Deixe ir

14 Sempre foi você


Notas iniciais
o/ o/ o/ e eu chegueeeeeeeei sentiram saudades?????? Pq eu senti muuuita u.u já tava desesperada aki meu zeus, tres semanaaaaas mil desculpas e serio gente n vou dizer que foi falta de tempo pq n foi. Mas sim, falta de criatividade pra escrever esse cap. uma tortura! Eu fiquei muito triste por ter demorado tanto e reescrevi ele milhares de vezes ate sair algo q prestasse hahaha aproveitem! xero P.S: cap. grandão notaram? notaram? para compensar u.u

Lembro de ter percebido uma estranha sensação de felicidade nas pessoas que passavam por nós enquanto íamos de encontro à Anfitria. Lembro porque, assim que saio da estalagem acompanhada por Jack, tenho a mesma percepção. Os aldeões preenchem as ruas, andando apressados, mas alegres. As casas e as lojas estão decoradas com enfeites coloridos e brilhantes. Há também um pequeno grupo de músicos amadores ensaiando canções festivas na calçada. O ambiente está alegre, em clima de comemoração.

–Qual o motivo disso tudo? –pergunto, intrigada, olhando para Jack.

Ele dá de ombros, sem saber a resposta.

–Talvez isso? –ele puxa um jornal de um garoto que passa por nós.

–Ei! –o menino protesta, mas Jack o ignora.

Reprovando sua atitude, mas curiosa para saber a manchete da manhã, me aproximo para ler: “Noivado do príncipe Tristan é anunciado.”. E embaixo, em letras menores: “O rei declara feriado nacional e promete grande comemoração amanhã à noite.

–Mais uma festa... –comento, enquanto Jack devolve o jornal ao garoto. Ele nos lança um olhar malcriado, mas aceita o jornal e continua seu caminho.

–Se ele declarou feriado apenas com o noivado... o que será que ele vai inventar no dia do casamento? –Jack indaga, irônico.

–Tiberius sempre foi um monarca mais famoso por causa de seus bailes do que sua política de fato. –digo, me lembrando do que todos diziam.

E é verdade. Sorayan é conhecida como um reino onde tudo, definitivamente tudo, pode acontecer nas inúmeras e extravagantes festas que o rei Tiberius dá por qualquer desculpa. E se você não tiver status para ir à uma festa dele, bem... os aldeões fazem sua própria festa no meio da rua. É uma tradição: se o rei comemora, eles comemoram. E não é só por adorarem o rei, pelo menos eu acho, e sim porque aqui é tudo simplesmente “liberal” demais. O dia no reino pode até ser tranquilo em época de comemoração, mas à noite... nem queiram saber. Eu só estive aqui algumas vezes acompanhada por meus pais, ainda era uma criança e nunca, é claro, participei dessas festas, mas os boatos são frequentes.

–Acho que é melhor irmos, Elsa. –Jack diz- O centro de Sorayan é longe daqui, você deve saber.

Assinto com a cabeça.

–É mais rápido irmos voando. Só preciso encontrar um lugar mais afastado de onde eu possa...

–Espera um pouco... –interrompo- Voando? Em plena luz do dia? Jack, as pessoas vão ver.

Ele para, pensativo.

–Você tem razão, é só que... – hesita- Ás vezes esqueço que as pessoas podem me ver agora. –completa, lançando um olhar de agradecimento para mim. Não apenas isso, mas outra coisa. Um olhar profundo, marcado com aparentes sentimentos que eu desejo muito que sejam verdade. Mas a dúvida ainda me faz hesitar, pois me lembro automaticamente de Anfitria. Foi ela quem ele beijou, não eu.

Desvio o olhar rapidamente, me recordando da víbora de cabelos negros. Resisto àquelas sensações tão confusas e novas para mim e que fazem meu coração bater mais rápido só de olhar para aqueles olhos da cor da noite.

–O que nos resta... –começo, espantando todo o drama a que se resumiu minha vida- alugar uma carruagem. –digo, simplesmente.

Ele me olha perplexo, como se eu tivesse dito algo de outro mundo.

–Carruagem? –repete.

–Sim, Jack. Carruagem. –digo, satisfeita por finalmente o deixar inseguro. Acho que usar algo tão comum quanto uma carruagem e concordar com uma escolha minha em vez dele ditar as ordens não fazia parte do seu plano.

