Definitivamente Morta

1 Capítulo 1 - Morta e Desnutrida


Notas iniciais
Primeiro Conto.

Eu não sei que horas são, não estou me importando com que parte do dia é. Eu não me importo com nada. Ou quase nada. Este quarto está bem escuro, há apenas uma vela, acima da TV que o ilumina, fracamente, mas ilumina a minha escuridão. Ela precisa de um pouco de luz, um pouco, só um pouco.

Eu quero que ela vá embora.

Mas ela não vai.

Então eu aprendo a viver com ela.

Adaptação.

Darwin disse isso.

Só os mais fortes sobrevivem, só eles vão viver. Adaptação é a chave para o futuro, se eu me adaptar, eu terei o mundo. Então eu tento, tento todos os dias. É a única coisa que posso fazer. Eu tento.

Simplesmente.

Tento.

Não importa o quão rápido meus alimentos saem de meu estômago para o vaso, o que importa é o quão rápido essa pele virará osso. Eu estou cansada dessa merda. É isso, é a chave. Adaptação. Eu preciso deles, eles me querem. Meus ossos por minha pele. Minha pele por meus ossos.

É isso o que importa.

Ela vem para mim todas as noites, e ela traz o frio. Eu não me encolho. O frio está para fazer parte de mim. Eu o adoro. Ele é parte de mim agora. Ela vem sempre. O quarto fica escuro, é coisa dela. Dessa vadia.

Eu a adoro agora, não vivo sem ela.

Ela me ama.

Eu a amo.

Nós nos amamos.

Ela entende os meus pecados, essa pele grudada nos ossos por tentar seguir Darwin. Eu o escolhi. Eu já não tenho muita coisa, não tenho mais saúde. Não tenho mais nada. Eu sou um nada.

Eu estou morta.

Morrer é fácil. Viver é ruim.

Um último gole de chá para este corpo morrer, em silêncio, no meio da escuridão.

Morta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.