Definição de Perfeição
8 o chef Pedro
Notas iniciais
Aquilo soou como um tipo de música bizarra para Pedro. Ele gostou de ouvir, mas não compreendia o porquê. Olhou diretamente nos olhos de Karina e perguntou:
– Mas por que você quer dormir na minha casa? Tenho certeza que você tem opções melhores.
– Você é a mais prática e a de melhor acesso. Não vou precisar ir tão longe de casa mas mesmo assim não fico lá. Fora que você me prometeu que ia sempre estar aqui por mim. — disse Karina.
– Eu sei que eu disse, mas não consigo pensar em um plano decente... Pera, pera, pera. Que dia é hoje?
– Hoje é dia 23. Por quê?
– Hoje é o dia que a Tomtom foi para aquele acampamento que a escola dela inventou. Minha irmã vai dormir fora de casa, então o quarto é todo meu... quero dizer, nosso.
– Tá, e os seus pais?
– Hmmm... deixa eu ver que roupas vc trouxe aí nessa mochila.
Pedro vasculhou a mochila de Karina. Encontrou o casaco dela e abriu um sorriso de satisfação. Deixou-o de lado e começou a procurar uma calça. Ficou envergonhado ao encontrar algumas roupas íntimas e deixou-as em um canto da mochila.
– Caramba, Esquentadinha. Você só tem calça apertada?
– Algum problema com isso? Eu me visto do jeito que eu quiser, moleque.
Na verdade, Pedro adorava. A bunda de Karina ficava ótima em calças bem apertadas. Mas para seu plano, Karina precisava vestir-se com calças largas.
– Procura aí no vestiário da academia alguma calça larga pra você.
Já sacando o plano do rapaz, K dirigiu-se aos vestiários masculinos. Ao passar pelo armário de Duca, não pôde resistir e deu uma olhada. Ao abrir, não encontrou muita coisa. Algumas roupas, uma garrafa squeeze, ataduras. Mas uma coisa chamou a atenção de Karina. Uma folha de papel dobrada. Karina abriu-a e viu que era uma carta de Bianca. " Eu vou acabar contigo hoje lá em casa, campeão. Vem preparado que hoje você não vai dormir". A lutadora rasgou a carta com raiva, mas não chorou dessa vez. Estava decidida a apagar seus sentimentos por Duca de qualquer jeito. Não queria sofrer mais.
Karina achou uma calça larga e quase do seu tamanho no armário de Zé. Ao voltar, encontrou Pedro encarando a folha na qual escrevia e apagando com raiva o que quer que tenha escrito com a borracha do lápis.
– Ei, achei uma calça. Já saquei qual é a tua, mas o que você vai dizer que eu sou.
– Bem, eu não disse pra minha mãe pra onde eu ia. Posso dizer pra minha mãe que você é um amigo da Ribalta. Nós fomos a uma festa e você preferiu dormir lá em casa por que é mais perto. Que tal?
– E se ela quiser falar comigo, cara?
– Você é tímido e prefere não conversar.
– Não sei se é uma boa, Pedro
– Esquentadinha, eu não tenho outra ideia. Você tem alguma?
– Tá, tá bom. Mas e se eu precisar ir ao banheiro?
– Eu tenho um que é lá dentro do quarto.
– Com chuveiro e tudo?
– Aham.
– Beleza, vamos lá. Vou precisar tomar um banho depois de toda essa luta.
Karina pôs o casaco por cima da blusa da academia. Pegou a calça e encarou Pedro por alguns segundos. O rapaz demorou a entender e virou-se, dando privacidade para que a garota tirasse seu short e colocasse a calça "emprestada" de Zé. Colocou o capuz por cima do capuz e, ao fecharem a academia, ambos dirigiram-se à casa de Pedro. No meio do caminho, o rockeiro pegou a mão de Karina e a segurou bem firme. Adorava andar de mãos dadas com ela, apesar de o fazer como um gesto inocente. A loira pegou essa mão dele e a passou por cima de seu corpo. Depois de um dia cheio de emoções como aquele, gostava que Pedro a confortasse. Ambos sorriram.
Ao chegarem na casa de Pedro, agradeceram pela sorte que tinham. Apesar de que, quando chegaram, não estava tão tarde, os pais de Pedro já tinham ido dormir.
– Tá afim de comer alguma coisa, Esquentadinha? — perguntou o rapaz
– Sinceramente, tô afim de uma pizza. Faz tempo que não como uma.
– O magnífico chef Pedro irá lhe fazer uma belíssima pizza de forno — disse ele, rindo.
A garota sorriu e soltou uma gargalhada quando viu Pedro colocar um avental e luvas simplesmente para colocar uma pizza no forno. O garoto virou-se e, olhando com aqueles lindos olhos castanhos nos de K perguntou:
– E aí, Esquentadinha, o que você acha dos meus dotes culinários?
– Acho que se eu fosse depender de você pra comer sempre, eu ia ficar gorda num instante.
– Que nada. Eu sei cozinhar. Fora que eu nunca ia querer que você perdesse essa silhueta linda.
Karina olhou pra baixo, envergonhada. Não tinha o costume de ter nada relacionado a sua aparência elogiado. Pedro tocou seu queixo e levantou seu rosto, encarando seus olhos novamente e perguntou:
– É impressão minha ou vc tá com vergonha
Sua resposta foi um peteleco no nariz.
Alguns minutos depois, eles comeram a pizza. Bateram papo sobre a rotina deles na academia e na Ribalta. Era bom conversar sobre coisas do dia-a-dia, principalmente com quem estava disposto a ouvir.
– Bom, acho que é hora de ir pro quarto — disse Pedro depois de lavar a louça.
Karina levantou-se e tentava evitar olhar para Pedro. Era a primeira vez que ia para o quarto de um garoto, ainda mais para dormir. Ela tremia, as pernas estavam bambas, até que ela tropeçou em si mesma e caiu. Pedro segurou seu braço e a puxou para si. Ambos encararam-se, sem reação.
– Pedro... — sussurrou K. Um sussurro que logo foi apagado da memória, junto de todo o resto no mundo. Ao tocarem os lábios, tudo no mundo deixou de existir. Apenas seus corpos colados e seus lábios, querendo mais e mais eram.
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