Ele me lança um olhar hesitante, mas meneia a cabeça em concordância.

–Certo. –digo, sorrindo- Mas.... Pensando melhor, acho que seria bom estarmos mais apresentáveis para encontrar o rei e evitar perguntas constrangedoras. Você já olhou para seu cabelo?

***

As dependências reais são o que podemos chamar de essência da extravagância. Eu não me lembro de ter visto tanto luxo assim em toda a minha vida. Até mesmo para a nobreza, isso é um exagero. Pelo menos era o que eu achava. Assim como meus pais, nunca vi a necessidade de ter pinturas reluzindo em ouro por todo o teto, dezenas de estátuas dos mais variados tamanhos e formas feitas da mais pura porcelana, tapetes orientais costurados em ouro e prata, sofás de veludo decorado com pedras de diamantes nas bordas... É sério, para quê tudo isso?

Faço-me essa pergunta várias vezes enquanto eu e Jack esperamos o rei em uma ampla sala de visitas, coberta de janelas que vão até o teto e muitos sofás de aparência estupidamente cara. Talvez uma “sala” não seja uma boa definição. Um salão seria mais adequado. Certo, estou exagerando. Quase seria.

O tempo passa. Muito tempo. Uma hora, duas? Estamos quase mofando ali quando o rei resolve finalmente aparecer. Antes disso, devo esclarecer alguns fatos. Para começar, ainda na cidade, compramos roupas dignas da nobreza com o misterioso dinheiro de Jack. O convenci a retirar aquele capuz a muito custo. Afinal, os guardas nunca o deixariam entrar daquela maneira. Ele parecia muito suspeito. E então, para esconder aquele cabelo nada comum, bem, eu... Na verdade, eu nem sei como ele concordou com isso. Para convencê-lo da mudança brusca no visual, disse o de sempre: que as pessoas iriam falar, iria chamar atenção e etc. Portanto, Jack agora tem cabelos castanhos escuros pintados e um rosto bastante insatisfeito com isso.

"Você está ótimo”, disse, sendo sincera, quando havia concluído o procedimento secretamente em um outro quarto de estalagem. Ele tinha ficado muito bonito moreno. Apesar de eu preferi-lo de cabelos brancos, afinal, já tinha me acostumado. Se bem que, acho que é fisicamente impossível ele ficar feio por causa de cabelo, com aquele rosto...

Depois disso, já na entrada da casa real, precisei fazer uma pequena demonstração de meus poderes para nos deixarem entrar no palácio. Não havia porque mentir. Pelo menos não sobre tudo. Para todos os efeitos, eu era Elsa, a rainha de Arendelle que viera prestar minhas homenagens ao príncipe Tristan. O homem em minha companhia era Jackson Walters, um de meus mais confiáveis conselheiros.

O capitão da guarda, quando soube quem eu era, arregalou os olhos, assim como todos os outros soldados e imediatamente ordenou a um serviçal que me levasse ao rei. O jovem empregado nos levou até a sala que me encontro agora e saiu apressado, nos deixando a sós. Pela sua expressão de felicidade, acho que tinha ido contar a todos quem estava na sala

–Meus olhos me enganam! Não é possível que seja ela! –exclama Marco Tiberius, entusiasmado, entrando na sala. Seu porte é alto e magro, como um rei que apesar das festas, se exercita diariamente. Acho que os anos com Proteu tiveram muita influência nisso. Cabelos grisalhos cobrem sua cabeça e ele tem vívidos olhos verdes.

Ao seu lado, está sua nobre mulher, Rainha Giovanna. Uma cascata de cabelos castanhos desce por suas costas e a pele branca tem um aspecto bem cuidado. Para falar a verdade, aquela mulher sempre está impecável. Cabelo, maquiagem, vestido, tudo. Acredito que ela deva uns quarenta anos, mas sua aparência não diz.

Me assusto um pouco com a mudança brusca do silêncio para a brutalidade da voz daquele rei e me levanto do sofá, aliviada por finalmente a espera ter cessado. Jack faz o mesmo.

–Elsa Ivanov em Sorayan? Isso é uma honra. –ele continua, me abraçando –Há quanto isso aconteceu antes? Nove, dez anos?

