Decode
8 Capítulo 8
Entrei em casa, e fui para o meu quarto como sempre. Fiquei horas lá, pensando em tudo que Bill havia me dito, e no beijo que ele havia me dado. Depois adormeci e acordei de madrugada, de um pesadelo ou sonho. Tentei dormir, mas não consegui. Fiquei observando a janela e a parede, e de repente alguém surgiu na janela. No inicio me assustei e recuei, mas depois ouvi uma voz conhecida que disse:
– Acordada, Lizzie?
Logo reconheci que era Bill e disse:
– O que você está fazendo aqui?
– Olhando pra você.
– Não!
– Sim!
Ele pulou dentro do meu quarto e eu acendi a luz. E novamente me surpreendi, pois ele havia mudado completamente de aparência: o cabelo estava normal, os olhos agora eram azuis e ele estava bem musculoso. Estava perfeito!
– Bill,não! Eu estava dormindo e isso não são horas!
– Pra mim são!
Ele sentou em minha cama e puxou meu rosto para perto do seu de modo que pude sentir sua respiração:
– Estamos namorando, ok?-ele disse.
– Ok, me chama de Liz, ok?
Ele me pegou pelo queixo e me beijou, e ficamos um tempinho nos beijando.
Depois ele disse:
– Tenho que ir ,te vejo amanhã.
Acordei e me senti diferente. Eu estava revigorada, me deu uma vontade de sorrir e saí correndo pelo mundo. Essa felicidade acabou quando eu olhei o relógio e vi que eram 07:45 (detalhe: eu tenho que sair de casa ás 06:30!)
Coloquei a roupa o mais rápido possível, escovei os dentes e desci.
Encontrei minha mãe na sala com uma cara tão raivosa que a deixou parecida com um demônio.
– Mãe! Porque você não me acordou para ir para a aula?
– Por que você não vai pra escola hoje.Nem nunca mais.
– Como assim?
– Você vai voltar para os USA hoje á tarde Lizzie.
– Como assim? Mãe, eu não quero ir! Agora que eu arrumei amigos aqui e estou feliz? Eu não vou para os USA. Vou ficar aqui até o final do ano.
– Amigos,é? Amigos do tipo que entram no seu quarto á noite?
– Mãe,como assim? — eu disse MUITO surpresa.
– Eu vi tudo Lizzie Letto.Quem era aquele garoto que entrou pela janela do seu quarto ontem?
– Ok mãe, era o Bill.
– Bill? Não é o tal...LIZZIE LETTO!ELE NÃO É O MENINO DE OLHO VIOLETA É? — ela disse,ou melhor gritou. Gritou tanto que qualquer um que passasse na rua teria ouvido.
– É mãe, é ele sim. E estamos namorando — resolvi abrir o jogo.
Ela não disse nada. Ficou parada olhando para mim com a mesma cara que um cientista olha para um alienígena. Era até engraçado, até que ela pegou um objeto da mesa e atirou na minha direção. Eu abaixei rápido e gritei:
– Mãe! Ficou louca??!
– LOUCA ESTÁ VOCÊ! VOCÊ VAI PARA OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, AGORA!
– E escute bem: você nunca mais olhe para aquele cara, ouviu? E é bom vocês não terem transado, por que...eu não sei o que eu posso fazer se você engravidar!
– Nós não transamos! E eu não vou para os USA porra nenhuma!
Saí de casa batendo a porta e fui pro colégio.
Fiquei lá na porta até a hora da saída, e para meu espanto eu não vi o Bill em lugar nenhum.
Saí de lá e fui a pé para a lanchonete próxima a minha casa. Entrei, sentei e fiquei pensando na vida. A minha mãe havia mudado muito. Ela sempre foi tão legal, me acompanhava em tudo e até me incentivava a arrumar um namorado. E desde o dia que eu cheguei em casa e contei pra ela sobre o Bill ela ficou estranha, duvidando de mim o tempo todo.
Fiquei á tarde toda andando pelo bairro, e quando foi 22:30, resolvi voltar pra casa.
Entrei em casa e vi meu pai e minha mãe sentados no sofá.
– Escute aqui garota,você passou de TODOS os limites! Aonde esteve o dia todo? -começou minha mãe gritando.
– Não te interessa! Você não vai mais controlar minha vida! Eu já tenho 16 anos, tenho direito de namorar quem eu quiser e de ficar aonde eu quiser!
– Eu vou matar essa garota, Edward! Ela ultrapassou todos os limites! Eu sou mãe dela e ela me deve respeito! — disse minha mãe, gritando tão alto que perdeu o fôlego.
– Joanne, deixa que eu converso com ela! Liz, vá para o quarto. — disse meu pai.
– Você não vai contar, ok? — disse minha mãe,falando baixo.
– Ok, vamos Lizzie.
Entramos em meu quarto e meu pai disse:
– Onde você passou o dia?
– Andando pelo bairro.Eu juro.
– Eu sei, acredito em você.
– Pai, não é justo o que a mamãe está fazendo comigo. Ela não pode mais mandar na minha vida desse jeito!
– Eu sei, mas ela só faz isso pra te proteger. Acredite.
– Mas pai...
– Preste atenção, Liz, se fosse qualquer outro cara, aceitaríamos numa boa.Mas esse garoto Liz...
– Mas pai, é dele que eu gosto.
– Eu sei minha pequena. Mas há muitas coisas que você precisa saber. Termine com ele, vá em algumas festas, arrume outro namorado. Mas pra você ficar com ele vai ser muito complicado. Confie em mim.
– Mas pai...eu acho que gosto dele de verdade. — eu disse e senti lágrimas quentes indo em direção aos meus lábios.
– Calma filha. Deixa o tempo curar sua paixão adolescente,ok? Agora prometa ser mais boazinha com sua mãe, ela só quer te ajudar. Amanhã peça desculpas para ela. Boa noite — ele me disse,dando um beijo em minha testa.
Meu pai: sempre tão lindo.
Dormi pensando na vida.
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