Degolados - Casa Dos Horrores

2 Capítulo 2 - Na sala do coelho


Notas iniciais
*Hime, que é conhecida como Orihime, na história original, não é irmã verdadeira de Elizabeth/Alice, elas só são "irmãs", porque são idênticas de aparência e por disfarce . Ela representa o coelho e seu nome (por enquanto) é Camron.
¹A personagem vive em conflito com sua própria existência na história original, mesmo seu nome verdadeiro sendo Elizabeth, ela possui muitos nomes e Hikari é um deles.
²Seria o sovaco da perna.

O corredor estava cheio de chaves, mas não havia portas para elas abrirem; andava mais um pouco e avistava uma porta laranja, todavia quando tentou abri-la, estava fechada, “Com certeza uma destas chaves irá abrir a porta”, falou para si mesma, “mas são muitas chaves”, a preguiça dominava a pequena, que pegava as chaves com desânimo e testando uma a uma na porta laranja, porém sem sucesso. A pequena decidia procurar uma chave da cor da porta. Voltava a vasculhar as chaves e encontrava apenas uma, a testava, mas sem sucesso de novo.

Cansada, a pequena garota sentava no chão, encostando-se à parede, ficando de frente a porta, “ficarei o resto da minha vida aqui”, pensava a garota desanimada. Olhava para a porta, o símbolo de seu desânimo e esperando de sair daquele corredor. Dessa vez a garota olhava atentamente para a porta, percebendo que tinha uma chave enferrujada, na frente da fechadura da porta, porém só se conseguia perceber isso no ângulo em que estava, não podia perder a oportunidade e foi logo pegando a chave, mas a fita por onde estava pendurada era curta demais, por isso a garota ia logo desamarrando a fita, sem prejudicar a chave enferrujada. Quando soltava, ia logo coloca-la na fechadura, assim abrindo a porta.

A sala, que havia por de trás da porta laranja, estava cheia de relógios, de todos os tipos; tinha alguns cucos e relógios de bolso, que estavam pendurados em várias partes da parede, mas o que mais havia naquela sala eram os relógios de pêndulo, de todas as formas; alguns eram largos, outros eram finos. Mesmo sendo tipos diferentes de relógio, eles tinham algo em comum, eram todos bem velhos, desgastados, como se o tempo os tivesse condenado. Seus horários não estavam sincronizados.

Parecia que não tinha fim. Quanto mais andava, mais relógios apareciam e quanto mais entrava na sala, mais ouvia um “tec tec”, “ De repente um novo tipo de relógio nunca visto”, pensou a garota. Cada vez mais curiosa, passava os relógios com mais pressa, até avistar uma pessoa. Ficava atrás de um dos relógios de pêndulo, apenas olhando.

A pessoa era uma mulher, de cabelos lisos e longos de cor laranja, usava uma roupa estranha, de cor marrom morta e cheia de engenhocas, possuía orelhas longas de coelho da cor de seu cabelo que estavam todas mordidas, “Por que uma garota possui orelhas de coelho?”, pensou a pequena, estava ficando confusa. A pessoa que estava ali, lembrava bastante sua irmã Hime*.

Em silêncio, saia de trás do relógio de pêndulo, andando com cuidado para não fazer barulho. Cada vez que chegava perto da mulher conseguira ver mais o que havia em sua mesa; estava cheia de partes de relógios, de vários tamanhos e tipos, também tinha instrumentos que desconhecia, alguns estavam enferrujados e manchados de sangue, o que fazia a pequena garota ficar com medo de chegar mais perto.

“Estou atrasada”, a mulher falava, parecia que para si mesma e fazendo seu trabalho com pressa,“ com licença, você irá se atrasar se não ajustar seus relógios”, disse a pequena garota, mas como resposta só obteve um “não tenho tempo para isso”, sem um olhar da mulher, “como sabe se não tem tempo para isso se nenhum de seus relógios tem o horário certo?”, dessa vez a mulher teve uma reação, bateu os instrumentos que usava na mesa, com força e virava lentamente para encarar a pequena.