–Obrigada, Majestade. –digo, quando ele me solta. –Sim, acho que foram dez anos.

–É um prazer revê-la, Elsa. –diz Giovanna, se aproximando de mim e me abraçando.

–Igualmente, Alteza –digo, abrindo um sorriso.

–Sim, sim, isso é ótimo! E quem esse caro rapaz? –Tiberius pergunta, olhando para Jack.

–Jackson Walters, Majestade. Conselheiro da rainha Elsa. –Jack responde, dando uma reverência.

Jack Frost, reverenciando um mortal... Acho que ele não ficou muito feliz com isso.

–Tão jovem, não? –Giovanna comenta, admirada- Para ser um conselheiro. É algo que deva ser orgulhar.

–Certamente, Alteza. –Jack responde, como um verdadeiro nobre. Engraçado como ele sabe atuar bem. As palavras, o modo como fala e se comporta, creio que em cento e quarenta anos se aprenda muita coisa–Servir a rainha Elsa é a razão de minha existência.

Olho para ele, surpresa com a escolha de palavras. Ele apenas me dá um sorriso discreto, o que me faz corar, sem saber o que responder.

–Mas isso é lindo demais. Essas palavras de pura devoção. –Giovanna fala- Não se encontram conselheiros como esse em muitos lugares, não é, Marco?

–Evidentemente. Eu quase achei que fossem dizer noivos! –ele responde e imediatamente quero me esconder em um buraco e nunca mais sair. Marco e Giovanna riem e eu e Jack nos entreolhamos, constrangidos.

–Ora, meu rapaz! –Marco diz, batendo no ombro de Jack- Até que gostei de você. E quanto a você, Elsa, fiquei muito feliz por saber que conseguiu controlar seus dons. Foi muito triste vê-la naquele acidente no dia da coroação. Eu lembro que estava bem perto quando...

–Não é hora para relembramos coisas do passado, Marco. –Giovanna repreende, e a agradeço silenciosamente por isso. Falar daquele dia sombrio é como cortar novamente algo que nunca se cicatrizará de fato. É relembrar as vidas que foram perdidas, as lágrimas que foram derramadas. É fazer uma síntese de todos os meus medos, receios e sofrimentos. É lembrar de algo que quero apagar da memória.

–Ah, sim, é claro. –ele parece entender- Vamos falar de festa! Está um dia tão romântico, um noivado foi anunciado! –ele levanta as mãos para os lados, feliz- Tristan foi com Natasha cuidar de alguns preparativos, mas acredito que vocês dois participarão do baile de noivado como nossos convidados de honra... –ele diz e Giovanna balança a cabeça em concordância, animada.

–Hã... –hesito, pensando em uma desculpa.

Como se bailes fossem minha prioridade...

–Sabe, Tiberius, na verdade eu vim aqui para, é claro, dar meus parabéns ao príncipe e como você viu, cheguei de surpresa, mas há outro assunto que gostaria de discutir com o senhor.

–Outro assunto... –Tiberius parece surpreso- É algo sério?

–De suma importância. –respondo.

–Bem, vou inspecionar alguns preparativos enquanto vocês conversam. –Giovanna fala.

Marco balança a cabeça em concordância.

–Vamos tratar disso agora. –ele diz, assumindo uma postura rígida- Para minha sala, onde podemos conversar com mais discrição.

A sala administrativa é até mais simples comparada ao resto dos cômodos. Apenas uma mesa grande e retangular coberta de papéis, poltronas, uma lareira em um canto, estantes abarrotadas de livros, quadros retratando o que deduzo ser o palácio real de Sorayan e os seus antigos moradores, e apenas uma estátua, representando um homem que não reconheço.

–Ah, eu não podia estar mais feliz! –Tiberius fala, se sentando na poltrona azul atrás de sua mesa. –Meu filho e herdeiro noivo de uma ótima moça e a jovem rainha Elsa em Sorayan! –ele ri- E as pessoas falando que você não tirava um pé sequer do palácio de Arendelle... Esperem só até eu anunciá-los no baile amanhã à noite. Os nobres vão ficar loucos. Todo mundo quer ver a rainha do gelo! –completa, eufórico.

Dou um sorriso forçado e Tiberius pede para que sentemos nas cadeiras de frente à sua mesa.

–E então? Qual é o problema? –ele pergunta, intrigado.

