Decode
5 Capítulo 5
Entrei em casa e minha mãe estava lendo jornal. Achei super estranho por que ela NUNCA lê jornal.
– Oi Lizzie — ela disse calmamente — aonde você estava garota? FICOU LOUCA? SAIU ASSIM SOZINHA? Você ouviu o que o médico disse ontem? REPOUSO ABSOLUTO! E você sai assim,sem avisar! — ela gritou como se eu estivesse no Japão.
– Calma mãe. Eu sei o que o médico disse e sei o que é bom pra mim. Eu saí porque estava no tédio, e eu nem fui longe, fui só na lanchonete perto daqui.
– Pára de mentir Lizzie Letto! Eu sei que você foi em outros lugares! Você não ficaria duas horas em uma lanchonete! Aliás quantas coisas você anda fazendo escondida desde que chegamos aqui?
– Ok mãe...eu conheci uma garota que se chama Blair e nós fomos até um pequeno shopping que vende artigos rockers aqui perto.Só isso.
– Você não está mentindo Lizzie?
– Não mãe. Eu a conheci na lanchonete.
– Ok. Agora precisamos conversar.
– Sobre aquilo que você queria dizer antes de eu dormir?
– Sim.
– Diga.
– Ok...vou direto ao ponto. Sabe aquele garoto que você disse que era estranho,que tinha o olho violeta?
– Sei. O que tem ele?
– Aconteceu algo entre vocês?
– Algo como?
– Beijos,essas coisas.
– CLARO QUE NÃO MÃE! — dessa vez foi eu que gritei, de indignação – ficou louca? Eu jamais teria qualquer coisa com aquele garoto...se é que pode chamar aquilo de garoto. Mãe, me diga a verdade: por que você está perguntando isso?
– Ok Liz, eu acredito em você.Nada só curiosidade.
– Ok mãe, agora eu vou para o meu quarto e vou fingir que você nunca me perguntou isso.
Passei o resto do dia no meu quarto, pensando no por que da minha mãe ter perguntado isso.
Acordei mais uma vez com o dia ainda escuro, me arrumei e fui pra escola rezando para que Bill não estivesse lá.
Entrei na sala, me sentei no mesmo lugar e fiquei esperando.
Dez minutos depois o professor entrou e novamente Bill entrou com ele.
Assim que o professor se sentou, o garoto veio caminhando na minha direção, pisando forte e me olhando atentamente,olhando pra dentro dos meus olhos.
Ele se sentou e ficou olhando para suas próprias mãos.
Novamente senti um frio na espinha, e a aula prosseguiu.
Ao final da aula, antes de irmos embora, Bill novamente me olhou, ou melhor olhou meus olhos. Parecia que ele estava me vendo através deles,olhando para o fundo da minha alma.
Saí da escola e fui para a lanchonete.
Assim que entrei vi Blair, sentada em uma mesa.
– Oi Blair. Tudo bem?
– Oi. Não, eu estou péssima.
Me sentei e perguntei:
– Por quê? Está matando aula de novo?
– Sim estou. Ah, deixa pra lá, não é importante.
– Não Blair. Me conte. Por que você está assim?
– Foi o Wood. Ontem á noite ele chegou em minha casa completamente bêbado e minha mãe tinha saído com o namorado. Eu disse que não iria abrir a porta pra ele, mas ele ficou batendo e gritando. Resolvi abrir, ele entrou e me agrediu — ela mostrou os braços com hematomas e eu notei que a boca dela estava machucada — ele foi embora e eu fiquei deitada.
– Nossa! Como ele é violento! Eu não sabia que ele era assim.
– Nem eu. Eu conheço o Viktor desde que ele tinha 13 anos. Ele era outra pessoa,ele era doce, meigo e gentil. Todos gostavam dele. Aos 15 ele perdeu a mãe e se revoltou. Se tornou rebelde e agressivo. Desde pequena eu era apaixonada com ele, mas ele nunca ligou pra mim, até dois meses atrás, quando começamos a namorar. Nos primeiros dias foi tudo lindo, mas depois ele começou a beber demais e um dia eu o vi fumando maconha. No outro dia eu o vi ficando com uma garota. Resolvi ignorar, porque eu ainda gostava dele. Depois disso ele começou a me agredir,e á quatro dias terminamos. E eu não sei o que fazer.
– Já pensou em denunciá-lo? Ou contar pra sua mãe?
– Denuncia não adianta, o máximo que ele pode ficar preso é 6 meses, e quando ele sair é capaz de me matar. E minha mãe não vai ligar.
– Então, sinceramente eu não sei o que fazer pra te ajudar.
– Simplesmente não há o que fazer.Quer dá uma volta?
– Hoje não, tenho que estudar e minha mãe fica enchendo o saco.
– Ah sei. Então,eu vou nessa.
– Tchau.
Cheguei em casa e fui direto ao meu quarto. Fiquei pensando na Blair e no Viktor, ou melhor no que ele tinha feito com ela. Eu tinha que ajudar de alguma forma, só não sabia como.
Depois do almoço resolvi dar uma volta, continuando minha jornada por Leipzig. Andei um pouco pelo bairro, cheguei até o ponto de ônibus e peguei o primeiro que passou. De dentro do ônibus fiquei observando as ruas, como se a vida estivesse passando numa televisão. Depois de uns 20 minutos, eu vi umas casinhas bonitinhas e resolvi descer. Fiquei andando por um tempo até ouvir uma voz dizer:
– Oi...olhe Rudy, se não é a amiguinha nova da Blair.
Virei-me rapidamente e vi que era o Viktor.
– Não se assuste linda,qual o seu nome?
– Não te interessa, me deixa em paz!
– Selvagem,não? Pois bem,eu sou Viktor, para os amigos sou Woodpecker, pra você pode ser amor.
– Vai embora, eu não quero nada com você!
– É, mas eu quero muuuita coisa com você! — ele disse isso e agarrou minha cintura, me puxando para bem perto dele. Enquanto isso Rudy ria da minha situação.
– Solte ela! — ouvimos uma voz dizer.
Virei-me e tive um susto: era Bill. Não sei se corria até ele ou se corria dele.
– Solte a garota agora.
– Haha, o que você acha que pode fazer comigo seu viadinho? Aliás de onde você veio? Você pelo menos sabe quem sou eu?
Bill olhou para o Viktor e rapidamente ele me soltou,se jogando no chão e se contorcendo de dor.
Eu fiquei assustada. Aquilo não era humano.
Ele virou para mim e disse:
– Vá embora.
Eu fiquei paralisada e ele saiu andando e sumiu, do mesmo jeito que chegou.
Fiquei ali parada, assustada. Viktor começou a se levantar e depois foi embora. Fiquei
minutos (ou horas) hipnotizada com tudo que estava acontecendo e de repente já vi que estava escurecendo.
Cheguei em casa, entrei em meu quarto e adormeci.
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