Definição de Perfeição
25 Saiu uma criança da bu...
Notas iniciais
Os meses se passaram. João e Bianca estavam ótimos e já preparados para serem papais, apenas aguardando a pequena Ana nascer. Faltava menos de um mês. Karina e Pedro não podiam estar mais felizes. Depois daquela primeira vez, eles tiveram diversas outras, cada uma melhor que a anterior, apesar do clima entre tapas e beijos já típico do casal nunca diminuir, mas isso já era característico deles.
Bianca, apesar de feliz com a gravidez, passou por uns maus momentos relacionados a ela. O fato da atriz agora carregar uma criança em seu ventre foi só mais uma desculpa para Jade importunar a vida dela. Pra piorar, a dançarina começava a se envolver com Duca. Felizmente, João a trazia felicidade mais que o suficiente e Ana já era a criança mais amada do mundo, antes mesmo de nascer.
Na Ribalta, iniciava-se a aula de teatro. Os estudantes do curso sentaram-se separados enquanto os outros estavam espalhados em montes na platéia. Bianca estava triste pois no dia, João faltara. O garoto estava procurando um emprego. Felizmente, conseguiu achar um curso de informática que o daria chances de trabalhar com o que gostava.
– Aí, galerinha de teatro, cuidado pro barco não virar. Moby Dick chegou. — disse Jade, com seu sempre sarcástico sorriso no rosto.
– Ô Jade, larga a mão de ser escrota. Vai arranjar o que fazer, garota ridícula. — dizia Pedro, furioso. Odiava que Jade provocasse a cunhada, ainda mais em relação à pequena Ana.
Depois do fora do roqueiro, a filha de Lucrécia calou-se. Se odiava algo mais que Bianca, era gente puxando o saco dela.
– Bom, gente, hoje nós vamos fazer improvisações em dupla. Todos vocês vão interagir, então pode chegar junto, pessoal de teatro. — disse Edgard.
– Bia, tá afim de fazer esse lance juntos? Sem o João aqui eu fico sem ninguém pra fazer esses lances chatos. — disse Pedro.
– Claro que faço. Só me ajuda a levantar aqui?
– Tá complicado, né? — disse o rapaz, dando o braço a ela.
– Você não faz ideia, cunhadinho.
– Bi, cê esqueceu sua garrafa d'água aberta.
– Hã? Que garrafa, Pedro, tá louco?
– Que água é... ai, deus. Socorro. Ajuda, ajuda, ajuda.
– Que que foi, garoto, meu deus?
– Sua bolsa estourou. — disse o rapaz, desesperado.
– Ai, socorro! Ruiva, me ajuda! — começou a gritar Bianca, deixando-se levar pelo pânico.
– Calma, amiga, calma. Pedro, chama o Gael. No caminho você liga pro João, bora!
O roqueiro desceu as escadas praticamente voando, inclusive, tropeçou nos últimos três degraus e caiu, arrancando risadas dos alunos da academia.
– Gente, esse desespero todo é pra quê? Me ver ou ir ao banheiro? — perguntou Karina, rindo.
– Esquentadinha, cadê teu pai? Rápido, cadê?! — perguntava Pedro, enquanto levantava-se, esfregando a cabeça.
– Que que houve, mané? Quer se suicidar e ele é o jeito mais fácil? — respondeu a garota, rindo ainda mais.
– Cadê ele?!
– Ele saiu. Foi fazer alguma coisa no centro. Por quê? — perguntou Karina, assumindo um tom mais sério. Pedro normalmente não agia daquela forma.
– A Bia... sua irmã tá em trabalho de parto. — disse o garoto, enquanto levava as mãos ao cabelo e a loira arregalava os olhos.
– Fodeu! Ai, caralho, e agora?!
– E eu sei?!
– Já sei! O Duca tá dando aula. A gente pra ele nos levar.
– Acorda, Esquentadinha. Acha mesmo que tua irmã ia querer ir pro hospital com o ex dela?
– Aí eu não sei...
– Pera... teu pai foi de carro?
– Não, ele foi com a Dandara no carro dela. Por quê?
Um sorriso travesso surgiu na boca de Pedro e Karina logo entendeu a ideia do garoto.
– Não, não, não, nada disso. Meu pai vai te matar, cara. Fira que cê não tem carteira.
– Esquentadinha, eu já tenho 18, tô fazendo auto-escola, sua irmã tá precisando de ajuda e o João não tá aqui. Vai ter que ser assim.
K encarou o garoto nos olhos, apreensiva. Correu ao escritório da academia e vasculhou por todas as gavetas à procura da chave do carro do pai. Ao achar, voltou à toda e entregou para Pedro.
– Traz o carro pra cá rápido que eu vou pegar a Bianca.
A lutadora subiu as escadas, pulando dois degraus de uma vez, e foi ao encontro da irmã. Bárbara estava ao lado da atriz, acalmando-a, enquanto todos da Ribalta estavam em volta, comentando sobre ou tentando ajudar.
– Bi, vem. O Pedro tá trazendo o carro do papai e a gente vai te levar pro hospital. — disse Karina, praticamente gritando.
– O Pedro?! No carro do papai?! Ai, não, eu não vou. — disse Bianca, com a respiração pesada.
– Caralho, Bianca, olha o teu estado. Vamos logo, caramba.
– Eu vou contigo, amiga. — disse Ruiva.