Respiro fundo e decido ser a mais sincera possível. Estamos ao redor de quatro paredes, não há guardas, a porta está fechada e estou diante de um dos homens mais poderosos da Europa. Mas isso não importa no mundo de Jack. Para ele, Tiberius é apenas um mortal que foi amaldiçoado e agora deve responder algumas perguntas.

O garoto ao meu lado suspira de alívio. O seu disfarce de nobre educado havia acabado.

–Vou ser bem direta, Tiberius. –falo, séria- Sabemos do seu passado. Do seu antigo capitão, Proteu. Do século que foi obrigado a servir a ele.

Tiberius arregala os olhos, surpreso e se recosta na cadeira. Sua pele fica mais pálida e percebo que, assim como eu, ele tem lembranças amargas que quer esquecer. E sinto por ter de fazer isso, mas eu preciso fazê-lo reviver essas lembranças.

O rei nos encara, desconfiado e se convence de que não adiantar negar.

–Como sabe disso, menina? –pergunta, áspero, me encarando desconfiado.

E antes que eu pudesse responder, Tiberius desvia seu olhar para Jack e vejo um ódio repentino brilhar em seu olhar.

–Você... –ele diz, ainda olhando para Jack- Você não é comum. É um deles, não é? Um imortal desgraçado. Ah, bem que eu desconfiei. Havia alguma coisa em seus olhos quando o conheci.... Sim, dá para perceber de longe.

–É bem observador, majestade. –Jack responde, ironizando a última palavra. O que me lembrou, infelizmente, de Joel Ternady e sua mesma mania de fazer isso comigo.

Tiberius dá um sorriso cínico e de repente, não estou olhando mais para o rei alegre que vi mais cedo e sim, para um homem implacável e egoísta que, com certeza, não iria facilitar as coisas para nós.

–Imortais... Sempre prepotentes e sarcásticos. Odeio todo eles. –ele diz.

–A questão não é essa... –Jack diz, a postura descontraída de volta- Temos uma pergunta e é bom você se dignar a responder.

–Como se eu devesse algo para qualquer um de vocês. –balança a cabeça em negação- Já cumpri meus débitos. Foram cem anos! –diz, irritado.

–Tiberius, eu sei que esse é um assunto doloroso, mas se puder me escutar... –peço, tentando manter a calma.

–Como é? –ele pergunta, indignado- O que você sabe? Você não sabe de nada, garota. Ninguém sabe a não ser os que trabalharam para aquele demônio! Fui arrancado da minha casa, cento e vinte e seis anos atrás, para servir naquele navio dos infernos. Minha juventude congelada por um século! Um duro século, cercado por homens ignorantes e bárbaros, sabendo que minha família estaria morta quando eu retornasse! –ele para, irritado, e suas palavras quase fazem eu me sentir culpada por fazê-lo relembrar tudo isso. Quase, pois pela segurança de minha família faço qualquer coisa.

–E agora quando consigo me restabelecer, casar com uma princesa e me tornar rei, ter dois filhos tão amados, vocês vêm e me fazem falar sobre isso, ainda mais na véspera de um baile! Pois eu lhes digo, não vou responder nada e que se danem as consequências! –ele diz, extremamente desequilibrado. É óbvio que aquela parte de sua vida o afetara profundamente, manchando para sempre uma parte de sua alma.

–Mesmo, se... –começo, hesitante- A vida de minha família estiver em perigo?

Tiberius hesita, me olhando confuso.

–O que quer dizer? –ele pergunta.

–Proteu os sequestrou, Tiberius. Anna, Kristoff e Olaf. –digo- Os levou para Kaleses e você é nossa única esperança de nos dizer onde fica essa ilha. Por favor, Marco, me ajude.

–Os sequestrou? –ele repete, confuso- Mas porque ele faria isso? Kristoff eu até entendo, porque ele costuma recruta homens, mas os outros...

Balanço a cabeça em negação.

–Não foi por nada disso. É.. uma longa história.

E, decidindo que seria justo ele saber as circunstâncias de todo aquele problema, falo de Imogen, que ele afirma já ter ouvido falar no tempo da maldição, o motivo dela querer me matar e como tudo isso se encaixa no caso de Anna. Digo também como descobrimos sobre seu passado.

