Deixe-me Te Amar
2 Nostalgia
Notas iniciais
Boa leitura!!
— Um bilhete? — sussurrou sentada no chão da sala.
Cara James,
Agradeço-lhe pelo serviço, ele foi muito útil. E peço desculpas por importuná-la e usá-la durante esses dois meses. Espero que Pavlov tenha sido gentil todos esses dias.
Está aqui o seu pagamento no exato valor pedido.
Com carinho,
Thilmott.
Ela sabia que essa seria a última vez que Thilmott entraria em contato e estava feliz com isso. Nunca gostara de muita proximidade com seus clientes e assim seria melhor. E Pavlov? Bom, ele era secretário pessoal de Thilmott e se seu chefe parasse o contato com James, automaticamente Pavlov também pararia.
Flashback in:
— Oi… Bom dia! Me chamo Thilmott Fanror e sou dono da multimarca Fanror Cosméticos... E tenho um serviço para você. Pago 37.000 libras. Assim que ouvir esse recado retorne a ligação, por favor. Obrigado.
Hmm. Pode ser divertido – pensei ao ouvir o recado, assim que cheguei em casa, deixado na secretária. Troquei de roupa, peguei a mochila com meu notebook e alguns documentos e caminhei até a garagem para pegar o Porsche Cayenne preto.
Parei o carro em frente à empresa, desci e olhei o prédio. As paredes cobertas por placas refletoras em tom de verde acinzentado davam mais luxuosidade. O edifício possuía cerca de vinte andares e um jardim no térreo bem cuidado. Era muito bonito e organizado.
— Olá, senhorita! Posso te ajudar em alguma coisa? — abordou-me o recepcionista quando percebeu que eu olhava a placa com as descrições dos andares e das salas existente.
— Preciso falar com o Thilmott Fanror. – respondi-lhe olhando o papel no qual eu havia escrito seu nome. — Qual o andar da sala dele?
— Décimo nono. — respondeu-me.
— Obrigada. — falei a ele entrando no elevador e em seguida pressionando o número 19.
***
— Acho que você aceitou minha proposta. — ele disse com o braço esticado para um aperto de mãos assim que a porta do elevador abriu.
Encarei-o atônita, pois não esperava por essa tão breve recepção.
— Thilmott, suponho. — disse-lhe apertando sua mão.
Ele apenas sorria cordialmente enquanto me levava para sua sala no final do longo corredor, alegando que seria mais seguro e discreto. Passávamos por várias salas separadas por paredes de vidro e a iluminação era feita ora por lustres ora por lâmpadas retangulares fluorescentes. Poucas pessoas estavam trabalhando e a maioria das mesas estava vazia.
— Senhor Fanror, estou saindo para o almoço. Quer que eu te traga alguma coisa da lanchonete? — perguntou um homem de cabelos cacheados e morenos.
— Não, Elliot Seinon. Obrigado!
Elliot Seinon demonstrava-se simpático, mas queria esconder algo por trás daqueles óculos de grau com armação intelectiva. Estava muito bem vestido com sapatos sociais pretos, suéter verde escuro combinando com a cor de seus olhos e calça jeans skinny de lavagem escura.
Estranho — pensei vendo-o caminhar com as mãos nos bolsos até o elevador que eu estava agora pouco.
— Por favor, entre e sente-se.
A cadeira dos visitantes em frente à sua mesa era forrada em couro bege. Pus minha mochila ao lado e afundei-me de forma indiferente. Era macia e confortável. Observei calmamente a sala e encontrei dois quadros históricos.
Thilmott Fanror era jovem e beirava os 40 anos, mas seu corpo não era de alguém saudável e que praticava esportes regularmente. Com quase certeza pesava 110 quilos no mínimo e para sua baixa estatura ele estava obeso. Tinha uma pisada torta e isso permitia que mancasse na sua caminhada.
— Também fiz faculdade de história. — Thilmott comentou entre os goles de chá gelado de amora. — Fiz antes de entrar para esse ramo empresarial da família. — completou com ar saudosista.
— Não querendo ser grosseira, podemos ir direto ao assunto? Enfim, para que me chamou até aqui? — eu brincava com o porta canetas em sua mesa.
— Bom, serei direto quanto a isso. Sabe o Elliot? Então desconfio com total solidez que ele está roubando alguns milhões da minha empresa e que está passando algumas informações importantíssimas para a concorrência... — Fanror falou entre os dentes e com o punho fechado sobre a mesa. — Ele é um sínico descarado. — e socou a mesa, batendo bem em cima de uma fina pilha de papel. — Estou doido para ferrar com a vida comercial dele. Aquele infantil metidinho a inteligente sem escrúpulos. E o pior de tudo: ele é um ótimo funcionário, tirando essa parte maldosa e egoísta.
Eu conseguia perceber a decepção em seus olhos, afinal, fora ele quem o colocara dentro da corporação. Ele estava quase se descontrolando quando levantou de sua cadeira e foi à janela da sala para olhar a paisagem.
— Senhor Seinon ainda bloqueou a conta bancária e quase todo o sistema da empresa. Tudo isso fica mais fácil e a mercê dele, porque sua função aqui é ser gerente de segurança on-line. Elliot pensa que eu não sei que ele sabe disso tudo... Ele acha que sou bobo. Preciso que você entre no sistema da Fenror Cosméticos para restaurar alguns dados e depois no computador pessoal dele para pegar as provas necessárias.
— Certo, mas não quero 37.000... Quero 153.000 libras.
— Tudo bem. Acordo fechado. — ele disse por fim.
Flashback out
Seu apartamento recentemente comprado não possuía todas as mobilhas adequadas para uma moradia confortável. Continha em seu interior apenas um sofá velho de três lugares deixado pela sua antiga moradora. James em nenhuma das vezes ali presente ousara sentar naquele sofá que incluía pelos louros de gatos, rasgos e cheiro de mofo.
— Que droga! — e socou a pia de mármore. Senhorita James lamentou ao olhar a geladeira e os armários vazios. Sabia ela: teria que sair para ir ao supermercado mais próximo.
Notas finais
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