Decode

12 Capítulo 12


Andamos um pouco até chegarmos em uma pedra grande.Nos sentamos e meu pai começou:

– Lizzie, olha...eu preciso te contar muitas coisas, mas antes quero que você prometa que mesmo depois de tudo que eu te contar, você vai continuar sendo a mesma filha maravilhosa que você sempre foi. Promete?

– Claro, pai.O que é?

– Ok,Liz,eu posso ser direto?

– Sim — eu disse com um pouco de medo do que ele ia dizer.

– Eu também sou um glambow. Igual o Bill.

Fiquei muda. Perplexa. Eu não conseguia acreditar. Meu pai que me viu nascer,que me viu em todos os dias da minha vida, que me gerou era um glambow.Eu não sabia se sentia raiva por ele nunca ter me contado, se sentia medo, pavor, tristeza ou alegria.

Abaixei os olhos e fiquei olhando para meus pés. Depois de uns instantes,meu pai interrompeu o silêncio:

– Liz,eu sei que eu devia ter te cont...

– Ok pai — eu disse,interrompendo-o.

Ele abaixou os olhos tristemente e ficou olhando o chão.

Depois eu disse:

– Pai, eu também sou uma glambow?

– Não. Quando sua mãe engravidou de você, eu já era humano. E não existem mulheres glambows.

Fiquei uns minutos pensando e comecei a juntar ás peças. Meus pais nunca me mostraram fotos, ou me contaram como foi a vida deles antes de se casarem. Eu nunca tinha visto ninguém da família do meu pai, e ele também nunca falava em família, e o meu pai não se dava bem com meus avós. Por isso meus pais eram tão contra meu relacionamento com Bill. Eles tinham medo que eu sofresse o mesmo que eles sofreram.

– Pai...o relacionamento de você com minha mãe, foi muito difícil, assim,no começo?

– Foi praticamente impossível. Você não sabe o quanto é difícil o relacionamento de um humano com um glambow. Por isso eu e sua mãe estávamos preocupados com você e Bill. Desde o primeiro dia que você falou sobre ele e suas características com a sua mãe ficamos preocupados.Não queremos que você sofra,minha filha.

– Mas pai...eu não vou sofrer tanto assim.Nós nos amamos,e é isso que importa.Bem quer dizer, eu o amo, mas eu não tenho certeza se o Bill ainda gosta de mim.

– Vocês estão com problemas?

– O Bill não me ama mais pai.Ele acha que eu sou uma traidora.

– Oh minha filha. Eu nunca quero vê-la sofrendo. E eu sei que vocês se gostam,por isso que eu e sua mãe liberamos o seu namoro. Mas se você preferir voltar para os USA, tudo bem. Vamos aceitar a sua opinião — meu pai disse.E eu percebi que ele queria que eu escolhesse voltar para os USA.

– Pai, eu vou voltar para os Estados Unidos. É o mais sensato á fazer no momento.Eu quero ir morar com meu tio Louis no Texas.

– Tem certeza de que é realmente isso que você quer fazer,Liz?

– Sim, pai. Nunca tive tanta certeza na minha vida.

– Ok,filha.Vamos comprar sua passagem amanhã.Daqui á dois dias,você já vai estar na casa do seu tio Louis,ok? — ele disse,me dando um beijo na testa. — Vamos pra casa?

– Vamos.

– Calma, Liz, espera! — eu ouvi alguém gritar,me virei para trás e vi Bill.

– Liz,precisamos conversar.

– Lizzie,eu vou descendo,te espero no carro,ok? — meu pai disse saindo.

– Ok pai.Fala Bill. Vai me humilhar mais uma vez?

– Lizzie,me escuta. Eu ainda te amo. Sempre te amei, antes mesmo de te conhecer, eu sabia que tinha alguém que me faria bem, mas eu estava com medo. Eu estava com medo de estar errado com relação á você, de você não gostar de mim o mesmo tanto que eu gosto de você. Quando eu te vi, eu chorei. Eu nunca tinha chorado antes,Liz, nem mesmo quando Adolf morreu. Então eu tive a certeza de que você era a mulher certa pra mim. Mas eu continuei com medo, então eu tratei você daquele jeito. Me perdoe. Eu só te peço perdão, e mesmo que você volte para os USA, mesmo que você não fique comigo, eu só te peço que me perdoe, por tudo que eu falei.

– Bill, eu...preciso pensar. Amanhã eu venho aqui e te dou a resposta.

Falei isso e desci a colina, entrando no carro do meu pai que disse:

– Como foi..Liz?

– Depois eu falo pai. Apenas dirige,ok? Preciso pensar.

Depois de um tempo chegamos em casa, e eu fui para meu quarto.

Deitei na cama, mas não dormi,fiquei a noite inteira pensando em tudo que tinha acontecido. Tudo mesmo, desde o dia em que eu cheguei na Alemanha. O dia amanheceu, as horas se passaram e quando eu olhei no relógio eram 09h27. Levantei,tomei um banho,me arrumei e saí.

Fui novamente ás colinas,e bati na porta da casa de Bill.Dessa vez,ele atendeu na primeira batida.

– Liz! Então você...

– Não fala nada — eu disse,beijando-o.