Deep in love

2 Capitulo 2 - Começo de coisa alguma


Pela primeira vez em muitos anos acordei antes do despertador tocar, fiquei um bom tempo olhando para o teto pensando em como iria chegar na escola, o que fazer se eu encontrasse ele, o que dizer, estava cheia de pensamentos e ansiedades que acabei por ficar confusa, então levantei e como tinha tempo de sobra fui tomar um banho para me acalmar um pouco, depois de terminar o banho acabei por me sentir realmente mais calma e relaxada em relação a questão Tanaka Keitaru.

Como a Hikari ainda estava dormindo por ser cedo, decidi fazer nosso café da manhã já que somos apenas nós e o papai está em uma viajem de negócios reparei que sempre a Hikari que toma conta de mim, pelo menos fazendo o café posso demonstrar carinho pelo menos um pouco a ela.

Enquanto preparava o café, ouvia passos fortes no segundo andar, de repente a Hikari aparece por trás da parede me olhando de uma forma assustada.

— Bom dia Hikari fiz o nosso café, e não estou doente, apenas perdi o sono e estava com tempo de sobra, se arrume e vamos comer juntas! — Disse a ela enquanto arrumava a mesa.

Sem nem dizer nada a Hikari tornou a subir as escadas e se arrumar enquanto terminava de arrumar o café na mesa, um tempo depois a Hikari desce me olhando um pouco assustada, senti que ela queria me perguntar algo então tentei ajudá-la a não fazer rodeios sobre minha falta de sono ou quaisquer que sejam suas outras curiosidades:

— Eu perdi o sono porque dormir pensando que talvez eu esteja apaixonada — Disse para ela enquanto mordia um pão.

— Oi? Você, Inori apaixonada? Do dia pro outro? Como assim? — Disse Hikari totalmente afobada com os olhos arregalados em minha direção.

— Eu não sei Mana! Entrou um aluno novo na minha sala, sai com ele ontem e depois disso, sinto frio na barriga quando penso ou lembro dele e fico um pouco envergonhada também, então supus que pode ser amor. — Expliquei para a Hikari.

— Ou febre! — Respondei Hikari dando risadas.

— Argh é serio, me ajuda a entender isso Hikari, é sua função como irmã mais velha! — Disse fazendo uma cara emburrada.

— Mais irmãzinha, eu mesma nem sei o que é isso, então como posso ajudá-la?

Ficamos em silêncio por um tempo, depois começamos a rir. Terminando o café e lavando as louças finalmente saímos de casa sem precisar correr por estarmos quase atrasadas, me senti tão estranha por não estar com pressa simplesmente por puro costume de todas as manhãs serem tão agitadas, olhei para o céu admirando o azul e não reparei que parei no meio do caminho e a Hikari já estava longe com suas amigas...

— É realmente, você tem uma tara por azul não é mesmo Inori?

— Não diria que é uma tara, eu só gosto... Ei! C-como assim? — Disse um pouco espantada, e ao olhar para frente me deparei com o Tanaka — Você me chamou pelo primeiro nome?!

— Chamei, porque somos amigos e é isso que amigos fazem! A propósito, bom dia Inorin! — Ele me respondeu dando aquele largo sorriso.

— Inorin?! Ganhei apelido agora? — Perguntei meio surpresa.

— Claro! E porque não? — Disse ele envolvendo seu braço sob meus ombros.

— Tanaka, desgruda por favor. — Pedi a ele.

— Hm... só se me chamar pelo primeiro nome — Respondeu em um tom debochado.

— Kei... taru — Disse meio envergonhada.

— Eu não ouvi, diga outra vez — Disse ele cantarolando.

— Keitaru! — Acabei gritando.