A atriz levantou com dificuldade, apoiando-se em Karina e Bárbara. Quando estavam no meio das escadas, Pedro entrou à toda na academia e foi ajudar a cunhada junto com as outras. Quando ela entrou no carro, todos a seguiram. Pedro assumiu o volante, Bárbara sentou no banco do carona e Karina sentou-se no banco de trás junto da irmã, passando segurança a ela.
– Ruiva, liga pro João e avisa ele pra ir direto pra Perinatal. — disse Pedro, entregando o celular para a amiga.
– Depois liga pro meu pai também, Ruiva, por favor. — disse Karina, também dando seu celular.
– Tá, tá. — respondeu a garota.
No meio do caminho, Pedro já havia passado por diversos buracos, um motoqueiro chutou o retrovisor do carro e ele quebrou as lanternas, enquanto o rapaz já pensava em como escreveria seu testamento.
Ao chegarem lá, Bianca foi rapidamente levada à um quarto e o trio aguardou na sala de espera. Passaram-se alguns minutos e viram João vindo como um furacão pelo corredor, sendo perseguido por um segurança.
– Ô rapaz, vem cá! Não pode correr no hospital! — gritava o segurança.
– Minha namorada tá dando a luz, caceta! Me erra! — respondeu o rapaz, no mesmo tom.
– Ele tá com a gente. Calma que ele vai acalmar agora. — disse Pedro enquanto puxava a orelha do amigo. A bronca de João, infelizmente, não terminou por aí. Ele ainda tomou uns cinco socos de Karina.
– Será que posso ir ver o nascimento da minha filha ou vocês vão continuar me enchendo?
Após ser liberado, o garoto foi ao encontro de Bianca na sala de parto e o trio voltou a ficar sozinho. Karina aconchegou-se no peito de Pedro enquanto conversava com Ruiva. Estavam nervosos, ansiosos, preocupados. Dali a poucos minutos a vida deles nunca mais seria a mesma. K riu quando viu Pedro encolher-se com a chegada de Gael e Dandara.
– Nossa, logo hoje que isso tinha que acontecer? — perguntou-se a professora, sentando-se ao lado dos jovens, exausta.
– Por quê? Que que teve hoje? — perguntou a loira, curiosa.
– Ah, é. A gente queria fazer surpresa pra vocês. — disse Gael, com um sorriso no rosto. — Hoje eu e a Dandara nos casamos no cartório.
– Ai, meu deus, sério? Parabéns, gente. — disse Karina, abraçando o pai e a madrasta. — Pera, vocês agora vão morar juntos?
– Bem, a gente praticamente já vive junto mesmo. Agora com esses três aí, vamos unir o útil ao agradável... diz aí, como vocês chegaram até aqui?
Pedro encolheu-se ainda mais no banco, mas reuniu coragem o suficiente para poder dizer:
– Eu... eu trouxe todo mundo.
– Como assim?
– Eu... peguei seu carro, seu Gael. E ele teve alguns pequenos acidentes.
O mestre de muay thai fechou a cara e levou a mão à cabeça do genro, que cobriu-se com os braços, esperando uma agressão, mas o que recebeu o surpreendeu ainda mais.
– Você fez bem, moleque. Quando eu não estava lá você ajudou minhas filhas por mim. Brigado.
Pedro virou o rosto, boquiaberto para Karina, que ria. Ele beliscou a namorada que o socou logo em seguida e perguntou, indignada:
– Tá louco?
– Queria ver se não tava sonhando.
– Então se beliscasse, seu animal.
– Mas o que me importava era ver se você era real.
A garota corou com o comentário fofo do namorado. Quinze minutos depois, João apareceu, de olhos arregalados.
– Saiu uma criança da bu... — O garoto dizia assustado, até que notou a presença de sua mãe e do padrasto, fazendo sua voz morrer. — Eu... eu sou pai...
Topor foram, ansiosos para a sala de parto. Lá, encontraram Bianca exausta, suada e rouca. Ela passou por um momento complicado. Felizmente, João estava ao lado dela. E nos braços da atriz estava um pequeno embrulho, que ela olhava com amor e ternura.
– Gente, essa aqui é a Ana. — disse Bianca, com rouquidão.
Todos posicionaram-se em volta das garotas, enquanto Gael e Dandara acariciavam Bianca, dizendo o quanto ela havia sido forte, Pedro e Karina brincavam com as pequenas mãos de Ana, logo depois de as ter esterilizado no álcool em gel e Bárbara parabenizava a amiga. João abraçou a namorada e segurou a filha nos braços a olhava, com os olhos marejados, surpreendendo a todos com um belo discurso:
– Eu... eu te amo... tudo o que eu tenho e tudo que eu sou... é seu.
Todos emocionaram-se. Até mesmo Gael deixou algumas lágrimas tímidas escorrerem pelo seu rosto. A partir dali, eram uma família. Ficariam juntos não importasse o que acontecesse. Bárbara decidiu retirar-se, dando espaço para a família. Todos passaram um tempo até o lado de Bianca, junto do neném. Era incrível como, mesmo sendo uma recém-nascida, ela tinha, já definidos, traços de seus pais. Quando Pedro segurou a neném, ele ria, do quanto um ser humano tão pequeno podia ser tão lindo. E foi ao olhar Karina brincando com a sobrinha que o rapaz viu o instinto materno da loira aflorar. Todo o cuidado que ela tinha. Ela brincando com o neném e fazendo de tudo para certificar-se que a bebê estava segura. Foi naquele momento que ele se deu conta que queria passar o resto da vida com aquela garota linda. Aquela garota maravilhosa. Aquela... Definição de Perfeição.
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