Notas iniciais
Boa leitura!

Margaery bateu na porta duas vezes. Na terceira, Loras a abriu.

– Loras! Está ocupado? — Perguntou a Rosa Tyrell, sorrindo.

– Não, minha querida irmã. Por favor, entre.

E ela assim fez. Sentou-se na cama enquanto Loras pegava uma jarra de vinho.

– Você aceita?

Margaery pensou no porquê de ter ido até o aposento de seu irmão. Queria contar para ele sobre a ideia de vó Olenna, de casar Sansa Stark com Willas. Queria contá-lo que sobre o plano e o quão próximo ele iria ser posto em prática. Que, em pouco tempo, a Casa Tyrell teria a chave para o Norte e Sansa estaria longe da Capital, casada e feliz. Mas então, porquê não estou tão feliz assim pela garota?, se perguntou, embora não pela primeira vez.

Suspirou. Percebeu que precisava de uma taça de vinho.

– Sim. — Respondeu Margaery, e Loras prontamente encheu o copo de sua irmã.

– Esta é uma das melhores colheitas que já tomei. Vinho da Árvore. — Disse Loras, entregando a taça para Margaery e tomando um longo gole da sua. Suspirou deliciado. — Então, Marg, gostaria de conversar com você.

– Oh, eu também. Mas você me fale primeiro. — Disse a garota, sorrindo para o irmão e tomando um gole do vinho. Doce, pensou, aprovando. Doce como Sansa, se pegou pensando.

– Eu entrarei para a Guarda Real. — Disse Loras. Margaery abriu levemente a boca, ficando um tanto surpresa. Mas não muito.

– Mas... Você nunca poderá se casar. — Disse a Rosa, confusa.

– Marg... Você sabe que eu nunca iria me casar por amor. — Respondeu Loras, dando um sorriso malicioso. — Então, que diferença faz? E eu não sou o herdeiro da Casa Tyrell, ninguém pode mudar meus planos.

– Oh, é claro. Eu sei que você nunca se casaria por amor. — Pensou em Renly, e em como ele e seu irmão se amavam. Analisou Loras por um momento, vendo seu rosto cansado. Ainda chora pelo homem, tenho certeza, percebeu. — Mas em falar em amor... Você não conheceu ninguém interessante na Capital? — Perguntou Margaery, lançando um sorriso malicioso para o irmão.

– Não comece, Marg. — Riu Loras, mas logo ficou sério. — Depois de Renly, eu... — Começou, sua voz pareceu engasgada. Partia o coração da garota ver o irmão tão triste. Tocou-lhe o ombro. — Eu nunca conseguirei amar outra pessoa. Quando... Quando o sol se põe, nem mesmo uma vela pode substituí-lo. — Disse o Cavaleiro das Flores, limpando uma lágrima que ousou escorrer de seu rosto. Suspirou e logo se recuperou, dando um sorriso fraco para a irmã. Margaery decidiu que não faria bem para o irmão se continuassem falando sobre isso.

– Então... Agora é minha vez de contar as novidades. — Disse, abraçando o irmão. — O plano da vovó Olenna já está começando. Ontem falei com Sansa, e ela ficou muito entusiasmada em se casar com Willas. Logo ela estará longe daqui... — Quando proferiu essas palavras, sua garganta ficou seca. Abriu um sorriso trêmulo. — E feliz. E nós teremos a chave para o Norte.

– Isso é bom, minha irmã! Você é tão diplomata. — Loras gargalhou. — Sansa ficará feliz, nós ficaremos felizes. Todos saem ganhando.

– É... Todos saem ganhando. — Menos eu. Encheu um pouco mais a sua taça, tomando alguns outros goles do vinho. Já estava se sentindo um tanto alterada com o gosto forte da bebida.

Loras a analisou. Odiava saber o quanto seu irmão a conhecia.

– Irmã, algo te perturba?

– Não...

– Joffrey te causou algum mal? — Perguntou Loras, sua expressão séria e ameaçadora.

– Não, Loras. Não é isso. — Respondeu Margaery imediatamente. — É sobre essa conversa que tive com Sansa. A garota é tão doce... — Ao revelar isso, ficou vermelha. — E é uma boa amiga. Sentirei falta dela.

– Eu sei, mas ela estará em Jardim de Cima. Vocês poderão se ver de vez em quando. E você é tão apegada as nossas primas que nunca imaginaria que teria alguma outra amiga. — Disse, achando graça.

– É... verdade. — Respondeu Margaery, dando um meio sorriso. — Ela provavelmente não sente o mesmo por mim. — Disse, sem pensar. — Quer dizer, provavelmente não sentirá a falta da minha amizade. — A Tyrell tentou se consertar, mas percebeu que não havia causado um bom efeito, e Loras já estava com uma expressão desconfiada. Olhou para sua taça de vinho, vendo seu reflexo. Estou sendo tão ridícula, pensou.

– Margaery... Você sente algo por essa garota? — Perguntou Loras, levantando uma das sobrancelhas. A mesma o olhou, espantado por decifrá-la tão rápido.

– Não! Claro que não! — Corou, e no mesmo instante percebeu que estava mentindo. Mentindo para o irmão e, principalmente, para si mesma.

– Minha querida irmã, não minta para mim. — Disse Loras, dando um sorriso malicioso.

– É... Esse vinho está me dando enxaqueca. Eu acho que vou para o meu quarto descansar. — Margaery se levantou rapidamente, e Loras deu uma gargalhada. — Está rindo de que?

A mesma ficou irritada e começou a se dirigir para a porta, mas seu irmão agarrou seu braço.

– Irmã, sempre que precisar conversar, pode vir até mim. Deixarei você descansar agora. — Disse o Cavaleiro das Flores.

Margaery apenas assentiu e saiu pela porta afora. Loras é uma parte de mim. Se ele acha que sinto algo por ela... Será que eu sinto?, se perguntou, confusa.

Ao chegar no quarto, se jogou na cama. Após alguns instantes, ouviu duas batidas em sua porta.

– Entre. — A garota Tyrell se virou para a porta. Era Elinor, uma de suas primas.

– Olá, querida prima. — Disse a garota, dando um sorriso. — Alla quer passear pelos jardins. Gostaria de ir?

Alla era bonita e tímida, e também sua prima mais nova. Adorava acompanhá-las pelo jardim e observar sua inocência. Mas não hoje. Hoje não era disso que precisava.

– Não estou me sentindo muito bem hoje, Elinor. Sinto muito.

Sua prima tentou esconder a expressão decepcionada e balançou a cabeça para dizer que estava tudo bem. Antes de sair, porém, Margaery pediu:

– Chame Megga, por favor.

– Chamarei.

Megga era sua prima do meio. Seus cabelos eram negros escorridos, e seus olhos castanhos como os de Margaery. As duas eram amantes.

Quando Megga Tyrell chegou ao quarto, já sabia o porquê da garota tê-la chamado ali.

Ela entrou sem bater, e logo as duas estavam se beijando, porém não com paixão. Margaery, então, deixou que Megga a tomasse naquela tarde. Quando sentia prazer e fechava os olhos, fingia que era Sansa ali. Era tudo que precisava naquele momento.

Notas finais
Não sei qual é a aparência real de Megga, pois não lembro de sua descrição nos livros e, ao pesquisar, não achei nada. Então a descrevi parecida com Margaery, por serem primas. Espero que tenham gostado do capítulo!