Decisões
8 Não esqueça
Dave não me visitava faz uma semana, mas hoje ele veio. Estava diferente, não tinha mais os mesmos olhos brilhantes e saudáveis, estava mais magro do que o normal... Ele entrou e sentou na minha cama, ao meu lado. Sentei de ''perna de índio'' e fiquei esperando ele falar alguma coisa. Mas ele não falava. Só me olhava com seus olhos, agora foscos.
– O que aconteceu com você? — perguntei. — Você está mudado...– Não é da sua conta. — Ele virou o rosto.– Nossa. Estou preocupada. — Estou. Mesmo. — Me conta. — Implorei, puxando o braço dele e segurando a sua mão, implorando. Então vi alguma coisa. Mas é isso mesmo? Ele pegou sua mão de volta para ele.– Não... Não é nada. Sério. Acredite em mim. — Ele voltou seus olhos para mim. Não. Eu não acredito.– Como acreditar em você? — Puxei o braço dele e virei para ver o pulso dele. — Você está se cortando, Dave! E eu sei que não é nada: Pessoas não ficam estranhas e começam a se cortar do nada! Me conte! Sou sua amiga!– Você quer mesmo saber? Minha mãe começou a me bater, todas as horas do dia, sempre que eu falo alguma coisa que ''indique ameaça a autoridade dela''. As pessoas me julgam por vir visitar você, o bullying é maior do que era antes! As pessoas me batem, todos os dias, sempre que me veem! Eu fico trancado no banheiro dos professores até que o sinal toque! Entendi. Já sei.– Então é tudo culpa minha, né? — Falei, chorando baixo. — Eu acho que o melhor... — soltei o braço dele e enxuguei minhas lágrimas, depois peguei ele de volta, mas dessa vez segurando sua mão. — É você parar de vir me visitar. Encontrar outro par para o baile... — Chorei mais ainda. Estou disposta a perder a única pessoa que se importa comigo para o próprio bem dela? — O melhor para você é me deixar. — Soltei o braço dele. — Vá embora, Dave.– O que? Eu não disse que isso era sua culpa! — Ele começou.– Eu sei que é! Não sou estupida! Vá embora! Nunca mais venha me visitar, vá. Me deixe, e seja feliz! Sem mim sua vida vai ser melhor!– Por favor...– Vá! VAI EMBORA!A porta se abriu e um homem alto de branco veio buscar Dave. Só consegui dizer uma coisa antes de ele ir embora.– Nunca mais volte aqui, Dave.A porta se fechou e eu desabei. É isso, acabou. Perdi tudo o que eu tinha. Fechei as janelas e as cortinas, apaguei a luz, tirei minhas roupas, fiquei de sutiã e calcinha e então, deitei no chão gelado e chorei. Por favor, eu imploro! Eu não aguento mais, eu quero morrer! Mereço ter uma morte lenta, mereço sofrer. Não aguento mais isso!
Notas finais
Comentário de um leitor:
''q deprê....''
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