Deh e Dih
17 Sorrisos sinceros.
Notas iniciais
Uma chama parece se acender. E vem queimando minha pele devagarinho. O calor se torna extremo e logo insuportável. Ao longe sinto que meu corpo está molhado. Aquilo estava me tirando dos meus doces sonhos e me acordando bruscamente.
Abro os olhos e estou soterrada por Dimitri. Ele está todo enroscado em meu corpo e eu não tenho uma brecha próxima para mover meu rosto e respirar. Meu rosto está na curva do seu pescoço. Tento mover minha cabeça, num modo que possa respirar direito. Dimitri resmunga preguiçosamente e se desenrola um pouco de mim. O sol já tinha iluminado quase o quarto todo, inclusive eu e ele. Fiquei pensando em ontem. Dimitri me consolou até eu dormir, e ficou por aqui para garantir que eu ficaria bem. Lembrei-me das suas palavras. ''Eu te amo''. Sorrio. Eu também te amo meu grandão.
Dimitri agora havia transformado meu corpo em um travesseiro. Com o rosto colado no meu peito, os braços em volta da minha cintura e os joelhos prendendo minhas pernas de se moverem. Olho em volta em busca de uma maneira de conseguir escapar, mas acabo adormecendo.
''Corro em direção a luz, sem olhar para trás. Eles me perseguem sem parar. Eles querem me fazer mal. Querem me fazer mal. Suas mãos me tocam e eu sinto nojo. Cuspo em seu rosto e ele me bate. A dor é suportável, porém logo a ardência se espalha. Não, não, não. Eles riem maleficamente. Corro os olhos pelo lugar procurando uma saída, mas não acho. Então o maior, aquele dos olhos verdes, me pressiona contra si. ''Você vai gostar. Vai sim.'' Não quero, não quero... Ele então abaixa as minhas calças. Inspiro, pronta para gritar, quando um dos outros tapa minha boca. Então o sinto entrar violentamente na parte mais sensível do meu pequeno e indefeso corpo.''
Sinto mãos me sacudirem de leve. A voz suave de Dimitri me acorda sobressalta. Murmuro um ''tudo bem'', meio convincente. Digo que sonhei com palhaços, pois odeio palhaços. Dimitri se deixa convencer. Descemos em direção a cozinha conversando tranquilamente. Meu coração para por dois segundos quando vejo Richard circulando pela cozinha com seus fones e sua roupa habitual. Ele percebe nossa presença e se vira. Richard é tipo de cara considerado sexy para a idade dele. Às vezes eu o caçoava dizendo que era um Ian Somehalder da vida. Com seu corpo alto e esguio, os músculos definidos, os cabelos bem arrumados e os olhos de um cinza brilhante, Richard chama atenção onde quer que passe. Ele nos olhou despreocupado. Fiquei cautelosa e o olhei enquanto vinha cumprimentar Dimitri e eu. Depois de me abraçar, ele apertou a mão de Dimitri.
–Você deve ser o famoso Dimitri, que bom finalmente conhecer você.
–Posso dizer o mesmo, sr Müller.
–Pode me chamar de Richard.
–Você fez o café?- Pergunto.
Ele concorda com a cabeça. Olho para Dimitri fazendo uma pergunta silenciosa. Ele faz que sim com a cabeça. Preparo três canecas fumegantes de café para nós e sorrio ao ver que Richard comprou minhas bisnaguinhas. Tomamos café animada e abertamente. Dimitri contra sobre si e meu pai aprova logo de cara. OMG. Olho para eles e quase choro de emoção. Dimitri recebe uma ligação e vai embora logo em seguida, me deixando sozinha com Richard.
–Bem, ele aparenta ser bem melhor que Nathan. Sinta-se sortuda.
–Não preciso me sentir. Eu já sou.
–Boa resposta.
Mais tarde vou ao parque me encontrar com Camila. Ela como sempre se atrasa, então sento-me na grama para esperá-la. Observo as pessoas a minha volta. Sinto meu coração bater mais forte quando avisto o adorável corpo de Dimitri. Há um homem com ele, mas não identifico direito quem é. Mando uma mensagem para o seu celular.
Olhe em volta.
Ele me procura pelo parque e seus olhos brilham assim que me vê. Então o homem também se vira. Congelo rapidamente. Reconheço seus traços como se o tivesse visto durante anos. O corpo alto, as roupas escuras, o olhar penetrante, os olhos verdes. E vejo como se parecem. Então a raiva, misturada com terror, toma conta do meu ser.
Aquele era um dos homens da Dulce.
E um dos monstros que me estuprou.
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