Deh e Dih
8 A biblioteca.
Notas iniciais
Meu domingo foi um agito. Teatro na casa do meu tio, almoço com a família, jogar video-game com meus primos e é claro, pensar em Demétria. Eu poderia passar o dia inteiro com ela sem problemas. Ou pensando nela. Ela simplesmente tomou conta dos meus pensamentos.
Os três primeiros dias da semana foram um saco. Não vi Demi e nem fui para o teatro. Mas no quarto dia, decido ir a Biblioteca Pública. Chegando lá, vou direto para o setor de poesia e poema. Me surpreendo ao ver Demi sentada de costas para uma estante de autores brasileiros. Devagar, me aproximo e vejo que, além de livros em volta, à sua frente tinha um caderno e que ela estava escrevendo nele. Me aproximei mais até ficar bem atrás dela. Então eu vi, que ela também escrevia poemas.
''Na terra brota a semente,
da semente nasce a flor,
dos olhos, a planta ardente,
e no coração, nasce o amor.''
''Liberdade de voar,
para um horizonte qualquer.
Liberdade de pousar,
onde o coração quiser.''
''Queria escrever na água,
como escrevo na areia.
Queria escrever seu nome,
no sangue da minha veia.''
–Esses poemas são para o seu namorado?
Demi pulou da cadeira e fechou bruscamente seu caderno e o jogou dentro da mochila. Levantou-se e guardou os livros em seus devidos lugares. Pegou minha mão e puxou para fora da biblioteca. Lá fora, gritou:
–Está louco?!
Sorri. Pelo menos ela tem respeito pela biblioteca.
–Eu fiz uma pergunta. Primeiro.- Falei.
–Não te interessa para quem é aqueles poemas.
Aproveitei o momento dela se acalmar para reparar no que estava usando. Estava de jeans e uma blusa branca. Seu cabelo estava preso e calçava chinelos.
–Desde quando escreve poemas? Você é muito boa.
–Desde os onze anos.
–Nossa. Bem, agora eu tenho uma concorrente.
–A há!-Ela olhou em volta.-Se importa de ir ao shopping comigo? Estou morta de fome e não estou afim de ir para casa comer.
–Sem problemas, vamos lá.
–Valeu, camarada.
Passei meu braço em volta de seu ombro. Caminhamos até o shopping que era ali perto, falando de poesias e poemas. Assim que chegamos, corremos até o BurguerKing. Demi pediu um hamburguer enorme e o devorou em tempo record. Sorri. Essa é das minhas.
–Comilona.
Ela sorriu com a boca suja de maionese. Percebendo meu olhar em sua boca, rapidamente pega o guardanapo e limpa sua boca. Engulo em seco e desvio o olhar. Escuto-a dando uma risadinha. Olho para ela.
–O que?
–Nada. Só achei ter visto você corando.
Ela sorri e eu também.
Depois de rodar no shopping por uma hora, a levo para casa e vou para a minha. Tomo banho, janto e vou me deitar. E naquele instante entre estar deitado e não dormindo permito me coração revelar que finalmente está amando.
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