdida no espaço. Em meu leito de morte a canção ficava mais suave. Desculpe, meu amor, não cumpri o que prometi. As imagens dissiparam-se a dor havia sumido, apenas via a escuridão. Não sinto mais meu corpo. Tudo sumiu, eu finalmente morri.

Notas finais
Espero que gostem =)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!