Deh e Dih
22 Ponto final ou vírgula?
Notas iniciais
As semanas se passaram num piscar de olhos. Richard e Ross, com os dias, conseguiram achar não só um dos estrupadores, mas todo o resto. Eles eram muito procurados. O principal, o dos olhos verdes, se chama Victor Rodriguez, e um dos parentes dele Tomás, meu professor de teatro, também estava envolvido. Richard pediu sigilo do meu caso novamente para Ross, que sem pensar duas vezes, correu com os papéis de vítimas. Se não tivesse essa confusão toda com Dimitri, eu poderia considerar um presente de aniversário. Afinal de contas, o que sempre quis aconteceu. Victor e os outros estavam agora atrás das grades.
Mas o que me doía era Dimitri. Todos pensavam que Victor era um homem bom, quem dera que fosse. Ele amava o pai, sei como está sofrendo por saber tudo o que ele fez. E me doía mais ainda querer estar com ele e não poder mais. Camila achava que iríamos acabar juntos no final, mas eu não tinha tanta certeza disso. Eu sai do teatro e comecei a procurar empresas no centro da cidade para me inscrever no ano que vem.
Recebo de repente uma mensagem. De Dimitri.
Tudo que tem começo tem um fim.
Mas lembre-se de uma coisa:
Nunca se esqueça de mim.
Fiquei uns longos minutos olhando aquela mensagem quando finalmente resolvi responder.
E antes que ele junte o que nasceu separado
Conheça a sincronia que muda constantemente,
Somos dois corpos separadamente próximos
Feitos para ficarem juntos, eternamente.
Olhei em volta. Vamos mesmo conversar assim? Meu celular apitou.
Me perdoe,
Eu só sei amar assim.
E me dói quando você se vai,
Pois leva contigo um pedacinho de mim.
Lágrimas contidas acumularam-se na minha garganta. Não respondi a essa mensagem, corri para o quarto e me joguei na cama. Chorei até conseguir adormecer.
Um barulho irritante me tirou do meu sono sem sonhos. Esperei para de tocar e tocar novamente. Olhei em volta. Chorando, mas consegui dormir direito. Meu travesseiro estava meio úmido, meu cabelo estava espalhado no meu rosto, e eu estava com a roupa de ontem, jeans e uma blusa preta. O toque do meu celular começou a soar pela casa. Tateei o criado mudo em busca dele, até perceber que ele estava na sala.
Merda.
Corri até a sala pegando o telefone e atendendo-o.
–Alô?
–Filha?- Richard.- Vem aqui na delegacia.
–O que houve?
–Não precisa vim se não quiser.
–Fala o que é.
–Victor quer falar com você.
Porra! O que ele quer?
–Passa o telefone pra ele.
Uns minutos depois a voz grave de Victor soou pelo telefone.
–Alô?
–Vai pro inferno, seu filho da puta.
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