Olhava a pequena garota de cima para baixo e nesse tempo pode olhar seu rosto pela primeira vez. A pequena tomava um susto, a mulher tinha a fisionomia de sua irmã Hime, mas diferente de sua irmã, a mulher na sua frente tinha olheiras enormes, tão roxas que era impossível não olhar e seus olhos estavam vermelhos, parecia que tinha uma boa noite de sono há muito tempo, “Quem é você?”, a suposta Hime parava o olhar nos olhos da pequena, esperando a resposta, “Sou eu, a Hikari¹”, a outra parecia não conhecê-la, “Elizabeth, sua irmã menor, de repente se lembre deste nome”, disse a pequena, mas parecia que a suposta Hime não havia gostado do que ouvira, pois levantou com as sobrancelhas quase juntando e encarando a pequena mais fixadamente.

Neste instante pode ver melhor o corpo da suposta Hime. Era alta que nem a Hime que conhecia, porém esta possuía detalhes diferentes. Sua roupa estava cheia de buracos com algumas correntes saindo deles, no lugar de seu peito esquerdo havia um buraco (que dava para ver o outro lado) com alguns fios presos na borda dos dois lados, mas o que mais assustou a pequena foram as pernas da falsa Hime, do joelho para baixo não havia perna, apenas um mecanismo que lembrava patas de coelho, só que feito de metal; havia fios que estavam conectados a sua perna e na parte que encostava com o metal estava cheia de machucados, parecia que aquelas “próteses” só estavam incomodando.

A falsa Hime se apoiava a sua mesa ao tentar andar, “como se atreve a vir aqui depois de tudo o que você fez?”, dizia a coelha, tentando chegar mais perto mais perto da pequena, “depois do que eu fiz? O que eu fiz?”, dizia a pequena recuando a cada passo dado pela falsa Hime, “como você não se lembra do que fez? Eu fiz tanto por você e me agradece me dando essas pernas”, a falsa Hime dizia quase avançando na pequena, esta por sua vez recuava em meio aos relógios, prevendo o pior, “Eu não fiz isso, não teria coragem”, dizia a garota, enquanto a falsa Hime ajustava suas pernas que começavam a fazer um estranho barulho, as engrenagens batiam mais forte a cada minuto e nos intervalos bufava soltando um pouco de fumaça, permitindo que a enorme coelha alaranjada ficasse de pé e dar alguns passos em direção a pequena, sem se apoiar em algo.

O desespero da garota aumentava, o rosto da falsa Hime demonstrava o quanto sua pequena presença a perturbava, “Como pode falar isso? Eu farei você sentir o que eu senti...tudo...tudo o que você fez para os outros também”, dizia a falsa Hime se posicionando para um salto, a garota sem pensar saiu corendo em meio aos relógios, buscando alguma porta, alguma saída. Enquanto corria, ouvia Tum, Tum, Tum! Que parecia chegar mais perto. Subitamente a coelha aparecia na frente da pequena, com um pulo dado por cima da mesma, corria em outra direção, mas era surpreendida da mesma forma. Não adiantava para onde corria, a coelha era mais rápida.

Aquela situação não mudava, cansando a pequena, “O que eu faço? Eu não aguento mais!”, dizia a garota que logo em seguida tropeçava batendo o peito no chão, tentava se levantar, mas uma dor em seu tornozelo a impedia; a dor era insuportável, porém teria que aguentá-la para sobreviver. Novamente tentava se levantar e logo a dor vinha, fazendo-a cair de lado.

A cada segundo o som dos pulos da coelha ficavam mais altos. Significava que ela estava cada vez mais perto. A garota teria que ignorar a dor e tentar, mesmo que sendo inútil teria que tentar fugir; ela tentava levantar, dando alguns gemidos altos e quando conseguia ficar de pé, começava a correr, porém mancando ( Fazendo-a ficar mais lenta do que já era). Os, Tum, Tum, dos pulos pesados da coelha estavam fazendo a pequena desistir, assim quando virava para ver o quão perto a outra estava, se surpreender por estar mais perto do que imaginava.

