Deh e Dih
19 Ah, saquei.
Notas iniciais
Acordei já em alerta. Meus pensamentos voaram para Demi. Levantei e peguei meu celular. Nenhuma ligação perdida, nenhuma mensagem de texto, nenhuma mensagem de voz. Ignorei o nó que começava a se formar na minha garganta e liguei para Camila ao invés de Demi. Ela atendeu no terceiro toque.
–O que você quer?
–Err, falar com a Demi.- Respondi meio nervoso.
–Ela não quer falar agora.
–Eu quero ouvi-la falar isso.- Devia estar bem óbvio o desespero na minha voz, porque ela cedeu.
A voz de Demi soou por meu ouvido. Estava controlando suas emoções e algo a mais.
–Oi.
–Pequena! Precisamos conversar.
–E-e-eu não posso falar agora Dimitri.- Ela gaguejou nervosamente.
–O que? Por que?
–Eu explico depois.
–Promete?
–Prometo.- Ela fungou baixinho.
Sua voz agora estava carregada de medo e dor. Senti-me mal, por mim e por ela. Toquei o telefone com a outra mão querendo tocar-lhe a face.
–Certo.- Digo tentando controlar a onda de emoções na minha voz.
–Vou desligar, Dimitri.- Meu nome parecia de sido forçado a sair.
–Quando vou te ver?
–Eu não sei ainda, mas não me procure ok? Deixa que eu procuro você.
–Tudo bem.
–Tchau grandão.- Sua voz saiu num sussurro.
–Tchau pequena.
Por um lado eu queria quebrar a promessa, pelo outro eu estava encolhido na cama queimando o cérebro em busca de algo que ela contou que encaixasse meu pai na história. Lembrei-me do que contou sobre seu passado. O jeito que ela contou como aconteceu, como descreveu cada homem. E quando descreveu o pior de todos. Como seus olhos obtiveram um brilho de ódio de medo. Como se transformou quando seus olhos pousaram no meu pai. O desespero que meu pai começou a ter quando descobriu quem ela era.
Então a ficha caiu para mim.
Entendi o por quê dela estar fugindo de mim, o por quê de demonstrar o mínimo de emoções possíveis. É como se me ver fosse doloroso demais. É claro que era. Eu sou o filho do monstro que assombrou parte da sua vida durante todos esses anos. O filho de um dos homens da sua mãe. O filho daquele que a estrupou. Cai em prantos, chorando feito uma criança.
Ahh...pequena...
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