Deh e Dih

26 Momentos.


Notas iniciais
Não me matem rs, estive sumida mas estou de volta. Boa leitura!!

O táxi parou em frente ao prédio da Müller e meu coração deu um pulo. Eu tinha marcado uma entrevista com John Stanton, da empresa Stanton Publicity, Inc. Uma empresa de publicidade muito conhecida por seus estilistas, sua gravadora, a Stanton Records e é claro pelo John, que herdou a empresa do pai, Alexander Stanton. A Müller também é uma empresa bastante conhecida, não só pela publicidade, mas por outras coisas que são responsáveis. John ganhara o espaço na Müller, ocupando metade do prédio, e se tudo der certo, eu estarei, em breve, trabalhando lá.

Caminhei com confiança até a recepção, onde vi uma linda loura de olhos castanhos, vestida impecavelmente de azul. Informei-lhe meu nome e ela indicou o elevador. Me disse o andar e me entregou um crachá novinho escrito "VISITANTE". Caminhei até o elevador e entrei apertando logo em seguida o botão "20".

–Segura aí para mim!

Estiquei o braço e as portas do elevador se abriram. Um moreno muito elegante entrou. Seu cabelos era cor de cobre, seus olhos eram acastanhados e ele provavelmente ia a academia regularmente. E ah, ele era super alto.

–Obrigado senhorita...

–Cooper.

–Senhorita Cooper.

Olhei rapidamente para ele, reparando minimamente em sua roupa. E tomei um susto ao ver que combinava com a minha. Ele vestia um terno preto e uma camisa branca por baixo, calça preta e a gravata vermelha. Eu estava com uma blusa branca, uma saia preta de cintura alta, um cinto vermelho fino e saltos não muito altos nem muito baixos. Ele cheirava a colônia e sabonete. Sem contar que algo em sua postura me parecia familiar. Ficamos em um silêncio estranho até o vigésimo andar. Eu até então não desconfiava que ele não tinha apertado botão algum, e quando ele saiu junto comigo eu evitei expressar minha surpresa. O andar era todo em vidro e tinha cheiro de folha. É claro que tinha ar condicionado, e provavelmente o objetivo era deixar o ambiente congelante, pois o vidro só deixava tudo mais frio. Uma mulher estava sentada no que parecia ser uma recepção. Para o homem ela sorriu, para mim ela só me encarou com aqueles olhos castanhos. Ela também era loura e vestida um vestido preto risca de giz branco.

–Você é a senhorita Cooper não é?

–Sim.

–Você tem uma entrevista marcada com John Stanton não é?

–Sim.

–Muito bem.-Ela pegou um telefone em sua mesa e apertou um botão.-Ela já está aqui.-Ela ouviu.-Ok. Ande até o final do corredor. Você verá uma porta branca com um M gravado nela.

–Obrigada.

Virei-me e caminhei até aonde a loura me falou que era. Bati na porta e entrei logo em seguida. Uma grande mesa. Essa foi a primeira coisa que entrou na minha vista. Uma cadeira logo atrás, alguns vasos de plantas, discretamente colocados, uma grande janela com vista para a cidade. Vi o homem que estava no elevador comigo sentado em uma das poltronas espalhadas pela sala. Uma mulher, que não era loura, olhava para a janela. Ela vestia um vestido cinza, justo e saltos. Do jeito que estava, parecia estar admirando seu império.

–Com licença.-Falei.

Ambos olharam para mim. Nossa, quantos anos ela tinha? Se ela dissesse que tinha quarenta anos eu iria me sentir recém-nascida. Ela caminhou até mim com confiança e estendeu a mão.

–Senhorita Cooper, é um prazer conhece-la, meu nome é Elizabeth Müller, eu farei sua entrevista hoje.

Ela falava profissionalmente. E eu fiquei logo contente. Mas o que eu queria saber era se aquele homem iria participar também da minha entrevista. Ela fez um gesto em direção a sua mesa. Sentei-me na cadeira de frente à mesa e ela se sentou na cadeira atrás da mesa.

–Você tem notas excelentes. Mas o objetivo não são suas notas. Agências, empresas, indústrias de publicidade tem muito a ver com sua imagem e capacidade de ser ofendida e mesmo assim não mostrar que foi ofendida. Exige-se muito isso. Confiança em si mesma, criatividade, educação e ser profissional mesmo que não se sinta capaz disso. Você acha que tem isso? Ou que pode ter?

–Eu tenho isso.- Respondi confiante, sabendo aonde ela iria chegar.

–Você é uma jovem tenaz, acredite isso impressionou tanto John quanto eu. Essa cidade é grande e cheia de empresas de publicidade boas, mas você insistiu nessa. Isso abriu nosso interesse, mais o meu do que o dele. Enxergo um futuro para você aqui nessa empresa, senhorita Cooper. Jovens da sua idade quando recebem entrevistas, muitas vezes perdem pontos por causa do horário. Nada, a não ser um acidente ou problema de saúde, pode justificar atraso.

–Concordo com a senhora.

–É claro.

–Senhorita Cooper.-O homem me chamou.-Você responderia com sinceridade se pedissem sua opinião em relação a algo? Qualquer que fosse?

–É claro.

–Então, se eu lhe perguntasse agora mesmo uma opinião sobre um projeto que estamos desenvolvendo...-ele deixou a pergunta no ar.

–Responderei sinceramente.

Ele se aproximou de mim e estendeu o tablet. Peguei o tablet e analisei.

–É uma propaganda de carro. Estamos desenvolvendo um comercial para um novo modelo.

Um Corvette preto apareceu. Andando pelas ruas, dentro um homem dirigia. "Está pronto para algo diferente?'' O carro em si estava bonito, bem modernizado. Estava mais brilhante que de costume. Ao longo do vídeo, foram mostradas características que foram adicionadas ao carro, novas cores. No final o carro pegou a estrada e seu nome apareceu.

–O que acha?

–A propaganda é boa. É um novo modelo para uma marca antiga. Mas acho que falta uma frase.

–Uma frase?

–É, uma frase final, algo misterioso.

–Fale uma.

Pensei e falei.

– "Um clássico não muda, só melhora."

–Excelente. Obrigado.

–De nada.

–Senhorita Cooper. Nós trabalhamos com mentes brilhantes, criativas e bem informadas.-Ela se levantou e estendeu a mão.- Será um prazer ter você conosco. Parabéns, você está contratada.

Puta que pariu!

Notas finais
Até a próxima!!