Deixe-me Te Amar
8 Vírgulas
Notas iniciais
— Você viu isso?! — Connor comentou eufórico com Marc.
A família do Marc era composta por empresários altamente qualificados em suas determinadas áreas e uma mansão era o suficiente para a sua mãe, sua irmã mais velha, seu pai, os empregados e o próprio Marc.
— O que cara? — ele respondeu sem entender.
Os dois jovens estavam no quarto do anfitrião. Liam Connor estava sentado numa poltrona segurando um copo com água gelada e o dono do aposento estava esparramado sobre a cama e com a cabeça apoiada sobre seus braços.
— A cara da Jasmine James. — explicou entre os dentes. — Aquela loirinha que esbarrou em você era ela. — prosseguiu rindo.
— Sério, cara?! E agora? Será que ela viu as fotos? — Marc apresentou-se preocupado com a situação.
— Cara, para de me chamar de cara! O plano era fazer com que ela visse as fotos e ela as viu.
Liam explicava ao seu amigo sobre o acontecimento recente muito animado e uma risada maléfica aparentada sair de sua boca em cada última palavra de alguma frase.
***
Ela bateu, para não dizer que socou, três vezes no vidro do carro de seu tio. Ele, por sua vez, assustou-se, pois fazia algo que não devia: escrevia uma mensagem para sua amante.
— O quê? — disse ele sobressaltado levando uma das suas mãos ao coração.
— Saia do carro! — sua voz, para ele, saiu abafada, afinal, as janelas estavam fechadas. — Vou ter que repetir? Saia do carro!
— O-o-o que você quer? — gaguejou fechando a porta.
— O que eu quero? Você me mete nessa e ainda pergunta o que eu quero? — ela começava a perder o controle da situação. — Olha aqui o que eu quero.
Assim que aquelas fotografias foram ao chão quando esbarrou em Marc e seus olhos atentaram para as imagens, percebeu que o jogo não era de brincadeira. Pegou uma folha disfarçadamente e sabia com exatidão naquele momento a quem iria reclamar ou pedir ajuda. Contudo, seu ego não permitiria muita coisa.
— É uma foto sua. — afirmou ele analisando a situação. — Não estou entendendo.
— Simples: serei a próxima vítima. — sua ironia começava a transparecer.
— E que cabelo alourado é esse? O que você andou fazendo com essa roupa? Seus pais sabem disso? — Jorgen tentava disfarçar e mudar de contexto
— Não tente mudar de assunto, seu sacana. E agora, o que vou fazer... Estou totalmente desprotegida!
— Lembra-se do Palmer?! Pois é, vá até a delegacia e peça proteção. Simples.
Quando senhorita James abordou seu queridíssimo tio, ainda estava com seu carro estacionado em frente ao pátio da escola. Não pensou duas vezes antes de abordá-lo descaradamente e sem cerimônias.
A adorável menina revirou os olhos ao perceber que Jorgen Romeno possuía uma porcentagem, mesmo que pequena, de razão. Despediu-se com um tapinha no ombro e deu-lhe as cosas, indo à delegacia indicada anteriormente. Seria a primeira vez que veria Palmer pessoalmente.
Eram 19 horas e 39 minutos.
Precisaria de quase 45 minutos para chegar ao destino querido por causa da mudança do trânsito. Em pleno dia de semana a prefeitura decidira fazer reformas na estrada, criando um desvio maior que o caminho já existente. Era o terceiro motorista de táxi que via em menos de duas horas e meia e não aguentava mais a necessidade que todos tinham de puxar assunto desnecessariamente.
Socorro! Preciso da sua ajuda urgente. Estou no shopping.
Leu a mensagem enquanto estava no banco traseiro do automóvel e não precisou olhar o remetente para descobrir que era Melissa. Pediu ao taxista que mudasse o caminho e argumentou dizendo que pagaria o dobro se o fizesse. Guardou sua peruca loura e arrumou seu cabelo natural no reflexo do espelho retrovisor. Conferiu se não usava nada mais da sua personagem e bocejou.
***
— Nossa, amiga! Como você demorou. — Melissa reclamou batendo o pé no chão enquanto mantinha seus braços cruzados. Esperava por sua amiga na porta do shopping e não esperava que ela realmente viesse.
— Não sou sua amiga e o que você quer? Espera, o que você está fazendo aqui? — Perguntou tentando entender como sua conhecida chegara a sua nova cidade.
— Seu irmão me trouxe. Viemos com uns amigos bonitões dele já que você está com o carro.
— Isso responde quase tudo. Ele não contou onde moro, contou? E o que você quer?
— Preciso de um vestido e da sua opinião.
Entraram, olharam algumas vitrines até que Melissa encontrou um vestido a sua altura, como comentou ao vê-lo.
Foi tudo muito rápido e Minne não precisou zangar-se ou reclamar pela demora. Sua quase amiga pediu que a acompanhasse até o estacionamento alegando que Fred já estaria lá a sua espera. Concordou prontamente pensando na carona que poderia pedir ao seu irmão, mesmo ele estando com um carro emprestado. Era a primeira vez que a jovenzinha drogada saia da sua cidade natal e aventurava-se em outra e estava achando tudo muito divertido devido à presença do irmão formoso. Havia um amor platônico entre os dois e fora adjetivado desta forma, pois a cupido responsável pela junção do casal não dava a mínima para isso.
— Olha ele ali! — disse ela já correndo ao seu encontro e deixando James para trás. Ela, por sua vez, caminhara calmamente para que pudesse evitar os olhares apaixonados dos afetuosos.
A luz do estacionamento piscou duas vezes antes de apagar durante dez segundos. Quando a iluminação retornou, Jasmine viu-se cara a cara a um homem conhecido: um dos suspeitos que pela sua memória, digamos que fotográfica, era o Lucas até então sem sobrenome. Tentou gritar, mas acabou impedida por um forte empurrão, levando seu corpo contra uma pilastra chapiscada.
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