A pequena tropeçava trás, sentando-se no chão, enquanto a coelha ficava parada a dois passos (que seria menos que um pulo dela?), encarando a garota com olhos cansados e com grandes olheiras em baixo deles, enquanto a pequena a encarava tentando compreender o que fez de errado para a sua querida Hime lhe odiar. Todavia essa troca de olhares fora interrompida por um som vindo dos relógios, onde subitamente um grande relógio de pêndulo era derrubado pelo relógio de trás, como em um efeito dominó, que caia entre as duas, separando-as. Então, a garota aproveitava para fugir.

Dava alguns tropeços (seu tornozelo ainda doía) e algumas olhadas para trás, para ter certeza se a coelha não estava por perto. Andava, andava e por fim acabara parando na mesa de trabalho, onde havia encontrado a coelha antes, “Eu não acredito que sai no mesmo lugar!”, dizia a pequena com tamanha decepção, pegando a cadeira onde a coelha estava antes e se sentava, pensando em como iria fugir, “Aquela pernas são bem eficientes, se ela não as tivesse...”, encostava seus finos dedos em uma faca pequena que estava em cima da mesa, segurava-a e a admirava, levando-a para perto de seu rosto. Uma ideia assombrosa passava pela sua cabeça, hesitava quase soltando a faca, mas de repente essa seria sua única saída; assim guardava a faca no bolso da calça e logo procurava outras ferramentas do mesmo formato, mas apenas achou uma que era fina, longa e dura, que também a guardou.

A pequena andava, ignorando a dor de seu tornozelo. Procurava pela coelha, mas nenhum sinal dela. Estava tudo calmo, como se ela tivesse sumido. Decidia tentar derrubar alguns relógios de pêndulo, para chamar a atenção, porém quando foi para trás de um e tentou empurrá-lo, ele apenas inclinou, porém na segunda na segunda tentativa, a garota colocava mais força, fazendo a dor no tornozelo ficar mais forte, “Argh!”, soltava um grito e diferente da primeira tentativa, o relógio caía, espalhando estilhaços de vidro e causando em grande som, que fazia eco por toda sala, logo se escondia atrás do relógio, ao lado do quebrado, esperando.

Depois de um tempo a coelha aparecia, andando devagar até o relógio quebrado. O coração da garota palpitava mais rápido a cada passo da outra. Quando a coelha chegava próximo ao relógio caído, a pequena preparava a faca, respirava fundo e saía de trás do relógio, bem devagar, encontrando a coelha de costas, se agachava e rapidamente enfiava a faca na fossa poplítea², pressionando a faca para baixo, fazendo a coelha soltar um grito agonizante e fazendo-as cair de joelhos no chão, logo a pequena tirava a faca e sentava em cima da coelha, virada para as pernas, dando facadas consecutivas em meio de lágrimas e em seguida ia para a outra perna, fazendo o mesmo.

A coelha em meio aos gritos de dor puxava o cabelo da pequena, perto da raiz, fazendo-a cair, deixando a faca na perna da outra. A garota massageava o lugar que fora puxado enquanto a coelha tentava se levantar, porém suas pernas estavam arrebentadas, “Por quê? Por que você fez isso comigo?”, a coelha gritava soltando lágrimas, enquanto se arrastava na direção da garota, esta por sua vez, subitamente, ouvia um assovio e decide ver da onde vinha, se levantava evitando passar pela coelha, tentando seguir o assovio, “Lizzie!”, choramingava a coelha levantando um braço, como se chamasse a outra. A pequena olhava rapidamente para a coelha e continuava a andar a procura do assovio, “Elizabeth! Não me deixe!”, foi a última coisa que ouvir a outra gritar.

Seguindo os assovios, a pequena passava por vários relógios, novamente, chegando cada vez mais perto de quem (ou o que) estava assoviando. Até que os assovios a levaram a uma porta, parecida com a de entrada, só que obviamente, esta era a da saída. A pequena não perdia tempo e logo girava a maçaneta, saindo da sala da coelha.

Notas finais
Espero que gostem do segundo capítulo, fiz correndo e na minha opinião ficou mal feito e grande, qualquer coisa podem me dar dicas e falar o que acharam okay?
Boa leitura ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.