Deh e Dih

3 As flores.


Notas iniciais
E mesmo que eu me perca num campo cheio de flores, Eu sei que você me encontrará.

Olhei incrédula para o meu reflexo. Meu cabelo podia ser liso, mas embaraça que é uma beleza. Há uns minutos atrás Camila me mandou uma mensagem dizendo que Tomás chamou todos os alunos para uma reunião urgente. Decido então fazer uma trança e por um vestido. Calço meu tênis e corro para o teatro. Encontro no meio do caminho Nathan, meu namorado e juntos vamos para o teatro.

Chegando lá, encontro Camila histérica. Não tivemos tempo para falar sobre eu ter ficado sozinha com Dimitri. Oh Deus, Dimitri. Corro meu olhar pelo teatro e para o meu alívio não o encontro lá.

–Bem,- começa Tomás- eu chamei vocês aqui porque vou ter que adiantar o começo das aulas. E nós ainda não temos uma ideia fixa para a peça.- Murmúrios começam e logo cessam quando outra voz continua o discurso.

–E por mais difícil que seja para a maioria, esse ano será o último para todos que estão aqui. Pois daqui vocês serão encaminhados para outros diretores de teatro, e quem sabe de cinema? Então galera, sem tempo a perder. Vamos lá.

Me escondi de seus olhos ficando atrás de Nathan. Ele é alto e musculoso o suficiente para isso. Apesar dele não ter percebido o porquê de eu estar me escondendo, o faz bem. Coitado, se soubesse porque me escondo, me faria sair do teatro. Nunca gostou que eu fizesse e Dimitri seria o foco principal. Dimitri. Deus, só de pensar que terei de aturá-lo por um ano já me deixa irritada. Mas outra coisa me ocupa a mente. Eu só terei mais um ano no teatro. E depois serei encaminhada para outro. Minha nossa senhora.

Tomás começa a dar ideias e pedindo ao pessoal opiniões. Expresso as minhas através de Camila, assim eu não precisaria me preocupar com os olhares fixos de Dimitri. Até então tudo estava dando certo até Nathan dizer que precisava ir pro trabalho. Eu amaldiçoo esse trabalho noturno dele, mas falar não adiantaria. Assim que Nathan se vai, minha autoestima parece ir junto. Dimitri corre o olhar pelo teatro como se tivesse notado Nathan saindo, e me vê. Sorri, e eu reviro os olhos. Ele então sai de onde está e vem até mim. Cruza os braços e me olha.

–Está linda de trança.- Ele me examina.- E esse vestido...

Resmungo em inglês e ele ri suavemente. E uma pequena parte de mim começa a gostar disso. Peraí, o que?

–Posso ser galinha, mas não sou burro. Eu sei que você está me xingando em inglês, e eu adorei isso.

–Não me importo que você saiba inglês, você pode saber até língua de neném e mesmo assim não vou me importar.

Para completar, faço cara de indiferente. Dimitri então, agarra meus ombros e me beija na bochecha. Foi tão rápido e inesperado que nem tive tempo para recuar. Senti minhas bochechas arderem. Droga, Demetria, não core!

–Você está louco?-Digo irritada.

–Sim, louco para sentir a maciez dessas bochechas que vivem corando.

Um minuto de silêncio.

–Você é um ridículo, imbecil que acha que sou como as outras. Pois não sou! Não pode simplesmente me beijar na bochecha, dizer palavras bonitas e achar que vou me derreter para você.

Eu devia estar fazendo uma cara engraçada ou o vermelho das minhas bochechas se acumularam no meu nariz, porque Dimitri começou a rir, e rir, e rir. E antes que todos notassem que está rindo da minha cara, vou até Tomás e peço-lhe para ir embora. Ai, que ódio que tenho desse garoto! Me viro chamando Camila, que me acompanha prontamente. Passo por Dimitri e esbarro em seu ombro.

Ao chegar no portão da minha casa paro. Camila ao ver que não vou me mexer pelos próximos três minutos, corre até a porta da minha casa e pega o que prende meu olhar. Caminha até mim e sorri quando abre a caixa. Um lindo buque de flores! Minha nossa!

–Desde quando Nathan ficou romântico?

–Eu não sei.

De repente meu celular toca. É Nathan. Ao atender escuto ele bufando.

–É verdade que lhe deram um buque de flores Demetria?

Incapaz de responder, fico olhando para as flores. São cor de rosa e muito perfumadas. Nathan de repente berra ao telefone me fazendo pular.

–Quem envio-lhe isto?

–Eu não sei, dá pra você ficar calmo? Tenho certeza de que foi um engano.

–Não, não foi. Eu estava indo à sua casa quando um cara colocou a caixa na sua porta. Eu olhei dentro da caixa e vi as flores. Corri atrás do cara e lhe perguntei para quem eram. Ele disse teu nome. Eu achei que, sei lá, alguém errou de endereço, ou confundiu os nomes. Mas não.

–E por quê você não me ligou?

Ele para.

–Eu não sei! Eu fiquei tão puto que fui embora para tentar ficar calmo.

–Tá. Nathan, se acalme e depois eu te ligo, ok?

–Não, eu vou ai.

–Ou, ou, ou calma aí camarada, eu disse que ia te ligar, não pedi para vir aqui.

–Mas Demetria...

–Tchau.

Uns instantes depois, Camila tira um cartão da caixa e me entrega.

–Leia!

Leio em voz alta:

–''Uma flor no campo, um sorriso exuberante, eu vou te conquistar, menina brilhante!''

Eu olho para Camila que retribui o olhar.

–Dimitri?

Notas finais
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