Ele deu uma grande gargalhada e saiu correndo na minha frente, acabei indo o resto do caminho até chegar no portão da escola de cabeça baixa sentindo-me um pouco envergonhada por ter gritado o primeiro nome desse menino intrigante, ao chegar na sala pude fitá-lo rodeado em sua carteira pelos outros meninos da turma jogando conversa fora, respirei fundo e comecei a caminhar até a minha carteira com a cabeça baixa fixando o olhar pro chão, nunca fui de dar nem um bom dia para alguém da sala, sempre foi o sentimento mútuo de nos ignorarmos e confesso não saber lidar com nenhum desses colegas de classe, apesar de saber o nome de cada um deles, assim que cheguei ao meu lugar, sentei sem dizer uma só palavra, mas pude sentir todos os olhares dos meninos em mim, coloquei meus fones e aumentei até o ultimo volume, não tenho intenção de ficar surda, mas não quero ouvir a conversa deles e estou fazendo a minha parte em ignorá-los, senti então algumas mechas dos meus cabelos se levantarem como se alguém estivesse levantando-as, tentei continuar ignorando, mas senti uma mão passando por meu ombro direito e puxando o fone.

— Inorin, você vai acabar ficando surda menina!

Me virei por puro reflexo e acabei dando uma bela testada no Keitaru, abafei o grito de dor massageando a minha testa, enquanto Keitaru fazia o mesmo, antes que eu pudesse dizer algo ( ou apenas xingá-lo) o professor de literatura havia entrado em sala, literatura é a minha matéria favorita e o professor Umetaru leciona formidavelmente bem, ou apenas creio nisso por gostar da matéria, guardei meus fones e até tentei esquecer a dor da batida de testas que levei, os alunos em volta do Keitaru cada um foi para o seu lugar e então o professor começou a aula.

Assim que a aula terminara, Keitaru começou a me cutucar com o que eu julgo ser um lápis visto que eu estava de costas para ele, dei um grande suspiro e me virei cuidadosamente para a direção do mesmo, não quero acabar levando outra testada então tentei ser cautelosa. Ao me virar Keitaru abriu um largo sorriso e jogou todo o seu peso em cima da mesa, fixando seus incríveis olhos azuis nos meus...

— Está me olhando tanto assim por qual motivo? — Perguntei ficando um pouco desconfortável por estar sendo fitada.

— Oras, o motivo é simples, eu estou esperando você se desculpar pela agressão de mais cedo! — Ele me respondeu em um tom um tanto debochado.

— A culpa é sua! Você fica jogando seu peso sobre a mesa para me atazanar, você é quem deveria se desculpar. — Disse começando a me virar de costas para ele.

Enquanto eu me virava, pude sentir uma das mechas do meu cabelo ser levantava, me virei na direção em que a mecha estava por levantar e o Keitaru estava a segurando olhando fixamente com um olhar de tranquilidade e um sorriso sereno. Não pude deixar de observar tamanha expressão, senti meu coração acelerar aos poucos, ele então lentamente levantou seu olhar em direção ao meu e me deu um largo sorriso como já era de seu costume, eu fiquei um pouco sem graça e puxei a mecha de cabelo que estava nas mãos do mesmo e recomecei a me virar da forma devida quando reparei que havia um dos meninos de pé em frente a minha carteira, dei um leve pulo devido ao susto.

— Ei Tanaka, o que você tem com a Tachibana? — Perguntou com um tom curioso.

— Hã? Eu e a Inorin somos amigos! — Keitaru respondeu dando um sorriso e fazendo um gesto com os dedos de paz.

— Oh! É mesmo?! Eu também quero ser amigo dela! — O menino disse se abaixando para a minha mesa me olhando atentamente.

Eu me levantei sem dizer nada e passei por eles, ao chegar no corredor fui em direção ao banheiro, eu não quero ser amiga de ninguém, só virei amiga do Keitaru por puro acaso, bem ele insistiu e eu me deixei levar, depois de me acalmar no banheiro , respirei fundo e voltei para sala, ao chegar o Keitaru estava conversando com o menino curioso que quer ser meu amigo também, dei um longo suspiro e caminhei em direção a minha carteira, os dois me fitavam enquanto me aproximava, virei o rosto em direção a janela para não encará-los e me sentei.

