Decisions
1 Indecisão
Eu não podia sentir aquilo, não por ele, não por um dos guardas do palácio, não pelo meu melhor amigo. De forma alguma, mesmo que ele quisesse, mesmo que meus pais aceitassem essa relação não poderia vingar. Esse era o preço de ser a princesa de Illéa, servir ao meu país, me casar com o futuro príncipe de algum país importante para minha nação para manter relações entre ambos os países.
Descobri hoje que vou ter de me casar com Daniel, um velho amigo que conheci quando pequena em um dos bailes de Illéa. Eu não me senti confortável com a situação percebi que ambas as famílias estavam forçando essa relação entre mim e Daniel, aproveitaram que já éramos amigos para não haverem reclamações como: “Não nos damos bem” ou “Sempre nos odiamos, se nos casarmos provavelmente acontecerá uma guerra!”. E como planejado, nem eu nem Daniel reclamamos, ao menos não com argumentos plausíveis.
- Pai! – comecei – Isso é injusto!
- Por quê? Dê-me um único motivo para você não se casar com ele, Lilian! – disse ele.
Percebi que ele estava bravo, ele nunca me chamava pelo meu nome, nunca Lilian, sempre Lily.
- Não tenho motivos – confessei – Só acho injusto que meu irmão tenha uma Seleção! Receba um harém de candidatas de todas as castas possíveis e eu tenha de ser obrigada a me casar com um completo estranho!
- Não ponha o Christian no meio dos seus chiliques! – repreendeu-me – Não me desobedeça! Você vai casar com o Daniel e ponto final!
- Mas pai...
- Nada de mais! Vá para os seus aposentos I-ME-DI-A-TA-MEN-TE, Lilian!
Engoli seco, sem argumentos para com o Rei de Illéa, ajeitei minha postura, passei as mãos na saia do vestido, vi uma expressão de culpa nos olhos de meu pai. Ignorei-o, virei-me e segui o corredor em direção ao meu quarto. No meio do caminho Mary, uma das serviçais de minha mãe, me parou.
- Senhorita Lily, aconteceu algo? – questionou – Por que está chorando?
- Por nada Mary, apenas coisas de garota – passei os dedos de forma rapina pelas bochechas, tirando as lágrimas que caíram sem eu perceber, agora sabia o porquê da pena no rosto do meu pai – Acho que seria mais coisa de princesa mesmo...
- Quer que eu mande uma de suas serviçais para seu quarto? – ele quis saber.
- Não, mas obrigada mesmo assim – continuei a andar calmamente – Qualquer coisa eu as chamo.
- Sim senhorita – ela fez uma pequena reverência e seguiu seu caminho até os aposentos do Rei e da Rainha.
Era engraçado como minha mãe e suas empregadas me conheciam bem. Desde pequena fui ensinada a não mostrar verdadeiros sentimentos, ao menos não pela face, sempre um rosto com uma expressão delicada para mostrar a perfeição da princesa. Nada mais, nada menos que um leve sorriso bondoso e leveza ao falar, gesticular, andar, comer, sentar, respirar. Mas sempre que eu estava com problemas uma das quatro vinha até mim e tirava o peso de minhas costas com uma simples frase: “Independente de ser uma princesa ou uma plebeia, os caminhos que sua vida vai seguir somente você pode traçá-los, escolher a direção certa é sua única responsabilidade”.
Cheguei ao meu quarto e o guarda abriu a porta para mim.
- Obrigada – falei sem pensar, com a expressão leve no rosto.
- Algum problema Lily? – ele pegou no meu braço, de forma carinhosa, porém firme.
- Nada de especial, apenas mais um dia no palácio soldado Woodwork– falei como se estivesse falando com um estranho – Agora, por favor, dê-me licença. Necessito de descanso, sim?
- Claro senhorita Lilian – ele falou com um tom de dor na voz, soltou meu braço e como um verdadeiro príncipe de contos de fadas, apontou o caminho da porta – Entre, por favor. Tenha um bom descanso.
Fiz uma pequena reverência como o habitual e entrei em meu quarto.
- Por favor, não deixe ninguém entrar, certo Eric? – pedi sem olhá-lo.
- Claro Lily.
A porta se fechou e eu corri para a cama, não conseguia mais segurar as lágrimas. Precisava de um travesseiro e do conforto de minha cama. Sentei abraçando as pernas o máximo possível por causa do vestido. Comecei a chorar desesperadamente no travesseiro.
Fale com o autor