Depois de esclarecer tudo, Tiberius permanece em longo silêncio, de cabeça baixa e pensativo. Minha cabeça está a mil, cheia de expectativa e impaciência. O que ele diria?

–Todos temos problemas, Tiberius. –Jack fala, tentando convencê-lo- Todos fizemos coisas no passado que queremos esquecer. É algo comum, natural. O que você não pode fazer é deixar de enfrentar esse passado quando lhe convém. E agora é a hora certa para isso. Está diante de você uma garota que pode perder todas as pessoas que ela mais ama a qualquer momento e se você não ajudá-la.... Eu não vou deixar por isso mesmo. Não vou vê-la sofrer por causa de seu egoísmo. Sim, encare isso como uma ameaça.

Lentamente, Tiberius levanta a cabeça e o olha, curioso.

–Isso é muito interessante. Um ser como você se importando tanto com uma mortal. Nunca, em toda a minha vida de escravidão e viagens, vi isso acontecer.

–Pois agora está vendo. –Jack responde, seco.

–Sim, estou sim...

–E então? –pergunto, um tanto impaciente.

Tiberius olha rapidamente para mim e suspira, vencido.

–Não sou um homem cruel, Elsa. Por mais que me doa lembrar de meu tempo com Proteu, é obviamente em prol de uma causa maior.

Não posso conter a satisfação que me invade na hora e sorrio, feliz.

–Apenas Proteu e seus homens sabem como encontrar a ilha. Bem, eu era um deles e me lembro muito bem do que se deve fazer e aonde se deve ir. Embora o risco seja enorme sem Proteu. A entrada pode rejeitá-los, mas como você é um imortal...

–Jack Frost. –ele assume.

–O espírito do inverno... –Tiberius completa, aparentemente lembrando de um fato desagradável- Ah, eu me lembro de você. Tinha um caso com Anfitria, não tinha? Lembro de Proteu discutindo com ela por sua causa. Ele o odiava e lhe achava um diabo na terra por congelar o mar só para irritá-lo, deixando o navio dele preso...

–Eu me lembro disso. –Jack fala, sorrindo.

–Pode continuar, Tiberius. –falo, irritada. Ele tinha que citar o nome daquela mulher?

–Ah, sim, é claro. -ele diz, limpando a garganta- É necessário que um imortal entoe as palavras no templo marítimo, onde, se o ritual for bem realizado, Kaleses ficará visível por pouco tempo, permitindo que ele chegue até ela. Mas o espírito que guarda o templo não vê, apenas sente e ouve. Como Jack Frost é um imortal, essa alma apenas sentirá a presença do fio de ouro que separa sua eterna existência da obscuridade da morte e pode confundi-lo com Proteu. O problema é que ela vai ouvir sua voz. E vai desconfiar. Para ter certeza de que o viajante é Proteu, vai pedir que ele derrame seu sangue e comprove sua identidade.

–Mas isso pode ser facilmente resolvido. Anfitria é irmã dele, pode nos dar um pouco de seu sangue. –digo, um pouco receosa de ter que partir para a ajuda dela de novo- Não é, Jack?

–Hã, sim. –ele responde, um pouco alheio a conversa.

–Foi o que pensei. –Tiberius concorda- Sendo assim, quando desejam partir? Porque fiquem certos de que irei junto. Seu pai, menina, e eu sempre fomos muito amigos. Seria um ultraje vê-la partindo e ficar aqui parado enquanto sua irmã corre risco de vida.

–Obrigada, Tiberius. –digo, surpresa com a mudança de tom da conversa- Mas não precisa ir, de verdade. É uma viagem perigosa e você vai ter que rever todo o seu passado. E ainda tem a sua família....

–Bobagem! –ele interrompe- Eu faço questão. É um problema delicado, eu sei e sou apenas um mortal comum. Mas você se esquece que já estive lá, posso ajudá-los.

–Não acho uma boa ideia, Tiberius. –Jack fala, cauteloso- É muito perigoso e seus deveres reais o prendem aqui.

–Thomas e Helena sempre me ajudaram quando precisei. –ele assume, entristecido- Em questão financeira, moral, tudo. Eram meus melhores amigos e os de minha esposa. Tenho uma dívida eterna com eles, Jack Frost e Anna, assim como você Elsa, é como uma filha que nunca tive. Proteu é um mostro em forma de gente e eu não vou ficar de braços cruzados enquanto ele faz só Deus sabe o quê com ela.

