Decode - Fanfic Interativa
3 Olhos vermelhos
Notas iniciais
Primeiramente, desculpem a demora! Como eu disse anteriormente, eu estava viajando e tal..
Obrigada de coração por todos os reviews, já vou responde-los, ok?
Ah, quantos aos personagens, boa noticia: Como eu não conseguir escolher um só de cada categoria (não é minha culpa se vocês são fodas e criam personagens ótimos u.u) todos irão entrar na história. (JOGUEM CONFETES AE......... ou não).
Bom, espero que gostem.
Beijos e mordidas.
Capítulo 1 – Olhos vermelhos
POV ANNE MCBRIDE
O sol tinha acabado de nascer lá fora e agora boa parte do meu quarto estava iluminada. Boa parte não, apenas a parede cinza — que dava de frente para a janela — onde estava a minha escrivaninha de madeira quase invisível em meio de tantos papeis de livros.
Eu olhava para tudo com uma mão repousada na minha testa. O cansaço dominou os meus olhos por alguns instantes, fazendo-me fecha-los e desejar dormir mais uma vez. Mas antes que eu tivesse tempo pra isso, mamãe abriu a porta do meu quarto com um enorme sorriso estampado no rosto.
–Nem pense em dormir novamente, garotinha – ela disse enquanto dava passos largos em direção às janelas do meu quarto. Um barulho irritante de metal se colidindo se juntou com uma forte claridade, me fazendo semi-serrar os olhos por alguns instantes. Minha mãe, Caroline, tinha a péssima mania de abrir as cortinas antes mesmo que eu conseguisse me despertar. Em um movimento rápido e gracioso, ela chegou até a minha cama e se sentou na mesma, na altura do meu quadril. – Está ansiosa para o primeiro dia de aula? – perguntou com os seus olhos azuis brilhando.
Hesitei.
Não queria parecer uma criança frágil de 5 anos que mais tarde relutaria chorando para entrar na escola – longe disso. O problema é que internamente eu parecia assim.
–Claro – menti formando um pequeno sorriso – ao contrário do dela, que foi de orelha a orelha.
–Perfeito! Quer carona? – perguntou piscando os olhos algumas vezes.
Sorri pelo nariz. Minha mãe estava – com toda certeza do mundo – muito mais animada do que eu.
–Tudo bem, mãe. A Jullie disse que iria me buscar aqui – digo em um tom calmo.
–Tá certo – ela disse visivelmente decepcionada enquanto se levantava rapidamente da cama, — vou deixar você se arrumar. Não demore, o seu pai está fazendo torradas – disse enquanto arrastava-se até a porta do meu quarto.
Respirei fundo e deitei minha cabeça no travesseiro novamente, mas antes que eu tivesse tempo para planejar a minha fuga do primeiro dia de aula, minha mãe abriu a porta do quarto novamente.
–ANNE, NEM PENSE EM DORMIR NOVAMENTE! – berrou com a testa franzida.
Sorri enquanto vi a porta se fechar e resolvi me levantar antes que a minha mãe chamasse a minha atenção novamente.
Se você está pensando que eu iria para uma cidade nova, uma escola nova, pronta para fazer novos amigos, e essas coisas todas de filme, pensou errado. Esse era o meu penúltimo ano aqui em San Diego, Califórnia. Por um milagre do destino eu passei para o segundo ano do ensino médio – o que era bom, porque eu ainda não tinha certeza se estava pronta para me separar dos meus poucos amigos.
Eu com certeza não era uma pessoa muito preocupada com visual. Sei disso porque, certa vez, Narcysa me arrastou para uma tarde inteirinha no shopping alegando que eu tinha que ser mais feminina.
–Tá vendo, Ann? – ela perguntava com a testa franzida enquanto erguia um vestido todo florido e rosado pouco acima da altura dos seus olhos – isso é delicado. Isso não — ela agora apontava para a minha calça jeans rasgada e para a minha camiseta xadrez que escondia a regata branca.
Revirei os olhos ao lembrar-me dessa cena e automaticamente olhei para o vestido que estava pendurado no cabide, imerso ao monte de roupas que estavam literalmente enroladas ali dentro.
–Anne, você vai se atrasar! – minha mãe gritou do andar de baixo.
Peguei minha roupaaqui.
Corri para frente do espelho e fiz um coque rápido e bagunçado. Peguei minha mochila – que já estava arrumada desde ontem a noite – e meu celular que estava em cima do criado mudo, ao lado da cama.
Não queria que a minha mãe gritasse comigo novamente e, além do mais, Jullie estaria aqui daqui a alguns minutos.
Sai do quarto e fechei a porta atrás de mim.
Desci as escadas praticamente correndo e me deparei com uma cena inusitada: meus pais estavam todos sorridentes e no maior romance. De inicio franzi o cenho, mas logo em seguida dei de ombros dizendo a mim mesma para não se importar.
–Torradas? – meu pai me perguntou enquanto pegava os pratos no armário.
Abri a minha boca para responder, mas antes que eu tivesse oportunidade, algum carro buzinou lá fora.
Levantei apressadamente da mesa enquanto minha mãe me olhava com uma cara do tipo: “você vai sair sem tomar café?”. Sorri e fui até ela, depositando um estalado beijo em sua bochecha.
–Boa aula, querida – disse minha mãe pegando o meu rosto com as duas mãos.
Meu pai murmurou alguma coisa em relação às torradas e eu ri. Peguei a minha mochila e passei uma alça pelo ombro esquerdo e a outra pelo direito.
