Deicide - The End
1 I am glad I said sorry
Notas iniciais
DEICIDE – THE END
É…
No final, não deu certo…
(...)
— Qual seu nome?!
— Ehh... – Ela ainda tinha receio de mim – Rangiku...
— Ehhh?! Que nome bonito!
O dia que a conheci. São lembranças que não devem ser esquecidas. Uma das poucas lembranças boas que eu tenho da minha vida...
Vida...!?
Sempre me chamaram de o “garoto prodígio”. Mas por quê?! Só porque eu sabia manusear bem uma espada?! Porque eu aprendi a usar hadous e kidous rapidamente?!
Ou porque eu matava qualquer pessoa, sem piedade,sem sequer saber qual era o motivo de meus atos...?!
Só uma pessoa viu que isso tinha um lado bom...
— Me diga, garoto... – Ele se aproximou, como um caçador que fareja a caça.
— ...
— Qual seu nome?! – Nostálgico?
— .Gin... – respondi com um sorriso venenoso, manchado por sangue.
— Uhm, Gin, você tem um potencial e tanto, sabia?
Aquela pessoa falou com a maior calma e lucidez do mundo...
O sorriso dele era ainda mais sádico do que o meu.
Mais sarcástico...
Aquele homem me enojava...
— Deseja se juntar a mim?! –
— Por que eu me uniria a alguém como você?! Veja...
Eu sou uma cobra, com pele fria, sem emoções...
Que se arrasta, procurando suas presas com sua língua pronta...
Engolindo aquele que parecem deliciosos.
— Esse é o tipo de criatura que eu sou.
— Garoto, você é mais interessante do que eu imaginava.
Sim, uma criatura fria, sem emoções... E que não nutre nenhum tipo de sentimento para com ninguém.
A não ser...
— Gin... – seus olhos expressavam uma profunda tristeza.
— Rangiku?! O que está fazendo sozinha aqui, à uma hora dessas da noite?! E... Por que seu rosto está tão machucado assim?!
— Eu... eu estou com medo. Será que você poderia ficar um pouco comigo?!
— ... – Ela não me respondeu... – Ehhh, sua medrosa... Mas tudo bem, eu fico com você. Venha, eu vou te levar a um lugar muito bonito!
— T-tudo bem...
Sai puxando-a pela mão, expressando aquele sorriso fino. Mas dessa vez, o meu sorriso não era como os outros. Eu realmente desejava ficar com ela naquele momento.
Não seria isso um gesto de afeto?!
Cobras não possuem sentimentos...
Raramente, Rangiku estava sorrindo. Ela sempre demonstrou sofrimento, e uma profunda dor pairava sobre seus olhos azuis. Em uma noite como outra qualquer, ela me fez uma pergunta tão inocente... Que aquele momento se tornou um dos mais especiais para mim.
— Veja Rangiku! Esta nevando!
— Sim...
— Ahhh, esses flocos de neve são tão gelados. Veja, veja!
Naquela hora, tudo que importava era ver o seu sorriso...
— Me diga, Gin...
— O que foi?! Está com frio?!
— Não, não é isso. É que eu queria lhe perguntar algo...
— Uhmmm, então pergunte... – Sorri do jeito mais acolhedor que podia.
— Bem, qual é a cor dos seus olhos?!
Apesar da pergunta estranha, não podia negar que fazia sentido. Fiquei até surpreso.
— O quê?!
— É que você está sempre rindo, com os olhos fechados... Então, eu queria saber qual é a cor deles...
— Hahahaha, Rangiku, sua boba! – Pela primeira vez, gargalhei como uma criança – Uhmmm, que cor você acha que eles são?!
— Ah, eu não sei... Castanhos?!
— Errou.
— Verdes?!
— Também não!
— Pretos?!
— Nã-não!
— Ahhhh, eu não sei!!! Me fale logo Gin, antes que eu morra de curiosidade!
Ela balançou meus ombros, como uma brincadeira, mas realmente queria saber qual era a cor dos meus olhos...
— Tudo bem, tudo bem! – resolvi abri-los.
— Oh... – Yare yare, ela corou – São azuis...
— Pois é... – Olhei fixamente pra ela – Os seus também são.
— Mas os seus são mais bonitos... – Ela virou o rosto e permaneceu olhando para a lua.
— Não gosto muito deles, prefiro que os outros não vejam... – Já fechava-os novamente.
— Mas eu gosto. – Ela virou-se pra mim e sorriu.
Foi a primeira vez que eu a vi sorrir sinceramente.
E nunca mais eu esqueci da expressão que fluiu em seu rosto...
Você vai por aí que eu vou por aqui...