É difícil descrever a gratidão. Principalmente com alguém que você nunca espera. Nunca fui muito próxima a Marco Tiberius, mas sei de sua relação antiga com meus pais. Apenas isso. Nunca percebi que ele me considerava como uma filha, mas agora consigo ver, por suas ações. Ele e Giovanna sempre visitavam Sorayan, mesmo com a morte de meus pais. Para me ver, ver Anna, falar conosco. Mas eu nunca abria aquela porta. Nem para ele, nem para qualquer outra visita que chegasse. E vê-lo assim, tão disposto a me ajudar, a enfrentar o passado com bem falou Jack, o torna digno de toda a minha admiração e respeito.

–Eu... não sei o que lhe dizer, Marco. –falo, emocionada- Você merece mais do que um simples obrigado. Mas eu realmente acho que você deva...

–Eu insisto. –ele diz, determinado.

–E nós insistimos, também. –Jack fala, um tanto impaciente- Não vai dar certo, Tiberius, confie em mim.

–E ainda tem a sua família. –lembro- O que diria seu filho sabendo que o pai não apareceria em sua festa, ainda mais esta já sendo amanhã à noite. Por favor, fique. Se nos cedesse apenas um mapa do caminho e as palavras que Jack deve falar no templo já seria ótimo.

Tiberius discorda por algum tempo, mas finalmente conseguimos convencê-lo que ele não poderia ajudar em muita coisa, além do que já tinha feito. A viagem seria perigosa e ele, além de rei, é pai e marido. Eu nunca me sentiria a mesma se algo acontecesse com ele, sua família ficaria devastada.

Houve um imprevisto. Aaron, o príncipe mais novo, havia finalmente acordado e estava fazendo um escândalo no pátio, incrivelmente bêbado a uma hora daquelas. Pudemos ouvir seus gritos da janela da sala administrativa e Tiberius, resmungando e evidentemente envergonhado por seu filho, se retirara.

–Nem acredito que vamos para Kaleses, foi tão fácil. E Hans falando que a ilha só poderia ser aberta se Proteu quisesse... –falo, animada, no aposento privado que Tiberius nos disponibilizara.

–É isso o que me preocupa. –Jack admite, olhando sereno para uma janela da qual se vê o mar- Está realmente muito fácil, o que me leva a temer o que podemos encontrar nesse tal templo ou no caminho até ele.

–O que podemos fazer, se não levantar a cabeça e seguir em frente? –digo, me aproximando dele. Observamos, em silêncio, o mar verde e o céu límpido do final da manhã.

–Ah, Jack, foi uma pista! Estamos no caminho certo! –digo, sorrindo, mas ele apenas volta a me encarar e me dá um sorriso fraco.

–O que aconteceu? A tinta está entorpecendo seus pensamentos? –pergunto, rindo.

Automaticamente Jack passa a mão nos cabelos, os despenteando e, meu Deus, ele fica muito lindo fazendo isso. Consigo arrancar um sorriso verdadeiro de seus lábios.

–Só você mesmo para me fazer concordar com isso. –ele diz.

Dou de ombros, fingindo estar convencida.

–Sou uma rainha, não? Nasci para dar ordens. –digo, brincando.

Ele ri, e é o som mais agradável que já ouvi.

–E eu para recebê-las, Alteza. –ele fala, passando a mão em meu rosto suavemente. E como da outra vez, meu corpo estremece com o toque.

–Jack.. –repreendo, conhecendo o seu olhar. É o mesmo de antes, de quando estávamos naquele lugar escuro, entre portais...

–O quê? –ele diz, distraído, tocando em meus cabelos.

–Eu não entendo. –digo, ríspida e me afasto dele. Ele me olha confuso e decido abrir o jogo.

–O que você quer, Jack? Finalmente, me responda porque eu já não aguento mais isso. Já passamos por essa mesma situação e você recuou. Ai aparece uma mulher bonita e você a beija na minha frente! -paro, esperando que ele sinta o peso de minhas palavras. Jack parece rapidamente desconcertado com elas -E ai você vem para mim de novo, e me faz, de novo, sentir aquelas mesmas coisas inexplicáveis que sinto toda vez que você me olha desse jeito e eu enlouqueço com essa dúvida! –continuo, atropelando as palavras.