— Ei Tanaka, a Tachibana é bem tímida né? — Ele fez essa pergunta ao Keitaru se aproximando de mim. — Oi Tachibana, eu sou o Asakura Mikoto, mas isso você já deve saber não é? — Ele me olhou sorrindo.

— Oi, sim eu sei quem você é e se você quer se aproximar do Keitaru, não me use! — Respondi em um tom seco.

Asakura e o Keitaru me olharam um pouco espantados, eu pus os fones novamente para começar a me isolar, porém o Keitaru levantou de seu lugar indo em direção a mim de forma que ficássemos de frente um para o outro puxando meu fone, eu levantei lançando um olhar furioso para ele e o mesmo continuou a me encarar no mesmo nível, Asakura se afastou um pouco de nós um pouco sem graça e medo pela situação.

— Qual é o seu problema Inori?! — Disse Keitaru em um tom sério e indignado.

— O meu problema? Qual é o seu problema e o do Asakura? Ele nunca falou comigo antes, dai você chegou, ele observou que você falava comigo e querendo ser seu amigo quer me agradar? Me poupem! -Respondi olhando mais furiosa ainda para o Keitaru.

— Como é? Você está imaginando coisas! — Retrucou o Keitaru.

— Não estou imaginando nada e me deixem em paz! — Respondi em fúria com um tom um tanto alto.

Olhei em volta e todos da turma estavam nos olhando, ou pior, olhando apenas pra mim, meu coração estava disparado e não de um jeito legal, meu olhos começaram a encher d'água e pude ouvir os cochichos dos alunos entre sim, Keitaru também conseguiu ouvir alguns dos cochichos como : "Só podia ser essa louca da Tachibana", "Ela deveria sair logo dessa sala", "pra que ela continua aqui?"," nossa, porque ela não se mata logo?", eu estava imóvel apenas ouvindo e olhando eles cochicharem, suas vozes em minha cabeça ecoando cada vez mais alto, não consegui conter as lágrimas e comecei a tremer, Keitaru ao olhar para mim segurou a minha mão, aproximando-se do meu ouvido dizendo o que eu realmente queria ouvir, apenas um "vamos sair daqui", eu consenti com a cabeça e ele me levou para fora da sala.

Andando pelos corredores fiquei completamente calada e de cabeça baixa de mãos dadas com o Keitaru apenas seguindo os passos dele, até que ele parou longe o bastante da sala, vi pelos pés dele que ele começara a se aproximar de mim, dei dois passos para trás, passei as mãos em meus olhos enxugando as lágrimas e respirei fundo.

— E-eu estou bem melhor, o-obrigada... — Disse a ele ainda um pouco tremula.

Ele deu mais alguns passos em direção a mim, e antes que eu pudesse me afastar com mais passos para trás ele me segurou pelos braços e me puxou para perto dele por fim me dando um abraço com uma de suas mãos acariciando a minha cabeça. Nesse momento me senti calma, fechei meus olhos e pude sentir os batimentos dele e o cheiro doce de seu perfume.

— Me desculpe, aquilo foi culpa minha... — Ele disse em um tom sério e arrependido. — Não liga para o que você ouviu, não acho que você deveria sair da sala ou que você seja louca...

— Tudo bem, me desculpa também por gritar com você. E-eu nunca fui de ter amigos e ninguém da sala nunca se importou em chegar perto de mim, então passei a ignorá-los da mesma forma, mas então você chegou e foi o primeiro a falar comigo, e de repente vem o Asakura querer ser meu amigo depois de todo este tempo... Eu fiquei... — Não consegui mais tentar me explicar.

Me afastei do abraço e vi aqueles olhos azuis cheios d'água, ele estava tremendo e me olhando como se estivesse aos prantos, então ele por mais uma vez me abraçou, só que um pouco mais apertado.

— Inori... Vamos sair no sábado? — Ele me perguntou sem me soltar de seus braços.

— Sim... — Respondi sentindo como se meu coração fosse parar na próxima batida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.