Seu nome era Aizen. Aizen Sousuke. O homem que me ofereceu “ajuda” e companhia. Em troca, prometeu-me poder e glória. Meu maior engano foi acreditar que, com tal poder, eu poderia ser dono do destino dos outros...
Principalmente, das pessoas que eu mais amava...
— Rangiku, que dia é seu aniversário?!
— Não sei, Gin. Nunca contei os dias, desde que te conheci... – Ela me respondeu com o rosto mais angelical de todos.
— Ahh, isso é um problema. Bom, vamos fazer assim: o dia do seu aniversário vai ser o dia em que você me conheceu! Tudo bem?! Assim, poderemos fazer uma festa para nós dois! Que tal?!
— Bem... – Ela estava feliz – Tudo bem, eu aceito!
Agora, estou contando com você.
Muito tempo se passou. Ela já havia entrado para a escola de shinigamis e eu... Já havia me subordinado àquele homem que um dia, estendeu a mão para mim.
E me mostrou um caminho repleto de ambição.
Sangue.
E sofrimento...
Ele queria ser o dono de tudo...
E de todos...
Um vislumbre da verdade...
Quem diria. Eu me tornei um capitão e ela, sub-capitã do novo “garoto prodígio” da Soul Society. Ela parecia feliz, afinal, tinha conseguido atingir seu objetivo. Eu conseguia ver isso em seus olhos, e me sentia bem.
Afinal, a felicidade dela era a minha...
Todas as vezes que Kira me pedia permissão pra ir “beber” com Rangiku, eu ria. Claro, eu tinha certeza que o garoto Hitsugaya daria uma bronca nela por estar se deliciando no sakê ao invés de estar trabalhando em seu posto. Só de imaginar, isso me divertia bastante. Não me faltava vontade para pedir se ele não poderia me levar junto. Eu queria vê-la, queria conversar, ver seu sorriso. Afinal, mesmo depois de tantos anos, ela realmente não havia mudado nada. Aquela era a Rangiku que eu conheci...
As noites em que passávamos juntos tornavam-se cada vez mais escassas. Talvez por trabalho, talvez por falta de vontade...
Eu sempre quis permanecer ao lado dela. Eu queria protegê-la de tudo. Mas acho que Rangiku não acreditava tanto em mim...
— Hey... Gi— digo, Capitão Ichimaru Gin...
— Yare, yare Rangiku, por que está me chamando assim?!
— Ora, você se tornou um capitão agora, não posso te chamar mais com tanta intimidade...
— Hahaha Rangiku, você continua me fazendo rir... – Me aproximei novamente daqueles olhos penetrantes – Não faça cerimônia, sua boba...
— Bom, meus parabéns... – ela estava cabisbaixa novamente.
— Rangiku...
Talvez fosse hora de fazer alguma coisa...
— Yare, Obrigado... – Sorri novamente, tentando mudar um pouco a feição de seu rosto – Sabe que dia é hoje?
— Não...
— É “nosso” aniversário... – Limitei-me a continuar sorrindo.
Sim, aquela noite marcou mais um ano. Era o dia em que nós tínhamos nos conhecido...
Como eu poderia esquecer daquele rosto sereno, um pouco manchado, daquelas roupas sujas, mas de um olhar profundo e enigmático.
Da primeira vez em que eu ouvi sua voz...
Por um instante, lembramo-nos de nossas pequenas aventuras quando éramos crianças...
Que nostálgico...
— Ah... – Ela ainda estava cabisbaixa
— Rangiku, o que foi!?
— Nada não...
— Como se eu não te conhecesse... Vamos, me diga o que está passando na sua cabeça agora...
Por mais que ela quisesse esconder, não poderia.
Eu a conhecia muito bem...
— Talvez... Eu esteja com medo...
O que eu poderia fazer pra ela?! Eu só queria vê-la feliz...
— Tudo bem, eu deixo você ficar aqui essa noite, comigo, o que acha?! Vamos comemorar o “nosso aniversário”?!
— Gin... – Ela esboçou um sorriso, ao ver novamente a cor de meus olhos.
E eu passei a gostar deles...
Eu já sabia...
- Me perdoe, Rangiku.
Foi a única coisa que consegui dizer antes de ser levado para o Hueco Mundo. Nesse dia, Aizen revelou a todos a sua maior ambição. Eu e Tousen fomos com ele, como dois malditos cães de guarda. Eu preferia que ela não tivesse me visto daquela forma...
Odeio dizer adeus.
Talvez nunca mais nos encontraríamos.
Ah, Rangiku, parece que deu tudo errado, não é?!
E nossa promessa?!
Perdão por não poder cumpri-la...