Ele me encara,a expressão agora neutra, de modo que não tenho a mínima ideia do que ele está pensando.

–Elsa.. –ele começa, controlado- é sobre isso que quero lhe falar desde aquele beijo, eu... –ele volta a se aproximar- Anfitria nunca me interessou, rainha da neve. Não de verdade.

Arregalo os olhos, sem palavras.

–Eu apenas finjo. Não passa disso. Ela foi apenas uma aventura do passado que acabou se estendendo. Eu nunca desejei nada sério, mas ela sempre quis o contrário. Me arrependo amargamente de tê-la correspondido, uma única vez, e então ela passou a alimentar esperanças e eu simplesmente não queria partir o coração dela. Apenas nos divertíamos de vez em quando e só. Isso foi se estendendo, mas eu lhe juro, Elsa, que não nunca senti nada por ela. Sei que pode parecer cruel, mas eu também não a odiava. Ela era bonita e atraente, mas meu coração... –ele segura minha mão, a guiando até que ela alcance seu peito direito. — sempre pertenceu a outra pessoa.

–Então... por que recuou naquela hora? –pergunto, as lágrimas começando a cair.

–Porque... –ele para, criando coragem- Eu fiz algo... imperdoável, Elsa. –diz, a voz falha- E eu não queria que você se decepcionasse quando, mais dia ou menos dia, acabasse descobrindo.

–O que você fez? –arisco, com medo.

Ele balança a cabeça em negação.

–Não importa. Não agora, por favor. –ele pede, perturbado. Tanto que me assusto, pois nunca o vira daquele jeito.

Querendo confortá-lo, o abraço fortemente e ele retribui, enlaçando minhas costas com seus braços. Ele abaixa a cabeça de modo que seu nariz roça em meu pescoço. Levo minha mão aos seus cabelos, agora castanhos, e os acaricio. São tão finos, tão macios, eu poderia passar a tarde toda tocando neles. Ficamos desse jeito por alguns minutos e sinto sua cabeça se inclinar para o meu lado, beijando suavemente meu pescoço. Seus lábios vão subindo lentamente, roçando minha pele e sua mão se prende a minha nuca. Ele com certeza sabe como provocar uma mulher e mal posso acreditar quando sua boca encontra a minha.

É arrebatador. No início, é um beijo tímido, receoso. O tipo de beijo que te deixa nas nuvens, mesmo que os lábios apenas se encostem. Mas não é o suficiente. Aos poucos, vem aquela vontade inexplicável de intensificar aquele ato. Agarro-me aos seus braços e nossas bocas se abrem, as línguas se tocam e eu não sei mais o que é respirar. Jack me beija como se esperasse por isso a vida toda e eu retribuo com a mesma vontade. Ele encontra todos os cantos de minha boca com sua língua e ainda parece ansiar por mais. Seus dedos ágeis percorrem meus cabelos e minhas costas, até pararem firmemente em minha cintura, me fazendo inclinar para trás. Quando me dou conta, estou contra a parede e de repente, sinto um desejo desesperado de senti-lo. Tocar em sua pele. Toda ela. Cada parte. Minha mão desce até a barra de sua camisa e toco a pele nua de seu abdômen, sentindo a cicatriz sobre ele.

Bruscamente e cedo demais, Jack me solta e se afasta.

–O quê? –pergunto, assustada. Será que tinha passado dos limites? –Fiz algo errado?

Ele me encara por alguns segundos antes de dar aquele sorriso torto e retirar a camisa, revelando um corpo magro, mas não daqueles definidos. Longe disso, mas igualmente lindo. Porém, não tenho muito tempo para admirá-lo, pois Jack volta a me beijar.

Mais feliz do que nunca, retribuo o beijo com ferocidade, percorrendo suas costas nuas com meus dedos.

–“Eu estou apaixonado por você”.–ouço sua voz sussurrando em meu ouvido. E essas cinco palavras... significaram tudo.

Notas finais
PQ N BASTA SER APENAS UM BEIJO INOCENTE TEM Q SER O BEIJO HAHAHAHA aii o q vcs acharam? exagerei? faltou/ genteeee, comentem e n me matem de curiosidade u.u ate a proximaaaaa (e q n demore muito, se deus quiser kkkkk) bjssss