– Emy – ele sussurra ofegante. A voz dele instantaneamente me acalma. Paro de suar frio, meu coração desacelera o desespero se vai. É como se ele tivesse me segurado antes de cair em um abismo. Exatamente com daquela vez.

Quebro o contato visual e tento me levantar mais ele me segura no lugar e depois me puxa pra mais perto, o meu coração volta a bater descontroladamente, agora por outro motivo. Meu rosto fica lado a lado com o dele, sua respiração ofegante na minha bochecha e a minha respiração falha na dele.

– Ben... – peço sem saber exatamente o que estou pedindo. Que me solte ou que me... abrace.

Meu deus o que deu em mim!

– Emy... eu... – ele e interrompido por braços me tirando de cima dele.

– vocês estão bem? Vocês caíram e de repente ficaram imóveis pensei que alguém tivesse batido a cabeça e desmaido. – o treinador fala preocupado.

– Benneth... meu deus você está bem? – Derik pergunta ao notar que ele está em alguma espécie de transe.

– estou. Só um pouco tonto.

Quando já esta de pé o observo avaliando pra me certificar de que não se machucou. Agora sou eu que respiro aliviada ao lhe ver bem, mas disfarço minha reação.

– quem ganhou? – ele pergunta. Eu nem me lembrava do jogo, havia perdido a noção de tudo depois daquela queda.

– Benneth ganhou por um ponto. – responde Derik animado. Sua animação contagiou o resto do time que agora grita e pula ao redor de Benneth enquanto fazem gestos obsenos pra mim. Não respondo e nem me exalto apenas pego minhas coisas e vou em direção a saída.

– ei nerd anã. – a voz de Ben interrompe meus passos. Me viro e encaro aquele sorriso arrogante. Ele voltou ao modo Benneth de sempre, bem ao estilo babaca.

– que foi? – pergunto indiferente.

– acho que você tem uma aposta a pagar.

Maldita aposta. Eu e meu orgulho tamanho baleia.

Me lamurio um pouco antes de pergunta resmungando.

– qual é minha tortura? Desembucha!

Ele morde o lábio inferior reprimindo uma risada como se o que ele fosse dizer fosse a coisa mais engraçada do mundo. Ih ferrou.

– você vai ao baile a fantasia da escola – ele finalmente fala – vestida de bruxa. – completa com um sorriso triunfante.

Os garotos do time começam a rir.

O que? Baile? Festa de hallowen da escola? FESTA DA ESCOLA?

– NEM PENSAR! – grito indignada. Os garotos param de rir não entendendo o por que da minha exaltação. Ben também parece surpreso.

– ei calma Emy. É só uma festa. Ou você ta amarelando? Não cumpre com sua palavra? Cadê sua honra Miller? – ele provoca.

Ai ele pegou pesado. Meu ponto fraco é a honra. E ele sabe disso.

A única coisa que meu pai me ensinou que valorizo é que sempre, sempre devo cumprir com minha palavra isso era questão de honra.

Suspiro vagarosamente.

– ok eu vou cumprir. – falo ajeitando a alça da mochila em meu ombro e me virando pra saída.

Espero Rodolfo no banco da área verde logo depois de ligar para ele. Em poucos minutos ele já está estacionando ao meu lado. Entro agradecida pela sua eficiência. – e então Emy. Como foi o colégio? – Rodolfo me pergunta enquanto estamos indo para casa

– tirando o momento que tirei meus pés de lá, péssimo.

Ele ri alto.

– exatamente com antigamente. – ele fala e automaticamente um lampejo de culpa atravessa sua expressão gentil.

– nada vai ser como antigamente Rolf, meu caro. – falo brincando, porem, com um sorriso triste. Apesar de fazer tempo que aceitei ainda é difícil lembrar que nada será com antigamente, principalmente eu. Doí admitir, mas a vida é assim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.