Nos separamos completamente depois disso. Eu imagino o ódio que ela deve ter sentido de mim. Afinal, eu os traí. Eu a traí.
Como uma cobra, que rasteja em busca de sua presa, enganando no mais íntimo de seu ser todas as pessoas... Até aquelas que mais se ama...
E pensar que Rangiku não havia me esquecido, ou passado a me odiar. Ela simplesmente continuou sua vida, mas nunca tirou-me de sua mente. E eu... Fiz o mesmo.
Apesar de seguir Aizen em todos os seus passos, de uma coisa eu tinha certeza...
Ele fez Rangiku sofrer.
Esse cara... Esse cara é o chefe...
Esse é o cara...
A quem devo matar!
— Do que você tem medo, Rangiku?!
— Eu... tenho medo de nos separarmos algum dia...
— ?!
— Gin, você sabe muito bem que você é uma das pessoas mais importantes para mim...
Como era bom ouvir isso de seus lábios. Se eu era uma das pessoas mais importantes para ela, por que Rangiku tinha medo?
— ...
— Agora que você é um capitão, eu...—
— Yare, então você acha que só por eu ter me tornado um capitão eu vou me distanciar de você?!
— Não quis dizer isso...
— Ora Rangiku, — Suas palavras me deixavam tão bem, que eu não parava de sorrir – você é a pessoa mais importante que eu já conheci. Então, por que se preocupa?!
— Eu... não quero te perder... só—
— Shhh, — Parei suas palavras colocando meu dedo sobre seus lábios – Não pense nessas coisas. Eu quero te ver sorrindo, tudo bem?!
— Gin...
— Saiba que eu nunca vou me separar de você, haja o que houver...
— ... – Yare, yare, ela corou de novo. Como isso a deixava mais bonita.
— Eu vou cumprir a minha promessa, lembre-se disso...
E por mais tempo que eu permaneci longe de todos aqueles que um dia afirmaram ser meus amigos, mais meu coração clamava por ajuda.
Coração?!
Por quê?! Por que ela veio atrás de mim?! Estaria louca?! Aizen poderia ter a matado!
Será que ela estava tentando me levar de volta?!
Estava ferida. Mesmo assim, seu coração lhe impulsionara a me alcançar.
Foi como se... Se o coração dela tivesse ouvido o chamado do meu...
... Coração?!
Eu só queria protegê-la...
Ah, Rangiku, quantas coisas eu tentei te dizer, mas não pude...
Eu não queria partir sem me desculpar.
Sem te ver novamente...
Sabe por quê?!
E se cobras não nutrem sentimentos, como eu poderia amá-la?!
Sinto sua falta...
Rangiku, não deu certo...
Por ser o único capaz de matar Aizen, meu destino foi reescrito.
Não era essa sua grande ambição?!
Possuir o poder sobre a Hougyoku para poder controlar o destino dos outros?!
Quantas vidas você ofereceu a ela?!
Quantas vezes você feriu Rangiku, tudo em nome de sua maldita ambição?!?!
Você deu a sua vida para a Hougyoku... E eu quero fazer você pagar por isso...
Suas ilusões não funcionam mais comigo.
Morra, Aizen!
“Mate, Kameshini no Yari...”
Eu sou traiçoeiro, como uma cobra.
Eu disse pra você não se unir a mim...
Eu devoro todos aqueles que parecem deliciosos...
Assim, Rangiku não precisará mais sofrer...
Porque eu prometi a ela que não nos separaríamos...
Dias do passado...
— Gin! Por onde você andou?! – Ela era tão pequena, mas já portava um sofrimento enorme...
— Rangiku...
— Essas roupas de shinigamis! Onde você as pegou?!
— Eu já me decidi...
— ?!
— Eu vou me tornar um shinigami...
— Gin?!
— Me tornar um shinigami e mudar as coisas...
Assim, no fim...
Rangiku não precisará mais chorar....
GIN!!!!
Eu ouço a sua voz... Está... Me chamando?!
E veja em que estado deplorável eu estou...
O meu desejo de mudar as coisas me levou para meu próprio fim.
Fim?!...
Encharcado de sangue...
Tentando abrir os olhos pra poder te ver mais uma vez...
Rangiku, não deu certo...
No fim... Eu não pude recuperar o que lhe foi tirado...
Ahh... Eu sabia...
Eu prometi que você não choraria mais...
Então não chore...
Estou feliz...
Por me desculpar.
(...)
Notas finais
Segurem suas lágrimas, TT
[eu qse não segurei as minhas u_ú]
Eu realmente acredito que o Gin não vai morrer
Mas... vai saber o que se passa na cabeça do tio Kubo, neh?
Obrigada por lerem
Reviews?!
=)
Fale com o autor