–Boa sorte, Ann – meu pai murmurou enquanto pegava o seu jornal e bebericava o seu café.
“Anne, eu vou ter que trazer você pelos cabelos?”. Pude ouvir Jullie gritando lá de fora.
–Já estou indo – grito de volta ainda que ela estivesse me vendo abrir a porta da frente e ajeitar a minha roupa ao mesmo tempo.
Absorvi o ar que só San Francisco tinha antes de marchar até o carro de Jullie — um chevy volt prata.
–Bom dia flor do dia – ela disse dando o seu melhor sorriso logo em seguida. Me limitei a responder apenas um “bom dia” antes de entrar no carro e esticar o cinto de segurança pelo meu peito. – Nossa, o que deu em você?
Olhei para ela antes de responder.
Jullie era incrivelmente linda. Seus olhos azuis estavam sempre brilhando igualmente ao seu sorriso. O cabelo loiro caia até um pouco abaixo dos ombros, formando pequenas e delicadas curvas. A pele era bem alva, sem nenhuma imperfeição – o que fazia eu me odiar por gastar tanto em cremes da Victoria Secrets a troco de nada. Suas bochechas estavam sempre marcadas de blush e seus lábios eram contornados por um gloss que eu podia apostar que era de framboesa.
–Não comi nada antes de sair de casa – digo me agarrando no carro quando Jullie freia bruscamente no sinal.
–Como eu sou a sua fada madrinha, comprei bagels e café para você.
Um sorriso se forma automaticamente em meu rosto e eu avanço até ela, dando um abraço desajeitado em seu corpo.
–SAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI ANNE – ela grita e ri ao mesmo tempo.
Nós só paramos de rir quando os carros lá atrás começaram a buzinar para nós sairmos da frente.
Jullie dobrou a esquerda e já começamos ver a ponta do colégio.
A Scripps Ranch High School (SRHS), está localizada no nordeste de San Diego , Califórnia. Não é muito longe da minha casa, mas até a casa da Jullie é uma tremenda distancia.
Ela entrou nos estacionamento da escola e logo achou uma vaga – a única vaga disponível perto do portão de entrada.
Olhei para o relógio. É, tínhamos 15 minutos antes do sinal para a primeira aula.
Jullie olhou sorridente para mim e eu entendi exatamente o que ela queria.
Pelo que Jullie conta, ela sempre foi uma garota sozinha- principalmente depois que perdeu a sua mãe, com 6 anos. Porém, antes disso acontecer, ela vivia tranquilamente com a mãe carinhosa que tinha e um padrasto até então desconhecido pela mesma, que mal via ele por jamais parar dentro de casa. Sempre saia de manhã e voltava tarde da noite quando ela estava dormindo. Ela teve uma infância boa, mas sempre foi especial por causa de um dom bem incomum que tinha. Apenas com um toque que recebia ou encostava de uma pessoa conseguia visualizar a vida inteira e seu futuro escrito sob fogo numa pedra que achava ser o destino da mesma. Esse dom incluía a telecinese, onde podia fazer objetos e a si mesma levitarem e acidentalmente invadir a mente de outras pessoas. Sua mãe não sabia disso, Jullie achava que seria considerada uma aberração por esse problema incomum que a mesma tinha quando criança, então ficou calada até o dia que encontrou a mãe morta dentro de casa depois de ter voltado da casa da vizinha, onde sua amiga Lucy morava. Naquele dia tudo na sua vida mudou, seu padrasto havia sumido da face da terra e acabou indo morar com seu pai verdadeiro já que não tinha contato com a parte da família de sua mãe. Assim que mudou-se para a casa de seu pai, passou a ser ignorada e maltratada pelo mesmo, mas sempre dava um jeito de driblar ele e acabou por fugir da residência indo morar em uma cidade bem distante de seu pai. Até o fatídico dia que soube que o mesmo havia morrido. Tentaram encontra-la, mas por viver com identidade falsa acharam que ela estava morta. Sabia que seu pai havia sido morto por seres estranhos (ok, talvez ela tenha ficado um pouco paranoica com tudo isso), mesmo estando longe dava um jeito de ir visitar seu pai – quando estava vivo, claro — para saber como estava e manteve distância até o ocorrido. Quando foi visitar a casa pela ultima vez escondida e tocou nos objetos para reviver o acontecido. Vampiros estavam tentando persegui-la e com isso criou um escudo com seu próprio dom para impedir que a achassem. Como ela conseguiu? Não fazia ideia, somente projetou a ideia na mente e aconteceu tal fato. Há pouco tempo, descobriu que também consegue ver o futuro das pessoas.
Apesar de ser minha amiga, eu nunca falei pra ela que vampiros não existem, que era apenas uma lenda boba para assustar crianças.
–Jullie, chega disso – resmunguei negando algumas vezes com a cabeça.
Tarde demais, ela já estava tocando nas minhas mãos e eu não pude fazer nada.
Ela ergueu o rosto e seus olhos revelaram o seu medo.
–Ela está vindo.
–Ela quem, Jullie?
–A moça dos olhos vermelhos. Ela quer você, Anne. Ela está com raiva porque ele vai se apaixonar por você...
Seu rosto estava numa mistura de medo e angustia.
Revirei os olhos antes de falar.
–Ninguém vai me pegar, ninguém vai se apaixonar por mim, Ju. – Passei os meus dedos em seus cabelos – calma, foi tudo um...
–Mas eu vi! – ela relutou – eu vi tudo, eu juro que eu vi!
–Deu Jullie, vamos entrar para a aula.
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