Deep in love
2 A Proposta.

Retornar a rotina do Vocal Adrenaline era realmente revigorante após ter meu coração partido em milhares de pedaço. Sei que dificilmente vou ter meu coração inteiro novamente, Rachel Berry fizera um grande estrago e parece nem ter percebido isso. Uma pena… Eu certamente fui o melhor namorado que ela tive em toda sua vida e era triste saber que esta preferiu jogar meu amor no lixo, traindo-me musicalmente com os outros integrantes do New Directions.
O palco do Carmel High School estava vazio e eu, sentado em frente ao piano enquanto treinava as notas de Bohemian Rhapsody do Queen. Essa é a música que iremos cantar na competição e a performance em si exige muito de mim. Não que eu me importe, é claro, afinal sou o melhor membro do coral. Se não fosse por mim, eles estariam perdidos. Agora graças a Berry, eles me têm de volta
O auditório estava totalmente escuro a não ser pelo holofote que focava unicamente em mim. Sei que não estava fazendo nenhum tipo de apresentação mas a intensidade daquela luz sobre mim, faz com que eu me sinta mais forte. Poderia ser melhor ainda se tivesse alguém para me aplaudir ali naquele momento. Respirei profundamente antes de me levantar quando senti que não estava sozinho, de fato. Olhei na direção em que se encontravam as cadeiras mas por culpa da luz, tudo o que consegui foi um pouco de dor nos olhos, o que fez com automaticamente eu levasse a mão sobre a face..
— Quem está aí? — Indaguei em voz alta. Não obtive resposta. Se fosse no McKinley High School, acreditaria que alguém estava ali o espiando para depois ficar zoando dele pelos corredores. Mas quando se tratava do tão temido Vocal Adrenaline, poderia ser muito bem um espião. Levantei de onde estava e caminhei calmamente em direção ao botão para desligar a luz do holofote. Não ensaiaria mais naquele dia. O auditório inteiro estava tão silencioso que por um momento esqueci completamente da sensação de ter alguém ali, até o momento em que me virei e me deparei com uma loira grávida. Era Quinn Fabray do New Directions. Apesar do susto, cruzei os braços e perguntei:
— O que você está fazendo aqui? Espionando? Você sabia que se eu resolver tirar foto de você aqui no auditório e mandar para o juri, o seu coral estará desclassificado e não terá nem a chance de ir para as nacionais, não sabe? — Uni as sobrancelhas, olhando-a fixamente. Era claro que ela não estava ali para espionar, sabia que tinha outro motivo. — Então…
— Precisamos conversar sobre algo que interessa a nós dois: Rachel Berry.— Ela disse. Minha expressão mudou no mesmo instante, porém com a pouca iluminação do local, era certo que Fabray não tivesse percebido. Não queria ouvir nada sobre Berry, tampouco falar sobre ela.
— Você, assim como todos os integrantes do New Directions sabe muito bem que não estamos mais juntos e por isso, não me interessa mais. — Falei antes de me virar e ir em direção ao camarim onde tinha uma saída do auditório porém, a loira me segurou pelo braço.— Tudo bem. O que você quer? — Cedi, talvez ignorar uma garota grávida não fosse uma coisa mais certa a se fazer.
— Rachel partiu seu coração e tudo o que você fez foi jogar ovos na cabeça da garota. Acha que isso é o suficiente, St. James? Que tipo de vingança foi aquela? Nunca vi nada tão idiota. — Quinn revirou os olhos antes de cruzar os braços sobre o peito. Sério que ela ia ficar de joguinho e não iria ao ponto de uma vez?
— Repito: O que você quer? — Resolvi ignorar o que ela disse. Aquilo que havia feito não era uma vingança. Só estava provando sua fidelidade ao coral e nada além disso.
— Quero que você finja que está saindo comigo. Não fale nada, apenas escute. Rachel Berry não ferrou apenas com sua vida. Antes do New Directions começar, eu namorava Finn Hudson e bom, tive alguma coisa estranha com Puckerman. Depois disso, perdi ambos. Você sabe, os dois estão se focando totalmente naquela baixinha insuportável. — Ela dizia. Foi quando novamente lembrei do vídeo de Run, Joey, Run. Aquilo foi a coisa mais horrível que já fizeram para mim em toda minha vida e não podia negar que a ideia de Quinn fosse realmente atraente mas, ao mesmo tempo a achava muito idiota.
— Você acha mesmo que irão acreditar que estamos tendo alguma coisa? — Indaguei com um sorriso debochado.— Sério, você não tem ideia melhor?
— Então saia comigo de verdade, que seja. — A loira propôs estressada, o que fez com que eu soltasse uma gargalhada.
— Está me convidando pra sair, Fabray? — Arqueei a sobrancelha.
— Estou fingindo, é diferente. Argh… Já vi que não dá mesmo pra negociar com você. Rachel fez certo ao torná-lo só mais um naquele vídeo, afinal, na vida você é realmente isso: Só mais um.
Se o objetivo de falar aquilo era ferir meu ego. A garota tinha conseguido. Como assim sou mais um? Ainda mais em comparação a Finn Hudson e Noah Puckerman que não têm nem a terça parte do meu talento.
— Isso não é verdade... — Comecei. Iria listar pelo menos dez motivos que o tornavam melhor do que aqueles dois porém, fui interrompido antes.
— Então prove. Você e eu vamos começar a sair. Rachel saberá mais cedo ou mais tarde. Sei que você ainda gosta dela. Quem sabe, essa não seja a chance de você recuperá-la? Ela certamente vai ficar furiosa e com ciúmes. E bom, assim talvez eu recupere a atenção de Puckerman ou Finn.
— Não quero Rachel de volta. Só quero que ela perceba o que perdeu; o que não foi pouco.
— Ela vai. Confie em mim. — Fabray disse com tanta segurança que parecia até que eu estava concordando com sua ideia maluca. — Você tem carro? Preciso ir para a reunião do Glee Club. Vim de táxi e não tenho mais dinheiro.
— Não lembro de ter dito que concordo com a ideia de fingirmos estar saindo juntos. Não vai funcionar.
— Vai deixar uma garota grávida pedir carona na rua? Sério mesmo, St. James? Estou vendo o quanto Rachel perdeu. — A loira disse ignorando o fato de que eu não estava concordando e já indo em direção a saída do auditório, estressada como sempre. Tinha que admitir, aquele estresse todo era um charme.
— Calma, eu levo você. — Falei contra a vontade, seguindo-a enquanto tirava a chave do carro do bolso. Por mais que soubesse que a ex-cheerleader estava me chantageando, não poderia mesmo deixar uma grávida correndo riscos na estrada. Mas ainda assim, não concordava nem um pouco com aquela ideia infantil, até por que eu me recusava a ser usado novamente por mais que não sentisse nada por Quinn Fabray.
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